Nem sempre é fácil quando surge alguém a pedir prioridade, algo que faz parte do quotidiano do supermercado, em que é preciso sensibilidade e compreensão, e ás vezes quando a situação não é visível, um documento.
Estou a acabar o atendimento a uns clientes, a seguir estão duas pessoas de idade, depois está um jovem, e logo a seguir um velhote com bengala e com dois ou três artigos nas mãos , que diz que vai passar porque tem prioridade. O jovem desvia-se , mas o casal de idosos, a esposa, ralha com o marido e diz " Estás a ver!? Não quiseste trazer a bengala, agora ficas para trás!" Realmente o senhor parecia coxear. Então tive de dizer ao senhor que pediu prioridade, que aquele senhor também tinha prioridade, e que quando havia duas pessoas na mesma situação, tinha que respeitar a ordem da fila.
Recordo-me de uma vez, numa situação parecida, alguém dizer que passa à frente quem tiver o problema maior. Mas acho que se fosse assim, a situação ainda seria mais difícil, pois dependeria de avaliação, e não há tempo para isso, pois ali, temos de tomar decisões rapidamente! De qualquer forma, ainda bem que neste caso o problema era idêntico.
Felizmente, neste episódio, aceitaram e tudo se resolveu bem.
A cena da prioridade na fila do supermercado, nem sempre corre bem, nem sempre é clara, nem sempre há empatia e bom senso.
Por isso, acho bem que seja o cliente prioritário a solicitar a dita prioridade. Já atendi pessoas que mostraram cartões, já me mostraram documentos, que são, o que creio chamar-se, certificado de multiusos. Isto porque nem sempre a incapacidade é visível. Por vezes, há clientes que ao verem uma grávida, uma pessoa com bebe ao colo, ou alguém lesionado, oferecem a sua vez.
Antes da atualização desta lei, na altura em que éramos nós a chamar as pessoas, chamei uma pessoa que me parecia estar grávida, mas não estava. Não foi nada bonita a situação.
No entanto, da última vez, o que aconteceu, parecia uma situação, de filme. Um senhor, talvez na casa dos 70 ou mais anos, e aparentemente sem incapacidade visível, perguntou-me porque não havia uma caixa prioritária. Respondi que agora eram todas. "Então e porque não me atende?" Eu disse-lhe que estava no meio de uma conta, mas que o atenderia logo de imediato. Em voz baixa, outro senhor que estava com este diz "ainda vão perguntar porquê?" Ao que este responde em voz bem alta: "EU ESTIVE NA GUERRA!"
Mas será isso razão ou teria o senhor alguma incapacidade daí derivada!? Seria ofensivo perguntar ou pedir algum documento? E se os outros clientes, quisessem alguma prova!?
Atendo o senhor e ele fica do lado de fora mais um bocado a conversar com o seu conhecido!
Hoje, a uma determinada hora, o supermercado encheu de gente. As filas eram grandes, as pessoas estavam impacientes. Tinham pressa!
Uma senhora ainda jovem, mas com uma canadiana para se apoiar, veio até mim, perguntar se tínhamos uma caixa prioritária. Disse-lhe que eram todas prioritárias, podia ser atendida em qualquer uma. Vi que as pessoas começaram a reclamar. Então, eu disse à senhora que mal acabasse os clientes que estava a atender a poderia atender, mesmo vendo desagrado nas pessoas que estavam a seguir.
A senhora prioritária, disse-me que, na opinião dela, mais valia termos uma caixa exclusiva de prioridade, como era antes, em alguns supermercado. Depois contou-me que já era a terceira caixa a que vinha, e apontou para uma caixa e disse " nem imagina as coisas horríveis que as pessoas me disseram ali. Eu tenho um papel com a incapacidade que tenho, custa-me imenso estar de pé, mas ninguém me quis ouvir. Eu já só venho uma vez por mês, porque é sempre assim." Então eu disse à senhora que entendia, que ainda havia alguma falta de civismo nesta área. Então sugeri à senhora a segunda feira, quando não calha ao dia 8, para vir às compras (porque ela questionou qual o dia mais calmo). A senhora disse, que tinha ido hoje, porque foi ao médico, porque só sai de casa para ir ao médico, pois, também está com uma depressão.
