Hoje, a uma determinada hora, o supermercado encheu de gente. As filas eram grandes, as pessoas estavam impacientes. Tinham pressa!
Uma senhora ainda jovem, mas com uma canadiana para se apoiar, veio até mim, perguntar se tínhamos uma caixa prioritária. Disse-lhe que eram todas prioritárias, podia ser atendida em qualquer uma. Vi que as pessoas começaram a reclamar. Então, eu disse à senhora que mal acabasse os clientes que estava a atender a poderia atender, mesmo vendo desagrado nas pessoas que estavam a seguir.
A senhora prioritária, disse-me que, na opinião dela, mais valia termos uma caixa exclusiva de prioridade, como era antes, em alguns supermercado. Depois contou-me que já era a terceira caixa a que vinha, e apontou para uma caixa e disse " nem imagina as coisas horríveis que as pessoas me disseram ali. Eu tenho um papel com a incapacidade que tenho, custa-me imenso estar de pé, mas ninguém me quis ouvir. Eu já só venho uma vez por mês, porque é sempre assim." Então eu disse à senhora que entendia, que ainda havia alguma falta de civismo nesta área. Então sugeri à senhora a segunda feira, quando não calha ao dia 8, para vir às compras (porque ela questionou qual o dia mais calmo). A senhora disse, que tinha ido hoje, porque foi ao médico, porque só sai de casa para ir ao médico, pois, também está com uma depressão.
Fiquei cheia de pena da senhora. A situação mexeu comigo.
Mas no meio de todo este episódio, os clientes que tinha atendido antes, uns miúdos novos, brasileiros, ajudaram a senhora a embalar as compras, foram de uma grande empatia e generosidade. A senhora até disse que a ajuda, por vezes, vem de onde menos se espera.
A senhora que tinha reclamado, ao assistir ao episódio, também pediu desculpa.
Parece que esta lei da prioridade, ainda não está bem. Ainda deve de haver algo que se possa fazer, para melhorar. Quem tiver esse poder, essa capacidade, que dê alguma sugestão a quem pode tratar do assunto!
Se não der para mudar as regras da prioridade, algo que possa mudar a mentalidade das pessoas...
Uma senhora, já reformada, disse-me que uma caraterística, que a faz escolher o supermercado continente, para fazer as suas compras, é a forma como é atendida nas caixas.
Relatou-me que no continente, as operadoras de caixa não passam os artigos a correr, e só atendem o cliente seguinte, depois do anterior ter embalado, ou arrumado os artigos no carrinho. Disse-me ainda, que ninguém gosta e que até é falta de respeito, estarem logo a atender outra pessoa, sem a que estava a ser atendida, tenha saído.
Contei-lhe, que quando sou eu a cliente, também não gosto disso, e, por isso, tenho sempre em consideração.
Na verdade, se nós nos colocarmos no lugar do outro, e fizermos como gostaríamos que fizessem connosco, e não fazermos o que não gostaríamos, estamos a fazer, um bom atendimento.
Estou a atender um casal na casa dos 60 anos. Levavam uma caixa da nossa coleção em vigor. A conta dá €19,99, pergunto se querem ir buscar mais alguma coisa, para acumularem mais um selo.
O senhor, diz-me que não é preciso, e quer me dar um cêntimo em dinheiro para fazer os €20. Digo-lhe que dessa maneira não dá, tem mesmo que levar alguma coisa.
Esposa: Vai ali buscar um pacote de massa!
Marido: Mas tu já viste que até fizeram uma conta de €19,99 de propósito para levarmos mais alguma coisa!?
Agora nós fazemos de propósito? Ou foi a conta que o cliente fez, que calhou assim!? Sempre a barafustar lá foi buscar um artigo. A esposa disse que ele não está habituado a ir ás compras!
Era dia 10 eu sabia que ia ser um cheio com muitos velhotes, como de costume nestes dias.
Não contava era que a primeira cliente, não fosse uma velhota, mas sim uma senhora que está sempre com criticas, com reclamações, parece sempre mal disposta. Não sei da vida da senhora, nem se aquela disposição é por algum motivo. Pois até eu não estava no meu melhor dia, pois o meu filho estava adoentado, mas tento sempre que nada reflita no meu trabalho. Mas aquela senhora não é um dia, é habitual.
Então, para começar ela veio logo pra caixa sem respeitar a ordem de fila, teve sorte que um velhote não se importou. Mas, a seguir deixou lá as coisas e foi ao carro buscar os sacos, Depois quando digo o valor diz-me que o dinheiro não chega e tenho de descontar. Pergunto "descontar como"? Responde: "ora se eu lhe disse que a carteira ficou lá em cima ( não faço ideia a que - lá em cima - se referia), e não tenho dinheiro, tem de descontar nas coisas"! Então começa a tirar coisas de dentro do saco e a entregar-me. Supostamente seriam as coisas para eu anular, e começo a anular. Vai daí, que as coisas que me estava a dar, eram as que queria levar. Começa a ralhar comigo, a dizer que estou com pressa e que não a estou a entender e ameaça fazer reclamação no livro amarelo.
