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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A fuga do caracol

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Em cima do tapete, estava entre outros artigos, um saco de rede com caracóis,  de tamanho médio. Percebi que o cliente não tinha pesado o artigo na peixaria, e ia colocar o saco de rede dentro de um de plástico transparente, para pedir a uma colega que os fosse pesar. No entanto, reparo que os caracóis estão vivos e que um deles está prestes a sair por entre os buracos do saco de rede, e digo "oh os bichos estão vivos"! A minha colega da frente virou-se para trás a rir-se da situação... e o cliente também achou graça, não sei se ele percebeu que os bichos estavam vivos.

 

Coitados dos bichos, queriam era sair dali para fora. Peguei no saco com a ponta dos dedos, aquilo não me agrada mexer. Eu não como caracóis, pois no tempo em que vivia com os meus pais e eles tinham horta, os caracóis eram os bichos que comiam as couves e tínhamos de curar as plantas para eles desaparecerem...

 

Mas enfim, foi um momento engraçado!

 

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Quando o dinheiro falta aos velhotes

Estou a atender um velhote, pergunto se precisa de saco, ele responde que precisa, mas que primeiro tem de ver se o dinheiro chega. Quando digo o total constata que o dinheiro não dá para pagar tudo, como levava duas manteigas, diz-me para anular uma. Não sobra dinheiro para o saco e ele não tem como levar tantas coisas nos  braços. É aí que uma senhora da fila, me dá dez cêntimos para pagar um saco ao senhor. Eu fico aliviada, e o velhote agradece à senhora!

 

Não é nada fácil assistir a estas situações, com velhotes e principalmente em bens necessários, e perceber como o dinheiro de alguns, deve ser tão pouco...

 

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Quando precisas de um buraco para te esconderes

Estão duas senhoras juntas para atender, uma delas tem um bebé ao colo. Há um iogurte liquido, já vazio, que registo e pergunto se posso por a embalagem vazia no lixo, ao que a senhora que não tem o bebé ao colo responde:

 

- Sim foi o bebé que pediu, a mãe não gosta muito, mas fui eu que o habituei mal!

 

Ao que eu respondo:

- Pois, como se costuma dizer, as mães educam e as avós deseducam!

 

E é ai que a senhora responde:

- Avó!? Mas eu não sou avó! Eu só tenho 42 anos!

 

Foi aí que eu percebi que tinha metido "a pata na poça". Eu nunca fui boa a dar idades ás pessoas, mas desta vez, mais valia ter ficado calada. Pedi imensa desculpa à senhora. A senhora tinha alguns cabelos brancos, mas vendo de perto, não tinha qualquer ruga, não tinha cara de avó. E a outra senhora que tinha o bebé parecia muito mais nova, mas eram colegas e amigas, e quanto muito teriam dez ou quinze anos de diferença de  idades, isto digo eu, mas se calhar mais uma vez, estou a errar no assunto.

 

 

Quanto mais eu me queria justificar, mais me enterrava. Cheguei a dizer  que me pareceu ter ouvido a mãe do bebé referir-se à outra como mãe... e piorou ainda mais a minha imagem.

 

 

A dada altura a senhora diz que já não é a primeira vez que alguém  achava que ela era avó da criança. Pareceu-me ter achado graça à história, mas eu fiquei incomodada e pedi imensas vezes desculpa. Disse-me que como o filho mais velho tinha 20 anos, até podia ser mesmo avó...e que estava tudo bem...

 

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Foi ao carro buscar sacos e nunca mais voltou...

Estou a atender uma senhora, pergunto se precisa de sacos, e ela responde que o marido foi buscá-los ao carro.

 

A senhora tinha um carrinho de compras bem cheio. O tapete começa a ficar sem espaço, e o marido nunca mais regressa. A pessoa que está a seguir começa a ficar preocupada, e diz à senhora se ela não pode ir colocando as compras no carrinho. A senhora tenta telefonar ao marido e ele não atende.

 

Como o marido continua sem aparecer, a dona das comparas e a cliente que está a seguir, vão colocando as compras a granel no carrinho, apesar de a dona das compras estar a dizer que vai ter dois trabalhos, referindo-se ao facto de depois ter voltar a colocar as compras nos sacos.

