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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Os velhotes e o dinheiro

Um casal de velhotes, para pagar a conta, cujo valor era cerca de 110 euros, vai-me dando uma a uma, notas de vinte, e cada vez que me dava uma, o senhor esfregava bem a nota com os dedos, ainda me dizia "veja bem, se não são duas, podem ir coladas!"

 

Eu compreendo bem a preocupação deles, o dinheiro com certeza que não abunda e é preciso cuidado, por isso não levei nada a mal, nem quando me pediram para recontar...

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Ela vai ao supermercado e leva tudo, menos o que ia comprar

A mulher estaciona no parque do continente porque precisa de ir comprar pão para o almoço. Por isso, e como é só uma coisa, não precisa de levar cesto e muito menos carrinho. Quando entra, repara logo num produto que está com um desconto de 50 % imediato, pensa ”olha que fixe, vou já levar dois”! Leva os dois produtos nos braços e segue pelos corredores.

 

Mais à frente repara em algo que está em falta na sua dispensa, e decide, também levar. Começa a tirar artigos e mais artigos e às tantas deixa cair coisas no chão e percebe que o melhor é ir buscar um daqueles cestinhos com rodas.

 

Prossegue viagem, e começa a encher cada vez mais o cestinho. Até que pensa que não trouxe sacos e que o melhor é mesmo ir buscar um carrinho. No fim de tudo, vai para a caixa e começa a colocar os artigos, é aí que se lembra que leva tudo, menos o pão, que era o que ia buscar…

 

É uma situação muito comum que acontece no supermercado, quem é que já não passou por algo semelhante!? Pois fique a saber, que não está sozinha(o), pois durante o meu dia de trabalho, esta situação repete-se inúmeras vezes!

 

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O respeito pelo espaço do outro

Estou a atender uma senhora na casa dos trinta anos, logo a seguir está outra senhora que podia ser a sua mãe. A senhora mais velha andava irrequieta de um lado para o outro. Cheguei a pensar que estavam juntas.

 

Quando chega a hora da senhora que estava a atender querer pagar com cartão multibanco, a outra senhora estava plantada atrás dela e a olhar, tirando a privacidade. A senhora que estava a pagar começou a falar ”entre dentes”, julguei que estava a falar comigo, mas era mesmo a criticar o facto de a outra estar colada a ela.

 

Eu sei que já por diversas vezes repeti este episódio, mas é uma situação demasiado frequente. Falta ensinamento e  formação às pessoas. Há tantos cartazes na loja com avisos, de publicidade, de informações, fazia falta um que remetesse para esta situação, para que existisse mais civismo, para que alertassem as pessoas. Uma sinalética no chão, embora quase ninguém olhe para o chão! Sei que por vezes, nem têm esta atitude por mal, muitas vezes até é distracção, ou falta de noção. Mas, se há pessoas que por si, não conseguem entender, têm de ser ensinadas, alertadas!

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As " donas cabeças no ar" na ida ao supermercado

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Uma situação bastante frequente numa ida ao supermercado é o esquecimento, é a Dona Cabeça no Ar.

 

A Dona Cabeça no Ar, faz uma lista, vai buscar os sacos, porque precisa de ir num instante (porque a ida ao supermercado é sempre com pressa).

 

Ao chegar ao supermercado, leva um carrinho. Abre a mala e percebe que se esqueceu da lista. Então, decide percorrer todos os corredores em busca do que acha que lhe faz falta.

 

Carrinho cheio, e a hora a apertar, vai para a fila para pagar as compras. Quando a operadora lhe pergunta se precisa de sacos a Dona Cabeça no Ar, sem responder, sai a correr direto á porta de saída. “foi ao carro buscar os sacos” pensa a operadora de caixa, uma vez que é uma situação comum.

 

Chega á caixa cansada com alguns sacos. Ainda na fila repara num artigo que o outro cliente leva, e lembra-se que também precisa daquele produto, pergunta ao outro cliente em que lugar está, depois da explicação, lá vai a Dona Cabeça no Ar, buscá-lo. Ao sacos estão abertos, dentro do carrinho, mas os artigos, na sua maior parte, ainda cá estão fora.

 

Lá se organiza. Perguntam-lhe se tem cupões, e a Dona Cabeça no Ar, lá sai, novamente a correr, para ir imprimir cupões, quando os podia ter trazido de casa ou ter imprimido à chegada. Lá os imprime, a operadora lá os passa, e no final para pagar, a Dona Cabeça no Ar, não encontra o cartão multibanco. Retira de dentro da sua mala XL toda a tralha. Fica nervosa! Diz ter a certeza que trouxe o cartão. Na fila, há quem desespere, porque assistiu a tudo isto desde o inicio. Entretanto, vai ao bolso e lá encontra o cartão de pagamento.

 

Agora imaginem as vezes que esta situação acontece, imaginem a quantidade de donas cabeças no ar que por ali passam, imaginem o que é estar com os pés na terra, e ter de esperar e assistir a isto!?

 

Por favor, pensem um bocadinho, organizem-se melhor, não sejam tão cabeças no ar! Não ajam como se fossem o centro do universo, pois há mais pessoas a fazerem parte dele!

 

Daqui resultou que:

 

  • A lista ficou em casa
  • Os cupões não foram imprimidos
  • Os sacos ficaram no carro
  • Um artigo ficou esquecido
  • O meio de pagamento estava fora do lugar

Com paciência e perseverança, quase tudo se alcança

A propósito do supermercado estar em obras, em remodelação, em mudança, todos os dias ouvimos comentários dos clientes, uns agradáveis e outros nem tanto. Enfim, a falta de paciência, a intolerância, é factor comum a muitas pessoas.

