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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

E a luta continua...

Neste sábado foi mais um dia daqueles que nos deixam cansados e com vontade que chegue a hora de ir embora dali.

Uma senhora só com um artigo, pede a vez, é lhe concedida. Mas a senhora esta com uma máscara no queixo e outra na mão. Tive de lhe pedir para colocar devidamente a máscara, tive de lhe pedir para esperar no sitio certo.

Atendi um jovem casal que me faziam perguntas. Perguntaram se não tinha álcool gel no fundo da caixa para as pessoas desinfetarem as mãos. Respondi que havia na entrada e na saída da loja, mas ela insistiu que tinha de ter ali no fundo da caixa. Eu tento sempre higienizar o tapete de saída, quando a pessoa está a pagar com multibanco, mas como a cliente anterior tinha lá a mala não consegui limpar em todo o lado, e este casal questionou logo se eu não limpava aquilo. Depois falavam entre eles, e apontavam defeitos. Deviam de ser da ASAE!

Uma senhora ia começar a colocar as coisas no tapete quando já lá tinha uma pessoa para atender, peço-lhe para aguardar, e ela, não gostou. Depois quando o cliente que estava a atender saiu e o que tinha os artigos no tapete passou para o outro lado, disse para ela por os artigos, respondeu "agora também não ponho, só ponho quando esse senhor sair"! Birras de adultos, não tenho paciência!

Outro casal, este de mais idade, a senhora passou para o  outro lado, quando o cliente que estava a atender, ainda lá tinha os artigos e nem tinha ainda pago.  Encostou-se no tapete quando havia lá gente. Depois começou a chamar o marido para vir. Foi aí que me passei e disse "desculpe a senhora tem de esperar, a senhora nem podia ter passado para aqui, quando ainda aqui está uma pessoa. Tem de ter calma e esperar um pouco"!

Depois foi a repetida e velhinha história das caixas de cerveja que mesmo com aqueles de centímetros de acrílico, insistem em entregar em mão. Até para os clientes é mais fácil deixar no tapete e esperar que o tapete traga a caixa até nós. Devia de haver um cartaz a informar que os artigos para colocar no tapete e na zona verde! Mas será que ninguém repara na sinalética do tapete, nem no acrescento do acrílico!?A caixa em que eu estive já tem o acrílico todo riscado da avareza dos clientes.

Um casal de clientes que deviam de embalar as compras no topo da caixa, o senhor vai mesmo para o meu lado. Aproximava-se cada vez mais tive de lhe dizer para ir para o topo!

Isto não está fácil!

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O virus não passa por aqui?

Como já aqui disse, nós agora temos umas barreiras de proteção em acrílico, e, de modo a passar o cartão multibanco, talões ou o dinheiro, há uma pequena janela, onde apenas cabem as nossas mãos, para entregar o troco, os talões ou para o cliente marcar o  código do multibanco. Foi-me dito que era para fazer toda a transação por ali, e para estimular os clientes a fazerem este procedimento.

A maioria dos clientes percebe até brinca com a situação, dizem agora é  "à janela"! Mas, como tudo, há exceções. Há quem goze ou não perceba que  se recebemos por ali o cartão continente, o dinheiro, é porque, também é por ali, que temos de entregar o talão e dar o troco. Houve um cliente que cinicamente disse: "então isto é porque o vírus não passa aqui por este buraco!" Outra pessoa ficou no topo e eu com a mão para lhe entregar o talão e ela dizia "tou aqui, tou aqui"! Eu sabia onde ela estava, ela tinha de receber o talão pelo mesmo sitio onde tinha feito o resto! Também é uma forma de não estarmos tão próximos do cliente, assim são só as nossas mãos que se tocam e de seguida podemos desinfetar com álcool gel!

Não sei porque  tem de haver sempre pessoas a não aceitarem, porque uma coisa é não saberem, aí nos explicamos e   pedimos sempre com educação que seja por ali, outra coisa é desprezarem as regras...

É certo que a dita abertura/janela é pequena, como podem ver na imagem que tentei delinear a vermelho, mas consegue-se fazer a transação sem problemas!

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Se eu mandasse por um dia

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Posso ser mázinha só por um dia!? Vou fazer de conta que sim...

Ou o cliente tem os cupões a jeito, ou esquece, não tem de ser a operadora a "catar" cupões, principalmente se a fila estiver grande!

