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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Respeito pelo nosso trabalho

É para mim, um certo stresse, estar a chegar à caixa, ter o posto para organizar, as moedas por abrir, e precisar ter a certeza que está tudo nos conformes para chamar os clientes, e as pessoas começarem logo a perguntar: "vai abrir, vai abrir"!?

Imaginem que eu digo,  "podem ir pondo os produtos" e depois haver uma avaria na impressora ou no sistema e as pessoas terem de retirar os produtos!? Além disso, as pessoas têm que vir por ordem de fila, não é  haver pessoas já nas filas e  alguém acabado de chegar,  ser logo atendido, não pode ser, há regras!

Houve recentemente, um dia, que uma pessoa fez a pergunta e eu disse que ia atender por ordem de fila. Assim sendo,  chamei e vieram clientes que estavam nas filas de outras caixas.

Essa pessoa voltou lá e confrontou-me com a situação dizendo  "daquela vez, as pessoas estavam lá paro o fundo, podia me ter atendido, que nem davam conta!" Respondi: "Ah mas eu  gosto de cumprir as regras." Ainda procurei a câmara, a ver se era para os apanhados!

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O melhor cliente do dia

Estou a atender um casal de carrinho cheio, com um filho. Uma criança muito educada, e, no meu ponto de vista, sobre dotada!

Educadamente, perguntam-me como faço para o tapete andar, chamo-o para vir ao pé mim, mostro-lhe o botão e explico-lhe que à medida que vou tirando os artigos o tapete vai andando automaticamente. "Muito obrigado por me teres explicado, pois sempre quis saber!" Os pais dizem-lhe para  se calar, mas ele só queria conversa.

Começa a dizer como se calcula a raiz quadrada dos números, dizendo que está no terceiro ano, mas que já sabe coisas do 12ªano. Digo-lhe que matemática é o meu ponto fraco! Então ele prossegue, dizendo  "então e capitais sabes?" Eu digo "algumas"! Logo a primeira que ele me pergunta, fico a patinar, então ele responde. Depois vai perguntando, e eu, como boa aluna, lá vou respondendo, e a cada resposta certa ele, faz-me um ok com o polegar. Os pais vão dizendo para ele se calar, mas ele estava tão entusiasmado  e divertido, quanto eu!

Alegrou tanto o meu dia. Gostava tanto de o voltar a ver ! Já ele não estava lá e sempre que me lembrava dele, dava-me vontade de rir!

Que criança adorável, educada, inteligente, divertida, curiosa!

Grata por estes bons momentos!

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A senhora que não tinha cara de ladra, mas "ladrou"!

Já aqui fui criticada, por cismar com os sacos que os clientes trazem de casa e os levam no carrinho de forma suspeita, mas continuo a ter motivos para essa cisma!

Aconteceu com uma senhora, uma cliente já aí com uns 60 anos, depois de colocar as compras, passa com os sacos de uma forma que enchia o carrinho, e diz-me: "pronto , o que agora aqui vai, são só sacos!" Eu digo à senhora "sim, mas nós temos de ver "! Dou a volta para ir ver e encontro artigos congelados num saco de congelado, mas com outro saco por cima, eram montes de artigos congelados, encontro outro saco com pistácios e outros aperitivos, ia levar tudo sem pagar! E enquanto eu descobria esses artigos, ela ia apressadamente arrumando os outros. Não demonstrou qualquer arrependimento ou vergonha e eu é que fiquei nervosa!

Foi uma situação, que apesar de fazer parte do quotidiano do supermercado, me surpreendeu e enervou. Claro que comuniquei a situação a quem devia.

Deveria haver um sensor que captasse imagem na passagem do carrinho de compras, e,  depois no nosso ecrã,  existir uma forma de aparecer um RX do  interior do carrinho, como naqueles tapetes do aeroporto por onde passam as malas dos passageiros. Muitas vezes, os clientes não querem mostrar os sacos , outros ficam ofendidos de pedirmos. Mas também podia acontecer eu ter feito aquele passo de ir espiar os sacos da cliente, e não ter razão e depois eu é que ficava mal. Acho que foi um feeling, porque a senhora não tinha nada ar de ladra!

Continuo a dizer que quem não deve, não teme. Tem é que haver educação e cordialidade entre operador e cliente!

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Uma confusão linguística

Uma cliente, por acaso brasileira, pergunta-me se temos, auga marinha. Respondo com outra pergunta: "não sei, mas vem engarrafada!?" Ao que a senhora diz que "vem em folhas, e que é para por o sushi"! Como estava lá uma colega da reposição.  chamei-a para ela me ajudar a entender a senhora!

Afinal.  o que a senhora queria, eram algas marinhas, como os brasileiros não usam o "L" como nós eu entendi água marinha!

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É preciso ter muita paciência no atendimento ao público

Uma cliente estava a arrumar os seus artigos nos sacos, quando me diz que se esqueceu de uma coisa e que vai, num instante, buscar!

