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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Não venha obrigado, venha como convidado

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Sei que faz parte do meu trabalho explicar aos clientes como este sistema funciona, apesar de já se realizar  assim, há pelo menos,  dez anos. Mesmo assim, há sempre quem não aceite o facto de haver um período para descontar o saldo acumulado. 

Um cliente disse que não tinha que o obrigar a ir lá na semana seguinte descontar. Então eu respondi que não o estava a obrigar, mas sim a convidar. Não sei como, pois ele parecia zangado, respondeu "ah então assim, está bem!"

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A saída sem compras, é pela entrada e não pelas caixas

Estava a atender clientes, num momento, que havia umas três pessoas em fila. O espaço estava ocupado com o carrinho e duas pessoas a embalar, e outro carrinho cheio a seguir.

Chegam duas pessoas que querem passar pela linha de caixas, sem compras, e ali estavam a empurrar pessoas e carrinhos sem dizer nada. E ainda a acharem que as outras pessoas é que se tinham  de se desviar para passarem. Digo que a saída sem compras é opor onde entraram, respondem que não estava lá nenhuma indicação e passam por ali, mesmo incomodando.

Em conversa com os clientes que estava a atender, comentamos sobre em alguns supermercados,  a saída sem compras,  ser pelas caixas, daí as pessoas não saberem, ou confundirem. As pessoas que estava a atender,  sabiam da diferença de sair,  sem compras pelas caixas e de sair pela devida saída, sabiam que está relacionada com o alcance dos produtos com alarme.

Vai então uma senhora diz:" mas qual é o problema de sair pelas caixas, se as pessoas não levam nada, não vai apitar na mesma!" É quando eu respondo "aí é que está o problema: as pessoas supostamente. não levam nada, supostamente"!

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Respeito pelo nosso trabalho

É para mim, um certo stresse, estar a chegar à caixa, ter o posto para organizar, as moedas por abrir, e precisar ter a certeza que está tudo nos conformes para chamar os clientes, e as pessoas começarem logo a perguntar: "vai abrir, vai abrir"!?

Imaginem que eu digo,  "podem ir pondo os produtos" e depois haver uma avaria na impressora ou no sistema e as pessoas terem de retirar os produtos!? Além disso, as pessoas têm que vir por ordem de fila, não é  haver pessoas já nas filas e  alguém acabado de chegar,  ser logo atendido, não pode ser, há regras!

Houve recentemente, um dia, que uma pessoa fez a pergunta e eu disse que ia atender por ordem de fila. Assim sendo,  chamei e vieram clientes que estavam nas filas de outras caixas.

Essa pessoa voltou lá e confrontou-me com a situação dizendo  "daquela vez, as pessoas estavam lá paro o fundo, podia me ter atendido, que nem davam conta!" Respondi: "Ah mas eu  gosto de cumprir as regras." Ainda procurei a câmara, a ver se era para os apanhados!

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Cupões habituais

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Estes cupões  são diferentes dos 15%, estes não têm prazo para descontar, apenas têm data para entregar. O valor pode ser descontado logo a partir do dia a seguir, ou pode ficar em saldo, para descontar, quando quiser. Estes surgem, até mais vezes que os outros.

Qualquer dúvida podem sempre perguntar ao operador de caixa. Se os deixarem em casa, existe o vosso já conhecido dispensador onde podem imprimir uma segunda via.

Ter a aplicação do continente no telemóvel ajuda a terem sempre os cupões ali à distância de um clique (sim, por vezes o sistema está lento, mas é só ás vezes).

Façam só um pouco de distanciamento social

Estamos no ponto de situação, em que para a maioria das pessoas a pandemia já se foi embora e temos de voltar ao normal. Cada um é livre de ter a sua opinião, mas se ainda há algumas regras, tem de respeitar!

O número de pessoas dentro do supermercado, já não é limitado. Em relação ao distanciamento já é mais complicado, porque nós já não insistimos muito com isso. Mas ainda há pessoas que o fazem e pessoas que até pedem para que haja distanciamento.

