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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Dia da segurança e saúdo no trabalho

Cá estou novamente para relembrar que este é o dia da segurança e saúde no trabalho. Agora, devido à pandemia, é ainda mais importante que se assinale este dia.  Mais do que nunca, a sensibilização para a adoção de práticas seguras no local de trabalho é importante e pode até salvar vidas.

Na minha perspectiva, de operadora de caixa, há medidas que são essenciais continuar a ter em conta, nomeadamente o levantamento e movimentação de pesos, o distanciamento social, o uso da máscara, a lavagem das mãos e o álcool gel ( medidas de higiene), o respeito pelos espaços (não invadir para além das barreiras acrílicas), o respeito pela sinalética .

Nós trabalhadores estamos na linha da frente, os clientes precisam de nós e nós precisamos dos clientes, por isso é uma missão em conjunto!

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Talvez tenha conseguido passar a mensagem a UMA pessoa

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Estava a concluir o atendimento a uma cliente, enquanto ela procura o dinheiro na carteira, aproveito para ir limpar/desinfetar  o tapete de saída. Entretanto apanho o dinheiro, e quando digito o valor, o cliente seguinte, estica-se para todo, invadindo o acrílico e coloca um pacote de detergente justamente em cima da gaveta da caixa registadora , que, com o peso, não abre para dar o troco.

Eu: - Mas se está aqui este vidro porque não pôs as coisas atrás!?

Cliente: - Era para você me passar isso primeiro para ir logo para o carrinho!

Eu: Pois mas agora este cliente vai ter de esperar porque a gaveta não abriu. É que é só seguir as regras! O tapete até tem cores, há um vidro e mesmo assim, as pessoas não têm cuidado!

Cliente: Pois está bem. Agora já sei!

Depois até pediu desculpa por fazer a outra pessoa esperar que viessem abrir a gaveta.

Se tudo isto deu para uma pessoa aprender alguma coisa, já fico satisfeita!

A função do tapete rolante na caixa do supermercado

https://picasion.com/

Lamentavelmente ainda há muitas pessoas que não entendem a função do tapete rolante. O tapete rolante serve para que os produtos rolem até ao operador de caixa, protegendo da proximidade e de lesões provocadas pelo levantamento de pesos. Protege não só o operador, como o cliente. Para o cliente pode ser só uma embalagem, para o operador são dezenas ao longo do dia!

Mesmo agora com o acrílico lá, a sinalética no tapete, os  clientes insistem em entregar artigos, principalmente os mais pesados, em mão, dizendo que é para ficar no fundo do carrinho, ou porque lhes dá jeito. É tudo uma questão de guardar espaço, de hábito e organização!

Também há operadores que permitem que os clientes entreguem os produtos em mão, ou porque não estão para se ralar, nem se proteger, porque são novos e só estão ali de passagem, e, além do mais dá trabalho"educar" os clientes!

Eu vou continuar na luta!

Animais racionais e irracionais

Quando era miúda e vivia no campo, pude conhecer muitos animais. Tive o gosto de conhecer e lidar com animais de rebanho, ovelhas e cabrinhas, principalmente.

Recordo-me bem como eram ordeiras, respeitando o seu pastor e  as cercas.

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Sabiam que se a cerca estava fechada era para não passarem por lá, e quando estava aberta, aí era o seu local de passagem.

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Já o ser humano ainda não conseguiu entender a utilidade das barreiras acrílicas no supermercado. Certamente ainda precisa de mais tempo. Se uma pessoa tem um vidro à frente, julga logo que é para andar às cabeçadas, ou  a atirar produtos  por cima, pelos lados, mesmo que além das barreiras, haja a ajudar sinalética com as três cores dos semáforos, onde ainda terá de aprender que a zona vermelha não é para colocar artigos, já que existe uma zona verde.

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Mas isso é demasiado complicado para se aprender num só ano, é preciso mais tempo, certo!?

