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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Gente que não acta regras e amua

Ontem, logo pela manhã atendi um casal, bastante jovem até, que me deixou logo aborrecida.

Quando nós pedimos alguma coisa ou chamamos atenção por alguma coisa, não é vontade nossa, mas sim normas da empresa, ou seja, ordens que temos. Pedi apenas que colocassem todos os artigos em cima do tapete incluindo os sacos vazios, pedi com educação, porque isso faço sempre, até posso falhar em alguma coisa, mas não é na educação. Ficaram chateados, e começaram a atirar as coisas à bruta, a implicar com tudo, a mostrar insatisfação e a descarregar a sua frustração. Não perdi a compostura e respondi sempre amavelmente.

Felizmente a seguir vieram pessoas bem educadas e civilizadas que aceitaram e entenderam os meus pedidos em nome da empresa, e acabei por desvalorizar aquelas pessoas mal formadas e ressabiadas!

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"A senhora trabalha aqui!?"

Estava ainda a atender uma pessoa, quando chamo a cliente seguinte. È um procedimento normal e habitual, nesta altura.

A senhora avança, mas como tinha poucas coisas resolve, ela mesma, chamar a pessoa que está a seguir. Situação que não dá para fazer, porque iam estar uns em cima dos outros.

Ao ver isto, fico tão surpreendida que digo à senhora "Olhe desculpe, a senhora trabalha aqui!? " E a senhora fica a olhar, e eu continuo "é que sou eu quem chama as pessoas, e na devida altura. Há que respeitar o distanciamento!"

A senhora ainda diz qualquer coisa que cabiam bem, ou sei lá, falou baixinho.

Tenho a agradecer ás pessoas que estão connosco nas medidas, que as respeitam, e que até agradecem a nossa postura, e elogiam as normas da empresa que as fazem sentir seguras.

Mas é  cansativo este continuar de atitudes. Recordo-me de em março estar confiante e positiva, achar que isto só ia custar no inicio porque depois as pessoas iam entrar no ritmo e até iam ter comportamentos mais corretos.

Estava tão enganada!

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A função do acrílico

Como já aqui disse, acrescentaram do lado da entrada uns centímetros de acrílico, para nossa proteção, havendo assim mais distanciamento do cliente. Mas também temos acrílico atrás, e até lateralmente. Praticamente só no topo não há acrílico,  a ver se as pessoas entendem que é ali que podem estar e arrumar os artigos. Não precisam de se colocar em cima de nós ou entregar  artigos em mãos.  Os artigos são para colocar o mais atrás possível, que depois rolam até nós!

Ainda assim, um dia destes, um casal de clientes depois de colocar todas as compras sobre o tapete, deixando-o tipo torre, o homem queria me ir entregando o que ficou ainda no carrinho , artigo a artigo em mão. Queria entregar um pacote de bolachas depois um pacote de manteiga e assim sucessivamente. Quando lhe disse que não podia ser, chamou a senhora que o acompanhava e disse " ó Fulana já viste esta graça, diz que não posso dar as coisas em mão!" Diz a outra "A sério!? Mas porquê!?"

Noutra ocasião um cliente queria ver um preço e quase se deita no tapete para observar o meu ecrã (até me cheguei atrás), quando do outro lado tem um ecrã só para ele!

E as vezes que os clientes já deram cacetadas no acrílico!? Estou à espera de um dia, ver alguém a partir ou a rachar aquilo. Estão sempre a bater lá, a abanar aquilo tudo! Pode acontecer uma vez sem querer, mas quando o mesmo cliente, chegar a bater lá várias vezes, é estranho!

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O diário do dia

Já aqui vos falei de uma janela de pagamento, uma abertura no acrílico, para as transações.

Passo o dia todo a pedir ao cliente para pagar por ali. Alguns aceitam e fazem, mas outros,  ou gozam, ou dizem disparates.

Depois acontece que peço ao cliente o cartão continente por ali, ele da-me o cartão e vai para o topo, para me dar o dinheiro. Digo que o dinheiro também é por ali. Ele volta lá e dá-me o dinheiro. Quando dou conta já fugiu outra vez, lá o chamo de novo para entregar os talões.

É  o dia todo nisto! Cansa, satura.  Como é que não percebe que tem de ser toda a transação por ali. Sim o "buraco" é pequeno, apertado, pode não concordar, mas pelo menos podia aceitar e cumprir!

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Nem sempre é fácil usar máscara

Era mais um dia normal, ou melhor, no que agora se diz normal.

Lá estava eu de máscara, de luvas, e atrás de uma "cabine".

A dada altura do turno, começo a sentir-me a sufocar, mas vou tentado respirar e aguentar. Sempre que possível desinfectava as mãos e puxava um pouco a máscara para respirar. A cada cinco minutos vou olhando para o relógio, desejando que chegasse a minha hora, para tirar aquilo tudo.

Não estava fácil. Até comecei a sentir sede, secura, coisa que nunca sinto. Eu nem costumo levar água porque não sou de beber muita água. Chegada a minha hora pergunto se posso fechar, mas, era preciso esperar um pouco. Cheguei a pensar que ia cair pro lado.

Não sei porque não arranquei aquilo da cara e pus no lixo.

Lá consegui finalmente, sair da caixa, ir para a zona reservada a colaboradores e tirar a máscara.

Certamente ficou mal colocada, na zona do nariz, deve ter ficado muito para cima. Nunca foi fácil usar, mas naquele dia, foi mesmo complicado.

No dia a seguir a isto, não usei, e, por azar, atendi um cliente que estava no topo, tossiu e nem se virou para o lado, nem pôs o braço à frente, nada!  

