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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

O impacto da depressão Kristin

O mau tempo que assolou o nosso país, a depressão Kristin, tem se feito notar nos rostos das pessoas.

Nas localidades que rodeiam o Cartaxo, ainda há pessoas sem água, sem luz, sem comunicações.

Atendi um casal que tinha ido comprar um gerador, para pelo menos, não deixarem estragar os alimentos que tinham na arca frigorífica.

Outras pessoas disseram que nestes dias,  não puderam ir trabalhar porque a creche dos filhos, estava sem eletricidade, e não abriu, então tiveram ficar com as crianças, porque não tinham com quem as deixar.

Também há pessoas a irem tomar banho a um pavilhão que a cidade disponibilizou, porque sem água quente, e com os familiares na mesma situação, não tinham outra solução.

Ontem atendi um senhor que me disse que na zona de onde vinha,  as filas do supermercado eram grandes e  faltavam muitos produtos nas prateleiras .

Ainda há pessoas sem  televisão para verem as notícias. Até me confidenciaram, que acabam por se deitar mais cedo,  para não estarem na escuridão.

Até para entreterem as crianças faz falta televisão.

Atendi pessoas que estavam unidas a comprar bens para darem a pessoas que estavam a precisar. É bom ver, como os portugueses, são solidários.

Uns velhotes disseram que voltaram a ouvir rádio a pilhas. Pessoas que procuravam velas, mas não encontraram, então levavam daquelas para perfumar a casa e alumiar ao mesmo tempo.

Enfim 

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Pessoas frágeis

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Um senhor, já velhinho e muito debilitado, que mal andava, ele arrastava os pés, perguntou-me onde estava um determinado artigo, e especificou ao pormenor, limonada de um litro da marca B. Quando percebi a distância que esse artigo estava e visto que de momento não tinha ninguém na fila, pedi autorização para ir buscar o artigo ao senhor.

Depois de ter a resposta, o senhor disse-me"traga-me dois" ele sabia bem a marca , a quantidade que tinha e o sabor. 

Depois disse-me que estava mesmo ali no lar que fica a poucos metros. Pediu-me para por dentro de um sacos. Ele pagou em dinheiro, entreguei o troco. Reparei que estava com dificuldade em pegar no saco. Então fui ajudar a pendurar o saco no braço do senhor. Vi que ele tinha a mão fechada, julguei que ainda não tinha guardado o troco, mas a cliente que estava a seguir fez-me um sinal. Foi quando percebi que o senhor além das pernas também tinha alguma coisa naquela mão e não a abria. 

Foi muito gentil e agradeceu-me muito. 

Já passaram uns dias e não o voltei a ver . 

O custo de vida para os mais velhinhos

Uns velhinhos já ambos debilitados, e cada um com uma bengala, iam olhando fixamente para o ecrã onde iam controlando os preços ou o total. Tinham poucos artigos, e eu própria os coloquei no saco, porque a preocupação deles era outra.

No final a senhora pergunta baixinho ao senhor "então chega ou não!?" Ele afirma que sim, e coloca umas quantas moedas em cima do tapete e pede-me para eu contar. Na verdade, faltava sete cêntimos, mas eu disse-lhe que estava certo. 

Estas situações deixam-me triste. Porque se faltasse mais dinheiro e tivesse que anular artigos, seria ainda pior, porque por mais empatia que possamos ter com as pessoas, também sabemos que não podemos fazer mais. 

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O cartão Mais Pessoas

Existe um cartão que tem o nome de  "cartão mais pessoas", que é gerido pela Segurança Social e financiado pelo Fundo Social Europeu. Destina-se a apoiar famílias em situação de carência económica e permite adquirir bens alimentares em estabelecimentos comerciais aderentes ao programa, como é o caso do Continente.

Este cartão só dá mesmo para bens alimentares, considerados essenciais, se registar outro tipo de artigo, o sistema não aceita. Houve uma vez  que uma cliente me pediu um saco, e deu logo erro. Passamos o cartão antes de começar a registar as compras, e no fim é usado como se fosse um multibanco com código e tudo.

Enquanto que o cartão da cruz vermelha que também se destina a apoiar famílias carenciadas, dá para comprar produtos não essenciais, este só dá mesmo para bens essenciais!

O cartão é pratico de usar, claro que da primeira vez tive que perguntar, pois não conhecia o cartão.

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Uma cliente deste cartão disse que tinha um determinado valor que era carregado mensalmente, e que era uma boa ajuda!

Outra cliente disse me que não sabia o saldo que tinha, porque não sabia mexer com o telemóvel. Essa cliente foi ao supermercado duas vezes na mesma manhã, da primeira, pegou com esse cartão, da segunda, já não deu e pagou com dinheiro.

De louvar esta  boa iniciativa!

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Um pedido especial

Estava a atender uma senhora, uma velhota castiça, que eu já há algum tempo não encontrava. Que feliz eu fiquei de a ver bem. Foi muito querida comigo, aliás como sempre.

