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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A caminho do trabalho

Quando cheguei à grande rotunda da entrada na  localidade onde trabalho, lá estavam os senhores agentes. Mandavam parar todas as viaturas. Estive uns minutos à espera na fila.

Como há dois dias atrás já me tinham mandado parar, e pedido a declaração da entidade patronal  (que eu não tinha na altura) a comprovar o motivo de eu andar a circular, eu já levava tudo pronto para mostrar no banco do pendura.

Quando o senhor me fez a pergunta eu entreguei logo tudo, ele viu e desejou-me bom trabalho e mandou-me seguir. Foi tranquilo!

Chego a outra rua e anda um carro com um senhor todo equipado a limpar a via, lá tive eu de esperar mais uns minutos. Normalmente meia hora de tempo dá para chegar ao trabalho, estacionar e equipar-me, mas hoje, que até fui mais mais cedo, acabei por picar o ponto três minutos depois da hora.

Não gosto de chegar atrasada, para a próxima tenho de ir ainda mais cedo, a contar com todos estes contratempos!

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Conciliar horário de trabalho com vida familiar não é fácil

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Confesso que o que mais me custa neste trabalho é o facto de os horários nem sempre serem compatíveis com a vida familiar. Particularmente com a minha função de mãe, Com os horários escolares do meu filho, pois como ele ainda não consegue abrir as portas para entrar em casa, está dependente da hora de eu o ir buscar à escola. Sim, porque é preferível ele ficar na escola, do que à porta do prédio. E não, não há ninguém que possa ajudar, não há vizinhos, nem amigos, nem avós, pois  uns estão longe e outros também estão a trabalhar. Isto acontece, dois dias por semana. O facto é que,  por vezes fica tantas horas sozinho à espera, que me deixa preocupada e estar a trabalhar com esta preocupação, é um stresse.

A repetição da Páscoa

Parece espantoso, mas todos os anos surgem as mesmas conversas nesta quadra. " Estão abertos no domingo de Páscoa!?" ; " Coitadinhos de vós"! " A que horas fecham no  domingo de Páscoa"? "Mas é dia santo, deviam de estar fechados"!

Depois de tantos anos a trabalhar quer na sexta-feira santa, quer no domingo de Páscoa, quando me fazem perguntas ou observações, mostro-me conformada. No entanto, hoje um senhor perante o meu conformismo, diz-me que o mal dos portugueses é se acomodarem às situações. Mas que queria ele que eu fizesse!? Um revolução!? Se calhar ele próprio vai lá às compras no domingo...afinal o supermercado está aberto por causa dos clientes ou para castigar os funcionários!?

Trabalhar no domingo de Páscoa

Hoje, domingo de Páscoa, o movimento esteve bem calmo. Um senhor, cliente habitual, quando chega à minha caixa, apenas com um saco com bananas, diz-me: " A menina desculpe, vir cá hoje, porque eu sou contra, mas a minha mulher convenceu-me a vir comprar bananas para a neta, se não não vinha! Por mim estes sítios estavam todos fechados. Dantes não estavam abertos e passava-se bem!"

Outras pessoas perguntavam a que horas fechávamos e ficavam admirados de só fechar às 19h, porque na localidades os outros fechavam às 13h.

Os clientes, como é tipico do português (tudo para a ultima hora) compraram maioritariamente ovos de Páscoa, amêndoas, sobremesas de Páscoa.

E depois, até posso dizer, que o coelhinho da Páscoa existe mesmo, pois tive um bónus e saí um bocadinho mais cedo!

 

Trabalhar não é coisa para crianças

Um jovem pai, o seu filho ( cerca de 6/7 anos) e a sua mãe (avó da criança) chegaram à minha caixa com um carrinho cheio. Apenas tinham colocado um artigo sobre o tapete, e a avó desaparece. Logo a seguir é o jovem pai que diz ao filho,  para ele colocar as compras no tapete, porque ia buscar algo. O tempo a passar e a criança a colocar os artigos no tapete. Como era uma criança fazia o processo devagar e com alguma brincadeira. Uma vez que não estava lá mais ninguém eu ia embalando. Quando alguém se aproximava da minha caixa e percebia o filme, dava meia volta e saía dali. A meio do percurso, o pai vai lá levar uma ou duas coisas, diz ao filho para se despachar e volta a desaparecer. A criança continuava a sua tarefa. No carrinho havia uma caixa de cervejas que o menino nem conseguia levantar. Pedi-lhe para deixar estar que eu ia lá ver o código. O pequeno já devia de estar habituado à tarefa, pois fazia tudo descontraidamente e (repito) a brincar. O pai chegou lá e apenas passou o carrinho para o outro lado. Depois chegou a avó , deixou lá um cestinho vermelho daqueles com rodas e voltou a desaparecer. Foi novamente a criança que foi lá despejar o cestinho, enquanto o pai colocava os artigos, já todos embaladinhos por mim, no carrinho. Até um pack de 4 garrafas de água a criança colocou com muito esforço sobre o tapete.