Fiquei cheia de pena da senhora. A situação mexeu comigo.
Mas no meio de todo este episódio, os clientes que tinha atendido antes, uns miúdos novos, brasileiros, ajudaram a senhora a embalar as compras, foram de uma grande empatia e generosidade. A senhora até disse que a ajuda, por vezes, vem de onde menos se espera.
A senhora que tinha reclamado, ao assistir ao episódio, também pediu desculpa.
Parece que esta lei da prioridade, ainda não está bem. Ainda deve de haver algo que se possa fazer, para melhorar. Quem tiver esse poder, essa capacidade, que dê alguma sugestão a quem pode tratar do assunto!
Se não der para mudar as regras da prioridade, algo que possa mudar a mentalidade das pessoas...
Só no fim do dia fui ver se tinha algum comentário no blogue, foi quando percebi que tinha estado em destaque, mas na página principal.
Agradeço o destaque, porque é um assunto que tem de ser falado e analisado. As opiniões, não são todas iguais. Desde que se comente com educação todas são aceitáveis.
Um dia de muito movimento e filas, um senhor de cadeira de rodas, pede licença para passar e passa à frente de todas as pessoas. É legitimo, é um direito, o direito da prioridade!
No entanto, o sr estava acompanhado da mulher e filha e foram elas que lhe colocaram os artigos no colo, deram a volta e ficaram à espera dele no lado da saída. Além disso passou à frente de um casal de velhotes, onde um deles dele, tinha um joelho com mazelas de uma queda e até marcas na cara. E quando a esposa deste senhor questionou da sua atitude, ele imediatamente levantou a voz e começou a discursar, o discurso da praxe!
Foi atendido, mas todas as pessoas viram a sua atitude, a sua falta de bom senso e o seu aproveitamento da situação, e não deixaram de comentar uns com os outros e até comigo!
Estou a acabar o atendimento a uma cliente. A seguir está uma velhota já com algumas coisas no tapete e depois desta, está uma jovem senhora, grávida. Esta senhora, por acaso brasileira, pergunta se há uma caixa para grávidas, e se pode passar.
Fiquei ali um pouco indecisa, porque pedir a uma senhora idosa, e se calhar mais debilitada que a grávida, não seria bom senso. Então perguntei à senhora idosa, se ela se importava que atendesse primeiro a senhora grávida, ao que ela perguntou "mas porquê , ela está com pressa?". Respondi que estava grávida, e a senhora idosa não entendeu, o porquê desta querer ser atendida em primeiro lugar. Perante isto a senhora grávida, disse que esperava.
Quando chegou a vez da senhora grávida, eu expliquei que não tínhamos uma caixa exclusiva para grávidas, tínhamos as caixas prioritárias, mas, as mesmas, incluíam grávidas, deficientes, crianças de colo, idosos debilitados... A senhora disse: " mas isso não está muito certo, devia ter caixa para grávidas e cadeirantes, porque, assim a pessoa fica inibida de estar a pedir"! Disse à senhora que quando há vários clientes prioritários, o atendimento é feito por ordem de chegada à fila, mas pareceu-me que a senhora não concordou, ou não entendeu!
Ainda bem que estes "conflitos" não acontecem todos os dias, e que muitas pessoas já conseguem usar o bom senso, porque não é fácil gerir!
Eu não tenho grande pontaria, para verificar se uma pessoa está grávida ou não, se não for mesmo saliente. Na caixa de prioridade antiga, nós tínhamos de chamar as pessoas, e por vezes eu errava. Então eu deixei de chamar, só chamava mesmo quando se notava bem, e não tinha dúvidas.