Levava alguns frasquinhos , de sabonete, de gel banho, uns que têm um manípulo que temos de rodar, e que depois funciona com um clic. Muito educadamente pediu-me se eu os podia abrir, porque ela não era capaz. Na imagem,  o primeiro está fechado, e o segundo aberto, depois de rodar!

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A primeira coisa que pensei foi que nem eu própria ás vezes consigo, mas prontifiquei-me a ajudar, apenas questionei se depois não vertia o liquido pelo caminho,  ela assegurou-me que não!

Felizmente consegui, ela ficou agradecida e eu satisfeita por poder ajudar. Mas, de facto, estes manípulos podem até ser seguros, mas não são fáceis!

Missão continente - Banco Solidário Animal

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Está a decorrer no continente, mais uma campanha de vales solidários, através da missão continente, para o Banco solidário animal, Animalife.

Somos também nós, operadoras de caixa,  que divulgamos na caixa a campanha aos clientes e perguntamos se querem contribuir através dos vales de €1 ou €5 .

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No meu ponto vista, nas situações que tenho divulgado a campanha, porque apesar de não ser boa "vendedora" sou muito dedicada à causa animal, tenho encontrado um misto de situações.

Tenho encontrado pessoas que neste âmbito, e de forma positiva, dizem preferir ajudar animais a pessoas, pessoas que contam situações de adoção a animais com finais felizes. Algumas pessoas, até me mostram fotos dos seus animais no telemóvel, quando há tempo. Pessoas que se o tempo permitisse, ficaríamos ali, horas a falar sobre os animais, a sua doçura, inteligência, fidelidade, companhia. Pessoas que diziam ajudar de outras formas.

Também houve pessoas que diziam que não ajudavam porque não podiam, mas que eram solidárias com a causa.

Mas, como nem tudo é perfeito, também há pessoas, que ficam indignadas por estarmos a pedir para os animais. Um senhor, que disse " e então logo para os animais, eu não os tenho,  para não ter despesas, nem chatices, era o que faltava!"

Acredito que as pessoas fiquem cansadas  com estes pedidos, mas, o pouco que possam ajudar, todo junto, fica muito e alimenta muitos  animais , principalmente, os  sem dono ou que o dono esteja com dificuldades, os das  ruas, os das  colónias, e os que estão nas associações.

Obrigada por ajudarem!

Eu gosto de ajudar os outros

Por vezes há situações em que notamos que as pessoas precisam de ajuda, e eu gosto de ajudar, acho que sou empática, solidária.

Uma senhora já com alguma idade, estava a fazer um esforço enorme a tirar os artigos do carrinho, porque estava, do lado do puxador, quando deveria estar do lado da ponta que é mais baixo. Quando expliquei , exemplificando, que havia uma forma mais simples, a senhora aceitou, e agradeceu!

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A dama dele

 

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Não foi fácil rever a esposa do senhor, que faleceu recentemente e era "nosso" cliente. Era hábito os ver sempre juntos e divertidos. Parece estranho ver um sem o outro!

 A senhora está tão abatida, tenho tanta pena. Ela mal consegue falar! Até me disse que nem vontade tinha de sair de casa, mas eu disse-lhe que viesse,  porque sempre espairecia, falava com as pessoas.

Gostava de poder ter dado mais atenção, mas é um supermercado e tem horas que o movimento não nos deixa parar!

Espero que o natal não demore a passar...

Esta época natalícia, já foi de luz e magia para mim. Quando o meu filho era pequeno sempre o levei a gostar de todo este encantamento!

No supermercado, há sempre muita correria, impaciência, mas também, algumas pessoas/clientes  são invadidas por este espírito e ficam mais tranquilas, amáveis!

Também é altura de campanhas de solidariedade, que no meu ponto de vista, são um pouco longas. Não é fácil pedir, uma semana ou duas, ainda consigo, mas depois as pessoas começam a dar muitas negas, porque também estão com dificuldade. As pessoas justificam o "Não", muitas vezes com histórias de vida, que fazem chorar as pedras da calçada, fico devastada! Fico acanhada e com vergonha de pedir, mesmo sabendo que é parte do meu trabalho! Ainda assim, vou divulgando a campanha, que este ano, se destina a três associações locais, conhecidas pela maior parte das pessoas! Cada pessoa tem o seu feitio, e felizmente há pessoas que têm mérito nesta função!

Com o passar do tempo, e quando começamos a perder pessoas próximas, os sentimentos mudam, os lugares que antes eram de alegria,  tornam-se diferentes. Vai-se perdendo o gosto.

Também é altura das avaliações nas empresas, e eu não lido muito bem com injustiças, não só comigo, mas com os outros. São situações, que não concordarmos , e que nos afetam e nos deixam tristes! Mas uma coisa é certa: o nosso valor, não diminui, só porque alguém não o vê! Tenho plena consciência, cada vez que saio do trabalho, que dei o meu melhor!

Mas, confesso que  só quero que esta fase passe!

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