Depois pedia para anular uma coisa para colocar outra, uma confusão. Eu estava a passar-me e foi o velhote que estava na fila que foi de uma amabilidade e gentileza comigo, tentado apaziguar e chamar à razão a mulher. Quando a senhora saiu, muitas pessoas da fila preocupadas comigo, a dizerem que nós, temos de aguentar muito, ali.
A senhora saí começo a atender o velhote, e já estou noutra pessoa, quando aquela senhora volta à minha caixa, porque lhe faltava uma coisa que estava registada e não levava. Pelos vistos aconteceu, mas também a confusão que ela armou...Imagino que saiu de lá ainda mais convencida da sua razão e da minha incompetência!
Até pode haver dias em que aparece um ou outro cliente mais difícil. Mas não falo deles para me queixar, mas para desabafar, e dar a conhecer como é o atendimento ao público.
Mas tenho de dizer que é com satisfação que faço este trabalho. Por vezes até me divirto com os clientes. É um tempo bem passado. Sou uma sortuda porque faço aquilo que gosto e ainda recebo uns trocos! Quantas pessoas podem dizer o mesmo!?
Hoje atendi uma cliente, que traz sempre tão boas energias. O tempo que passo a atendê-la, é tão bom, que me apetecia que ela ficasse mais um bocadinho... Estava a dizer-me que na hora de pagar a conta, o marido desaparece sempre. E depois, na brincadeira, dizia ainda que os homens fazem falta, para pagar contas, depois eu digo "para mudar lâmpadas" e ela diz "e para mudar pneus"! Estava um senhor na fila que achou graça e até entrou na nossa conversa!
Não foram estes dois dedos de conversa que atrapalharam o funcionamento da fila, muito pelo contrário...foi um momento de entusiasmo para muitas pessoas.
Já alguma vez vos aconteceu estarem a falar com uma pessoa de nacionalidade brasileira e sem querer responderem também em brasileiro!? Aconteceu-me hoje com uma senhora lá no supermercado, quando esta me fazia uma pergunta, mas pedi logo desculpa, não fosse ela pensar que eu estava a gozar. Ela até achou graça eu é que fiquei atrapalhada :)
Um cliente deixa a sua canadiana em cima da parte de lá do tapete enquanto ensaca e arruma os produtos. Concluído o processo vai embora. É aí que eu vejo aquele objecto e começo a chamar o Sr.: " Olhe faz favor! Ó senhor...Olhe!" Mas ele nada, e eu como não podia sair dali, subi o volume da minha voz, mas nada! Teve de lá ir uma cliente chamar o senhor! Toda a gente a olhar para a cena e a rirem-se. Pois, tal como eu deveriam de estar a pensar, como é que alguém se pode esquecer de um acessório que supostamente faz tanta falta! Depois houve alguém a dizer, que apenas o chapéu de chuva tem justificação para ser esquecido !
E outro senhor a dizer: " estão a ver como é que se apanha melhor um mentiroso que um coxo?!"
Hoje aconteceu uma situação, que me deixou tão nervosa e admirada, mas sei que é melhor não a relatar aqui. Se fosse no tempo em que ninguém sabia quem era a lupa eu escreveria sobre ela ( situação). Mas não fui só eu a ficar indignada, na linha de caixas, acho que muitas pessoas ficaram. Só digo uma coisa: há mães demasiado protectoras, mas outras há que descuram demasiado!
Por vezes penso em dar uma pausa aqui no blog. Penso que as histórias já estão a repetir-se. Acho que vocês já começam a ficar cansados! Mas este pensamento é logo ultrapassado quando surge uma situação diferente. Ontem, um cliente abriu a cancela que estava atrás de mim e ia a sair com um cestinho de compras, antes de serem registadas. E eu admirada pergunto:
Eu - Olhe desculpe, mas onde é que o senhor vai?
Cliente: Vou à casa de banho!
Eu: - Mas não pode levar as compras consigo para casa de banho! Pode deixar o cestinho daquele lado, que eu tomo conta!
Cliente: - Está bem, está bem, mas não me diga que estava a pensar que eu ia roubar as coisas!?
Pela idade do senhor, eu até acredito que ele tenha sido ingénuo. Aliás uma cliente que lá estava, até disse: “ havemos de chegar á idade dele!”
Estou a atender um cliente. O seu telemóvel toca. Ele olha para o número e diz-me: “olhe… tenho de atender esta chamada, vá pondo nos sacos!” Eu até achei graça. Só que, eu terminei o registo e queria concluir o atendimento e o senhor - a falar em voz alto ao telefone, como se eu fosse invisível! Até que um outro cliente da fila deu-lhe assim uma pancadinha nas costas e fez sinal.