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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Uma caixa dedicada aos seniores

Actualmente o dia a dia das pessoas é um stresse, uma correria, quase ninguém faz as suas tarefas calmamente, e muito menos alguém vai ao supermercado com calma e com tempo. Ou é porque têm almoço para fazer, porque têm alguém à espera, porque vão apanhar o autocarro, porque têm de ir buscar os filhos à escola, porque estão atrasados para o trabalho, enfim.

 

No entanto há um pequeno número de pessoas, que já passaram esta fase de correrias e de stresses, e que agora precisam é de tempo e sossego para fazer as suas tarefas. Refiro-me aos seniores, ou velhotes. Muitos deles precisam de mais tempo, precisam de ajuda, precisam  até, de  ter um pouco de conversa, mas os demais não deixam e pressionam-os. Recentemente uma senhora, reclamava que estava em cima da hora para entrar ao serviço, e dizia referindo-se a um idoso, que estava a demorar imenso para tirar o dinheiro da carteira, "mas porque é  que esta gente vem para aqui a esta hora"!? Não sei se o senhor percebeu, mas fez-me pena, as pessoas a certa altura da vida perdem a agilidade e não conseguem fazer as tarefas mais básicas com a rapidez esperada. Eu posso ajudar a embalar as compras (caso o cliente queira), mas não posso mexer na carteira das pessoas e tirar de lá o dinheiro, tenho de esperar.

 

Há outros velhotes, para quem dois dedos de conversa entre eles e nós, lhes faz bem, anima-os, mas mesmo essa conversa não fazendo com que o processo atrase, as outras pessoas, acham logo que a conversa vai atrasar o atendimento.

 

Eu compreendo que não haja tempo para demoras e que as pessoas tenham os seus compromissos, mas não colidam com  estas pessoas, pois certamente lá chegarão um dia.

 

Do meu ponto de vista, acho que fazia falta a existência de uma Caixa Sénior . Não me refiro a uma caixa prioritária. Refiro-me a uma caixa para pessoas mais velhas, que precisem de ajuda e que não estejam com pressa. Nessa caixa, a operadora atendia a um ritmo mais vagaroso, de acordo com o cliente em questão, o cliente até podia ter uma cadeira para se sentar, caso as suas pernas assim o pedissem. A desvantagem seria, nos dias em que são muitas as pessoas desta categoria, não chegar apenas uma destas caixas, daí eu achar que esta caixa sénior seria apenas uma utopia!

 

Ultimamente tenho assistido a muitas ocorrências, onde as situações com os mais velhos não são  bem compreendidas pelos outros, e custa--me ver e não poder fazer quase nada! Certa vez pedi uns trocos a uma velhota, que demorou uns segundos  a encontra-los e logo um senhor da fila   disse:   "se não lhe tivesse pedido os trocos, já estava despachado"!

 

Enfim, quem sabe um dia, os seniores tenham um atendimento mais  apropriado, eles merecem, pois já trabalharam muito, já passaram por muito e agora mereciam essa atenção!

 

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A velhice não tem ser assim...

Costuma lá ir um senhor que me recordo de o ver lá como alguém bem disposto e de saúde. Mas agora, com o avançar da idade, ou apanhado por alguma doença, apesar de fisicamente parecer bem, noto que está debilitado. Atrapalhado, esquecido, mas se me ofereço para ajudar a embalar as compras não aceita, deve achar que me ofereço por ele estar a demorar , mas não é isso, nós ajudamos mesmo, seja quem for.

 

Tenho de ir pelo passo dele, devagar, devagarinho, mas é mesmo assim, eu tenho paciência (este senhor faz-me lembrar alguém muito próximo, que já não está entre nós), quem está na fila tem de compreender. Quando o senhor finalmente saiu da minha caixa, uma senhora que o conhece disse que aquela debilitação lhe chegou de um dia para o outro, e disse, que ainda por cima, tem a esposa acamada. Outra pessoa da fila, disse que mesmo assim ele ainda conduzia e que já o tinha visto fazer uma rotunda ao contrário!

 

É triste assistir a estas situações, saber das dificuldades destas pessoas, a velhice não tem de ser assim!

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Os velhotes e o dinheiro

Um casal de velhotes, para pagar a conta, cujo valor era cerca de 110 euros, vai-me dando uma a uma, notas de vinte, e cada vez que me dava uma, o senhor esfregava bem a nota com os dedos, ainda me dizia "veja bem, se não são duas, podem ir coladas!"

 

Eu compreendo bem a preocupação deles, o dinheiro com certeza que não abunda e é preciso cuidado, por isso não levei nada a mal, nem quando me pediram para recontar...

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O juízo aumenta quando aumenta a idade!?

Estava a atender um casal já na terceira idade, que estavam só às turras, discutiam, pelo que tinham comprado, pelo que faltava , e disputavam quem era o mais guloso, entre coisas do género.

 

Cumprimentei-os, só um respondeu. Continuei, o registo, e a zaragata continuava também. Até que o velho manda um berro à velha, que me faz assustar e digo "ai" (é certo que eu também me assusto facilmente).

 

Nada os fez parar, mesmo depois  de saírem dali, ainda iam zangados.

