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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Façam só um pouco de distanciamento social

Estamos no ponto de situação, em que para a maioria das pessoas a pandemia já se foi embora e temos de voltar ao normal. Cada um é livre de ter a sua opinião, mas se ainda há algumas regras, tem de respeitar!

O número de pessoas dentro do supermercado, já não é limitado. Em relação ao distanciamento já é mais complicado, porque nós já não insistimos muito com isso. Mas ainda há pessoas que o fazem e pessoas que até pedem para que haja distanciamento.

Eu tento até com o separador do cliente seguinte, travar o andamento do tapete, para que as pessoa fiquem ao lado dos seus artigos e não avancem demasiado, mas por vezes não funciona, pois os próprios clientes, tiram o separador e avançam. As pessoas tem "fome" de estarem umas em cima das outras, nem a pandemia as civilizou. É que não havia necessidade, não é por estarem mais próximas que se vão despachar mais depressa. Aliás se der confusão, só vão é demorar ainda mais tempo!

Pedi a uma senhora para se chegar só um pouco atrás, e ela responde: "Porquê!? O que tem estar aqui?!" Ao que eu respondi: "É que o código do multibanco é suposto ser secreto, e a senhora está a espiar"! Lá se chegou.

É que já nem pedimos os habituais dois  metros ou um metro e meio, é mesmo o espaço necessário para não estarem a tocar no outro. É uma  questão de respeito, de civismo.

Uma senhora, recentemente, disse-me que achava que em dezembro voltaríamos ao confinamento, porque as pessoas já andam completamente à vontade. Eu disse-lhe que esperava que não. E realmente se tivermos de voltar ao inicio com todas as regras e os clientes, sempre, sempre a desrespeitá-las, não sei onde irei buscar energia para aguentar a situação!

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Certificado de vacinação também é preciso para entrar no supermercado!?

Hoje, logo o primeiro cliente que atendi às 8.30h, diz-me que está muito aborrecido pelo facto de os supermercados estarem a pedir o certificado de vacinação. Respondi ao senhor, que esse certificado, não era para supermercados, mas sim, cafés, restaurantes, salas de espectáculos. Mas, o senhor disse: "não, não, inclui também supermercados, saiu hoje na comunicação social"!

Respondi, que não tinha conhecimento, mas que a ser verdade, também era uma coisa fácil de arranjar, estando a pessoa vacinada. Ele disse que estava vacinado, mas que não ligava a esses papeis e internet e que não era justo estarem a pedir isso num supermercado. Disse até que se assim for, deixa de ir.

As pessoas não podem deixar de ir, só se fizerem as compras on line, mas se a este senhor levar o papel o incomoda porque não sabe "mexer com essas coisas", compras pela internet, não deve também ser fácil.

Fui perguntar à  colega que tinha entrado antes de mim se ela sabia alguma coisa deste assunto. Ela também estranhou, porque nos outros lugares as pessoas permanecem por algum tempo, enquanto, no supermercado, as pessoas supostamente, não ficam muito tempo!

Andei a pesquisar se a noticia era mesmo verdadeira, porque o senhor, já não era novo e podia ter feito confusão, mas é verdade, é uma possibilidade. Não sei  quando, nem como vão fiscalizar isso, mas se calhar,  está para breve. Vi aqui . Certamente para quem não tem a vacinação, devem ter um teste negativo, digo eu, sem ter conhecimento de causa.

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Não custa nada mostrar os sacos vazios à/ao operador/a de caixa

É sempre um stresse quando as pessoas passam com o carrinho cheio de  sacos vazios, folhetos, malas , casacos. Creio que devem ter noção que além de estarem a dificultar o nosso trabalho, estão a dar motivos para que desconfiemos! Ninguém lê o pedido que lá está a pedir que coloque os sacos sobre o tapete e que  passem o carrinho vazio para o outro lado!

É que se mostrarem, nem é necessário que o coloquem em cima do tapete. Há uma senhora, que me chama, abre o saco, e vira-o para baixo e eu só faço ok com o polegar!

Recentemente, uma senhora passou, tinha um monte de sacos que até estavam dobradinhos, mas eu levantei-me e fui observar. Ela percebeu e disse: "você veio espreitar os sacos? São meus já os paguei"! Ao que eu respondo que não foi por  isso, mas pelo facto  de ali estar um pedido, e que nós precisávamos de ver os sacos! A senhora, talvez indignada com o que lhe tinha dito, vai mexe nos sacos e diz: "Mas estava com receio que levasse aqui alguma coisa!?" E quando ela sacode os sacos, sai de lá uma pasta de dentes.

A senhora, lá engoliu a sua arrogância, e não disse mais nada!