 

O que é certo é que atrapalhou ali um bocado o atendimento, e o dito marido, nem depois de tudo pago,  colocado no carrinho, apareceu.  

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A lata deles

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Um casal já de meia idade, depois de colocar quase todos os artigos no tapete, passa com grande rapidez o carrinho e curva-o para um lugar onde a minha vista não alcança o seu conteúdo. Mas eu vi que tinha lá alguma coisa. Vou ver eram pacotes de leite, e disseram: "está aí um em cima, quando lá chegasse a gente avisava"! Ao que eu respondi: "mas eu tinha de confirmar, e a correr   assim com o carrinho, como é que eu confirmava!?"

 

E ficaram em silêncio o resto do tempo. No entanto eu agradeci e despedi-me com toda a educação. Mas fiquei em alerta, pois isto assim, mesmo que até tivessem boa intenção, não foi correto da parte deles.

O homem prendado

Desta vez conto, uma situação engraçada.

 

Atendi um senhor, aí na casa dos 55/60 anos, que estava a conversar com a senhora, talvez pela  mesma idade, que eu ia atender a seguir. Deviam de ser amigos, pois o senhor estava a contar-lhe qualquer comida que tinha feito, e depois concluiu dizendo: "...e agora vou aspirar a casa, que está cheia de migalhas"! Despediram-se , o senhor seguiu, e a senhora diz-me: "Mas onde é que andava este homem, quando eu quis casar?!"

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Situações que incomodam

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Ainda não terminei o atendimento a um senhor, e a cliente que está a seguir, como já colocou os seus artigos no tapete, está a tentar passar com o carrinho para o outro lado, roçando no senhor que ainda estava a ser atendido. Intervenho dizendo para a senhora esperar um bocadinho porque ainda ali está uma pessoa.  Ela responde "ah está bem", entretanto o senhor desvia-se para  ir colocar o cartão multibanco de modo a efetuar o pagamento  e ela volta a roçar das costas do senhor. E o senhor diz-me: "não vale a pena, as pessoas não têm educação nenhuma"!

 

Só naqueles breves minutos um senhor levou dois toques nas costas, por causa da pressa de uma mulher!

 

E se houvesse um sensor no chão que tocasse em forma de alarme,  para as pessoas se afastarem daquele lugar e só avançarem quando o outro já lá não estivesse!?

Eu não queria incomodar, mas diga-me: tem cartao continente?

É sempre aborrecido quando estamos a atender alguém que está ao telemóvel. Queremos despachar serviço, mas as pessoas não respondem ás nossa perguntas, e não conseguimos avançar. No entanto,  se não fizer as perguntas, há sempre alguém que afinal queria fatura e depois a culpa é minha, porque não fiz a pergunta. Muitas pessoas são incapazes de pedir à pessoa com quem estão a falar que aguarde.  E normalmente  há pessoas na fila para atender, que ficam também prejudicadas.

 

Por vezes até parece que eu é que estou a incomodar a pessoa que está em amena cavaqueira ao telefone.

Sem palavras

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Chega à minha caixa, aquele cliente, sobre o qual já aqui falei muitas vezes, principalmente da sua constante boa disposição. Cumprimenta-me com um aperto de mão,  noto logo que algo se passa, pois ele não vinha com piadas e brincadeiras como é hábito. Pergunto se está tudo bem, ao que ele responde. "não, está tudo mal!". Então eu pergunto se é a esposa que está novamente doente e ele responde: "não,  doente ela não está, já está, é enterrada!" Neste momento, eu fiquei bloqueada, surpreendida, sem saber o que dizer, pois ainda há tempos os tinha vistos lá aos dois.

 

Foi aquela doença maldita, houve uma altura que a senhora esteve internada, mas depois já lá ia de novo com o marido, é lamentável, eles chegavam a ir lá quase diariamente, sempre juntos.

 

Fiquei triste, nós vamos nos afeiçoando ás pessoas...claro que depois sentimos a sua falta