Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Dois tipos de abordagem, duas reacções diferentes

Um destes dias, depois de sair do trabalho, voltei a entrar no supermercado para fazer umas compras. Nunca o faço fardada, porque disseram-me que não o devíamos fazer, e para meu próprio descanso, porque se me vissem fardada, os clientes iam fazer perguntas, e nem sempre estou com tempo e gosto de tranquilidade para escolher as minhas coisas.

Então, nessa ocasião, andava eu com o meu carrinho e ouço uma pessoa a dizer:  “olhe, está ouvir, ouça lá”, não respondi à primeira, mas a criatura insistia, então virei-me, com cara de isso é comigo? E a senhora diz:  “Então? Não trabalha aqui!?”. Como quem diz, “estás disfarçada, mas eu sei que trabalhas aqui, por isso tens de me servir, agora e já”!

Noutro dia, noutro supermercado, encontro um velhote, que ao ver-me diz: “ desculpe menina, sei que não trabalha aqui, não deve poder me ajudar a encontrar uma coisa”. Ao que eu respondi “mas diga lá, pode ser que eu saiba”. "É que não sei onde está o pó talco"! Disse ao senhor que devia de estar na secção dos bebés e acompanhei-o até lá . Agradeceu-me imenso e foi de uma humildade e simpatia sem igual. Fiquei tão confortada de o ter podido ajudar.

O que falta muitas vezes ás pessoas é educação, civismo e humildade, porque  com essas três coisinhas, a vida corre  um pouco melhor!

educate.jpg

 

E a "saga" da prioridade continua na fila

Estou a acabar o atendimento a uma cliente. A seguir está uma velhota já com algumas coisas no tapete e depois desta, está uma jovem senhora, grávida. Esta senhora, por acaso brasileira, pergunta se há uma caixa para grávidas, e se pode passar.

Fiquei ali um pouco indecisa, porque pedir a uma senhora idosa, e se calhar mais debilitada que a grávida, não seria bom senso. Então perguntei à senhora idosa, se ela se importava que atendesse primeiro a senhora grávida, ao que ela perguntou "mas porquê , ela está com pressa?". Respondi que estava grávida, e a senhora idosa não entendeu, o porquê desta querer ser atendida em primeiro lugar. Perante isto a senhora grávida, disse que esperava.

Quando chegou a vez da senhora grávida, eu expliquei que não tínhamos uma caixa exclusiva para grávidas, tínhamos as caixas prioritárias, mas, as mesmas, incluíam grávidas, deficientes, crianças de colo, idosos debilitados... A senhora disse: " mas isso não está muito certo, devia ter caixa para grávidas e cadeirantes, porque, assim a pessoa fica inibida de estar a pedir"! Disse à senhora que quando há vários clientes  prioritários, o atendimento é feito por ordem de chegada à fila, mas pareceu-me que a senhora não concordou, ou não entendeu!

Ainda bem que estes "conflitos" não acontecem todos os dias, e que muitas pessoas já conseguem usar o bom senso, porque não é fácil gerir!

1499884358[1].jpg

Aquela birra, foi horrível

No passado sábado, a manhã esteve caótica, cheia de clientes, fim de mês é natural.

No meio de tanta gente, está na fila atrás de mim, uma mãe, uma avó e um menino ai dos seus 3/4 anos. Estava com uma birra descomunal, gritava alto, esperneava, a avó tentava em vão o assoar, pois a cara dele era ranhoca, era lágrimas!

O barulho era tanto que eu não conseguia ouvir o pip da máquina ao passar os artigos, nem os clientes me ouviam a fazer as perguntas habituais , nem eu ouvia as respostas.

Uma senhora na minha fila com um rapaz adolescente e uma bebé no carrinho, dizia "espero que a minha nunca faça uma birra destas"!

Não sei qual o motivo da birra, julgo que também não tenha sido fácil para aquelas pessoas verem toda a gente a observar e a tecer comentários.

O momento foi longo, e valeu a muita gente, eu incluída, uma grande dor de cabeça!

labirra.jpg

Ingenuidade ou falta de civismo?

Ainda uma cliente não tinha feito o pagamento, já o cliente seguinte, tinha estacionado o seu saco à minha frente. A senhora fica admirada, mas não diz nada. então eu digo "olhe pode dar licença que termine de atender esta senhora, ela tem de usar essa maquineta para  colocar o multibanco!" Ao que o senhor responde, continuando encostado á dita maquineta :  "Faça favor e não tenha medo que eu não sou da policia judiciária!" Volto a intervir dizendo: " Mas a senhora precisa de privacidade, pois tem de marcar o código!" Lá se afastou uns centímetros!

 

Isto faz-me nervos, nos bancos as pessoas respeitam o espaço do outro, porque que é no supermercado não respeitam!? É preciso uma sinalética no chão para que o cliente seguinte, deixe o cliente que está a ser atendido, tenha o direito de pagar e arrumar os produtos, sem a observação  dos outros!?

 

Falta informação porque até pode haver pessoas que o façam por ingenuidade, mas a maioria é mesmo por falta de civismo!

privacidadebanco.jpg

Viesse mais tarde...

Esta semana houve um dia, que entrei às 10h, estavam outras caixas abertas, as colegas que tinham entrado ás 9h. No entanto, já estavam algumas pessoas em fila.

