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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Quando fazem a pergunta, mesmo sabendo a resposta

Sabem aquelas perguntas que os clientes fazem à operadora de caixa, mesmo sabendo a resposta. Por exemplo:

 

  •  veem a operadora com a cancela fechada a limpar o tapete  a arrumar e tudo e dizem : " Já vai fechar?!" ( então o deixa-me fula, é como se fosse cedo para fechar. Sabem lá eles há quanto tempo ali estamos);

 

  • a operadora está na caixa com a cancela aberta, à espera dos clientes e perguntam:" está a trabalhar?" ( apetece dizer, "não, estou só aqui para fazer turismo, e porque acordo cedo"!);

 

  • quando dizem "este cupão acabou ontem, mas eu não pude cá vir, ainda o posso usar!?" Ora normalmente os cupões têm uma ou duas semanas de duração, e se acabou, o sistema já não aceita. Depois ficam chataeados porque sempre que querem usar os cupoes, já passaram do prazo. Será que estes clentes também deixam passar o prazo do pagamento da conta da eletrecidade, ou da água!? Tudo tem prazos!

 

E há mais do género, mas estas  são as mais comuns, sendo que a primeira é a mais recorrente.

 

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"Ó menina, qual é o preço da tofina!?"

Como é possível, que haja clientes que julgam que nós, operadoras de caixa, sabemos de cor, os preços dos artigos e sabemos até, quais os que estão em promoção!?

 

É comum um cliente se aproximar da caixa, e perguntar se isto ou aquilo está em promoção; como também é comum alguém perguntar assim " por quanto é vocês estão a vender a tofina"?

 

Quando respondo "não sei de cor"; ficam abismados a olhar para mim como quem diz estás aqui a trabalhar, e não sabes?

 

Os preços e as promoções estão no sistema informático e ao registar é a "máquina" que pelo código de barras, faz as promoções e dá os preços!

 

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Quando fores grande, o que queres ser?

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Aqui há uns tempos e aquando da saída do meu segundo livro, estive numa escola  de ATL, a falar sobre a profissão. Não sou muito de falar em público, mas com crianças é diferente. Foi interessante falar com eles e ouvi-los!

 

Em criança quando me perguntavam o que queria ser, a resposta era  educadora de infância ou  professora primária. Já em adulta pensei em tirar um curso de psicologia ou sociologia justamente por causa do meu trabalho. Porque gosto do atendimento ao público, e por vezes os clientes, tem certos desabafos comigo e um curso desses talvez me ajudasse a ter as palavras certas para os confortar.

 

Para já, gosto daquilo que faço e sinto-me muito bem onde estou. Se perdesse este trabalho por alguma razão, ia me custar muito. Muitas pessoas me perguntam se eu não gostava de evoluir. A minha resposta é:  se estou bem neste posto porquê mudar!? Depois dizem-me "mas não és ambiciosa"? Sim até sou... num futuro longínquo, gostaria talvez, de voltar para a minha aldeia e gerir o meu próprio supermercado, um "Meu super" por exemplo...

 

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Mas, até lá, estou bem assim...

 

Há tanta coisa a perguntar ao cliente, que sobra pouco tempo para confraternizar!

Então:

  • Cumprimentar o cliente
  • perguntar se quer saco
  • perguntar se tem cartão continente
  • chamar apoio quando algum artigo não passa ou o preço não corresponde
  • perguntar se tem cupões
  • oferecer e divulgar a revista continente magazine
  • perguntar se quer fatura com contribuinte
  • ouvir e marcar o número
  • dizer o total
  • perguntar se quer descontar o saldo
  • explicar todo o funcionamento da caderneta de descontos (e esta parte não é fácil, por vezes tem de se explicar mais que uma vez, e arranjar maneira de o cliente entender)
  • se o pagamento for em multibanco, pedir ao cliente para inserir e confirmar o valor
  • se o pagamento for em dinheiro, pedir trocos, caso seja preciso
  • despedir do cliente e desejar um bom dia

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Parece que somos uns grandes chatos, mas isto, faz tudo parte do nosso trabalho!

 

Pergunta para SIM ou NÃO

Sempre que pergunto a um cliente se "vai desejar fatura", e este ao invés de dizer, sim ou não, começa logo a ditar  o número, é um stresse, porque tenho de dizer "espere só um bocadinho", porque tenho de ir ás teclas e fazer os procedimentos. Parece que é nesta altura que os clientes, mais têm pressa!

 

Um dia, um cliente depois de eu ter pedido para esperar, continuou a ditar, e não queria repetir, porque segundo ele, "você é que pediu".  Eu respondi: "não, eu não pedi, eu apenas  perguntei se queria e depois é que ia perguntar qual era o número"! Lá repetiu, mas reclamou!