Entretanto o tapete começa a ficar cheio de coisas, eu termino o registo e a senhora, nunca mais volta. Com a intenção de despachar as coisas, para que os outros clientes não fiquem á espera, vou embalando as compras da senhora nos sacos, colocando os detergentes nuns sacos e os alimentos em outros. Quando ela regressa, não trazia um, mas vários produtos. Quando vê que embalei os artigos nos sacos, despeja-os, dizendo que, tinha de levar as coisas separadas, porque havia coisas dela e outras da mãe!

De vez em quando, surgem estas pessoas assim, sem noção. Só fez foi empatar os outros clientes. Nós por vezes queremos ajudar, com o embalamento nas compras nos sacos, e as pessoas, são cheias de critérios para as compras irem nos sacos!

É preciso ter muita paciência!

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O azeite está ao preço do ouro, dizem as pessoas

O produto que agora mais se comenta o seu excessivo aumento é o  azeite, daí a expressão " o azeite está ao preço do ouro"! No continente, ainda se consegue comprar um frasco de 750 ml ligeiramente inferior a 6€. Mas, não está fácil! É um produto considerado bem essencial, e as pessoas não compreendem este aumento! Já me perguntaram se eu tinha conhecimento do motivo, visto que há muitas oliveiras em Portugal! Não soube dar resposta!

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O tapete rolante do supermercado não é carrossel

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Um destes dias, um casal de avós, teve a ideia peregrina de colocar a netinha pequenina (praticamente bebé) dentro do cestinho de rodas e na ponta do tapete, para a criança andar, como se aquilo fosse um carrossel.

Riam-se muito, divertidos,  sem noção, do perigo, da insensatez. Foi um colega que me chamou a atenção, o que fez com  que eu imediatamente desligasse o tapete rolante, mas o pedaço de tempo que o tapete andou ficou sujo das rodas do carrinho e até riscado. Só lamento ter ficado tão perplexa, que não consegui dizer alguma coisa, mas, ao verem que o tapete não ia andar tiraram a criança!

Ainda devem ter achado que fui uma chata por não ter participado naquela brincadeira! Certamente o meu semblante , falou por mim! Muito gostam os adultos de achar que o tapete serve para colocar lá as crianças! Certamente já viram algo parecido!

Eram uns avós aparentemente todos chiques, mas com esta atitude adolescente e parva! Se acontece um acidente, de quem seria a culpa? Que gente mais inconsciente!

Desculpem o desabafo, mas fiquei indignada!

Treinadores de bancada - é o cliente que manda

Estava tudo a correr normalmente, mas de um momento para o outro, as filas começaram a aumentar.

O Continente tem o balcão de atendimento, onde quem lá está, consegue perceber, normalmente, quando é altura de chamar mais alguém para as caixas.

No entanto, já por diversas vezes, os clientes me pediram para eu chamar alguém para as caixas. Isso voltou a acontecer. Eu disse que as colegas já iam chamar, porque eu até podia chamar, mas cada macaco no seu galho, e a situação ainda não estava nesse ponto de gravidade!

Por vezes não é possível chamar logo naquele momento, é só preciso terem um pouco de paciência!

Entretanto, um cliente que estava na fila, e que tinha com certeza ouvido uma outra cliente, já lá ter ido pedir para eu chamar alguém, diz-me:" olhe lá, estão ali duas colegas suas na conversa, não as pode chamar para a caixa!?"

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Primeiro, fiquei com o meu ar de espanto a olhar para o senhor, depois procurei ver quem seriam as colegas. Quando percebi disse ao senhor:" olhe aquelas colegas não estão na conversa, é uma chefe , certamente a transmitir uma ordem de tralho à operadora de loja. Nenhuma delas é das caixas. E também é preciso pessoas para colocarem os artigos nas prateleiras!"

Isto é mesmo inacreditável, agora os clientes, querem ser eles a decidir quem vai para as caixas. Certamente metiam todas as pessoas nas caixas e depois não iam ter artigos nas prateleiras!

Haja paciência infinita!

Histórias de vida, que precisavam de mais tempo...

Por vezes há clientes que nos marcam, por algum motivo.

Atendia uma senhora super simpática, que me tratou tão bem. Foi muito querida e fez-me um elogio, coisa que por vezes também sabe bem ouvir. Sim, por situações positivas e conversas felizes também acontecem, até porque eu sou uma pessoa pacífica, e não gosto nada de discussões.

Disse-me que tinha 82 anos, mas que ia usar a aplicação,  porque apesar da idade, conseguia fazer, pediu até desculpa por ir demorar um pouco mais.

Uma senhora muito bem  vestida, penteada, maquilhada e cheia de adornos. Uma aparência assim, escondia a tristeza de já ter perdido dois filhos. Uma história de vida nada fácil. Gostaria de a continuar a ouvir por mais uns instantes, mas a fila não podia  parar. Era nesta altura, que gostaria que "a caixa da socióloga", pudesse existir!

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