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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

O meu primeiro dia com máscara

Não foi fácil. Aquilo ora tapava-me a vista, ora sentia falta de ar. Uma cliente viu-me mexer na máscara com as mãos e chamou-se atenção disse que assim mais valia não usar. Eu disse que tinha desinfectado as mãos.

Depois os clientes não percebiam o que eu dizia, o que é normal, pois também eu,  tenho dificuldade em perceber alguns devido ás suas máscaras, o som fica em modo eco, ou sei lá!

Realmente não sei como as pessoas conseguem e algumas dizem que é tranquilo usar! Talvez me falte hábito, experiência!

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Ainda há quem não entenda a importância das regras

Estou a acabar de atender um senhor, a seguir está um casal, que parece estar com alguma pressa. Digo para avançarem. No entanto, a mulher ao invés de se manter ao lado do marido, a colocar os artigos no tapete,  passa para o outro lado, encostando-se literalmente ao outro senhor (até este ficou surpreendido) que ainda não tinha saído do outro lado. Eu digo " desculpe mas não pode passar, assim não está a manter a distancia"! Ao que ela responde, incomodada e até meio zangada:  "tanta coisa, tanta coisa"!

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Fila única: sim ou não!?

Os clientes têm tomado a iniciativa de fazerem fila única. Há quem ache que assim é que está correto, mas também há quem ache o contrário.

Eu pessoalmente , não concordo, não acho bem. Se nunca se fez fila única, porque  é que, agora, se tem de fazer!? A meu ver, ali naquela loja, não se justifica, fila única! Tudo depende do tamanho da loja e esta não é grande. Aliás, esse modo de fila deixa-me stressada, nunca sei quem chamar a seguir, mas pronto é só uma opinião, e, apenas vale por uma.

Um destes dias quando disse ao cliente seguinte para avançar, pois ele estava na minha fila, uma cliente (lá não sei de onde) começa a dizer-me "mas eu estava primeiro"! E eu disse "mas a senhora não estava na minha fila!?" E ela diz "sua fila"! E ali se gerou uma confusão!

Nós, já por diversas vezes tentamos que não façam esse tipo de fila, mas é escusado, até que há colegas que já deixam que sejam os clientes a fazer como querem! Desde que eles se entendam!

Talvez seja eu que tenha de me habituar!

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Pessoas que vão às compras para elas e para os outros

Por vezes tenho a sorte de atender, pessoas  que são uma verdadeira força da natureza, uma lufada de ar fresco. Pessoas solidárias, que vão às compras, não só para elas, como também para familiares, vizinhos, amigos, que nesta altura que o pais atravessa, não podem ir à rua.

Gostaria de partilhar duas histórias.

A primeira, uma jovem mulher, cujas compras eram para ela, pais e avós. O carrinho estava lotado, ela queria ir logo separando, nos sacos. Muito desembaraçada, de um    lado  para o  outro.  Ao mesmo tempo conversava comigo,  simpática, educada, bem formada,  daquelas pessoas que nos fazem sentir úteis. Ao ver eu a dizer ao próximo cliente para aguardar atrás da sinalética, elogiou a minha atitude e disse que não eram só os médicos que mereciam a sua admiração.

A segunda história foi um rapaz, quase que diria, ser menor. Também me disse que era o único da família de quatro elementos que podia sair e ir às compras. Tão desenrascado. Também tinha o carrinho lotado, mas não se atrapalhou.  Educado, simpático, conversador, atento.

São pessoas destas que nos fazem sentir úteis. Que bom seria que existissem mais assim!

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Os portugueses estão a habituar-se a uma nova forma de vida

Olá a todos! Como têm passado nestes dias tão difíceis!?

Na rua , muitos estabelecimentos estão fechados, há poucas pessoas, e muitas dessas, usam luvas, máscaras, lenços ou cachecóis. Finalmente as pessoas estão a perceber que esta pandemia, que é o covid-19, é real, é muito grave, e estamos todos juntos no mesmo barco.

No supermercado, desde que foram tomadas novas medidas, a situação está bem melhor. Agora a entrada é controlada à porta, há um número de clientes dentro da loja, só quando alguém sai, outro alguém entra. Acredito que o mais aborrecido é mesmo ter de esperar na rua para entrar, mas a maioria das pessoas entende. E dentro do supermercado, nas filas para a caixa, há uma sinalética no chão, como eu sempre defendi, só que por outras razões, e o cliente seguinte só avança quando a operadora chama ou faz sinal. Chamamos, quando as compras do cliente que estamos a atender já estão quase todas registadas. Assim, nem o cliente atual nem  o seguinte, estão próximos nem a operadora está cercada de clientes, já que as caixas abertas, são caixa sim, caixa não. Nas outras secções também existe a mesma sinalética no chão. Nós podemos usar luvas e gel desinfectante com álcool, alguns clientes também andam de mascaras e luvas.