 

Peço ás pessoas para se dirigirem à minha caixa, por ordem de fila. Atendo uma senhora, e a seguir é a vez de um velhote, e a conversa que tivemos, foi a seguinte:

 

Eu: Bom dia!

Senhor: Bom dia, então atrasou-se!?

Eu: Desculpe?

Senhor: Hoje acordou tarde?

Eu: Por acaso acordei ás 7h!

Senhor: Então alguma coisa está mal, se acordou ás 7h, como é que só cá chegou ás 10h!?

Eu: Estou dentro do meu horário!

Senhor: Pois, mas  a gente é que não tem de ficar aqui à espera!

 

Ainda pensei em responder, mas achei que não valia a pena. Terminei o atendimento e despedi-me com cortesia, e o senhor já não disse mais nada.

 

As pessoas cada vez têm menos paciência para esperar, principalmente as pessoas mais velhas, aquelas que já não têm horários de trabalho a cumprir, isso podia deixá-los mais tolerantes, mas não, parece ser precisamente, o contrário!

 

Raramente as pessoas vão ao supermercado com tempo, a maioria das pessoas vai com pressa, muita pressa!

viessemaiscedo.jpg

Coisas da língua portuguesa

Pergunto a um cliente se precisa do número de contribuinte na fatura e ele responde que quer  fatura no último cliente, a fila tinha três pessoas e eu fiquei a pensar se seria no último da fila, mas disse "desculpe, não percebi!" E ele repete no último cliente!

 

Reparei que o senhor tinha um ligeiro sotaque, e , lembrei-me de perguntar se seria consumidor final,  e  ele responde "e não é a mesma coisa?!"

dicas-girias[1].jpg

Cenas vivênciadas numa fila de supermercado

Estava a atender um senhor que estava a falar com outro que estava mais atrás na fila. Percebi que estavam a falar de uma situação que tinham passado, onde tiveram tempos difíceis e que até tinham passado fome, não sei bem ao certo do que se tratava.

 

A dado momento o senhor que estava mais atrás e levava uma saca de ração para cão, abre o pacote, tira uns croquetes, come e diz pro amigo "eu até ração do cão como, se for preciso"! Eu tentei disfarçar e não olhar, mas este senhor, diz "ó  menina está ver eu até  como ração do cão, e há por aí tanta gente que nem dá valor ao que tem"!

 

Fiquei sem resposta, sem saber o que dizer! Achava eu que já mais nada me ia surpreender, mas numa fila de supermercado, ainda há tanta coisa, a poder acontecer!

KLH1265_1254.jpg

 

Há produtos que ao pack ficam mais baratos

Um cliente levava alguns packs de umas garrafas e tira apenas uma garrafa e diz-me quantas são para eu multiplicar. Eu digo que  tem de me dar um pack porque o registo é ao pack. 

 

O senhor começa a reclamar do trabalho de retirar o pack,  então eu digo: " Mas então deixe estar, não quer tirar o pack eu passo à unidade, mas é possível  que lhe fique  mais caro, mas são só uns cêntimos"!

 

Não é que o homem tirou logo um pack!

teoriasopcaixa.jpg

Como costumo dizer na brincadeira: a situação é im-pres-si-o-nan-te, mas tão impressionante, que até impressiona!

O uso do telemóvel bloqueia e atrapalha em diversas situações

Lá vou eu repetir um assunto.

 

A senhora estava ao telemóvel, e ia falando ao mesmo tempo que ia colocando as compras no saco, arrumando-as e pagando. Entretanto estava eu a tirar os troco e o talão e já a cliente tinha ido embora, esquecendo-se do troco, que era bem grande...tive de a chamar quase aos berros.

 

Noutra ocasião uma senhora recebe uma chamada, vai falando e colocando as compras de volta do carrinho, pois não trazia nem queria sacos. Entretanto,  termina a chamada, despede-se da pessoa, e logo a seguir liga a outra para lhe contar o que a anterior lhe tinha dito, começou "olha sabes da última, blablablabla". Com isto tudo e como ia gesticulando, atrasou tudo e ainda teve a lata de deixar tudo e ir imprimir cupões. Depois desculpou-se dizendo que "é sempre nestas horas que nos ligam",  quando tinha sido ela a fazer a 2ª chamada.

 

A minha sugestão era um cartaz pendurado a pedir/aconselhar a não atenderem  nem a fazer chamadas desde o momento em que colocam as compras até ao pagamento e retirada dos artigos do tapete. Não se pode proibir, porque o telemóvel também é usado quer para a aplicação, quer como forma de pagamento.

conselhosuteispratodos.jpg

 

O lunático dos sacos

Quando o cliente chega à minha caixa pergunto se precisa de sacos. Nessa altura o senhor começa a olhar para cima, depois gira, e de seguida sai da minha caixa e vai a duas caixas à frente, onde não estava nenhuma operadora, mas estava lá um monte de sacos, e tira um. Volta para a minha caixa.

 

Eu digo: "mas eu tinha aqui sacos, esses são da colega"! Ao que ele responde: "mas o patrão não é o mesmo"!?

 

Habitualmente eu não tenho os meus sacos em cima do tapete, à vista, tenho-os dobrados num cesto logo à mão de os tirar quando o cliente precisa. Eu organizo-me melhor assim, mas algumas colegas preferem ter logo ali em cima do tapete. Felizmente cada um sabe como se organizar melhor e  tem essa liberdade.

 

lunatico1236.jpg