 

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Quando o dinheiro falta aos velhotes

Estou a atender um velhote, pergunto se precisa de saco, ele responde que precisa, mas que primeiro tem de ver se o dinheiro chega. Quando digo o total constata que o dinheiro não dá para pagar tudo, como levava duas manteigas, diz-me para anular uma. Não sobra dinheiro para o saco e ele não tem como levar tantas coisas nos  braços. É aí que uma senhora da fila, me dá dez cêntimos para pagar um saco ao senhor. Eu fico aliviada, e o velhote agradece à senhora!

 

Não é nada fácil assistir a estas situações, com velhotes e principalmente em bens necessários, e perceber como o dinheiro de alguns, deve ser tão pouco...

 

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Sexta-feira, e dia 10...é uma festa!

 

Era sexta-feira, dia 10. Sabiamos  à partida  que o dia não ia ser fácil. Muitos velhotes vêm neste dia, porque é o dia que recebem o seu "vencimento". Felizmente a maioria são simpáticos, cumprimentam-nos como se fossemos família, perguntam se estamos bem, dizem que foi um prazer ver-nos, nós retribuirmos e isso é reconfortante.

 

No entanto, existem os do contra. Assim que cheguei ao balcão de informação para fazer as tarefas que antecedem a ida para a caixa, sou abordada por um velhote, que diz que quer falar comigo. Educadamente, digo : "Em que posso ajudar?". É aí que o velhote, com uma certa ironia me pergunta, se quero que ele vá para uma caixa atender pessoas, e começa a falar sobre o emprego e desemprego, e coisas do género.

 

Estive quase para lhe dizer, que foi por estar a perder tempo a ouvir as idiotices dele, que demorei mais tempo a chegar à caixa. Mas , apenas lhe disse  :" Está bem"! Ao que ele respondeu:" Mas parece que você não manda aqui nada"!? E saiu  de cena! Sentindo-se melhor, com certeza, por ter opinado...

 

Não sei porquê, mas tenho ideia que as pessoas que mais reclamam se tiverem mais algum tempo na fila, são os velhotes, e depois ainda dizem que esta mocidade de hoje anda sempre com pressa e que não tem tempo para nada!

 

Enfim...

A ida de um velhote ao supermercado

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Estava a atender um velhote, já muito debilitado fisicamente, que me diz logo à partida que só tem 7 euros, e que se passar do valor deixa ficar as bananas. Havia mais pessoas na fila, que pareciam também estar a torcer para que o dinheiro chegasse. O velhote levava bens essenciais, tipo leite, pão, legumes, fruta.

 

Quando digo o valor, que pouco passava dos cinco euros, o velhote responde em tom de suspiro: "ah, graças a Deus"! Eu digo: "ainda sobrou para um cafezinho", ao que ele responde, que já não bebe café.

 

Depois pede se alguém lhe pode levar o saco ao carro. Ficamos assim a saber que aquele velhote ainda conduz. E isso é preocupante, e até perigoso, pois o sr até pode ser cuidadoso e conduzir devagar, mas falta-lhe talvez sentido de orientação, e perspicácia para alguma situação inesperada que possa acontecer na estrada. Mas enfim, se calhar, tem mesmo de o fazer, por não ter outra opção...

Haja paciência

Estávamos numa hora calma do dia. Somente eu na caixa.  Estava a acabar de atender uma senhora, quando vem um velhote a chegar, e diz :" Uma casa destas e  só uma caixa a trabalhar!"

 

Isto é mesmo vontade de implicar, é mesmo mau feitio! Então, mas ele precisava de duas para o atender, ou quê!? Só estava uma caixa de serviço, porque, naquele momento não havia clientes para atender...ou será que ele queria ter mais hipótese de escolha!?

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Cuidado com certos velhinhos...

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A nossa tendência, pelo menos, falo por mim, é achar que os velhinhos são ingénuos indefesos, incapazes de nos tentarem enganar, coitadinhos, já que muitos deles vivem da sua pequena reforma e querem mais é que não os enganem a eles.

 

No entanto, já assisti a algumas situações, que me deixaram, pelo menos, da dúvida. A mais recente foi um senhor que após eu lhe ter dado o troco, afastou-se e depois voltou lá, e disse que eu lhe tinha dado mal o troco e faltava dez euros. Verifiquei o talão, realmente tinha de lhe dar uma nota de dez. Pensei será que não dei?! Estava muita gente, e para não estar a perder tempo a contar tudo o que tinha na caixa, para ver se sobrava aquele valor, dei-lhe a nota de dez euros. Mas como fiquei na dúvida registei o dia. Quando veio a folha de quebras lá estava, uma quebra de 9,99€. O cêntimo de diferença, foi possivelmente algum cliente que não tinha um, e desculpei, ou algum que não quis esse troco, porque por vezes acontece.

 

O senhor até pode nem ter feito por mal, ou pode ter perdido a nota, e ter achado que eu não lha dei, mas, fica sempre a dúvida! O melhor mesmo é confirmar...

 

Os velhotes impacientes

Se um dia alguma entidade resolver fazer um estudo para saber qual a faixa etária, que no supermercado,  mais reclama,  mais desespera na fila...em suma que mais dá nas vistas. Vejam se não são os mais velhos! ?

 

Hoje então, o dia 10 do mês,  foi um dia de os ouvir a toda a hora a pedirem mais caixas abertas, prioridade sem realmente necessitarem dela, falta de maneiras a falarem connosco... não deveriam de levar a vida de forma mais tranquila, visto que agora não têm, certamente, horários rigorosos para cumprir!?

 

Felizmente não são todos, mas são uma grande parte, acreditem...

 

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