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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Quando fores grande, o que queres ser?

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Aqui há uns tempos e aquando da saída do meu segundo livro, estive numa escola  de ATL, a falar sobre a profissão. Não sou muito de falar em público, mas com crianças é diferente. Foi interessante falar com eles e ouvi-los!

 

Em criança quando me perguntavam o que queria ser, a resposta era  educadora de infância ou  professora primária. Já em adulta pensei em tirar um curso de psicologia ou sociologia justamente por causa do meu trabalho. Porque gosto do atendimento ao público, e por vezes os clientes, tem certos desabafos comigo e um curso desses talvez me ajudasse a ter as palavras certas para os confortar.

 

Para já, gosto daquilo que faço e sinto-me muito bem onde estou. Se perdesse este trabalho por alguma razão, ia me custar muito. Muitas pessoas me perguntam se eu não gostava de evoluir. A minha resposta é:  se estou bem neste posto porquê mudar!? Depois dizem-me "mas não és ambiciosa"? Sim até sou... num futuro longínquo, gostaria talvez, de voltar para a minha aldeia e gerir o meu próprio supermercado, um "Meu super" por exemplo...

 

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Mas, até lá, estou bem assim...

 

Reconhecimento

Da minha caixa enquanto efectuava o pagamento a um cliente, ouvi duas clientes a murmurar:

Cliente 1: Não ponhas o peixe em cima do tapete, sujamos isso tudo à menina...

Cliente 2: E então? Elas estão cá é para limpar...

 

Às vezes gostava que esta profissão fosse melhor reconhecida, quer pelos clientes, quer pela administração, quer pelo publico em geral. Os enfermeiros e os professores andam em luta. E a nós quem nos defende?

Sou conhecida pela profissão...

 

 

Muitas pessoas  conhecem-me por eu trabalhar onde trabalho. Por vezes há pessoas que me cumprimentam na rua e eu fico a pensar "mas de onde é que me conhecem", depois lembro-me "só pode ser do supermercado". Há dias estava eu num café com umas pessoas quando alguém se dirige á mesa e diz "desculpe, posso lhe fazer uma pergunta?" Respondo afirmativamente, e depois perguntou-me se havia lá onde eu trabalhava determinado artigo e o preço.
 
Outra situação foi uma vez numa loja de roupa uma senhora com uma peça (camisola) na mão me dizer "você deve estar habituada, sabe me dizer se isto dá para um rapaz de 13 anos?" E lá fui eu ver a etiqueta e ajudar a senhora. Confesso que há vezes em que estas situações até me fazem rir, mas outras há também que só me apetecia estar ali sem alguém a fazer-me perguntas!