 

Uma cliente disse-me: "porque é que não contrataram aquelas empresas que fazem as coisas da noite pro dia?" Fez-me lembrar o programa "querido mudei a casa", mas esquecem-se que a magia da televisão tem certos truques, e que mostram as coisas como se aquelas obras se fizessem num passo de mágica!

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Surgem igualmente situações em que os clientes dizem gostar da mudança, e de a mesma dar a sensação de o espaço estar mais amplo...

 

Também aconteceu uma cliente, brincar com a situação, e por não encontrar os produtos nos sítios habituais, dizer que precisa de um croqui e  usar um dito que eu não conhecia, mas que ficou registado: Em casa mudada, não se acha nada!

 

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Pelo que me consta, quando tudo estiver acabado, quando os clientes tiverem tempo para decorar onde estão os produtos e já não andarem perdidos à procura de um qualquer artigo, vão perceber que a mudança foi para melhor!

A fuga do caracol

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Em cima do tapete, estava entre outros artigos, um saco de rede com caracóis,  de tamanho médio. Percebi que o cliente não tinha pesado o artigo na peixaria, e ia colocar o saco de rede dentro de um de plástico transparente, para pedir a uma colega que os fosse pesar. No entanto, reparo que os caracóis estão vivos e que um deles está prestes a sair por entre os buracos do saco de rede, e digo "oh os bichos estão vivos"! A minha colega da frente virou-se para trás a rir-se da situação... e o cliente também achou graça, não sei se ele percebeu que os bichos estavam vivos.

 

Coitados dos bichos, queriam era sair dali para fora. Peguei no saco com a ponta dos dedos, aquilo não me agrada mexer. Eu não como caracóis, pois no tempo em que vivia com os meus pais e eles tinham horta, os caracóis eram os bichos que comiam as couves e tínhamos de curar as plantas para eles desaparecerem...

 

Mas enfim, foi um momento engraçado!

 

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Quando o dinheiro falta aos velhotes

Estou a atender um velhote, pergunto se precisa de saco, ele responde que precisa, mas que primeiro tem de ver se o dinheiro chega. Quando digo o total constata que o dinheiro não dá para pagar tudo, como levava duas manteigas, diz-me para anular uma. Não sobra dinheiro para o saco e ele não tem como levar tantas coisas nos  braços. É aí que uma senhora da fila, me dá dez cêntimos para pagar um saco ao senhor. Eu fico aliviada, e o velhote agradece à senhora!

 

Não é nada fácil assistir a estas situações, com velhotes e principalmente em bens necessários, e perceber como o dinheiro de alguns, deve ser tão pouco...

 

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Quando precisas de um buraco para te esconderes

Estão duas senhoras juntas para atender, uma delas tem um bebé ao colo. Há um iogurte liquido, já vazio, que registo e pergunto se posso por a embalagem vazia no lixo, ao que a senhora que não tem o bebé ao colo responde:

 

- Sim foi o bebé que pediu, a mãe não gosta muito, mas fui eu que o habituei mal!

 

Ao que eu respondo:

- Pois, como se costuma dizer, as mães educam e as avós deseducam!

 

E é ai que a senhora responde:

- Avó!? Mas eu não sou avó! Eu só tenho 42 anos!

 

Foi aí que eu percebi que tinha metido "a pata na poça". Eu nunca fui boa a dar idades ás pessoas, mas desta vez, mais valia ter ficado calada. Pedi imensa desculpa à senhora. A senhora tinha alguns cabelos brancos, mas vendo de perto, não tinha qualquer ruga, não tinha cara de avó. E a outra senhora que tinha o bebé parecia muito mais nova, mas eram colegas e amigas, e quanto muito teriam dez ou quinze anos de diferença de  idades, isto digo eu, mas se calhar mais uma vez, estou a errar no assunto.

 

 

Quanto mais eu me queria justificar, mais me enterrava. Cheguei a dizer  que me pareceu ter ouvido a mãe do bebé referir-se à outra como mãe... e piorou ainda mais a minha imagem.

 

 

A dada altura a senhora diz que já não é a primeira vez que alguém  achava que ela era avó da criança. Pareceu-me ter achado graça à história, mas eu fiquei incomodada e pedi imensas vezes desculpa. Disse-me que como o filho mais velho tinha 20 anos, até podia ser mesmo avó...e que estava tudo bem...

 

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Foi ao carro buscar sacos e nunca mais voltou...

Estou a atender uma senhora, pergunto se precisa de sacos, e ela responde que o marido foi buscá-los ao carro.

 

A senhora tinha um carrinho de compras bem cheio. O tapete começa a ficar sem espaço, e o marido nunca mais regressa. A pessoa que está a seguir começa a ficar preocupada, e diz à senhora se ela não pode ir colocando as compras no carrinho. A senhora tenta telefonar ao marido e ele não atende.

 

Como o marido continua sem aparecer, a dona das comparas e a cliente que está a seguir, vão colocando as compras a granel no carrinho, apesar de a dona das compras estar a dizer que vai ter dois trabalhos, referindo-se ao facto de depois ter voltar a colocar as compras nos sacos.

 

O que é certo é que atrapalhou ali um bocado o atendimento, e o dito marido, nem depois de tudo pago,  colocado no carrinho, apareceu.  

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