Falta de civismo - take 1001

Estou ainda a atender uma cliente, quando a cliente seguinte empurra o seu carrinho vazio até tapar a janela de pagamento do acrílico, espaço  que era necessário para a outra pessoa fazer o pagamento. Peço-lhe para  afastar um bocadinho e ela responde: "ah é só o carrinho que está aí , acho que não faz nenhum mal!" Virei-me pro outro lado, respirei fundo, chamei-lhe um ou dois nomes feios. Com a máscara e falando baixinho, ninguém percebe, mas alivia !

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Entretanto atendo um senhor que quer ser ele a decidir como eu lhe registo as compras, porque já foi empresário e sabia muito bem a melhor forma de facilitar o cliente.

Mas será que esta gente acha que nós estamos ali só para implicar!? Acham que nos dá algum prazer ter de chamar atenção!?

Se cumprissem as normas, se lessem cartazes, respeitassem sinalética, distanciamento. Está tudo sinalizado e escarrapachado, nós não estamos a inventar nada. São normas não só da empresa, como também governamentais. Mas as pessoas gostam mais de questionar tudo, do que  respeitar.

Se cada cliente fizesse a sua própria lei, isto seria a República das Bananas!

Cansa ter de estar sempre a chamar atenção das pessoas

Cansa ter de estar sempre a chamar atenção das pessoas:

  • Para que coloquem a máscara corretamente;
  • Para que coloquem os artigos sobre o tapete, para lá do acrílico;
  • Para que mostrem os sacos vazios
  • Para que façam o distanciamento
  • Para que esperem um pouco afim de limparmos o tapete
  • Para não passarem pela linha de caixa quando estão lá pessoas
  • Para respeitarem regras e sinalética
  • Para lerem os avisos

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Respeitar regras e sinais

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À saída do supermercado continente onde trabalho, há um sinal de transito que nos obriga a virar à direita. Ora para quem quer seguir para dentro do Cartaxo, ter de ir dar uma volta enorme à rotunda, é chato, mas é um dever. Quantas vezes já saí em cima da hora para algum compromisso, e, me dava tanto jeito ir logo em frente!? Mas não o faço!

Acontece que já por diversas vezes quando vou a sair, vejo clientes a sair do parque e a transgredir o sinal, e penso para comigo: " se estas pessoas nem um sinal de trânsito, cujo incumprimento dá multa respeitam, como hão de respeitar as regras e a sinalética do supermercado!?"

Daí concluo que mesmo que o não cumprimentos das regras desse multa, as pessoas iriam continuar a não as cumprir!

E se respeitassem o acrílico!?

Um cliente  debruçou-se sobre o acrílico para chegar a uns frasquinhos de álcool gel, que estão num suporte à nossa frente. O normal seria ele pedir. Quando se debruçou cheguei-me para trás indignada, ao que ele ainda disse:  "não tenha medo"! Respondi:  "Este acrílico está aqui é para que não seja transposto, é para nossa segurança! O senhor só quem que respeitar!"

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A imagem que me veio à cabeça foi de um surfista numa prancha a deslizar. Já não chega atirarem com os artigos a bater no acrílico, ainda têm de vir eles próprios!

Eu já não consigo ficar calada, agora tenho de falar, sempre educadamente, mas tem de ser, não posso deixar passar, se não vão continuar a cometer os mesmos erros!

Será que nas outras lojas ou serviços  onde também há acrílicos as pessoas também acham que aquilo é para furar, para contornar, para invadir!?

Hábitos errados que tive esperança que a pandemia corrigisse

Alguns  hábitos errados que tive esperança que a pandemia corrigisse ou melhorasse:

Para abrir os sacos as pessoas lambiam o dedo na boca -  diminuiu mas não foi totalmente erradicado!

Para contar notas, também lambiam os dedos - ainda se pratica, mas muito menos.

Os clientes sem compras passarem pela linha de caixas, causando incomodo a quem está a ser atendido porque tem de chegar o carrinho, quando podiam sair pela saída sem compras - infelizmente mesmo com a pandemia, ainda o fazem!

Era só quando já estavam  a ser atendidos na caixa, que se lembravam de ir imprimir os cupões, quando passam pela máquina à entrada - continua igual, e empatam os outros.

