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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Porque é que os velhinhos tem pressa na fila da caixa?

Na sexta feira passada, estavam duas caixas abertas, e , por volta das 9:30h, abriu uma nova caixa. Foi a caixa que estava à frente da minha , a colega chamou por ordem de fila.

Uma senhora idosa, vem com o carrinho para essa caixa, mas um outro senhor, também idoso, em voz alta, diz "é lá, se é por ordem, sou eu que estou primeiro"! Um perfeito cavalheiro - pensei eu, com ironia! A senhora até um pouco assustada, sem reclamar, responde "está bem , está bem"!

Lá foi o senhor vitorioso, ser atendido em primeiro lugar, mas a senhora foi logo a seguir, mas talvez os dois ou três minutos, de diferença, fossem de grande importância, principalmente,  para quem já devia de ter mais tolerância, tempo e paciência,  já que não tem de correr para cumprir horários laborais.

A cliente que eu estava a atender até achou graça, e na verdade depois disto, acabamos por nos rir da situação! Esta cliente, afirmou também, que já tinha presenciado, num  dia na abertura do supermercado,  esta mesma faixa etária,  assim que as portas abriram, irem a correr com os carrinhos.

Qualquer dia, pergunto a estas pessoas porque estão sempre com pressa na fila, mas nos corredores, ou depois do atendimento da caixa, sempre que encontram alguém conhecido, ficam a por a conversa em dia!

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Mais uma situação com a prioridade

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Nem sempre é fácil quando surge alguém a pedir prioridade, algo que faz parte do quotidiano do supermercado, em que é preciso sensibilidade e compreensão, e ás vezes quando a situação não é visível, um documento. 

Estou a acabar o atendimento a uns clientes, a seguir estão duas pessoas de idade, depois está um jovem, e logo a seguir um velhote com bengala e com dois ou três artigos nas mãos , que diz que vai passar porque tem prioridade. O jovem desvia-se , mas o casal de idosos, a esposa, ralha com o marido e diz " Estás a ver!? Não quiseste trazer a bengala, agora ficas para trás!" Realmente o senhor parecia coxear. Então tive de dizer ao senhor que pediu prioridade, que aquele senhor também tinha prioridade, e que quando havia duas pessoas na mesma situação, tinha que respeitar a ordem da fila.

Recordo-me de uma vez, numa situação parecida, alguém dizer que passa à frente quem tiver o problema maior. Mas acho que se fosse assim, a situação ainda seria mais difícil, pois dependeria de avaliação, e não há tempo para isso, pois ali, temos de tomar decisões rapidamente! De qualquer forma, ainda bem que neste caso o problema era idêntico. 

Felizmente, neste episódio,  aceitaram e tudo se resolveu bem. 

Uma ocorrência habitual e penosa no supermercado

Tenho notado, ultimamente que  há algo comum a muitos clientes: a surpresa com o valor total das compras. Muitas pessoas,   queixam-se da subida do custo de vida, pessoas jovens, pessoas mais velhas, pessoas mais desfavorecidas e pessoas mais abastadas.

No entanto,  gostaria que os clientes soubessem, que a situação é  geral, que não têm que ter vergonha, nem dos outros clientes da fila, nem da operadora de caixa, ao pedirem para anular artigos, não têm que pedir desculpa, sabemos que todos estamos no mesmo barco. Ainda há dias, uma pessoa pediu-me para anular um produto para o cabelo, e vi como ficou constrangida, então, como já lá tinha outros produtos da mesma situação, mostrei-lhe e disse-lhe para não ficar constrangida, porque havia mais pessoas na mesma condição. Senti que ficou mais aliviada!

Se há culpados nesta situação, não é certamente, das pessoas que têm um trabalho, que pagam os seus impostos e rendas e que pouco ou nada sobra. Se com um trabalho é difícil, pior será,  quem não o tem um ordenado.

É certo que há pessoas que têm uma melhor capacidade de gerir os seus recursos, de ir ás promoções, de esperar alturas com cupões. São coisas que se aprendem com a vida e não na escola. Não é fácil apertar o cinto!

É a realidade, faz parte do quotidiano do  supermercado, já que este,  é um local, onde esta ocorrência, tem marcado uma presença constante.

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As pessoas vão ao supermercado com pressa

Uma das situações, que acontecem com mais frequência no supermercado,  é a pressa, a falta de paciência, a falta de tolerância. Em todos os locais públicos existem senhas ou filas, onde as pessoas têm de aguardar vez.

No centro de emprego, esperam.

Nas finanças, esperam.

Nos bancos, esperam .

Na farmácia, esperam.

No hospital, esperam.

Na segurança social, esperam.

No supermercado, desesperam!

Dizem achar mal, ter de esperar para pagar. Às vezes, por mais um ou dois minutos, de espera, há clientes que chegam a ser ofensivos connosco!

Ontem, andava um velhote (figura engraçada, com um chapéu na cabeça)  a caminhar para cima e para baixo na zona das filas, a bater palmas e a gritar para abrirem mais uma caixa. Deve ter andado na tropa, como general, e devia de achar que ali, éramos todos seus soldados!