Se demorar muito a encontrar a carteira ou os cartões,  a conta fica em espera e vou atender outra pessoa. Por vezes, o tempo que o cliente demora a encontrar tudo é imenso. Com esta regra, o cliente vai ter o cuidado de levar tudo preparado e em sítio que fique logo em mão!

Proibido atender e fazer chamadas, se está ao telefone não pode ser atendido, vai recambiado para o fim da fila!

Os sacos que trás de casa, são para mostrar à operadora, e é proibido passar com os mesmo, em formato balão dentro carrinho!

Quando estou a atender um cliente quem está a seguir não pode invadir o espaço do outro, pois há um sinalética no chão a respeitar!

Também é proibido quando estou a atender um cliente, o outros quererem fazer perguntas. Não têm nada que estar a interromper, esperam!

Largar as compras e irem à casa de banho, não! Se sabem que precisam ir à casa de banho vão primeiro e só depois é que vão para a fila. Civismo, que os outros não têm de estar à espera! Há quem tenha esta atitude várias vezes!

O cliente pode ir buscar alguma coisa que se esqueceu, convém é não demorar muito.

Os sacos que temos da fruta na caixa seriam unicamente para produtos que derramem, é que há clientes que querem um saco desses para cada produto que levam, é um exagero que se gasta em plástico!

Um vale de desconto no final para o cliente modelo. O que cumpriu todos os requisitos e teve as atitudes corretas!

Amigo, não empata amigo; cliente não empata cliente!

Os quebra-regras

Um dia destes, um cliente com um carrinho cheio, ao chegar minha caixa, queixou-se da minha colega não o ter deixado ir para as caixas self-service. Respondi que aquelas caixas não eram para carrinhos e que estava lá uma placa com essa informação. Ao que ele respondeu "pois, mas bem que ela podia facilitar"! Respondo que são regras da empresa, e o cliente, continua a não aceitar a regra e a dar os seus argumentos parvos!

Desisti, de argumentar. É por causa destas pessoas com esta dificuldade em aceitar normas, que a caixa de 10 unidades deixou de existir, porque as pessoas também queriam ir para lá com um carrinho cheio, alegando que não estava lá ninguém com dez unidades, e que as podia atender...

Fico passada com gente que não aceita regras, imagino que estas pessoas, também não devem respeitar outro tipo de regras, tipo as de transito, argumentando "o sinal está vermelho, mas não está aqui ninguém, vou passar e pronto!"

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Onde fica a saída sem compras? E a entrada?

É uma pergunta muito frequente, pelo menos, nos supermercados. Claro que cada um tem as suas regras, por isso, vou falar do continente, porque é o  que conheço melhor.

 

A saída convém que seja feita por onde é a entrada, porque o espaço é mais amplo. E agora,  perguntam vocês: "então e não se pode sair pelas caixas?" Eu respondo:" sim, até podem, mas, ora pensem: estão lá pessoas com carrinhos e artigos, têm de pedir licença, as pessoas têm de se desviar, interrompem o atendimento. Por vezes é só mesmo por terem de dar mais uns passos. Acham bem?"

 

Então e as entradas , que são pela porta principal (normalmente no cimo tem escrito Bem Vindo ou mesmo Entrada), mas as pessoas também querem entrar pelas saídas das caixas, se apanham uma "cancela" aberta, porque vezes nos esquecemos de fechar, aproveitam logo e até querem entrar pela saída das caixas selfservice.

 

Parecem cachopos rebeldes, sempre a quebrar regras!

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Quem lê o verso dos cupões?

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A maioria das pessoas nem  a parte da frente lê por inteiro, quanto mais o verso. Mas devíamos de ler ambas as partes.

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Ao ler o verso deste cupão, principalmente o terceiro paragrafo, ficariam a saber por exemplo, que nos cupões, agora há artigos que não contam para a acumulação de saldo, como por exemplo, gás de garrafa e livros.

 

Já alguém se tinha dado conta deste paragrafo!?

A educação também se podia utilizar

Não sei se as regras são iguais em todos os supermercados, mas, no "meu" deixou de existir uma caixa prioritária, uma vez que todas as caixas agora, o são. No entanto, no supermercado onde trabalho há uma caixa mais larga que tem a uma placa que diz "caixa apta a cadeira de rodas".