Esquecem-se dos sacos no carro, e deixam-me a operadora em piloto automático para os irem buscar - ainda acontece demasiadas vezes!

O cliente seguinte ficar atrás da pessoa que estava a marcar o código do multibanco - felizmente este hábito foi quase totalmente erradicado.

Entregar artigos pesados em mão pela frente  à operadora - Com o acrílico lá, a situação melhorou, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

Estarem encostados ou mesmo em cima uns dos outros, tipo sardinha em lata - devido à nossa insistência, tem melhorado, mas se nós (funcionários) não estivermos, atentos, aproveitam logo para se encostarem. Não se entende o porquê! Será do frio!?

Os clientes andavam sempre cheios de pressa e sem paciência para esperar nas filas - no inicio, até estavam mais tolerantes e compreensivos, mas entretanto durou pouco, já voltaram as rivalidades.

Os clientes nunca ligaram aos cartazes com  indicações e  sinalizações (só avistam os das promoções) - no início da pandemia ainda procuravam ler, agora já não lêem nem o que está pendurado, nem o que está ao nível dos olhos, nem tão pouco o que está no chão.

Quando está alguém prioritário fingirem que não a estão ver - por algumas vezes já vi generosidade , mas pouco, porque o pessoal está sempre com pressa (nas filas, porque nos corredores é um passeio higiénico).

O açambarcamento inicial - não sei se passou ou se tem picos. Pelo menos o papel higiénico está tranquilo, agora é mais a comida!

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As pessoas estudam as 1001 maneiras de contornem as regras

Com muitos "ses" e "mas"

Mesmo com o acrílico,  com a tudo sinalizado, mesmo avisando no som do supermercado, na rádio continente, muitos clientes não aceitam ou não respeitam as regras. 

As pessoas simplesmente não querem ouvir, não querem ler, nem os cartazes que estão pendurados, os panfletos que estão mesmo ao nível da sua vista, ou mesmo os autocolantes que estão no chão.

A  fase do "ah não sabia, para a próxima já sei!" - Já não faz sentido! Mesmo porque damos conta das mesmas pessoas a cometerem os mesmos abusos, com as mesmas desculpas!

Primeiro se pedíamos para pagar pela janela do acrílico, perguntavam se o vírus por ali não passava. Como a dita janela é tão apertadinha, deixei  de fazer pressão para que a usem!

Por vezes até atiram artigos por cima do acrílico. Se pedimos para colocarem os artigos atrás da zona verde para haver mais distanciamento, protestam! Se há um vidro à frente para não entregarem os produtos em mão, ou para não colocarem os artigos transpondo o acrílico, quando há espaço mais atrás, porque insistem nisto? Dão cada traulitada no acrílico, que andam para deitar aquilo a baixo. Ainda reclamam do acrílico estar ali. Se está ali é por um motivo: para que não o transponham!

Até podem achar que vos dava jeito que registássemos primeiro as coisas pesadas, para colocarem logo no carrinho, mas se não as colocarem logo no inicio, terão de ter paciência e colocá-las no fim e arranjarem forma de deixar um espaço ou outra solução. O tapete rolante existe para facilitar a vida ás pessoas, e, trazer os artigos pesados até nós sem esforçar a coluna, é uma delas, aliás para nós e para o cliente. Se bem que cada cliente só teria de se esforçar para entregar o seu artigo uma vez, enquanto o operador teria de fazer essa tarefa, vezes sem conta por dia. Se a empresa tem a preocupação de permitir ao funcionário que tenha saúde e segurança no trabalho, porque vamos nós  fazer o contrário!?

Quando atendo um "negacionista" , tento sempre arranjar bons argumentos, mas eles já têm respostas para tudo, do tipo "vamos todos ter o covid, para quê tanta coisas?"

Eu sugeria este cartaz, como já o deixei há uns tempos na caixa das sugestões da empresa. Certamente não o iam ler, à primeira vista, mas sempre daria para nós  apontarmos para ele!

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