Eu acredito que até foi sem querer e que a surpresa dela foi igual à minha, mas isto só prova que o nosso pedido é mais que legitimo!

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Questões que alguns clientes colocam

Uma cliente perguntou-me se aqueles carrinhos/cestos estavam desinfetados. Ora eu sei que são desinfetados, mas também sei, que seria impossível desinfetar cada cesto, a cada cliente, então respondi : "Sim são desinfetados!"

Mas um conselho que já me deram é pegar no puxador com luvas ou com um lenço papel ou como agora cada um de nós anda com álcool gel ou spray colocar um pouco na pega.

Também me perguntaram se podiam pagar em dinheiro, porque achavam que não se podia. Expliquei que não era questão de não se poder, mas que apenas era mais aconselhável usar cartão, por causa do manuseamento das moedas e das notas e porque as mesmas andam em muitas mãos. Uma coisa que me ensinaram mesmo antes da chegada desta pandemia é que o dinheiro é a coisa mais suja que existe!

Uma cliente também perguntou se agora não podia levar a filha ao supermercado, porque já a tinham criticado. Eu respondi que não era proibido, mas que era aconselhável. Até disse à senhora que também não era aconselhável, irem pessoas idosas, pessoas com doenças de risco, mas, nada é proibido. Temos é de ser responsáveis e consistentes. Até lhe disse, que se ela tivesse  onde deixar a  filha, pelo menos enquanto isto estiver assim, era preferível. Aparentemente concordou... 

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E a luta continua...

Neste sábado foi mais um dia daqueles que nos deixam cansados e com vontade que chegue a hora de ir embora dali.

Uma senhora só com um artigo, pede a vez, é lhe concedida. Mas a senhora esta com uma máscara no queixo e outra na mão. Tive de lhe pedir para colocar devidamente a máscara, tive de lhe pedir para esperar no sitio certo.

Atendi um jovem casal que me faziam perguntas. Perguntaram se não tinha álcool gel no fundo da caixa para as pessoas desinfetarem as mãos. Respondi que havia na entrada e na saída da loja, mas ela insistiu que tinha de ter ali no fundo da caixa. Eu tento sempre higienizar o tapete de saída, quando a pessoa está a pagar com multibanco, mas como a cliente anterior tinha lá a mala não consegui limpar em todo o lado, e este casal questionou logo se eu não limpava aquilo. Depois falavam entre eles, e apontavam defeitos. Deviam de ser da ASAE!

Uma senhora ia começar a colocar as coisas no tapete quando já lá tinha uma pessoa para atender, peço-lhe para aguardar, e ela, não gostou. Depois quando o cliente que estava a atender saiu e o que tinha os artigos no tapete passou para o outro lado, disse para ela por os artigos, respondeu "agora também não ponho, só ponho quando esse senhor sair"! Birras de adultos, não tenho paciência!

Outro casal, este de mais idade, a senhora passou para o  outro lado, quando o cliente que estava a atender, ainda lá tinha os artigos e nem tinha ainda pago.  Encostou-se no tapete quando havia lá gente. Depois começou a chamar o marido para vir. Foi aí que me passei e disse "desculpe a senhora tem de esperar, a senhora nem podia ter passado para aqui, quando ainda aqui está uma pessoa. Tem de ter calma e esperar um pouco"!

Depois foi a repetida e velhinha história das caixas de cerveja que mesmo com aqueles de centímetros de acrílico, insistem em entregar em mão. Até para os clientes é mais fácil deixar no tapete e esperar que o tapete traga a caixa até nós. Devia de haver um cartaz a informar que os artigos para colocar no tapete e na zona verde! Mas será que ninguém repara na sinalética do tapete, nem no acrescento do acrílico!?A caixa em que eu estive já tem o acrílico todo riscado da avareza dos clientes.

Um casal de clientes que deviam de embalar as compras no topo da caixa, o senhor vai mesmo para o meu lado. Aproximava-se cada vez mais tive de lhe dizer para ir para o topo!

Isto não está fácil!

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O virus não passa por aqui?

Como já aqui disse, nós agora temos umas barreiras de proteção em acrílico, e, de modo a passar o cartão multibanco, talões ou o dinheiro, há uma pequena janela, onde apenas cabem as nossas mãos, para entregar o troco, os talões ou para o cliente marcar o  código do multibanco. Foi-me dito que era para fazer toda a transação por ali, e para estimular os clientes a fazerem este procedimento.