Tem corrido bem, as pessoas respeitam, pois também já entenderam que as medidas são para o bem de todos. Acho que os portugueses estão mesmo a habituarem-se a uma nova forma de vida!

Uma senhora que levava dois maços de rolos de papel higiénico, fez questão de me explicar que um era para ela e o outro para a sua mãe, porque a senhora não foi aconselhada a sair de casa. A cliente até disse que vinha buscar os seus produtos do costume e que não levava mais que isso!

No entanto, notei alguns clientes a levarem carrinhos bem cheios ou até dois carrinhos, contas de duzentos e trezentos euros. Alguns disseram mesmo que se estavam a precaver para o caso de os obrigarem a ficar em casa.

Muitos clientes despediam-se amavelmente desejando-me saúde, que tudo corresse bem. Uma cliente que estava com a filha foi encantadora disse "e obrigada a vocês por estarem aqui para nós!"

Nem sei se agradeci devidamente, porque fiquei agradavelmente surpreendida. Pois são pessoas assim que nos fazem sentir bem, sentir úteis! A elas também a minha gratidão!

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Sugeria que se marcasse a ida ao supermercado por telefone

Deu nas noticias que, em virtude desta pandemia que é o covid-19,  o continente poderia vir a abrir só ao meio dia e fechar ás 20 horas, mas cada loja poderia tomar a  decisão mais adequada. Essa decisão seria para cada loja ter um “serviço razoável e ajustado às necessidades atuais da população, minimizando eventuais riscos de operação".

Com esta medida tenho algum receio que o aglomerado de gente se torne ainda maior, visto que as pessoas só terão aquele tempo, mas até pode ser que corra bem.

Na minha modesta opinião, de operadora de caixa, que vale apenas por uma, além de se implementar esse horário, sugeria que, tal como nas clínicas médicas particulares, houvesse uma marcação, pelo telefone de "visita ao supermercado" com data e hora marcadas, onde, dependendo do tamanho do supermercado, não estivessem mais de 10 ou 20 clientes ao mesmo tempo dentro do supermercado. Para isso funcionar teria de estar alguém na porta de entrada a controlar as entradas e saídas.

Também haveria um menor número de funcionários dentro da loja, teria de haver um plano onde nos fossemos revezando, e já agora, sem mexerem muito nos ordenados, porque as nossas despesas matem-se iguais.

Talvez assim, as pessoas só se deslocassem  se a necessidade dos artigos fosse mesmo importante e urgente. Talvez também comece a haver necessitar de racionalizar alguns artigos.

Claro que seria uma situação temporária! Porque este coronavírus  há de passar e havemos de voltar à normalidade.

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Atualização:

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Mudanças felizes

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Que feliz fiquei quando cheguei ao meu posto de trabalho e percebi que o sistema tinha mudado! Mudou para melhor! Agora no visor o valor que surge é o preço final. Agora está tudo bem discriminado, tudo: o que acumula em cartão, o que é desconto imediato. Agora o somatório que vai surgindo é o valor real. Agora já não há sustos!

Nós tínhamos de estar sempre a dizer ao cliente que o artigo fazia  o desconto no fim, dizíamos tantas vezes ao dia, que se tornava cansativo!

Espero que agora tanto o cliente, como nós, tenhamos mais tranquilidade.

Concordam que está melhor assim!?

As compras na quadra natalícia

Olá a todos! Peço desculpa pela ausência. Nem sempre há tempo ou nem sempre há situações novas.

No entanto, nem última semana, têm surgido situações próprias da quadra natalícia. Situações de ainda mais correrias, pressas, intolerâncias! A Pesar de ser mais do mesmo, resolvi partilhar!

Tenho notado uma grande afluência, muitas pessoas e carrinhos cheios. Tenho de memória que em anos anteriores, as pessoas deixavam as compras mais para os últimos dias, mas este ano, começaram mais cedo. Totais de 200, 300 e até 400 euros. É bom sinal, pois significa que há dinheiro.

Ao mesmo tempo presenciei algumas situações de discussões entre clientes, tudo por causa das pressas. As pessoas vão ás compras, passeiam calmamente pelos corredores, encontram um amigo ou conhecido, trocam dois dedos de conversa, mas depois quando chegam à caixa, e percebem que há filas, ficam cheios de impaciência!

Quando abre uma caixa nova, a operadora ou operador diz "podem passar a esta caixa por ordem de fila", ora acontece que um cliente chegou naquele momento, naquela direção e pimba, ocupou o lugar. Claro que quem já estava nas filas, não gostou e uma senhora, manifestou-se, reclamando e o senhor, chico esperto, ainda disse "disseram por ordem de fila, mas não disseram de qual fila, já que há várias"!

E lá trocaram os seus galhardetes!

Se as pessoas fossem ao supermercado com tempo, com organização, tolerância e paciência, as coisas ficavam mais fáceis! Já se sabe, à partida, que nestas alturas, o movimento é grande! 

Boas compras e muita calma!

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