Acho que já aqui relatei que uma vez chamei uma senhora que estava com a barriga empinada e as mãos à cintura, mas, errei. A senhora ficou ofendida e eu envergonhada. Pedi desculpa, mas fiquei a sentir-me tão mal.
Recentemente , vi uma outra senhora, e fiquei na dúvida se era gravidez. Olhei pelo canto do olho, disfarcei. Pensei "será que é!?" Depois vi-a de frente, e pensei que afinal não era. Quando alguém disse que a pessoa estava grávida, para me desculpar disse que não tinha percebido, e a grávida responde: "então pensava que isto era tudo gordura?"
Ora mais valia eu não ter dito nada!
Às vezes mais vale, esperar que seja o cliente prioritário a pedir/manifestar a prioridade, aliás, é o que está estipulado na lei!
Até porque, mesmo tendo o direito à prioridade, o cliente prioritário, pode não querer usufruir dela, por se sentir bem naquele momento. Por exemplo, uma cliente pode estar com um bebé, mas o bebé estar tranquilo a dormir no carrinho, e a cliente não ver necessidade de estar a "roubar" o lugar a quem já lá está à mais tempo, e merece consideração/respeito!
Estávamos num momento de caixas cheias, filas grandes. Vem um casal com um carrinho de bebé, onde a criança estaria a dormir, pois estava tapada nem dava para ver. Perguntam se podem ser atendidos, visto terem prioridade. Respondi que sim, disse aos outros clientes para deixarem passar, explicando que eles tinham prioridade por causa do bebé.
Enquanto a senhora coloca as compras no tapete, o pai passa com o carrinho e o bebé e sai dali. Julgo que foi ver a montra da Wells. A senhora fez tudo sozinha, como se estivesse apenas ela, sem bebé e sem marido! Eu pensei: " isto vai dar confusão"!
Adivinhei, as pessoas, assim que a senhora saiu, começaram a comentar o facto e um senhor disse mesmo: " Isto não está correto! Armam-se em espertos! Então porque não foi o pai passear a criança e ficava a mãe na fila!?" Valeu-me o facto de eu responder ao senhor que ele tinha toda a razão, mas que nós tínhamos de cumprir esta lei. E ele disse que sabia, mas que neste caso, as pessoas se tinham aproveitado !
Eu reafirmo que o que continua a faltar nesta lei, é o bom senso!
Aqui há uns tempos, uma cliente bastante jovem, pediu para a atender porque estava grávida. Tinha apenas meia dúzia de artigos, ninguém se opôs, alias o senhor que estava para ser atendido, até foi simpático. A cliente era magra, mas notava-se bem a barriga.
Quando a cliente saiu, comecei a atender o dito senhor. Correu tudo sem problema. Ao chegar a outra cliente, que já estava na fila e assistiu a tudo, ela manifestou o seu descontentamento, e disse.me: " você viu algum documento que comprovasse a gravidez? Pois digo-lhe que ela está tão grávida como você ou como eu!"
A cliente grávida era cliente habitual, vai lá muitas vezes, não acreditei que a mesma fosse forjar a gravidez só para passar à frente. Mas aquela convição na frase, deixou-me um pouco desconfortável...
No entanto, há dias essa cliente grávida voltou a passar na minha caixa, desta vez com um bebé recém-nascido...
Pena eu me ter esquecido da cara daquela cliente que queria um documento para ter a certeza que a moça estava grávida, se não, ia me ouvir!
As divas da prioridade, são aquelas pessoas que querem fazer valer a sua condição, passando na fila sem avisar ninguém, sem pedir licença, só porque são prioritárias! Como por exemplo, a situação de uma grávida toda bem disposta que passou à frente de uma velhota com dificuldade em se mover!
Ou então aquelas pessoas, que não respeitam a prioridade e acham que as pessoas, levam de propósito as crianças para as compras, só para passarem à frente dos outros.
Como se costuma dizer, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O bom senso devia existir mais nestas situações!