Já voltei a usar e foi mais tranquilo. Até porque é o que tenho de fazer, por mim, pelos outros.  Há profissionais que além de máscara, usam viseira, fato, e por mais horas, até ficarem com marcas. Se eles conseguem, também hei-de conseguir!

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Do uso da máscara e das luvas

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Já um ou outro cliente me questionou sobre o facto de não usarmos  máscara. Por vezes, parece que estão a fazer um inquérito, outras vezes é só para fazer conversa de circunstância. Justifiquei dizendo que as barreiras acrílicas nos davam  proteção, alguns ficavam convencidos, outros nem tanto! 

Um dia destes resolvi, não usar as luvas, como tenho o álcool em spray e ia desinfetando a cada cliente. Fi-lo porque não me ajeito nada com as luvas, mas consciente do que estava a fazer. No entanto, houve vários clientes perguntarem-me o porquê de não ter luvas. Voltei a usá-las, principalmente para não ter de dar explicações!

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Já me começo mais a habituar ás luvas, e caso fosse preciso, ou me dissessem na empresa, para usar máscara, também me habituaria!

Claro que quanto mais protegidos estivermos melhor, tanto para nós como para os outros!

O coronavírus: covid -19

O tema do coronavírus fala-se por todo o lado. Trabalhando num supermercado, de vez em quando, lá surge o assunto.

Há pessoas muito assustadas, há  pessoas que desvalorizam o assunto, há ainda quem brinque com a situação.

Confesso que estou naquela de tentar  não entrar em pânico, mas estar alerta, ser cuidadosa. Ontem  tossi uma vez, coloquei o cotovelo como sempre e a cliente disse logo "olhe o vírus"!

Nas notícias ouvi que o dinheiro por andar de mão em mão pode trazer todo o tipo de vírus e baterias. Diziam para lavarmos as mãos depois de mexer no dinheiro, ou para evitar manusear dinheiro vivo e usarem mais cartão multibanco.  Ora  o meu trabalho, é muito mexer em dinheiro, não posso andar a lavar as mãos assim tantas vezes! E uma pessoa leva as mãos ao rosto mesmo sem querer, é inevitável, nem damos conta!

Sinceramente só quero que isto se resolva, que isto acabe. Jamais imaginei que em pleno séc. XXI pudesse acontecer algo assim, tão trágico. É tão injusto!

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As pérolas do natal

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Nos dias que antecederam o natal, o supermercado estava como era de esperar, cheio. ainda assim dava sempre para ter "um dedo de conversa" com quem também se propunha a isso.

Gostaria de salientar neste âmbito, duas situações:

  • a primeira, uma cliente habitual, acompanhada pelo marido, diz no seu discurso que se aborrece com esta quadra, que o natal não lhe diz nada, e mais coisas do género. Ao concluir o atendimento, e depois de ouvir a sua palestra, pensei para mim " bem, é melhor não me despedir com celebre frase de boas festas e só dizer bom dia e obrigada. Vai ela retribui com um efusivo "Bom Natal"! Vá se lá entender esta gente...
  • o segundo foi um senhor que no dia 24 me perguntou, primeiro a que horas fechávamos naquele dia, respondi. Depois diz "mas amanhã está fechado"! Ao que eu respondi "sim, é dia de natal"! E responde ele "para mim é um dia igual aos outros"! Fiquei sem saber se devia de dizer que lamentava ou o que responder, e apenas disse "pois"!

Há sempre alguém a se fazer notar pelas suas teorias, portanto histórias para este novo ano, não vão faltar!

Os quebra-regras

Um dia destes, um cliente com um carrinho cheio, ao chegar minha caixa, queixou-se da minha colega não o ter deixado ir para as caixas self-service. Respondi que aquelas caixas não eram para carrinhos e que estava lá uma placa com essa informação. Ao que ele respondeu "pois, mas bem que ela podia facilitar"! Respondo que são regras da empresa, e o cliente, continua a não aceitar a regra e a dar os seus argumentos parvos!

Desisti, de argumentar. É por causa destas pessoas com esta dificuldade em aceitar normas, que a caixa de 10 unidades deixou de existir, porque as pessoas também queriam ir para lá com um carrinho cheio, alegando que não estava lá ninguém com dez unidades, e que as podia atender...

Fico passada com gente que não aceita regras, imagino que estas pessoas, também não devem respeitar outro tipo de regras, tipo as de transito, argumentando "o sinal está vermelho, mas não está aqui ninguém, vou passar e pronto!"

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Por vezes temos de tomar medidas radicais!

Não têm conta as vezes que esta situação acontece por dia. Umas vezes a coisa resolve-se bem, mas por outras dá confusão! Refiro-me ao facto de na fila as pessoas não deixarem o cliente que está ser atendido ter a sua privacidade, quer para arrumar as compras, quer para fazer o pagamento ou mais alguma coisa. O cliente seguinte fica em cima deste!

Recentemente estava a atender um jovem, a seguir estava  uma senhora, parecia apressada ou impaciente, andava de um lado para o outro, até que se instalou no local de frente para o sítio onde o cliente que estava a ser atendido tinha de estar.

Quando digo o total, o jovem aponta para senhora e diz que é ela que paga! Ao que ela rege um pouco agressivamente, vai o jovem diz que ela lhe tirou a privacidade, que se roçou nele, e que agora ela tem de pagar, já que está ali.

Por pouco que esta situação não acabava mal!

Sugiro para que se evite essas situações que se coloque uma sinalética no chão e que quando o cliente que está a seguir a pisar, se emita um sinal sonoro, a ver se assim ele se dá conta, e recue!

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