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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A falta que a voz faz...à operadora de caixa

Não é costume me constipar no verão, mas talvez devido ao excesso de uso do ar condicionado, constipei-me! E uma das consequências habituais é perder a voz!

A voz faz-me imensa falta. Tenho de fazer perguntas, cumprimentar as pessoas, divulgar campanhas, dizer o total, agradecer, fazer a despedida. Por vezes nem me dou conta,   do quanto falo. Dava jeito umas plaquinhas com as falas, ou uma gravação, nestas alturas!

No sábado estava completamente afónica, e além das frases habituais, como não me ouviam, ainda tinha o esforço acrescido de as repetir até quase à exaustão. Alguns clientes diziam "ah está rouca!", ou, "e... como você está"!, ainda "isso não será covid!?", outros desejavam as melhoras, aconselhavam chás, faziam ainda mais conversa e eu tinha ainda mais de me justificar!

Até que, quando perguntei já a falar baixinho, a uma senhora o número de contribuinte, ela respondeu-me também num tom de voz baixinho como o meu, mas não era porque estava como eu, na altura, pensei que estava a gozar comigo! Pedi para ela repetir dizendo que não tinha percebido e ela disse "pois" num tom de voz normal, mas o número de contribuinte repetiu em voz baixa, deu invalido, eu não quis saber, e deixei assim!

No momento fiquei triste, desanimada e com uma vontade de sair dali a correr! Mas era um dia de grande afluência, lá respirei fundo, contei até 10 e prossegui!

Horas depois, já em casa, a pensar nesta situação, cheguei à conclusão, que a senhora certamente não estava a gozar, mas sim, a dar-me um recado/lição. Queria que eu entendesse que não deveria estar ali, porque as pessoas não me entendiam, e assim estava a prejudicar o trabalho e os clientes!

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A caixa da socióloga

Nos primeiros tempos da minha vida e até aos meus 20 anos de idade, sonhei ser professora de primeiro ciclo. Em miúda, sempre que iam crianças à minha casa,  incluindo os meus primos mais novos, eu dava papel e lápis e punha-os a escrever. Mas tudo não passou de um sonho, que não foi possível concretizar!

Entretanto, com esta profissão de contacto com o público, e quando surgiram os livros, algumas pessoas me aconselharam a fazer uma formação em sociologia, porque tinha jeito.

No meu imaginário, eu vou para a universidade, que foi algo que sempre quis, faço sociologia, mas volto para o supermercado, crio uma caixa especial, " a caixa da socióloga", uma caixa , onde não há pressa, onde atendo quem tenha tenha vontade de conversar um pouco. Uma caixa mais lenta, mais virada para a humanidade, para os mais velhos, para quem tiver tempo, e juntava esta minha capacidade, ou dom, com estudo e formação!

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Que tal!?

Sobre mim

Talvez por culpa minha, muitos dos leitores continuam a tratar-me por Caetana, por isso resolvi actualizar aqui o meu perfil, que ficou assim:

 

Olá, o meu nome é Anabela Neves, a “Caetana” para muitos de vós, pois era  o pseudónimo que eu usava no  blog. Com a chegada do livro (Outubro de 2011) a minha verdadeira identidade foi revelada.  Este blog conta essencialmente,  situações passadas no ambiente de um supermercado. São, basicamente, as peripécias vividas por mim, enquanto operadora de caixa, em interacção com os clientes. Espero que gostem, que se divirtam e que reflictam sobre o assunto :)

Carta aos "meus" leitores

Na minha adolescência tive um desejo de escrever um livro. Pois tinha e ainda tenho uma tia (embora já muito velhinha) que na minha infância me contava as histórias mais lindas. Os contos, como ela chamava. Eram histórias tradicionais, mas com uma versão que só ela conhecia, geniais! Como as historias já vinham da mãe ou da avó da minha tia essas versões devem ter mais de 100 anos. Eu tinha um rádio gravador a cassetes e pensei mesmo em gravar os seus “contos” e transformá-los em livro. No entanto ficou apenas esse desejo que não cheguei a realizar.

