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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

As " donas cabeças no ar" na ida ao supermercado

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Uma situação bastante frequente numa ida ao supermercado é o esquecimento, é a Dona Cabeça no Ar.

 

A Dona Cabeça no Ar, faz uma lista, vai buscar os sacos, porque precisa de ir num instante (porque a ida ao supermercado é sempre com pressa).

 

Ao chegar ao supermercado, leva um carrinho. Abre a mala e percebe que se esqueceu da lista. Então, decide percorrer todos os corredores em busca do que acha que lhe faz falta.

 

Carrinho cheio, e a hora a apertar, vai para a fila para pagar as compras. Quando a operadora lhe pergunta se precisa de sacos a Dona Cabeça no Ar, sem responder, sai a correr direto á porta de saída. “foi ao carro buscar os sacos” pensa a operadora de caixa, uma vez que é uma situação comum.

 

Chega á caixa cansada com alguns sacos. Ainda na fila repara num artigo que o outro cliente leva, e lembra-se que também precisa daquele produto, pergunta ao outro cliente em que lugar está, depois da explicação, lá vai a Dona Cabeça no Ar, buscá-lo. Ao sacos estão abertos, dentro do carrinho, mas os artigos, na sua maior parte, ainda cá estão fora.

 

Lá se organiza. Perguntam-lhe se tem cupões, e a Dona Cabeça no Ar, lá sai, novamente a correr, para ir imprimir cupões, quando os podia ter trazido de casa ou ter imprimido à chegada. Lá os imprime, a operadora lá os passa, e no final para pagar, a Dona Cabeça no Ar, não encontra o cartão multibanco. Retira de dentro da sua mala XL toda a tralha. Fica nervosa! Diz ter a certeza que trouxe o cartão. Na fila, há quem desespere, porque assistiu a tudo isto desde o inicio. Entretanto, vai ao bolso e lá encontra o cartão de pagamento.

 

Agora imaginem as vezes que esta situação acontece, imaginem a quantidade de donas cabeças no ar que por ali passam, imaginem o que é estar com os pés na terra, e ter de esperar e assistir a isto!?

 

Por favor, pensem um bocadinho, organizem-se melhor, não sejam tão cabeças no ar! Não ajam como se fossem o centro do universo, pois há mais pessoas a fazerem parte dele!

 

Daqui resultou que:

 

  • A lista ficou em casa
  • Os cupões não foram imprimidos
  • Os sacos ficaram no carro
  • Um artigo ficou esquecido
  • O meio de pagamento estava fora do lugar

Com paciência e perseverança, quase tudo se alcança

A propósito do supermercado estar em obras, em remodelação, em mudança, todos os dias ouvimos comentários dos clientes, uns agradáveis e outros nem tanto. Enfim, a falta de paciência, a intolerância, é factor comum a muitas pessoas.

 

Uma cliente disse-me: "porque é que não contrataram aquelas empresas que fazem as coisas da noite pro dia?" Fez-me lembrar o programa "querido mudei a casa", mas esquecem-se que a magia da televisão tem certos truques, e que mostram as coisas como se aquelas obras se fizessem num passo de mágica!

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Surgem igualmente situações em que os clientes dizem gostar da mudança, e de a mesma dar a sensação de o espaço estar mais amplo...

 

Também aconteceu uma cliente, brincar com a situação, e por não encontrar os produtos nos sítios habituais, dizer que precisa de um croqui e  usar um dito que eu não conhecia, mas que ficou registado: Em casa mudada, não se acha nada!

 

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Pelo que me consta, quando tudo estiver acabado, quando os clientes tiverem tempo para decorar onde estão os produtos e já não andarem perdidos à procura de um qualquer artigo, vão perceber que a mudança foi para melhor!

É mais fácil apontar a falha e culpar os outros

Uma senhora assim que começa a colocar os artigos no tapete,  fala sozinha primeiro qualquer coisa que não entendi e depois diz-me que a sua conta não pode passar dos €20 porque não trouxe o multibanco.

