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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Mais uma situação de falta de civismo

Na caixa atrás da minha, estava a ser atendida uma senhora grávida. Vai daí, uma velhota que estava com a filha na fila , decide passar pro outro lado, onde ainda estava a tal senhora grávida, só que ao passar empurra a barriga da senhora grávida contra o balcão, e a senhora grávida, assustada, grita. Vai a filha da tal velhota diz: "cuidado mãe, a senhora está grávida"! Depois pede desculpa à senhora, e a própria grávida, pede também desculpa por ter gritado, e a filha da tal senhora, diz que compreende, sabe que foi o instinto de proteção!

 

Só me apeteceu dizer: "mas porque é que as pessoas não respeitam a fila? Porque raio a mulher tinha de ir pro outro lado se ainda não estava na vez dela!? Que falta de respeito! É preciso por ali um sinal sonoro a impedir que as pessoas passem pro outro lado, quando a outra pessoa ainda lá esta!? É que mesmo que a senhora não estivesse grávida, não tinha nada que a empurrar!"

 

Falta de civismo!

 

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Algum de vós é maior de idade!?

Nestes dias que antecedem a passagem de ano, é habitual, grupos de  jovens ou mesmo de  adultos irem fazer compras a meias para a passagem de ano. Compram essencialmente marisco e bebidas, mas também outras coisas.

 

Então há um grupo de jovens que leva imensas bebidas, entre as quais vodka. Mesmo não sendo entendida em bebidas alcoólicas, sei que esta é bastante forte. Então começo a olhar para os rapazes, e a pensar com o meus botões: " Estes rapazes, terão mais de 18 anos!? Bem, aqueles dois ali, já têm barba, mas parecem ser tão novos...O melhor é pedir identificação, eles devem saber que é procedimento habitual, e não vão levar a mal..."

 

Entretanto junta-se ao grupo dois adultos, e respirei aliviada! Passado isto fui pesquisar com que idade nasce a barba nos rapazes, e há várias hipóteses que variam entre os 15 e os 18 anos. Realmente fiquei surpreendida por ser possível aos 15. Então a barba já deixa assim de ser para mim, motivo para achar que o rapaz já é maior de idade!

 

E se fossem raparigas? Enfim, peço a identificação e pronto, se alguém se recusar, logo se vê! Eu não acerto muito em idades, tenho muito receio, são situações de muita responsabilidade!

 

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A mente prodigiosa de certos clientes

Hoje, uma colega da frutaria vai às caixas avisar que deve de andar por aí um abacaxi sem rama, e diz que a quem calhar, é pedir a rama à colega, porque, como já sabemos, não se vende abacaxi sem a rama.

 

Entretanto, o dono da rama aparece logo numa das caixas e a situação fica resolvida.

 

Algum tempo depois, chega à minha caixa um senhor também com um abacaxi sem rama. Digo ao senhor que aquilo não se vende sem a rama.

 

E o senhor diz logo:" mas eu não como a rama, por isso, não tenho de a pagar".

 

Ao que eu digo:" também não come a casca da banana"!

 

"Isso é diferente" -  diz ele!

 

Pego no telefone para pedir a rama, e ele diz-me: " Assim não levo, o seu patrão que o coma, era só o que faltava! Já não chega, venderem a  carne com gordura, que tenho de a pagar e também não a como"!?

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Até a senhora que estava na fila ficou indignada  com o facto do senhor ter arrancado a rama ao abacaxi!

 

Depois o abacaxi ficou ali na minha caixa e foi lá outra colega da frutaria perguntar o que se tinha passado, e quando lhe contei, mais pessoas da fila ao ouvirem, ficaram admiradas com a situação!

 

Haja paciência!

O "poder" das palavras

O atendimento a pessoas com mais idade, pode nem sempre ser fácil. São pessoas que precisam de mais tempo, e muitos dos que estão na fila, não entendem isso, não estão dispostos a esperar.