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Quando o cliente faz a pergunta, mesmo já sabendo a resposta

 

Estou no meu posto de trabalho, fardada, com a caixa aberta, e o cliente diz: "está a trabalhar?" Nestes momentos só me apetecia dizer :" não, estou só a descansar, vim, porque acordei cedo!"

 

Quando a caixa já está fechada e estou a limpar tudo, o cliente chega e diz :" já está fechada, não pode registar só duas coisinhas?" Gostava de responder: " pois, já acabei por hoje, agora vou à minha vida, porque tenho outras coisas para fazer, como por exemplo, comer, que estou faminta"!

Psicologia, finanças, farmácia - 3 em 1

Como já aqui referi, muitas vezes, eu gosto do trabalho que faço.

 

Mas nem tudo é cor de rosa, há clientes que acham que as operadoras de caixa têm de ter conhecimentos de psicologia (uma área que eu ate gostava de me especializar), finanças e farmácia!

 

Há clientes que gostam de desabafar de situações da sua vida, principalmente de dificuldades, da falta de dinheiro, eu até gosto de os ouvir e de lhes tentar dar algum conforto e esperança, principalmente quando há tempo para lhes dar atenção, quando o movimento está fraco. O que eu não gosto tanto, é de perguntas relacionadas com as finanças, do tipo " será que vale a pena pedir fatura" ; " onde é que ponho estas despesas no preenchimento do IRS"; " se pedir fatura, ganho o quê?". Fazem estas perguntas e querem que nós saibamos responder, porque "se estão a perguntar às pessoas se querem fatura , também têm obrigação de saber explicar"! Estou sempre a dizer que têm de fazer essas perguntas a um contabilista ou nas finanças, mas as pessoas insistem, em saber dessas coisas connosco. Querem a nossa opinião. Estou sempre a dizer que cada caso é uma caso, que o melhor é informarem-se nas finanças.

 

Com certeza que vai ser um tempo difícil, o preenchimento do IRS deste ano, se calhar, devia de haver mais informação. As pessoas andam aflitas e desesperadas sem saber o que fazer, e depois nós, é que temos de as ouvir. Nós que não temos conhecimentos para as elucidar!

 

Depois há outra situação, acham que o supermercado, também é uma farmácia e as operadoras de caixa são farmacêuticas. São as perguntas dos chás, do tipo,  qual é o melhor para o colesterol, qual é que faz emagrecer,  qual é que dá para a dor disto ou daquilo! No outro dia, um senhor trazia um pão de forma e queria saber se era aquele, para um problema que tinha nos intestinos!

 

Parece que as pessoas não entendem que estão num supermercado!

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Se eu soubesse tudo...

Será que os clientes pensam que a operadora de caixa tem uma costela do "Google"? É que fazem-nos perguntas de tal ordem, que é o que parece! Se eu tivesse resposta pronta para todas as perguntas seria um computador daqueles de top de gama. E quando digo "não sei, mas vou tentar saber" e pego no telefone, ainda existe quem diga "então deixe estar, estou com pressa"!

A pergunta que ele não quer que eu faça

Como já aqui escrevi, agora no continente, temos de perguntar a todos os clientes se querem factura com contribuinte. A este propósito têm surgido as mais variadas conversas, algumas até engraçadas. Há quem brinque com o facto de ir ganhar um carro, há quem diga que não quer o carro, porque jamais o poderia sustentar. E no meio de tantas constatações sobre o assunto, há um cliente, com um ar bastante sério, que me diz  para eu memorizar  a cara dele e não lhe voltar a fazer aquela pergunta. Mal ele sabe que eu sou má fisionomista, e que já não me lembro bem da cara dele. Pode ser que se esqueça ele também da minha!

 

 

Descontos e IVAS

Quando penso que já me aconteceu de tudo e que mais nada me vai afetar ou surpreender, eis que acontece o seguinte:

Estava a atender um cliente, quando uma outra cliente se dirige a mim e pergunta: " Olhe o Cif dá quanto de IVA para o estado?" Eu, completamente surpreendida pela pergunta, respondo que não sei, mas a senhora insiste em saber. Então pergunto à minha  colega da frente se ela sabe, e também ela não sabe. Então diz a senhora num tom muito zangada: " Pois, mas o que é que me interessa levar um Cif com 25 por cento de desconto, se 23 por cento vai para o estado!? Vocês não deviam de ter lá escrito na prateleira o IVA!?" Tanto eu como a minha colega e os clientes que estávamos a atender, ficamos perplexos com a observação da senhora, que saiu de lá aborrecida!