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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Aquelas duas velhotas trapaceiras

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Por algumas vezes, quando   as atendia, julguei que eram mesmo duas velhotas um pouco despassaradas, alheadas!

 

Tinha de estar sempre a conferir os carrinhos, pois esqueciam-se sempre de alguma coisa. Não me parecia que fosse com intenção!

 

Mas a situação começou a se repetir tantas vezes, que comecei a ficar mais atenta!

 

Da ultima vez, uma delas levava um saco térmico tipo lancheira, e quando ela ia a passar eu vi algo vermelho lá dentro, nem percebi se era algum papel ou o que era e perguntei o que era aquela coisa vermelha. ao que a senhora me responde "são  uns gelados!"  Digo: "então mas tem de os por em cima do tapete para eu os registar"! E ela responde "ah era para não descongelarem"! Também levava peixe congelado, e esse, meteu-o em cima do tapete, por isso julgo que não foi distração, pareceu-me que a intenção era mesmo levar os gelados à borla!

 

Afinal, parece-me, que  nem todas as pessoas com mais idade, são completamente inocentes!

 

Quando a operadora de caixa faz psicologia

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Por vezes há clientes que partilham comigo, situações pessoas, vivências, preocupações. Talvez me escolham, porque eu não sou dali, não tenho ali raízes, nem conheço o passado ou as histórias das pessoas e dos seus amigos e familiares.  Andei durante anos a desejar ser professora primária, e deveria era ter desejado ser psicóloga ou socióloga, já que uma está relacionada com o meio onde vive e convive e a outra se refere a cada individuo na sua singularidade.

 

Histórias de maridos que controlam as contas das esposas, historias de separações conflituosas, de doenças, situações tristes, de solidão,  de perdas dramáticas...

 

Um dia destes, estava pouco movimento e a cliente ficou lá um bom bocado a conversar, só pensei "esta vida dava um livro"!

 

Nós operadoras de caixa, acabamos por ser um pouco psicólogas, mas por vezes, perante a gravidade da situação que me contam, sinto que me falta aquela palavra certa para dar à pessoa, quem diz palavra diz conselho, mas pelo menos, julgo que sou boa ouvinte, e que consigo transmitir algum conforto.

 

Por vezes quem vê caras, não vê corações, é um cliché, mas adequa-se, porque só conhecendo a história de vida da pessoa conseguimos entender melhor as suas atitudes!

 

Daí que quando alguém tem uma atitude menos comum, já penso que alguma razão ela terá, para agir assim...

O uso do telemóvel bloqueia e atrapalha em diversas situações

Lá vou eu repetir um assunto.

 

A senhora estava ao telemóvel, e ia falando ao mesmo tempo que ia colocando as compras no saco, arrumando-as e pagando. Entretanto estava eu a tirar os troco e o talão e já a cliente tinha ido embora, esquecendo-se do troco, que era bem grande...tive de a chamar quase aos berros.

 

Noutra ocasião uma senhora recebe uma chamada, vai falando e colocando as compras de volta do carrinho, pois não trazia nem queria sacos. Entretanto,  termina a chamada, despede-se da pessoa, e logo a seguir liga a outra para lhe contar o que a anterior lhe tinha dito, começou "olha sabes da última, blablablabla". Com isto tudo e como ia gesticulando, atrasou tudo e ainda teve a lata de deixar tudo e ir imprimir cupões. Depois desculpou-se dizendo que "é sempre nestas horas que nos ligam",  quando tinha sido ela a fazer a 2ª chamada.

 

A minha sugestão era um cartaz pendurado a pedir/aconselhar a não atenderem  nem a fazer chamadas desde o momento em que colocam as compras até ao pagamento e retirada dos artigos do tapete. Não se pode proibir, porque o telemóvel também é usado quer para a aplicação, quer como forma de pagamento.

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O gosto em quebrar as regras

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Depois de ler um post da Marta Elle, que estava numa fila do continente para pessoas que pretendiam que as suas compras fossem entregues ao domicilio, e onde pessoas que não estavam nessa categoria estavam lá a empatar, fez-me pensar no porquê de as pessoas terem tanta aptidão para quebrar regras no supermercado. Resolvi enumerar algumas.

  • Quando as pessoas querem entrar no supermercado, pelas caixas, que é local de saída;
  • Quando há uma caixa para 10 unidades e as pessoas querem passar com um carrinho cheio;
  • Quando a saída sem compras é pelo local onde entraram e elas querem sair pelas caixas, onde há carrinhos e pessoas a serem atendidas, que têm de fazer ginástica, para as deixar passar;
  • Quando a pessoa que está a ser atendida ainda não terminou, e já o cliente seguinte está praticamente em cima deste;
  • Quando está escrito que nas caixas self service não é permitido passar com carrinhos e mesmo assim, querem passar por lá;
  • Quando as pessoas entram pela saída das caixas self service;
  • Quando sabem que os cestos de rodinhas não podem ir á rua, e mesmo assim, estão sempre a tentar fazê-lo;
  • Quando sabem que não devem de entrar com os trolleys para dentro da loja e entram;
  • Quando sabem que não é para levar compras, produtos e outras coisas ou  sacos, para dentro da loja, mas sim deixá-los entregues na entrada, e mesmo assim, algumas pessoas levam tudo consigo, e depois nem mostram ou avisam a operadora.

Acredito que existam até mais, e muitas vezes não se entende porquê! Será apenas para dar trabalho aos  seguranças!? Eles já têm que fazer!