A maioria dos clientes percebe até brinca com a situação, dizem agora é  "à janela"! Mas, como tudo, há exceções. Há quem goze ou não perceba que  se recebemos por ali o cartão continente, o dinheiro, é porque, também é por ali, que temos de entregar o talão e dar o troco. Houve um cliente que cinicamente disse: "então isto é porque o vírus não passa aqui por este buraco!" Outra pessoa ficou no topo e eu com a mão para lhe entregar o talão e ela dizia "tou aqui, tou aqui"! Eu sabia onde ela estava, ela tinha de receber o talão pelo mesmo sitio onde tinha feito o resto! Também é uma forma de não estarmos tão próximos do cliente, assim são só as nossas mãos que se tocam e de seguida podemos desinfetar com álcool gel!

Não sei porque  tem de haver sempre pessoas a não aceitarem, porque uma coisa é não saberem, aí nos explicamos e   pedimos sempre com educação que seja por ali, outra coisa é desprezarem as regras...

É certo que a dita abertura/janela é pequena, como podem ver na imagem que tentei delinear a vermelho, mas consegue-se fazer a transação sem problemas!

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Se eu mandasse por um dia

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Posso ser mázinha só por um dia!? Vou fazer de conta que sim...

Ou o cliente tem os cupões a jeito, ou esquece, não tem de ser a operadora a "catar" cupões, principalmente se a fila estiver grande!

Se demorar muito a encontrar a carteira ou os cartões,  a conta fica em espera e vou atender outra pessoa. Por vezes, o tempo que o cliente demora a encontrar tudo é imenso. Com esta regra, o cliente vai ter o cuidado de levar tudo preparado e em sítio que fique logo em mão!

Proibido atender e fazer chamadas, se está ao telefone não pode ser atendido, vai recambiado para o fim da fila!

Os sacos que trás de casa, são para mostrar à operadora, e é proibido passar com os mesmo, em formato balão dentro carrinho!

Quando estou a atender um cliente quem está a seguir não pode invadir o espaço do outro, pois há um sinalética no chão a respeitar!

Também é proibido quando estou a atender um cliente, o outros quererem fazer perguntas. Não têm nada que estar a interromper, esperam!

Largar as compras e irem à casa de banho, não! Se sabem que precisam ir à casa de banho vão primeiro e só depois é que vão para a fila. Civismo, que os outros não têm de estar à espera! Há quem tenha esta atitude várias vezes!

O cliente pode ir buscar alguma coisa que se esqueceu, convém é não demorar muito.

Os sacos que temos da fruta na caixa seriam unicamente para produtos que derramem, é que há clientes que querem um saco desses para cada produto que levam, é um exagero que se gasta em plástico!

Um vale de desconto no final para o cliente modelo. O que cumpriu todos os requisitos e teve as atitudes corretas!

Amigo, não empata amigo; cliente não empata cliente!

Os quebra-regras

Um dia destes, um cliente com um carrinho cheio, ao chegar minha caixa, queixou-se da minha colega não o ter deixado ir para as caixas self-service. Respondi que aquelas caixas não eram para carrinhos e que estava lá uma placa com essa informação. Ao que ele respondeu "pois, mas bem que ela podia facilitar"! Respondo que são regras da empresa, e o cliente, continua a não aceitar a regra e a dar os seus argumentos parvos!

Desisti, de argumentar. É por causa destas pessoas com esta dificuldade em aceitar normas, que a caixa de 10 unidades deixou de existir, porque as pessoas também queriam ir para lá com um carrinho cheio, alegando que não estava lá ninguém com dez unidades, e que as podia atender...

Fico passada com gente que não aceita regras, imagino que estas pessoas, também não devem respeitar outro tipo de regras, tipo as de transito, argumentando "o sinal está vermelho, mas não está aqui ninguém, vou passar e pronto!"

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Onde fica a saída sem compras? E a entrada?

É uma pergunta muito frequente, pelo menos, nos supermercados. Claro que cada um tem as suas regras, por isso, vou falar do continente, porque é o  que conheço melhor.

 

A saída convém que seja feita por onde é a entrada, porque o espaço é mais amplo. E agora,  perguntam vocês: "então e não se pode sair pelas caixas?" Eu respondo:" sim, até podem, mas, ora pensem: estão lá pessoas com carrinhos e artigos, têm de pedir licença, as pessoas têm de se desviar, interrompem o atendimento. Por vezes é só mesmo por terem de dar mais uns passos. Acham bem?"

 

Então e as entradas , que são pela porta principal (normalmente no cimo tem escrito Bem Vindo ou mesmo Entrada), mas as pessoas também querem entrar pelas saídas das caixas, se apanham uma "cancela" aberta, porque vezes nos esquecemos de fechar, aproveitam logo e até querem entrar pela saída das caixas selfservice.

 

Parecem cachopos rebeldes, sempre a quebrar regras!

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