Eu tento até com o separador do cliente seguinte, travar o andamento do tapete, para que as pessoa fiquem ao lado dos seus artigos e não avancem demasiado, mas por vezes não funciona, pois os próprios clientes, tiram o separador e avançam. As pessoas tem "fome" de estarem umas em cima das outras, nem a pandemia as civilizou. É que não havia necessidade, não é por estarem mais próximas que se vão despachar mais depressa. Aliás se der confusão, só vão é demorar ainda mais tempo!

Pedi a uma senhora para se chegar só um pouco atrás, e ela responde: "Porquê!? O que tem estar aqui?!" Ao que eu respondi: "É que o código do multibanco é suposto ser secreto, e a senhora está a espiar"! Lá se chegou.

É que já nem pedimos os habituais dois  metros ou um metro e meio, é mesmo o espaço necessário para não estarem a tocar no outro. É uma  questão de respeito, de civismo.

Uma senhora, recentemente, disse-me que achava que em dezembro voltaríamos ao confinamento, porque as pessoas já andam completamente à vontade. Eu disse-lhe que esperava que não. E realmente se tivermos de voltar ao inicio com todas as regras e os clientes, sempre, sempre a desrespeitá-las, não sei onde irei buscar energia para aguentar a situação!

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Certificado de vacinação também é preciso para entrar no supermercado!?

Hoje, logo o primeiro cliente que atendi às 8.30h, diz-me que está muito aborrecido pelo facto de os supermercados estarem a pedir o certificado de vacinação. Respondi ao senhor, que esse certificado, não era para supermercados, mas sim, cafés, restaurantes, salas de espectáculos. Mas, o senhor disse: "não, não, inclui também supermercados, saiu hoje na comunicação social"!

Respondi, que não tinha conhecimento, mas que a ser verdade, também era uma coisa fácil de arranjar, estando a pessoa vacinada. Ele disse que estava vacinado, mas que não ligava a esses papeis e internet e que não era justo estarem a pedir isso num supermercado. Disse até que se assim for, deixa de ir.

As pessoas não podem deixar de ir, só se fizerem as compras on line, mas se a este senhor levar o papel o incomoda porque não sabe "mexer com essas coisas", compras pela internet, não deve também ser fácil.

Fui perguntar à  colega que tinha entrado antes de mim se ela sabia alguma coisa deste assunto. Ela também estranhou, porque nos outros lugares as pessoas permanecem por algum tempo, enquanto, no supermercado, as pessoas supostamente, não ficam muito tempo!

Andei a pesquisar se a noticia era mesmo verdadeira, porque o senhor, já não era novo e podia ter feito confusão, mas é verdade, é uma possibilidade. Não sei  quando, nem como vão fiscalizar isso, mas se calhar,  está para breve. Vi aqui . Certamente para quem não tem a vacinação, devem ter um teste negativo, digo eu, sem ter conhecimento de causa.

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Não custa nada mostrar os sacos vazios à/ao operador/a de caixa

É sempre um stresse quando as pessoas passam com o carrinho cheio de  sacos vazios, folhetos, malas , casacos. Creio que devem ter noção que além de estarem a dificultar o nosso trabalho, estão a dar motivos para que desconfiemos! Ninguém lê o pedido que lá está a pedir que coloque os sacos sobre o tapete e que  passem o carrinho vazio para o outro lado!

É que se mostrarem, nem é necessário que o coloquem em cima do tapete. Há uma senhora, que me chama, abre o saco, e vira-o para baixo e eu só faço ok com o polegar!

Recentemente, uma senhora passou, tinha um monte de sacos que até estavam dobradinhos, mas eu levantei-me e fui observar. Ela percebeu e disse: "você veio espreitar os sacos? São meus já os paguei"! Ao que eu respondo que não foi por  isso, mas pelo facto  de ali estar um pedido, e que nós precisávamos de ver os sacos! A senhora, talvez indignada com o que lhe tinha dito, vai mexe nos sacos e diz: "Mas estava com receio que levasse aqui alguma coisa!?" E quando ela sacode os sacos, sai de lá uma pasta de dentes.

