Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Ser operadora de caixa, na minha perspetiva é...

operadoradecaixa.jpg

Os seguintes pontos, são aqueles sobre os quais me debruço e tento cumprir e fazer o meu melhor…

  • Cumprimentar, se possível, olhos nos olhos, o cliente.
  • Perguntar se precisa de saco, ou de ajuda em alguma coisa no embalamento. Ser prestável!
  • Ouvir, quando o cliente refere se encontrou ou não, tudo o que precisava, ajudar nesse sentido.
  • Escutar, o que o cliente tem a dizer sobre o que aconteceu nas seções, peixaria, padaria, talho etc…
  • Ir registando as compras de acordo com o ritmo do cliente.
  • No caso de já conhecer alguma coisa do cliente, meter conversa a esse respeito, desejando que alguma coisa menos boa, se componha! Se a pessoa é divertida e diverte, entrar nesse compasso.
  • Perguntar se quer o número do contribuinte na fatura, respeitando, as razões que o cliente aponta para o sim ou para o não, encontrando um ponto em que concorda com ele.
  • Perguntar se tem cartão de cliente, cupões e se quer descontar saldo, no caso de o ter...
  • Dizer o total de forma subtil, para não assustar o cliente, mencionando os descontos que teve.
  • Despedir e agradecer com agrado e simpatia.

Será que me esqueci de algum ponto importante? Aceito sugestões, de colegas e de clientes!

Aquela birra, foi horrível

No passado sábado, a manhã esteve caótica, cheia de clientes, fim de mês é natural.

No meio de tanta gente, está na fila atrás de mim, uma mãe, uma avó e um menino ai dos seus 3/4 anos. Estava com uma birra descomunal, gritava alto, esperneava, a avó tentava em vão o assoar, pois a cara dele era ranhoca, era lágrimas!

O barulho era tanto que eu não conseguia ouvir o pip da máquina ao passar os artigos, nem os clientes me ouviam a fazer as perguntas habituais , nem eu ouvia as respostas.

Uma senhora na minha fila com um rapaz adolescente e uma bebé no carrinho, dizia "espero que a minha nunca faça uma birra destas"!

Não sei qual o motivo da birra, julgo que também não tenha sido fácil para aquelas pessoas verem toda a gente a observar e a tecer comentários.

O momento foi longo, e valeu a muita gente, eu incluída, uma grande dor de cabeça!

labirra.jpg

Mexer e arrumar

Um cliente diz para o outro que não gosta que mexam nas coisas dele, isto porque o cliente seguinte estava a empurrar os artigos do primeiro. Vai o outro responde que não gosta de desarrumações! E começa o bate-boca, que isto as pessoas gostam é de discutir, assim descomprimem e depois já se ficam a sentir melhor!

 

Cá para mim pensei: até podia não gostar de desarrumações, mas também não tinha de ir arrumar "a casa" do outro!

discussao.jpg

A corrida para a peixaria

Os sábados de manhã são muito animados, principalmente à entrada do supermercado e antes mesmo, de abrirem as portas!

Vão para a porta quase meia hora antes de abrir, as esposas ficam à porta, os maridos dentro do carro a dormir. O tema da conversa, que eu ouvi "deviam de haver senhas para o peixe aqui fora"! Isto porque quem chega primeiro ao supermercado, nem sempre chega primeiro à peixaria.

Outro facto: logo à entrada do supermercado está o dispensador de cupões onde  também dá logo para tirar as senhas para as seções não só da peixaria, como talho, charcutaria, etc, só que muitas pessoas não se apercebem disso, e vão logo a correr para a peixaria.  Depois, quando percebem que ao chegar à peixaria primeiro, já há pessoas com senhas, que ainda estão primeiro, mas que chegaram atrás, rebenta a bolha, ou seja, a discussão! Uma senhora chegou a dizer-me que trazia o netinho para ele correr para a peixaria tirar a senha, porque ela já não tinha pernas para entrar na corrida.

E vale a pena andarem a discutir por causa de uns quilos de sardinhas ? Será que as sardinhas acabam assim tão depressa? Será que os que são atendidos primeiro, ficam com as sardinhas mais frescas?

 É que queixarem-se porque têm muitas pessoas para ser atendidas, porque há poucos funcionários a atender,  e têm uns 10 números à frente, eu até entendo, agora esta confusão  à entrada, era desnecessária!

Se calhar estas situações acontecem mais em localidades mais pequenas e em continente(s) modelo(s), onde há pessoas de aldeias, habituadas a se levantarem cedo,  nos grandes continentes urbanos, será que também há estas corridas?

É preciso mais calma, paciência e tolerância!

imagem1(1)[1].jpg

Aquelas duas velhotas trapaceiras

caixa-de-supermercado.jpg

Por algumas vezes, quando   as atendia, julguei que eram mesmo duas velhotas um pouco despassaradas, alheadas!

 

Tinha de estar sempre a conferir os carrinhos, pois esqueciam-se sempre de alguma coisa. Não me parecia que fosse com intenção!

 

Mas a situação começou a se repetir tantas vezes, que comecei a ficar mais atenta!

 

Da ultima vez, uma delas levava um saco térmico tipo lancheira, e quando ela ia a passar eu vi algo vermelho lá dentro, nem percebi se era algum papel ou o que era e perguntei o que era aquela coisa vermelha. ao que a senhora me responde "são  uns gelados!"  Digo: "então mas tem de os por em cima do tapete para eu os registar"! E ela responde "ah era para não descongelarem"! Também levava peixe congelado, e esse, meteu-o em cima do tapete, por isso julgo que não foi distração, pareceu-me que a intenção era mesmo levar os gelados à borla!

