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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Ainda existe alguma falta de civismo em certas situações

Um destes dias, ainda a cliente que estava a atender não tinha arrumado uns dois ou três produtos, quando a cliente seguinte coloca o seu saco em cima dos produtos da cliente anterior e diz-me para lhe registar os seus produtos. Eu digo "espere só um bocadinho"! A senhora dos produtos tem de pedir licença para alcançar os seus produtos. A outra diz "mas tenho esperar porquê, estou com pressa!" Eu digo que é uma questão de civismo e que ela está a ocupar o espaço que ainda não está livre.

Ela responde "somos todos cívicos, passe lá os artigos, que eu tenho pressa"! A outra senhora diz "deixe lá , é o pais que temos, cada vez as pessoas estão piores"! E foi embora desanimada!

A senhora diz-me "vá deixe lá isso, não se enerve"! Ao que eu respondo"pois nem vale a pena, se nem uma pandemia civilizou as pessoas, quem sou eu!"

Acho que ela ficou sempre a achar que ela é que estava certa!

pessoascivilizdas.jpg

Pessoas casmurras...

superpandemia.jpg

Há dias, estava a controlar, como sempre, o distanciamento. Isto porque, ao fim de ano e meio desta situação, as pessoas ainda não cumprem , nem aceitam.

Estava a atender uma cliente, e a cliente seguinte já tinha os produtos sobre o tapete. Chega outra senhora e encostando-se a esta última, vai para colocar os produtos dela. Peço-lhe que aguarde um bocadinho, porque só podia estar um cliente do lado da saída e outro do lado da recepção dos artigos. Pergunta porquê, digo-lhe que é para fazer o distanciamento. Aliás, bastava a pessoa olhar à volta  para as outras caixas para ver que aquele era o procedimento, além do cartaz que está à sua frente, da direção da sua visão (já nem falo dos cartazes pendurados no alto, nem das recomendações pela rádio)!

Entretanto, zangada, vai para outra caixa. A dada altura, eu estava a atender outra cliente, e do lado da recepção de artigos estava um casal. A senhora que se tinha ido embora zangada, vai à minha caixa e pergunta: "Então, mas não era só uma pessoa de cada lado!?  Agora estão duas!?" Respondo: "Pois, mas estas duas pessoas são da mesma casa!" Ao que ela diz: "E qual é a diferença, é a mesma coisa! Não dá para perceber"! Ao que eu respondo: "Se a senhora não percebe, eu só posso lamentar, não a posso ajudar!"

Vai chegar uma altura, em que vai deixar de ser preciso fazer o distanciamento. Já recebi comentários, emails e mensagens a pedir que se continue a fazer o distanciamento, até por uma questão do direito da privacidade no atendimento, mas se as pessoas em quase dois anos disto não assimilaram, agora que as medidas estão a acabar, muito dificilmente, esta medida se irá manter.

Como já aqui disse, as pessoas andam danadinhas para se encostarem umas nas outras, não sei porquê!

De certo modo, para nós até vai ser um alívio, porque é constrangedor, termos de estar constantemente nesta luta! Peço desculpa às pessoas que sempre cumpriram esta medida e que até queriam que ela ficasse para sempre!