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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A falta de civismo aumentou, com o aliviar das medidas

Desde o início de outubro, que trabalhar no supermercado ao fim de semana,  tem momentos que é um verdadeiro pesadelo!

Já não há limite de pessoas no supermercado, algumas  pessoas já não querem fazer distanciamento , outras acusam-nos de não haver distanciamento. As pessoas estão mais impacientes, mais conflituosas, mais arrogantes. É uma falta de civismo e de respeito uns com os outros e para connosco!

Chegam a entrar sem máscara, algumas pessoas por distração, outras porque achavam que já não era preciso, outras dizem que "vão agora comprar"!

Hoje houve um problema com a  minha impressora, era preciso tempo para arranjar. As pessoas viam que estávamos lá a tentar solucionar, mas ainda assim, perguntavam se demorava muito, se ia abrir outra caixa. Imaginem o que é estarem com um problema e ainda estarem a fazer perguntas, a pressionar!

Entretanto a caixa reabriu, as pessoas vieram a correr, já tinha três ou quatro clientes com as compras no tapete, veio outro cliente que pediu a vez aos outros, e passa com os produtos na mão do lado de fora, em vez de estarem sobre o tapete. Se não estivesse atenta, passava no meio da confusão, sem pagar!

Parece que o aliviar das medidas, ainda veio trazer mais falta de civismo!

Não entendo porque há tantas pessoas a terem estas atitudes! As pessoas estão sempre com tanta pressa!

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Bizarro

Pouco passava das 8 horas da manhã, quando se aproxima o meu primeiro cliente. Perguntou, educadamente se eu o  podia atender.

Eu: Claro que sim, faça favor! Bom dia!

Cliente: Vamos lá ver se é um bom dia.

Eu: Pelo menos, já está sol!

Ele: Para mim, um dia bom, é um dia com chuva, trovões, relâmpagos, granizo, tempestades,  sismos...

Eu fiquei a olhar para ele surpreendida e ele remata a frase com:

Cliente: ...mortos!

Julgo que o senhor estava a brincar, mas mesmo assim, foi bizarro...

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A sua pressa, não pode constranger os outros

Estava a atender um velhote , que estava a tentar pagar com multibanco. Já conheço o senhor,  sei que tem sempre dificuldade no processo é preciso dizer todos os passos, com calma.

Entretanto, enganou-se no código. Quando lhe disse ele não ouviu, o acrílico e máscara dificultam a comunicação. Falo mais alto e ele ouve.

Da fila uma senhora, perto até da idade deste senhor,  diz "vá...que estou cheia de pressa!"

Sei que  a maioria das pessoas vão ao supermercado com pressa, mas esta atitude ainda podia  atrasar mais o processo, porque deixa a pessoa mais nervosa!

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Uma frase dita metade em português e outra em francês

O mês de agosto é sinonimo de emigrantes, o frantugês, como gosto de os chamar, com todo o respeito! Notamos logo que eles andam por aí, pois dão nas vistas, principalmente quando na mesma frase usam o francês e o português. Julgo até que isto só acontece quando estão nos países de expressão francesa!

A novela da TVI "Festa é Festa" tem um casal com  dois  filhos que ilustram perfeitamente esta classe de clientes, se assim se pode chamar! É que é tal e qual! A Silvia Rizo então, é espectacular, tão real!

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Há casos em que falam francês porque há justamente um elemento francês no grupo (sim, vão normalmente em grupo), pelo casamento ou porque veio com os amigos, mas acho admirável, portugueses com portugueses, estando em Portugal, falarem francês!

Mas enfim, eles lá sabem e se são milhares com esta mesma atitude, algum fundamento deve haver!

Felizmente até são simpáticos, bem dispostos! Compram sardinhas, cervejas, nota-se alegria pelos petiscos e momentos que combinam ir passar. Não os vejo preocupados com a pandemia, nas filas, mas se calhar têm alguns cuidados!

Contribuem para que o supermercado esteja sempre cheio! que aproveitem bem, mas "matar" as saudades e recarregar baterias!frantuges.jpg

Certificado de vacinação também é preciso para entrar no supermercado!?

Hoje, logo o primeiro cliente que atendi às 8.30h, diz-me que está muito aborrecido pelo facto de os supermercados estarem a pedir o certificado de vacinação. Respondi ao senhor, que esse certificado, não era para supermercados, mas sim, cafés, restaurantes, salas de espectáculos. Mas, o senhor disse: "não, não, inclui também supermercados, saiu hoje na comunicação social"!