 

No final pagaram, e foram embora, nem um obrigado por ter sido eu a embalar tudo!

 

Fiquei a pensar na criança, pois tenho um filho da mesma idade! O menino pareceu-me feliz e tudo, mas achei que o podiam ter ajudado  e não ser só ele a ajudar os adultos!

Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho

 

«Anualmente, no dia 28 de Abril é  comemorado o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho.

Como vem sendo hábito nos últimos anos, demonstrado o seu compromisso com a segurança e saúde no trabalho, a SONAE associa-se a este dia e promove a reflexão no que respeita a prevenção; segurança e saúde no Trabalho.»

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Cenas perfeitamente evitáveis II

Sei que estou a ser repetitiva, mas são as situações que também se repetem. Novamente depois de eu ter fechado a caixa, ter arrumado tudo, e estar a preparar-me para sair, uma colega (chefe de secção) pergunta-me se lhe posso passar só  o almoço. Isto no momento em que já tinha dito a uma cliente que a caixa estava fechada, e mesmo com essa cliente a olhar para ver a minha resposta. E não havia filas, a colega apenas tinha duas pessoas em espera? Eu disse à colega que não a podia atender porque já outra cliente me tinha pedido e eu tinha dito que “estava fechado”! A resposta da colega foi “eu nem comento”.

 

É que depois eu é que me fico a sentir mal com a situação e a falta não foi minha. Custa-me que as pessoas não respeitem o meu trabalho, ainda por mais pessoas de onde devia de vir o exemplo, já que são pessoas bem formadas, e por isso (neste caso) são chefes. E depois parece que ficam zangados comigo.

 

Mas desta vez vou fazer alguma coisa. Vou mesmo!

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Inspira-me

Reparei na nova rubrica do SapoBlogs "Inspirem-nos" que achei muito interessante, pois ajuda-nos a ter inspiração para escrever-mos os nossos post's. No que me diz respeito, a minha maior fonte de inspiração é sem dúvida o universo do meu trabalho e  principalmente o atendimento ao público. Inspiração felizmente é o que não me falta, porque quase todos os dias acontecem situações dignas de um post. Os clientes, os colegas, as chefias, as formações, o espaço, as regras, o ambiente, factores  vistos pela minha lupa, criam todo o cenário deste blog. Por vezes são histórias simples e banais, mas são sempre reais, e as mesmas  aconteceram a alguém e naquele lugar. Obrigada a este universo por fazer parte deste meu espaço, que também é para vós!

 

 

 

Não há lei

 

 

Aconteceu com uma colega que trabalha num supermercado de outro grupo, pedir dispensa para ir ao casamento da irmã e não terem dado autorização. Pelo que sei não está no código do trabalho nenhum artigo que fale sobre o assunto ou que autorize essa dispensa, o que é lamentável, mas e o lado humano? Afinal não somos máquinas, temos família, amigos. Não é suposto os patrões quererem os seus empregados satisfeitos? O resultado dessa dispensa não iria ao fim e ao cabo ser benéfico para ambos? Essa colega não foi ao casamento da irmã (com medo de perder o emprego, pois disseram-lhe que podia acontecer)   e passou o dia a chorar...

 

Desde que estou nesta empresa já fui a alguns casamentos, sempre pedi autorização com antecedência e sempre fui atendida. Nesse aspecto não tenho que me queixar.

 

Era bom que houvesse mais estas pequenas cedências, ainda que justificadas e até quantificadas (para não haver abusos, porque depois, por causa de uns pagam outros); e que a falta para ir a um casamento de um parente próximo ou mesmo amigo não fosse motivo para despedimento por justa causa!