 

Entretanto passaram mais de duas décadas, e com estas novas tecnologias e o desenrolar deste blog fui ouvindo dizer que os meus relatos poderiam dar em livro. Inicialmente nem acreditei muito que isso fosse possível. Mas depois, houve um momento em que já estava dentro do projecto e percebi que ia mesmo escrever um livro. Pois é meus amigos, visitantes, leitores, o meu blog vai dar em livro.

 

Se durante cerca quase quatro anos o meu blog e a minha identidade foram um segredo bem guardado, falta pouco para que essa realidade mude. Espero que seja uma mudança positiva, pois não queria que no meu trabalho houvesse algum tipo de retaliações. Primeiro pensei em assinar com o mesmo nome que sempre usei no blog (um pseudónimo neste caso) mas depois em conversa com a Editora, acabei por aceitar usar o meu nome verdadeiro.

 

Eu sei que não sou grande escritora (nem me considero escritora, mas aspirante a...), e que há mesmo na blogosfera quem escreva muito melhor do que eu. Sou suficientemente humilde para reconhecer isso. Talvez seja mesmo o tema que desperte algum interesse nas pessoas, já que pelo menos uma vez na vida,  todos foram ao supermercado. E estou muito contente por ter esta oportunidade única na vida.

 

Quando eu tiver novidades sobre a data e o local do lançamento, deixarei aqui o convite, pois gostava de contar com a vossa presença, pois eu de certo irei estar com uma pilha de nervos e o vosso apoio é muito importante para mim. Sei que a vida está difícil para todos nós, e nem todos os que gostavam de comprar o livro o poderão fazer, mas apareçam que eu não quero estar lá sozinha. O importante é a vossa presença!

Obrigada 

 

 

Identidade pessoal e relação com a Sonae...

Gostava de esclarecer algumas dúvidas que me têm sido colocadas relativamente à minha identidade pessoal e à minha relação com a Sonae. Antes de tudo, deixem-me confirmar que "existo", ou seja, sou uma pessoa física (a fotografia que está junto ao título é minha), tenho um nome, uma casa e uma família como qualquer outra pessoa. Portanto, aqueles que pensam que a Caetana é um produto inventado, um "avatar" da Sonae, estão muito enganados. A minha relação com o grupo em questão não passa da normal entre empregado-entidade patronal, ao nível mais baixo da hierarquia.

 

Sei que o que intriga a maioria das pessoas é o facto de o meu blog fazer constantemente referências a marcas, campanhas, promoções e outras coisas afins. Na verdade não me importava de receber uma comissãozinha para ajudar o meu orçamento. No entanto sou demasiado tímida para me expor perante a minha hierarquia e além disso amo a minha independência. Quero escrever o que me apetece, se me apetecer dizer mal, quero ter a liberdade de o fazer sem constrangimentos ou retaliações. Do mesmo modo não pretendo que o meu ganha-pão - a minha profissão - seja afectada, positiva ou negativamente, por algo mais que o meu empenho e dedicação diária que coloco nas minhas tarefas. O protagonismo não combina comigo, sei que não é um ponto a meu favor, mas... é assim que eu sou.

Acho melhor não pensarem muito sobre o assunto. Ou então pensem no seguinte: de que falariam vocês num blog onde relatassem o vosso dia-a-dia enquanto profissionais sem entrar em detalhes sobre produtos, campanhas ou outros eventos que ocorressem na empresa onde trabalham? Se a nossa actividade diária nos domina por completo, é difícil abstermo-nos de falar em tudo o que lá se passa, não é?


Ainda outra questão: além de um simples "diário" de operadora de caixa, quis que o meu espaço tivesse alguma utilidade para quem o visita. Conhecem outra forma de tornar o blog mais útil? Aceito sugestões...