 

Ajudei uma senhora que estava sozinha, no embalamento das compras, tentei despachar o mais depressa possível. Mas, a parte de tirar a carteira da mala, procurar os cupões, e tudo isso, não pude, obviamente, intervir. A senhora remexia, remexia e não encontrava a carteira. As pessoas da fila, já mostravam impaciência, e isso ainda atrapalhava mais a senhora.

 

Finalmente a senhora lá encontrou a carteira e os cupões. No final, antes de se ir embora, disse-me "obrigada pela ajuda e pela paciência"! Palavras, que naquele momento e naquele dia, souberam tão bem!

 

Por vezes, e para determinadas pessoas, tenho pena de não ter tempo para dar mais atenção, mas tenho de ser rápida a executar as tarefas, porque quem espera, desespera!

 

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A velhice não tem ser assim...

Costuma lá ir um senhor que me recordo de o ver lá como alguém bem disposto e de saúde. Mas agora, com o avançar da idade, ou apanhado por alguma doença, apesar de fisicamente parecer bem, noto que está debilitado. Atrapalhado, esquecido, mas se me ofereço para ajudar a embalar as compras não aceita, deve achar que me ofereço por ele estar a demorar , mas não é isso, nós ajudamos mesmo, seja quem for.

 

Tenho de ir pelo passo dele, devagar, devagarinho, mas é mesmo assim, eu tenho paciência (este senhor faz-me lembrar alguém muito próximo, que já não está entre nós), quem está na fila tem de compreender. Quando o senhor finalmente saiu da minha caixa, uma senhora que o conhece disse que aquela debilitação lhe chegou de um dia para o outro, e disse, que ainda por cima, tem a esposa acamada. Outra pessoa da fila, disse que mesmo assim ele ainda conduzia e que já o tinha visto fazer uma rotunda ao contrário!

 

É triste assistir a estas situações, saber das dificuldades destas pessoas, a velhice não tem de ser assim!

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Um reencontro de amigos na fila do supermercado

Já estava a concluir o atendimento a um casal, faltava apenas, o pagamento. No entanto, chegam umas pessoas do lado de saída da minha caixa, que ao verem o casal que estava a atender, fazem uma festa. Ao que percebi, eram uns amigos que já não se viam há muito tempo, pessoas que viviam no estrangeiro e estavam cá de passagem.

 

Só que entre saudações, comentários, perguntas, beijinhos e abraços...a conta continuava por pagar, e a fila estava a ficar composta. Enquanto uma pessoa, da fila até parecia estar divertida com a situação, havia outra que já estava a desesperar. Eu já tinha dito o valor da conta, duas vezes e a pessoa continuava distraída com o reencontro. Até que digo:" olhe, peço desculpa, vai pagar com dinheiro ou cartão!?" É aí que a pessoa diz "ah desculpem lá, é com multibanco!"

 

Tudo isto, aparentemente não demorou mais que uns dois ou três minutos, só para quem está à espera, parece uma eternidade! Podemos concluir que um reencontro pode ser um factor, que faz embargar/empatar uma fila!

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Os velhotes e o dinheiro

Um casal de velhotes, para pagar a conta, cujo valor era cerca de 110 euros, vai-me dando uma a uma, notas de vinte, e cada vez que me dava uma, o senhor esfregava bem a nota com os dedos, ainda me dizia "veja bem, se não são duas, podem ir coladas!"

 

Eu compreendo bem a preocupação deles, o dinheiro com certeza que não abunda e é preciso cuidado, por isso não levei nada a mal, nem quando me pediram para recontar...

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O juízo aumenta quando aumenta a idade!?

Estava a atender um casal já na terceira idade, que estavam só às turras, discutiam, pelo que tinham comprado, pelo que faltava , e disputavam quem era o mais guloso, entre coisas do género.

 

Cumprimentei-os, só um respondeu. Continuei, o registo, e a zaragata continuava também. Até que o velho manda um berro à velha, que me faz assustar e digo "ai" (é certo que eu também me assusto facilmente).

 

Nada os fez parar, mesmo depois  de saírem dali, ainda iam zangados.

 

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