 

Eu estava nessa caixa, havia fila. Uma jovem estava com carrinho de bebé atrás e na frente estavam duas senhoras. Segundo as novas regras, o cliente prioritário tem de se manifestar, ou seja, tem de informar quem está à frente que é prioritário e pedir licença para passar, é uma questão de educação.

 

Mas a jovem mãe não se manifestou, apenas começou a falar pro ar. As senhoras estavam de costas não se aperceberam. Como eu percebi a situação, e como antes, nós intervínhamos e ajudávamos, informando que a pessoa ia passar porque tinha prioridade, eu falei. A jovem disse: "pois essas senhoras fingiram que não me viram!" Eu disse que ela própria é que tinha de pedir. E ela responde: "mas estas pessoas não tinham nada que vir para esta caixa"! E, novamente,  eu expliquei à jovem mãe, que podiam sim, porque todas as caixas eram iguais e funcionavam da mesma forma. A rapariga, lá passou com o carrinho do bebé e as suas compras.

 

Quando esta saiu, as senhoras mostraram-se admiradas com a atitude da rapariga. com a falta de bom senso e com o facto de as estarem a acusar de elas fingirem que não a tinham visto.

 

Isto está a correr mesmo bem, cada dia, há uma pra caixa!

 

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Sobre o atendimento prioritário

«De acordo com as novas regras, têm direito a prioridade os idosos com mais de 65 anos ou com limitações perceptíveis, as grávidas, os deficientes que sejam portadores de comprovativo de incapacidade igual ou superior a 60% e os acompanhantes de criança de colo com idade igual ou inferior a dois anos. Se houver várias pessoas naquelas circunstâncias na mesma fila de espera, o atendimento é feito por ordem de chegada. » in jornal sol

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Estava a atender uma senhora com um carrinho cheio, numa caixa normal, sem prioridade. Vem uma senhora com dois artigos, pede se a deixa passar, a senhora deixa. Acabo de atender esta, chega um velhote com poucas coisas e pede também passagem. A cliente responde: “peço desculpa, mas já dei passagem a uma pessoa, estou cheia de pressa não posso dar mais passagem, se não nunca mais daqui saio!” E a resposta do velhote é a seguinte.” Você sabia que se eu quisesse, com a nova lei, eu passava e pronto!”

 

E este velhote, não tinha nenhuma limitação perceptível, era apenas idoso. Só com esta situação, consigo adivinhar o que aí vem. Como eu sempre disse, o importante é usar o bom senso. Também não sei ainda, se vai deixar de existir uma só caixa prioritária e se todas as caixas vão funcionar da mesma forma, como este senhor deu a entender. Mas, se assim for, é lógico que vai dar confusão. Muitas pessoas, estão imenso tempo na fila, têm pressa, e depois chega finalmente a vez delas, e aparece uma pessoa prioritária e passa sem qualquer consideração por esta…

 

Aqui há dias recebi um email de uma leitora do blog que me contava um episódio passado consigo. Onde uma senhora de cadeira de rodas pediu para passar. Deram-lhe passagem. Mas esta senhora apenas passou, quem colocou as compras no tapete , as arrumou, fez o pagamento, foi o marido, ficando esta senhora apenas do outro lado sentada à espera. Que me diriam desta situação!?

 

Muitas vezes é certo que as pessoas são inflexíveis e intolerantes para com os clientes prioritários, mas noutras vezes, também são estes que abusam da sua condição. Tem de haver bom senso de ambas as partes. Seria tudo mais fácil se assim fosse.

 

A nova lei entra em vigor no final do mês de dezembro, no dia 27 mais propriamente. Estou na expectativa para ver no que vai dar…

O lenço da farda

Tanto no trabalho como na generalidade das ocasiões, sempre me adaptei bem às situações e sempre gostei de cumprir regras, nem sequer punha objeções. Há alguns meses, o uso da farda das operadoras de caixa sofreu umas pequenas alterações. Do género: não podemos pintar as unhas de cores fortes, a camisa tem de estar para dentro das calças, e o lenço tem de estar atado ao pescoço com as pontas para o lado contrário ao do crachá  (antes cada operador podia usar o lenço como quisesse). Mas, agora que o tempo aqueceu, tenho  dificuldade em suportar o lenço junto ao pescoço. Eu nunca fui de usar cascóis e colares, justamente por não me sentir bem...Tenho conseguido aguentar porque comecei a usar  o cabelo apanhado. Vamos ver como corre, nem quero pensar como será o quente mês de agosto com um lenço desta forma!