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As moedas e velhotes

Despejam a carteira e lá está, um monte de moedinhas, para contar. Certamente não têm dinheiro para pagar de outra forma, ou querem apenas se livrar de tantas moedas de baixo valor.

O problema é que as moedas pequenas e pretas, dão trabalho e empatam um pouco a fila. Mas tento sempre contar, ponho em montinhos de €1, mas por vezes a pessoa engana-se e tem que voltar ao início.

É preciso calma, e quem está na fila, ter um pouco de paciência!

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São as pessoas mais velhas e reformadas que mais reclamam do tempo de espera

Um dia destes, acho que era fim de semana, eu entrava ás 8 horas, e como gosto sempre de chegar cedo, passei pelo parque dos clientes eram 7:40h. Já estavam algumas pessoas à porta, outras dentro das viaturas. Sentado sobre o alumínio das garrafas de gás, estava um velhote habitual.

O continente abriu ás 8 horas como habitualmente. Por volta , das 8:40h, para além das caixas selfies abertas, só estava eu, e estava  a atender um casal que tinha um carrinho com algumas coisas. Chega um velhote com apenas uma embalagem de sardinhas. Como não tinha uma caixa só para ele, começa a falar alto, a dizer que "isto era uma pouca vergonha! "

Ora pensando bem, se ele foi logo à peixaria e só tinha um artigo, deve ter andado a passear pelo supermercado, então e nessa altura não tinha pressa!? Reclamou só porque tinha de esperar no máximo dois minutos!?

Se calhar vão dizer que o senhor era velhote e que não podia estar de pé, e talvez seja uma razão. Mas, se os idosos não têm paciência para esperar, que exemplo dão aos mais novos!?

Acreditam que são as pessoas mais velhas e reformadas que mais reclamam do tempo de espera!?

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Hoje é comemorado o dia da operadora de caixa

Este dia dedicado aos operadores de caixa é importado, mas não faz mal, nós o adotamos, também.

Feliz dia do/a operador/a de caixa, a todos os que, tal como eu, estão no atendimento ao público, com dedicação, tolerância, paciência, empatia. Nem sempre é fácil, por vezes,  somos vistos/as como robôs que executam tarefas repetitivas, recebidas da empresa. Mas acho, que somos muito mais que isso, somos amigas, confidentes, trocamos ideias, ouvimos histórias, acompanhamos situações.

Pela minha parte, deixo também um agradecimento aos clientes, pela compreensão, amizade e empatia.

Obrigada

Bem hajam!

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Atendimento em mímica

Um cliente diz-me qualquer coisa, que não percebi, questionei, mas não me respondeu e continuou a falar.

Pensei que me podia estar a pedir alguma coisa, então disse: "desculpe, não percebi"! É quando a pessoa responde, tirando o cabelo que tapava o auricular. " não estou a falar consigo!"

Não é fácil fazer um atendimento por mímica para não incomodar!

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Uma conta choruda e uma cliente amável

Uma cliente habitual levava o seu carrinho bem recheado. Levava carne, peixe, marisco, bacalhau, e outras coisas mais. Conversa puxa conversa, e ela diz-me que algumas de nós são como família para ela, pelos anos de convivência, o que me deixou emocionada!

Quando vejo o total, o valor passa dos quatrocentos euros. Não era um resultado habitual, então enquanto a senhora terminava de embalar, fui puxando no ecrã para ver se me teria enganado e repetido alguma coisa ou multiplicado mal, alguma quantidade.

Quando digo o total à senhora, a resposta foi : " ai não pode ser, deve de haver algum engano, nunca gastei tanto assim no continente!" Preocupada voltei a verificar, mas com a pressão de ter pessoas em espera, não dava tempo para confirmar um a um todos os registos. Então, eu pedi à senhora que confirmasse tudo, e que, se alguma coisa estivesse mal registada, viesse falar comigo.

A senhora entretanto desapareceu do meu ângulo de visão, foi certamente arrumar os produtos ao carro.

Daí a momentos, chega até mim, com o talão na mão. Pensei logo, que certamente tinha cometido algum erro.

Mas não! A senhora veio ter comigo, apenas para me dizer, que não ficasse preocupada, pois estava tudo correto!

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Quem é que pagou a conta!? Não sei!

Estava a atender duas pessoas. Pelo que me deu a entender, uma das pessoas vivia em Portugal e a outra seria emigrante e estava de visita.

Estavam a discutir quem ia pagar, porque ambos queriam pagar. O pagamento era com multibanco, pois cada um tinha o seu cartão. Um empurrava o outro, o outro também empurrava. Entretanto, com o encostar do cartão, alguém pagou e o talão saiu, ainda eles estavam a  discutir quem ia pagar, quando eu digo que já alguém pagou! "Quem?" Perguntam, ao que eu respondo "não sei, mas a conta está paga, e foi um dos dois cartões!" Diz um para outro "às tantas ainda pagamos duas vezes!" Mas eu assegurei-os que isso não seria possível, que o sistema não permitia! Ainda lhes disse para irem ao multibanco confirmar!

Espero que se tenham entendido e aprendido a lição!

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