 

A conta já está quase a chegar aos €30, mas com os descontos imediatos nos produtos dá pouco mais de €18, fico descansada, achando que assim a senhora ainda levava troco. No entanto, a senhora diz-me que assim não pode ser. Depois mostra que tem um cupão de €5 para usar em compras de €20. Concluo, que afinal, ela não podia gastar mais de vinte euros não só porque tinha ou  não queria, mas também porque queria usar o dito cupão.

 

Então pergunta-me:

 

Cliente: - E agora o que é que eu vou levar para chegar aos €20?

 

Eu: - A senhora é que sabe o que precisa. Eu ponho a conta em espera e a senhora vai ver!

 

Cliente: - Eu apanho já aqui alguma coisa, não é  preciso por a conta em espera!

 

E no espaço de um minuto, chega com um frasquinho de água micilelar!

 

A conta chega aos €21 euros. Usa o cupão, acumula cinco euros no cartão. Quando lhe entrego o talão, diz-me:

 

Cliente: - Pois, fez-me ir buscar uma coisa à parva, que eu nem uso!

 

Fiquei a olhar e nem lhe respondi, porque se respondesse era para lhe chamar alguma coisa feia! Esta senhora quando chegar a casa se o marido lhe perguntar porque comprou aquele artigo, é bem capaz de dizer que foi a operadora de caixa que a obrigou a comprar!

 

Haja paciência!

 

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A fuga do caracol

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Em cima do tapete, estava entre outros artigos, um saco de rede com caracóis,  de tamanho médio. Percebi que o cliente não tinha pesado o artigo na peixaria, e ia colocar o saco de rede dentro de um de plástico transparente, para pedir a uma colega que os fosse pesar. No entanto, reparo que os caracóis estão vivos e que um deles está prestes a sair por entre os buracos do saco de rede, e digo "oh os bichos estão vivos"! A minha colega da frente virou-se para trás a rir-se da situação... e o cliente também achou graça, não sei se ele percebeu que os bichos estavam vivos.

 

Coitados dos bichos, queriam era sair dali para fora. Peguei no saco com a ponta dos dedos, aquilo não me agrada mexer. Eu não como caracóis, pois no tempo em que vivia com os meus pais e eles tinham horta, os caracóis eram os bichos que comiam as couves e tínhamos de curar as plantas para eles desaparecerem...

 

Mas enfim, foi um momento engraçado!

 

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Quando fazem a pergunta, mesmo sabendo a resposta

Sabem aquelas perguntas que os clientes fazem à operadora de caixa, mesmo sabendo a resposta. Por exemplo:

 

  •  veem a operadora com a cancela fechada a limpar o tapete  a arrumar e tudo e dizem : " Já vai fechar?!" ( então o deixa-me fula, é como se fosse cedo para fechar. Sabem lá eles há quanto tempo ali estamos);

 

  • a operadora está na caixa com a cancela aberta, à espera dos clientes e perguntam:" está a trabalhar?" ( apetece dizer, "não, estou só aqui para fazer turismo, e porque acordo cedo"!);

 

  • quando dizem "este cupão acabou ontem, mas eu não pude cá vir, ainda o posso usar!?" Ora normalmente os cupões têm uma ou duas semanas de duração, e se acabou, o sistema já não aceita. Depois ficam chataeados porque sempre que querem usar os cupoes, já passaram do prazo. Será que estes clentes também deixam passar o prazo do pagamento da conta da eletrecidade, ou da água!? Tudo tem prazos!

 

E há mais do género, mas estas  são as mais comuns, sendo que a primeira é a mais recorrente.

 

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Na pele da outra

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Se o telemóvel não fosse preciso para os clientes usarem a aplicação do continente, bem que se podia proibir a sua utilização, pelo menos, a partir do momento em que começam a colocar as compras no tapete, até à fase do pagamento e conclusão do processo.