Respondi, que não tinha conhecimento, mas que a ser verdade, também era uma coisa fácil de arranjar, estando a pessoa vacinada. Ele disse que estava vacinado, mas que não ligava a esses papeis e internet e que não era justo estarem a pedir isso num supermercado. Disse até que se assim for, deixa de ir.

As pessoas não podem deixar de ir, só se fizerem as compras on line, mas se a este senhor levar o papel o incomoda porque não sabe "mexer com essas coisas", compras pela internet, não deve também ser fácil.

Fui perguntar à  colega que tinha entrado antes de mim se ela sabia alguma coisa deste assunto. Ela também estranhou, porque nos outros lugares as pessoas permanecem por algum tempo, enquanto, no supermercado, as pessoas supostamente, não ficam muito tempo!

Andei a pesquisar se a noticia era mesmo verdadeira, porque o senhor, já não era novo e podia ter feito confusão, mas é verdade, é uma possibilidade. Não sei  quando, nem como vão fiscalizar isso, mas se calhar,  está para breve. Vi aqui . Certamente para quem não tem a vacinação, devem ter um teste negativo, digo eu, sem ter conhecimento de causa.

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Tomar partido

Mais uma vez, uma cliente deixa o carrinho a marcar vez, e vai buscar qualquer coisa. Chega uma outra cliente com alguns artigos, e digo-lhe para avançar.

Chega a outra cliente, e diz a esta que ela lhe roubou a vez. A outra senhora responde que não estava ali ninguém. Ao que esta responde:" não estava cá ninguém, mas estava cá o carrinho, não viu!?" A cliente que já tinha os artigos em cima do tapete diz "tanta confusão, por tão pouco, é por isso que cá venho poucas vezes!"

Resolvi intervir e dizer aquela minha máxima: " Mas, carrinho sem freguês, não guarda vez!"

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Foi neste momento que a cliente do carrinho abandonado disse: " Pois, mas você não tem nada que estar a tomar o partido da outra, porque ela vem cá poucas vezes, e eu venho cá muitas e gasto cá mais dinheiro que ela!" A outra senhora ainda ripostou:" não venho cá eu, porque é a minha filha que cá vem!"

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Por pouco não se pegaram ali. Mania que as pessoas têm de achar que os carrinhos marcam vez, e que a operadora de caixa pode ficar parada à espera do dono do carrinho!

Fazer sala na caixa

Normalmente as pessoas vão ao supermercado com pressa. É algo que acontece muito e que já desisti de entender porquê.

Mas também é facto que essa pressa só se nota mais nas filas, porque quando se anda de corredor em correr, quando se encontra alguém conhecido,  para conversar um pouco,  o tempo aí não é escasso.

No entanto, o que vejo acontecer diversas vezes e me chega a incomodar, é o tempo que os clientes demoram para pagar e sair da caixa, para desocupar o tapete de saída:

  • Demoram  que tempos para abrir  a carteira, que depois não era aquela, arrumam uma , retiram outra.
  • Entretanto há uma carteira para moedas, outra para cupões, outra cartões.
  • Também há uma carteira que tem lá de tudo, mas que não se acha nada!
  • Depois acontece que não se acha o cartão continente, e é preciso tirar tudo de dentro da mala, mas afinal estava no bolso do casaco porque o tinha utilizado para imprimir os cupões à entrada!
  • De seguida, se peço trocos, logo me arrependo, porque é outra odisseia.
  • Posteriormente, o cliente ainda fica um pouco a olhar para o talão e não sai de dali, e eu não posso passar ao cliente seguinte, enquanto este não sair, porque convém desinfetar o tapete de saída entre clientes, além de não misturar os produtos.
  • Também é nestas alturas que querem ter dois dedos de conversa.
  • Depois de tudo pago, esperar que  voltem a colocar o troco na carteira das moedas, os talões não sei onde.
  • Seguidamente quando eu já tinha desejado um bom dia e despedido, ainda voltam a se despedir.

Recentemente tive de pedir a uma casal que ficou lá encostado a ver os descontos, se não se importavam de se afastar porque tinha mais pessoas para atender. Pediram desculpa, dizendo que estavam distraídos, mas na altura de estarem na fila, estavam com pressa!