A senhora, lá engoliu a sua arrogância, e não disse mais nada!

Eu acredito que até foi sem querer e que a surpresa dela foi igual à minha, mas isto só prova que o nosso pedido é mais que legitimo!

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Questões que alguns clientes colocam

Uma cliente perguntou-me se aqueles carrinhos/cestos estavam desinfetados. Ora eu sei que são desinfetados, mas também sei, que seria impossível desinfetar cada cesto, a cada cliente, então respondi : "Sim são desinfetados!"

Mas um conselho que já me deram é pegar no puxador com luvas ou com um lenço papel ou como agora cada um de nós anda com álcool gel ou spray colocar um pouco na pega.

Também me perguntaram se podiam pagar em dinheiro, porque achavam que não se podia. Expliquei que não era questão de não se poder, mas que apenas era mais aconselhável usar cartão, por causa do manuseamento das moedas e das notas e porque as mesmas andam em muitas mãos. Uma coisa que me ensinaram mesmo antes da chegada desta pandemia é que o dinheiro é a coisa mais suja que existe!

Uma cliente também perguntou se agora não podia levar a filha ao supermercado, porque já a tinham criticado. Eu respondi que não era proibido, mas que era aconselhável. Até disse à senhora que também não era aconselhável, irem pessoas idosas, pessoas com doenças de risco, mas, nada é proibido. Temos é de ser responsáveis e consistentes. Até lhe disse, que se ela tivesse  onde deixar a  filha, pelo menos enquanto isto estiver assim, era preferível. Aparentemente concordou... 

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E a luta continua...

Neste sábado foi mais um dia daqueles que nos deixam cansados e com vontade que chegue a hora de ir embora dali.

Uma senhora só com um artigo, pede a vez, é lhe concedida. Mas a senhora esta com uma máscara no queixo e outra na mão. Tive de lhe pedir para colocar devidamente a máscara, tive de lhe pedir para esperar no sitio certo.

Atendi um jovem casal que me faziam perguntas. Perguntaram se não tinha álcool gel no fundo da caixa para as pessoas desinfetarem as mãos. Respondi que havia na entrada e na saída da loja, mas ela insistiu que tinha de ter ali no fundo da caixa. Eu tento sempre higienizar o tapete de saída, quando a pessoa está a pagar com multibanco, mas como a cliente anterior tinha lá a mala não consegui limpar em todo o lado, e este casal questionou logo se eu não limpava aquilo. Depois falavam entre eles, e apontavam defeitos. Deviam de ser da ASAE!

Uma senhora ia começar a colocar as coisas no tapete quando já lá tinha uma pessoa para atender, peço-lhe para aguardar, e ela, não gostou. Depois quando o cliente que estava a atender saiu e o que tinha os artigos no tapete passou para o outro lado, disse para ela por os artigos, respondeu "agora também não ponho, só ponho quando esse senhor sair"! Birras de adultos, não tenho paciência!

Outro casal, este de mais idade, a senhora passou para o  outro lado, quando o cliente que estava a atender, ainda lá tinha os artigos e nem tinha ainda pago.  Encostou-se no tapete quando havia lá gente. Depois começou a chamar o marido para vir. Foi aí que me passei e disse "desculpe a senhora tem de esperar, a senhora nem podia ter passado para aqui, quando ainda aqui está uma pessoa. Tem de ter calma e esperar um pouco"!

Depois foi a repetida e velhinha história das caixas de cerveja que mesmo com aqueles de centímetros de acrílico, insistem em entregar em mão. Até para os clientes é mais fácil deixar no tapete e esperar que o tapete traga a caixa até nós. Devia de haver um cartaz a informar que os artigos para colocar no tapete e na zona verde! Mas será que ninguém repara na sinalética do tapete, nem no acrescento do acrílico!?A caixa em que eu estive já tem o acrílico todo riscado da avareza dos clientes.

Um casal de clientes que deviam de embalar as compras no topo da caixa, o senhor vai mesmo para o meu lado. Aproximava-se cada vez mais tive de lhe dizer para ir para o topo!

Isto não está fácil!

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