 

Afinal, parece-me, que  nem todas as pessoas com mais idade, são completamente inocentes!

 

Quando a operadora de caixa faz psicologia

euope.jpg

Por vezes há clientes que partilham comigo, situações pessoas, vivências, preocupações. Talvez me escolham, porque eu não sou dali, não tenho ali raízes, nem conheço o passado ou as histórias das pessoas e dos seus amigos e familiares.  Andei durante anos a desejar ser professora primária, e deveria era ter desejado ser psicóloga ou socióloga, já que uma está relacionada com o meio onde vive e convive e a outra se refere a cada individuo na sua singularidade.

 

Histórias de maridos que controlam as contas das esposas, historias de separações conflituosas, de doenças, situações tristes, de solidão,  de perdas dramáticas...

 

Um dia destes, estava pouco movimento e a cliente ficou lá um bom bocado a conversar, só pensei "esta vida dava um livro"!

 

Nós operadoras de caixa, acabamos por ser um pouco psicólogas, mas por vezes, perante a gravidade da situação que me contam, sinto que me falta aquela palavra certa para dar à pessoa, quem diz palavra diz conselho, mas pelo menos, julgo que sou boa ouvinte, e que consigo transmitir algum conforto.

 

Por vezes quem vê caras, não vê corações, é um cliché, mas adequa-se, porque só conhecendo a história de vida da pessoa conseguimos entender melhor as suas atitudes!

 

Daí que quando alguém tem uma atitude menos comum, já penso que alguma razão ela terá, para agir assim...

O uso do telemóvel bloqueia e atrapalha em diversas situações

Lá vou eu repetir um assunto.

 

A senhora estava ao telemóvel, e ia falando ao mesmo tempo que ia colocando as compras no saco, arrumando-as e pagando. Entretanto estava eu a tirar os troco e o talão e já a cliente tinha ido embora, esquecendo-se do troco, que era bem grande...tive de a chamar quase aos berros.

 

Noutra ocasião uma senhora recebe uma chamada, vai falando e colocando as compras de volta do carrinho, pois não trazia nem queria sacos. Entretanto,  termina a chamada, despede-se da pessoa, e logo a seguir liga a outra para lhe contar o que a anterior lhe tinha dito, começou "olha sabes da última, blablablabla". Com isto tudo e como ia gesticulando, atrasou tudo e ainda teve a lata de deixar tudo e ir imprimir cupões. Depois desculpou-se dizendo que "é sempre nestas horas que nos ligam",  quando tinha sido ela a fazer a 2ª chamada.

 

A minha sugestão era um cartaz pendurado a pedir/aconselhar a não atenderem  nem a fazer chamadas desde o momento em que colocam as compras até ao pagamento e retirada dos artigos do tapete. Não se pode proibir, porque o telemóvel também é usado quer para a aplicação, quer como forma de pagamento.

conselhosuteispratodos.jpg

 

O gosto em quebrar as regras

quebraregras.jpg

Depois de ler um post da Marta Elle, que estava numa fila do continente para pessoas que pretendiam que as suas compras fossem entregues ao domicilio, e onde pessoas que não estavam nessa categoria estavam lá a empatar, fez-me pensar no porquê de as pessoas terem tanta aptidão para quebrar regras no supermercado. Resolvi enumerar algumas.

  • Quando as pessoas querem entrar no supermercado, pelas caixas, que é local de saída;
  • Quando há uma caixa para 10 unidades e as pessoas querem passar com um carrinho cheio;
  • Quando a saída sem compras é pelo local onde entraram e elas querem sair pelas caixas, onde há carrinhos e pessoas a serem atendidas, que têm de fazer ginástica, para as deixar passar;
  • Quando a pessoa que está a ser atendida ainda não terminou, e já o cliente seguinte está praticamente em cima deste;
  • Quando está escrito que nas caixas self service não é permitido passar com carrinhos e mesmo assim, querem passar por lá;
  • Quando as pessoas entram pela saída das caixas self service;
  • Quando sabem que os cestos de rodinhas não podem ir á rua, e mesmo assim, estão sempre a tentar fazê-lo;
  • Quando sabem que não devem de entrar com os trolleys para dentro da loja e entram;
  • Quando sabem que não é para levar compras, produtos e outras coisas ou  sacos, para dentro da loja, mas sim deixá-los entregues na entrada, e mesmo assim, algumas pessoas levam tudo consigo, e depois nem mostram ou avisam a operadora.

Acredito que existam até mais, e muitas vezes não se entende porquê! Será apenas para dar trabalho aos  seguranças!? Eles já têm que fazer!

 

O lunático dos sacos

Quando o cliente chega à minha caixa pergunto se precisa de sacos. Nessa altura o senhor começa a olhar para cima, depois gira, e de seguida sai da minha caixa e vai a duas caixas à frente, onde não estava nenhuma operadora, mas estava lá um monte de sacos, e tira um. Volta para a minha caixa.

 

Eu digo: "mas eu tinha aqui sacos, esses são da colega"! Ao que ele responde: "mas o patrão não é o mesmo"!?

 

Habitualmente eu não tenho os meus sacos em cima do tapete, à vista, tenho-os dobrados num cesto logo à mão de os tirar quando o cliente precisa. Eu organizo-me melhor assim, mas algumas colegas preferem ter logo ali em cima do tapete. Felizmente cada um sabe como se organizar melhor e  tem essa liberdade.

 

lunatico1236.jpg