 

O lunático dos sacos

Quando o cliente chega à minha caixa pergunto se precisa de sacos. Nessa altura o senhor começa a olhar para cima, depois gira, e de seguida sai da minha caixa e vai a duas caixas à frente, onde não estava nenhuma operadora, mas estava lá um monte de sacos, e tira um. Volta para a minha caixa.

 

Eu digo: "mas eu tinha aqui sacos, esses são da colega"! Ao que ele responde: "mas o patrão não é o mesmo"!?

 

Habitualmente eu não tenho os meus sacos em cima do tapete, à vista, tenho-os dobrados num cesto logo à mão de os tirar quando o cliente precisa. Eu organizo-me melhor assim, mas algumas colegas preferem ter logo ali em cima do tapete. Felizmente cada um sabe como se organizar melhor e  tem essa liberdade.

 

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Falta de bom senso

Estávamos num momento de caixas cheias, filas grandes. Vem um casal com um carrinho de bebé, onde a criança estaria a dormir, pois estava tapada nem dava para ver. Perguntam se podem ser atendidos, visto terem prioridade. Respondi que sim, disse aos outros clientes para deixarem passar, explicando que eles tinham prioridade por causa do bebé.

 

Enquanto a senhora coloca as compras no tapete, o pai passa com o carrinho e o bebé e sai dali. Julgo que foi ver a montra da Wells. A senhora fez tudo sozinha, como se estivesse apenas ela, sem bebé e sem marido! Eu pensei: " isto vai dar confusão"!

 

Adivinhei, as pessoas, assim que a senhora saiu, começaram a comentar o facto e um senhor disse mesmo: " Isto não está correto! Armam-se em espertos! Então porque não foi o pai passear a criança e ficava a mãe na fila!?" Valeu-me o facto de eu responder ao senhor que ele tinha toda a razão, mas que nós tínhamos de cumprir esta lei. E ele disse que sabia, mas que neste caso, as pessoas se tinham aproveitado !

 

Eu reafirmo que o que continua a faltar nesta lei, é o bom senso!

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Mais uma situação de falta de civismo

Na caixa atrás da minha, estava a ser atendida uma senhora grávida. Vai daí, uma velhota que estava com a filha na fila , decide passar pro outro lado, onde ainda estava a tal senhora grávida, só que ao passar empurra a barriga da senhora grávida contra o balcão, e a senhora grávida, assustada, grita. Vai a filha da tal velhota diz: "cuidado mãe, a senhora está grávida"! Depois pede desculpa à senhora, e a própria grávida, pede também desculpa por ter gritado, e a filha da tal senhora, diz que compreende, sabe que foi o instinto de proteção!

 

Só me apeteceu dizer: "mas porque é que as pessoas não respeitam a fila? Porque raio a mulher tinha de ir pro outro lado se ainda não estava na vez dela!? Que falta de respeito! É preciso por ali um sinal sonoro a impedir que as pessoas passem pro outro lado, quando a outra pessoa ainda lá esta!? É que mesmo que a senhora não estivesse grávida, não tinha nada que a empurrar!"

 

Falta de civismo!

 

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Algum de vós é maior de idade!?

Nestes dias que antecedem a passagem de ano, é habitual, grupos de  jovens ou mesmo de  adultos irem fazer compras a meias para a passagem de ano. Compram essencialmente marisco e bebidas, mas também outras coisas.

 

Então há um grupo de jovens que leva imensas bebidas, entre as quais vodka. Mesmo não sendo entendida em bebidas alcoólicas, sei que esta é bastante forte. Então começo a olhar para os rapazes, e a pensar com o meus botões: " Estes rapazes, terão mais de 18 anos!? Bem, aqueles dois ali, já têm barba, mas parecem ser tão novos...O melhor é pedir identificação, eles devem saber que é procedimento habitual, e não vão levar a mal..."

 

Entretanto junta-se ao grupo dois adultos, e respirei aliviada! Passado isto fui pesquisar com que idade nasce a barba nos rapazes, e há várias hipóteses que variam entre os 15 e os 18 anos. Realmente fiquei surpreendida por ser possível aos 15. Então a barba já deixa assim de ser para mim, motivo para achar que o rapaz já é maior de idade!

 

E se fossem raparigas? Enfim, peço a identificação e pronto, se alguém se recusar, logo se vê! Eu não acerto muito em idades, tenho muito receio, são situações de muita responsabilidade!

 

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A mente prodigiosa de certos clientes

Hoje, uma colega da frutaria vai às caixas avisar que deve de andar por aí um abacaxi sem rama, e diz que a quem calhar, é pedir a rama à colega, porque, como já sabemos, não se vende abacaxi sem a rama.

 

Entretanto, o dono da rama aparece logo numa das caixas e a situação fica resolvida.

 

Algum tempo depois, chega à minha caixa um senhor também com um abacaxi sem rama. Digo ao senhor que aquilo não se vende sem a rama.

 

E o senhor diz logo:" mas eu não como a rama, por isso, não tenho de a pagar".

 

Ao que eu digo:" também não come a casca da banana"!

 

"Isso é diferente" -  diz ele!

 

Pego no telefone para pedir a rama, e ele diz-me: " Assim não levo, o seu patrão que o coma, era só o que faltava! Já não chega, venderem a  carne com gordura, que tenho de a pagar e também não a como"!?

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Até a senhora que estava na fila ficou indignada  com o facto do senhor ter arrancado a rama ao abacaxi!

 

Depois o abacaxi ficou ali na minha caixa e foi lá outra colega da frutaria perguntar o que se tinha passado, e quando lhe contei, mais pessoas da fila ao ouvirem, ficaram admiradas com a situação!

 

Haja paciência!