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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A idade da falsa inocência

Antes eu até podia espreitar para os carrinhos, para dentro dos sacos, mas não tinha a autoridade, que agora tenho, para pedir que os sacos passem por cima do tapete em vez de irem dentro dos carrinhos.

Desde que tenho esta "autorização", quase todos os dias, aparecem uns "brindes".

Naquele dia, não foi exceção. Quando pedi educadamente uma senhora idosa para me passar os saquinhos que estavam dobradinhos no fundo do carrinho, e mesmo vendo a atrapalhação da senhora, julguei que era ela que não me estava a perceber,  não esperava que lá estivessem quatro artigos: um esfregão da marca scotch brite , uma esponja de banho, um rolone e um shampoo para o cabelo. Meteu tudo em cima do tapete e não disse nada.

Podem dizer que foi sem querer. Que são coisas da idade. Talvez, mas tenho dúvidas, porque ela ficou muito atrapalhada!

Já não é a primeira vez que os "brindes" surgem nesta faixa etária!

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Os brindes que vão dentro dos sacos

Pedi a um simpático e já habitual casal de velhotes que colocasse o saco vazio em cima do tapete, era um saco de ráfia que ia aberto no carrinho e que tinha sacos de plástico dentro. A velhota, muito atrapalhada, diz-me que o saco já foi pago, eu "sim, mas tem de passar aqui por cima do tapete como está aqui (apontei para um escrito)!" Ela, meio a tremer, tira o saco vira para baixo, tira os de plástico e cai uma laca para o cabelo, que se apressou a dizer, que a mesma tinha caído para ali! Daquelas pessoas que não esperava nada, esta atitude.

Noutra ocasião, uma senhora levava um saco de pano pendurado no braço, peço para passar o saco ali, e ela "porquê o saco é meu!" Lá lhe mostro o escrito, e ela diz "espere aí que me falta uma coisa". Vai pelo corredor da alimentação e chega com um pacote de laminas de barbear que fica para o outro lado e que seria quase impossível em pouco  tempo, lá as ter ido buscar!

De outra vez uma senhora levava dois sacos dobrados naquele sítio dos carrinhos onde sentam as crianças, dava perfeitamente para ver que não tinham nada, não os pedi, mas arrependi-me, porque a pessoa a seguir levava-os em balão, perguntou porque pedi a ela e não pedi à outra pessoa, expliquei, mas não entendeu a diferença e ainda ficou a pensar que estava a desconfiar...

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Percebem o porquê e a importância de os sacos passarem por cima do tapete!?

Roubos

Um destes dias, tive uma chatice no trabalho. Não foi com alguém em especial mas com uma situação. Alguém roubou alguma coisa, passou na minha caixa, o alarme não apitou e eu não dei conta. Ninguém me acusou de incompetência ou algo do género, apenas me informaram do sucedido, mas eu fiquei triste. Os clientes quando tomam esta atitude, não se lembram que podem prejudicar os funcionários! Podem pensar (os gatunos) que fizeram um trabalho bem feito e que ninguém reparou, mas olhem que não é bem assim. Há muita coisa que se sabe.

 

Era tudo mais fácil se as pessoas fossem mais honestas. E  o artigo em questão foi algo supérfluo, por isso não foi por estarem a passar fome ( não que isto seja uma justa desculpa) ou algo do género!

Cliente insatisfeita...

Chega uma senhora á minha caixa. Começa a colocar os artigos sobre o tapete e pede para passar um dos artigos em separado. Nesta altura está uma colega minha perto da minha caixa a arrumar aqueles artigos que estão no topo das caixas. Então a dita senhora começa a falar com a minha colega:” Como vê, sempre vou levar isto e já estou a pagar!”, mas disse isto num tom bastante alto. Quando a minha colega se afastou, a cliente, começou a discursar”…a sua colega estava a desconfiar de mim, o que é que ela pensa que eu sou? Não têm confiança nos clientes!? Primeiro estava eu no corredor das bolachas e ela lá, depois estava nos detergentes e ela lá. Isto porque eu lhe perguntei o preço de um artigo. Ainda por cima deve pensar que os clientes são ingénuos ao ponto de não perceberem tudo, irra!”
Sim, irra foi uma palavra usada pela cliente. Perante estas evidencias eu preferi deixa-la desabafar. O artigo a que a senhora se referia era uma espécie pestanas postiças e normalmente esses artigos são os mais “roubados”…