É que nestes momentos, não devem de ver/perceber que estão a empatar. Claro que as pessoas precisam do seu tempo para efetuar o pagamento e retirar os artigos do tapete, mas há clientes que parece que ficam ali, a fazer sala!

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Principalmente, nos tempos que correm, onde temos de manter o distanciamento , a desinfeção do tapete, era importante que os clientes fossem breves nestes momentos, para permitir o atendimento aos próximos clientes!

Este vírus é matreiro

"Este vírus é matreiro, só ataca as pessoas nas filas para pagar, nos corredores, não faz mal a ninguém!"

Já não é a primeira vez que ouço uma frase desde género,  muitos clientes implicam com o facto de só terem de fazer distanciamento nas filas. Certamente queriam um segurança por cada corredor a dar instruções para não estarem próximos.

Ou então, se calhar, o ideal era sempre que alguém entrasse no supermercado, ser-lhes colocado um chip, e sempre que uma pessoa se aproximasse demasiado da outra, aquilo apitava  ou dava choque!

Até parece que gozam connosco, porque acham incoerente que nas filas tenham de fazer o  distanciamento, e nos corredores ninguém faz. É pena que não percebam que o que estamos a fazer é o nosso trabalho,e que, se cada um fosse responsável, também tinham cuidado nos corredores. Eu, quando estou em modo cliente, se preciso de ir a um corredor onde estão  muitas pessoas, dou a volta, e volto lá depois. Já me faz confusão estar com muitas pessoas  à volta!

Tenho quase a certeza que quando a pandemia acabar, que há-de acabar, uma das primeiras coisas que as pessoas vão voltar a fazer livremente é estarem coladas umas ás outras. Roçadas! Aquela falta de privacidade para marcar o código do multibanco, que se conseguiu ultrapassar com a pandemia, vai voltar!

Mas aí eles que se entendam, porque esta luta cansa!

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Situações que fazem demorar a atendimento

Alguns clientes,  fazem demorar o atendimento, devido a determinadas situações:

  • O cliente  passa pela máquina de imprimir os cupões e não imprime logo, só se lembra de o fazer quando já está a ser atendido na caixa;
  • O cliente esquece-se dos sacos no carro, e vai buscá-los, enquanto a operadora regista as compras
  • Para pagar o cliente tem de procurar as 1001 carteiras, uma com moedas, outra com cartões, outra com notas, mais o envelope com cupões;
  • O cliente não se dá ao trabalho de trazer os cupões correspondentes, pede à operadora que seja ela a escolhe-los;
  • O cliente esqueceu-se de um artigo e larga tudo para o ir procurar;
  • O cliente tem de pensar se quer ou não o número de contribuinte na fatura;
  • O cliente decide uma coisa e depois muda de ideias;
  • Se pedimos trocos, é outra situação para demorar, daí algumas vezes mesmo que precise, evito fazer;
  • O cliente quer pagar com multibanco, mas não se lembra do código, e vai por tentativas;
  • O cliente leva artigos e depois na caixa pede para anular;
  • Se entretanto o telemóvel tocar, o cliente interrompe tudo para o atender.

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Alguns clientes entretanto dirão "então e quando a culpa é do supermercado ou mesmo da funcionária!?"

Por exemplo:

  • Um preço que está a um valor na prateleira e passa a outro na caixa;
  • Quando não se percebe onde é o fim da fila;
  • Quando era preciso mais caixas abertas.

Enfim, há situações de ambos os lados que se pode vir a melhorar!

E se respeitassem o acrílico!?

Um cliente  debruçou-se sobre o acrílico para chegar a uns frasquinhos de álcool gel, que estão num suporte à nossa frente. O normal seria ele pedir. Quando se debruçou cheguei-me para trás indignada, ao que ele ainda disse:  "não tenha medo"! Respondi:  "Este acrílico está aqui é para que não seja transposto, é para nossa segurança! O senhor só quem que respeitar!"

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A imagem que me veio à cabeça foi de um surfista numa prancha a deslizar. Já não chega atirarem com os artigos a bater no acrílico, ainda têm de vir eles próprios!

Eu já não consigo ficar calada, agora tenho de falar, sempre educadamente, mas tem de ser, não posso deixar passar, se não vão continuar a cometer os mesmos erros!

Será que nas outras lojas ou serviços  onde também há acrílicos as pessoas também acham que aquilo é para furar, para contornar, para invadir!?