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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Dia mundial do meio ambiente

O facto de na década de 90 ter vivido uma temporada num pais onde nos supermercados, não existiam sacos de plástico, nem de oferta nem para venda, por questões ambientais, tornou-se uma pessoa mais douta nesta matéria. Mesmo antes dos sacos serem pagos, eu já não os usava muito, pois já tinha sempre dentro da minha mala um saco ecológico! E não era só o facto de não existirem sacos de plástico, havia toda uma preocupação em manter o país limpo, não havia quem deitasse lixo ao chão, um país tão limpo e organizado, que dava gosto percorrer aquelas ruas e respirar aquele ar puro!

 

Talvez por ter tido esta oportunidade, me tenha tornado mais consciente. Foi como ter tirado um curso intensivo em ambiente. Talvez por isso, como operadora de caixa de supermercado, fique um pouco chocada em ver como as pessoas consomem sacos de plástico. Creio que mesmo que o preço subisse para UM euro, as pessoas iam continuar, porque falta informação. As pessoas não percebem que muitos destes sacos de  plástico vão acabar por ir parar ao mar, e que daqui a uns tempos o peixe vai deixar de existir. As gerações que vierem, vão dizer "mas eles sabiam que isto podia acontecer, e mesmo assim, não fizeram nada para impedir!"

 

Não são só os sacos de plástico do supermercado que precisamos reduzir, são também muitas das embalagens dos produtos, há produtos que vem embalados em sacos por fora e depois individualmente em saquinhos por dentro. É um exagero de plástico. São os descartáveis.  Pelo menos que tenhamos a consciência de depois de usados os colocar nos ecopontos corretos!

 

Deixo a minha resposta à RFM, bem como alguns slides para reflexão!

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Não há ambiente, que tanto plástico aguente!

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O lunático dos sacos

Quando o cliente chega à minha caixa pergunto se precisa de sacos. Nessa altura o senhor começa a olhar para cima, depois gira, e de seguida sai da minha caixa e vai a duas caixas à frente, onde não estava nenhuma operadora, mas estava lá um monte de sacos, e tira um. Volta para a minha caixa.

 

Eu digo: "mas eu tinha aqui sacos, esses são da colega"! Ao que ele responde: "mas o patrão não é o mesmo"!?

 

Habitualmente eu não tenho os meus sacos em cima do tapete, à vista, tenho-os dobrados num cesto logo à mão de os tirar quando o cliente precisa. Eu organizo-me melhor assim, mas algumas colegas preferem ter logo ali em cima do tapete. Felizmente cada um sabe como se organizar melhor e  tem essa liberdade.

 

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O continente tem sacos novos

Já por diversas vezes os clientes me perguntaram se não tínhamos sacos que não tivessem publicidade ao supermercado, com a palavra continente lá escrito, e a resposta era sempre a mesma: não! Mas agora já temos alguns. Apresento um deles:

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Tem a palavra stylelicious, que não faço ideia do que seja.

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Este tem um bom tamanho, pois não é muito grande a ponto de ficar pesado, nem demasiado pequeno a ponto de caber poucas coisas. É de formato vertical. Para nós,  as senhoras, dá para o dobrar-mos e trazer dentro da mala, junto a outras coisas, também indispensáveis, como por exemplo, a carteira e o telemóvel, e não ocupa muito espaço

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Faz hoje 2 anos que os sacos passaram a ser pagos

Faz hoje, dia 15 de fevereiro, dois anos, que os sacos de plástico no continente deixaram de ser oferecidos e passaram a ser pagos.

 

É certo que a mudança está a ser positiva, o consumo diminuiu. Muitas pessoas habituaram-se a trazer sacos de casa, não só sacos de plástico, mas principalmente sacos de outros materiais, mais ecológicos. No entanto, ainda existem muitas pessoas que não se importam de comprar sacos de  plástico todos os dias.

 

Mas também há quem tenha de comprar, só e apenas,  porque se esqueceu deles em casa ou até no automóvel. Há quem, já estando na caixa, pede para ir ao parque buscar os sacos que ficaram no carro. Outros ainda levam os artigos nas mãos e braços até à viatura. Noto também que a moda dos trolleys está de volta...

 

Enfim, apesar de ainda talvez haver um certo percurso a percorrer, estamos no bom caminho. Pelo menos a nível ambiental, penso que o balanço seja positivo. Nas ruas já não se observam tantos sacos vazios a voar...

 

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Cuidem bem dos vossos sacos

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Os sacos  reciclados que temos são bons, mas têm de os saber usar. Não os encher demasiado, verificar se ainda estão bons. Quando um saco se rompe, há sempre a possibilidade de os artigos se danificarem, principalmente se as embalagens forem de vidro, se forem líquidos. Há sempre prejuízo, principiante para quem os está a usar, porque perdem o dinheiro que gastaram nos artigos e os próprios artigos.

 

Até os sacos precisam de alguns cuidados e  manutenção!

O melhor de 2015 para a operadora de caixa e não só

O dia 15 de fevereiro de 2015, ficou  marcado como o dia em que se iniciou uma nova era. A partir deste dia, os sacos de plástico deixaram de ser oferecidos, e passaram a ser pagos! A novidade não chegou só ao continente, mas também a outros estabelecimentos, a mudança não foi só para supermercados, como praticamente em todos ramos!