 

Acontece, por exemplo, depois de já ter dado o troco à cliente, ela ainda estar ao telemóvel a falar com alguém e com a mão aberta à espera do troco; ou então ir-se embora e nem se lembrar de levar o troco; ou então depois de ter dito que não queria o nº contribuinte na fatura, afinal até queria; ou então chateia-se com a operadora porque ela está só a fazer perguntas e nem a deixa ouvir o que lhe estão a dizer do outro lado...

 

Há dias estava a falar com uma amiga, ao telemóvel,  ela disse-me que estava no centro comercial, mas que podíamos ir falando. Quando eu percebo que ela está achegar à caixa do supermercado digo-lhe: "ah estás na caixa, então depois eu volto a ligar!" Ao que ela me responde:" não é preciso desligares eu consigo fazer as duas coisas ao mesmo mesmo"! Só que eu não quis isso, e ela não percebeu na altura, até pareceu ter ficado sentida, mas entretanto,  já lhe expliquei a razão, e creio que tenha entendido!

 

Vida de cliente, não é fácil!

A questão do espaço

Sei que me torno repetitiva, por voltar a este assunto, mas faço-o porque o facto também se repete inúmeras vezes!

 

As pessoas que estão na fila a aguardar a vez, chegam a roçar-se na pessoa que estou a atender, chegam a olhar o visor para ver os preços das compras que não lhe pertencem, chegam a pisar-se, chegam a atropela-las com o carrinho, chegam a ficar atrás quando a outra estão a marcar o código do multibanco! É impressionante!

 

Se nas finanças, nos bancos, na segurança social, etc respeitam a privacidade dos outros, porque é que no supermercado é isto!?

 

Já vi casos de quase haver agressões, parecem crianças do jardim de infância, mas até essas são mais educadas e civilizadas...

 

Uma fita de demarcar, ou uma sinalética no chão, ou ainda um apito se passarem a linha, seria uma solução, já que o civismo não impera!

 

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Coincidências

Hoje,  um cliente pergunta-me pelos cromos da selecção (da nossa campanha Fome de Vencer), ao que eu respondo com ar de lamento  "a campanha acabou ontem". Ao que ele me responde:" pois acabaram os cromos e acabou a participação da Selecção portuguesa no mundial, tudo no mesmo dia"!

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Com pressa de pagar

Como já aqui referi, uma das caraterísticas mais comum a todos os clientes é irem ao supermercado sempre com pressa. A pressa é tanta, que por vezes tolda as ideias.

 

A pressa ainda parece maior no momento de pagar. Certo dia, ainda eu não tinha  passado todos os artigos, já o cliente de multibanco na mão e em frente ao terminal, dizia "posso enfiar?" Respondi:  "então mas ainda não registei tudo"! Pergunto se tem cartão continente, e a resposta :"já posso enfiar"! À terceira pergunta, mesmo sem eu ter dito o valor (parecia que esse factor nem era importante)   ele volta a perguntar se pode enfiar. A minha vontade era responder: "ó homem lá essa m**da!" mas apenas disse sim.

 

Haja paciência!

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Mais uma ideia

Estava eu a atender duas senhoras que falavam comigo mal o português, entre elas, falavam, suponho, Ucraniano. Uma colega  da reposição depois de elas saírem pergunta-me se elas levavam amaciador da roupa. Respondi que sim, e quando lhe pergunto o porquê da questão, ela diz-me que  as viu a despejar o amaciador de um frasco para o outro,  e que quando  essa minha colega interveio, dizendo: " Desculpem, as senhoras não podem fazer isso"...elas deram um salto com o susto.

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Até posso adivinhar o porquê da atitude das senhoras. Então os frascos estavam mal cheios, e havia que encher um até acima, já que o iam levar! Ai se a moda pega!  Que lata!