 

O bom desta medida, é a diminuição do uso dos sacos plástico, o que melhora o ambiente, faz com as pessoas tenham aprendido a organizar melhor os artigos dentro dos sacos, a serem mais cautelosos com o embalamento. Surgiram uma imensidão de sacos feitos de materiais reciclados, mais duráveis, de muitas cores e feitios.

 

Inicialmente os clientes esqueciam-se de trazer sacos, ou deixavam-nos no carro, hoje em dia, os clientes já estão mais habituados, mais consciencializados, mais preparados.

 

O que no início eu achava engraçado era o facto de as pessoas agora, até levarem as compras apinhadas nos braços. E muitas não o fazem só para não pagar os dez cêntimos, mas também porque querem mesmo, aprender a trazer sacos recicláveis, a mudarem de atitude, a reciclarem.

 

Sei que muitas pessoas custaram a aceitar esta medida, outras culpam os políticos, e dizem  que foi tudo  para o governo ganhar dinheiro. Também existem os que dizem que os sacos de plástico eram mais higiénicos.

 

Como operadora de caixa , confesso que gostei muito desta medida. Aliás, mesmo antes desta medida ter chegado  eu  já usava sacos ecológicos muitas vezes. Talvez, pelo fato de eu ter vivido uma temporada na década de 90 na Suíça,  onde esta prática era habitual e onde os sacos de plástico nem sequer existiam, nem gratuitos, nem a pagar. E a Suíça era (e é) um pais muito limpinho, sem lixo espalhado nas ruas, pode ser que esta medida leve Portugal   a aproximar-se um bocadinho deste país!

 

Espero  que, seja para continuar, e não para se voltar atrás nesta medida! Pode ser que um dia, os sacos plástico deixem mesmo de existir!

 

 

 

Regresso ao passado

Os clientes já começam a adaptar-se a este sistema de não haver sacos de plástico de oferta. Até parece que há uma moda para estes sacos. Existem tantos modelos e tão diversificados. Por vezes, os clientes, trazem sacos tão diferentes, alguns tão bonitos que não resisto em falar sobre eles e perguntar onde os compraram. Muitos deles foram marcas próprias que ofereceram aos clientes como bónus ou na compra de alguma coisa.

 

Mas um dia, uma senhora trazia uma cesta, uma cesta que me fez viajar no tempo e recordar, de quando tinha uma destas,  e ia à mercearia da minha localidade fazer as compras. Como não havia clientes, fiquei ali uns breves minutinhos, na conversa com esta cliente sobre estes tempos e sobre os anos que aquela cesta tinha.

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Provavelmente esta cesta vai voltar a ser fabricada, talvez com alguma inovação. Que pena a minha cesta já não existir. Foi uma conversa bastante agradável!

Antes levavam 10 sacos para 1 artigo, agora levam 10 artigos num só saco

Tinha o tapete cheio de artigos para registar. Pergunto à cliente se quer sacos e se precisa de ajuda para ensacar.

 

Cliente: Até agradecia que me ensacasse tudo, pois tenho aqui um problema numa mão!

Eu:  Com certeza, e quantos sacos!?

Cliente: Basta um!

Percebi logo que um saco não chegaria nem para metade daquelas compras, mas respirei fundo e prossegui.

Cliente: Não me junte o detergente com as bolachas!

Eu: Então quer um saco para a comida e outro para os outros produtos!?

Cliente: Não, isso cabe tudo aí, tem é de ir separado!

Eu: Separado como!?

Cliente: Deixe estar que eu arrumo! - passou-lhe logo o problema da mão.

 

Foi colocando coisas e mais coisas no mesmo saco, eu vi o saco a rebentar e a ficar todo numa lástima. Aquilo ficou uma confusão. Quando percebeu que um saco não dava mesmo lá pediu outro e de novo colocou coisas e mais coisas. Nem sei se as coisas não caíram dos sacos, antes mesmo, de chegarem ao destino. Os sacos, tenho a certeza que ficaram estragados. Depois dizem que os sacos não prestam!

 

E queria ela que fosse eu sozinha a ensacar, para depois o saco estragar-se e eu ficar com as culpas. Aliás, pessoas assim, tão esquisitas, têm de ser as próprias a ensacar, só assim, as coisas fica ao seu jeito!

 

É que antes as pessoas levavam dez sacos para um artigo, agora levam dez artigos num só saco!

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Os sacos ficaram no carro

É habitual, os clientes só se lembrarem que deixaram os sacos no carro quando já estão na caixa e quando já estou lhes estou a registar os produtos. Quando saem do carro, e durante o tempo que andam nos corredores a escolher os artigos, e até quando estão já na fila, não se lembram disso. E depois lá vão ao parque buscar os sacos, dizem que vão num instante, mas depois o tapete fica cheio de produtos a granel, e não dá para colocar a conta em espera. Fica  uma grande confusão!

 

No inicio pensei que este procedimento seria só até as pessoas se habituarem  a trazer os sacos, mas quase seis meses depois, esta situação ainda acontece algumas vezes!

 

Mesmo que tudo isto demore apenas uns breves minutos, há sempre quem proteste!

 

Mas estamos no bom caminho para a habituação . Lá para o fim do ano, as pessoas já terão interiorizado este procedimentos e já levam os sacos sempre consigo!

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