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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

E que tal esperar a sua vez!?

Estou a atender os clientes que tenho na minha fila. Uma senhora que está na fila atrás de mim, ao ver-me registar uns copos (da campanha dos selos) à pessoa que estou a atender, pergunta-me  até quando é a campanha. Respondo!

Continuo o meu trabalho e a mesma cliente de trás volta a chamar-me para fazer outra pergunta, interrompendo o atendimento que estou a fazer. Ora ela estava noutra caixa, não podia esperar pela sua vez para fazer as suas questões, ainda confessa que estava já a perguntar para depois não se demorar tanto.

Isto é de doidos! Não me deixou dar a devida atenção que eu tinha de dar ás pessoas que estavam na minha fila.

Qualquer dia tenho uma explosão de nervos e digo alguma coisa que depois me vai lixar, mas é que há pessoas que têm o dom de nos testar a paciência!

Falta de noção!KLOIYU7890.jpg

E esta hien!?

Hoje quando estava quase a terminar o atendimento a um cliente, ele diz-me: "Ah hoje está bem dispostas!?" Ao que respondo que tento estar sempre bem disposta para os clientes . E ele diz-me: "mas da última vez que me atendeu, eu estava ao telemóvel e você não me queria deixar  terminar a conversa! É que estava a falar com um colega e não podia desligar assim, sem mais nem menos! As conversas não se acabam assim, não é!?"

Eu não fixo bem as caras, mas recordo, de estar a pedir a um cliente o cartão ou o dinheiro, e ele não me "atender" porque estava ao telemóvel. Agora percebo que esta pessoa ainda achou que eu é que estive mal, não foi ele que  estava a fazer-me esperar (a mim) e ás outras pessoas, nós é que tínhamos todos de esperar que sua excelência terminasse a conversa, não urgente, com o seu colega!

Que vontade eu tive de lhe dizer umas quantas coisas, mas apenas lhe disse que em Portugal ainda era permitido as pessoas na caixa estarem ao telemóvel, mas que felizmente na Alemanha não era, e que tinha esperança que também chegasse cá! Ao que ele disse "isso é uma estupidez!"

Quero agradecer à Ligia Rodrigues, pela imagem e pela explicação:

«Tenho conhecimento da Alemanha, mas penso que é coisa de países nórdicos, tendo em conta a mesma mentalidade cívica, mas posso-lhe dizer que à minha frente uma operadora se recusou a atender o cliente até ele desligar a chamada.
Já em UK uma situação similar deu queixa da operadora .»
 
Se mais alguém fora de Portugal tiver algo do género, diga,  porque já uma cliente me disse que vivia num pais onde havia mesmo um sinal de proibido na linha de caixas, tenho ideia de ser no Luxemburgo, mas posso estar enganada!

nalemanhaeassim.jpgContinuo a precisar de doses extra diárias de paciência!

Dias positivos e dias cansativos

Há dias positivos, tranquilos, onde tudo até corre bem, na medida do possível, mas há outros com situações e pessoas que nos cansam...

O nariz fora da máscara, o teimar em não fazer o distanciamento, o não respeitar o acrílico e a sinalética, o estar ao telemóvel no momento de finalizar o atendimento ou mesmo durante o mesmo, o passar pela linha de caixas, sem compras e incomodando quem lá está,  enfim...

Exemplos:

Estava ainda a atender uma cliente, quando uma outra passa pro outro lado, digo-lhe que não pode passar enquanto ainda ali está uma pessoa, ao que me responde: "Não vou passar, vou só deixar os sacos"! Ao que eu digo: "Pois,  mas não  pode!"

O tapete de recepção dos artigos, nem sempre o consigo limpar a tempo, mas o tapete de saída, limpo quase  sempre, a não ser que esteja limpo e não seja necessário desinfetar. Então, eu tinha-o limpo antes de uma cliente chegar. Quando acabo o atendimento, havia lenço de papel amassado e senhas de quando as pessoas vão ás secções, padaria e charcutaria. Digo à  senhora "olhe deixou ali uns papeis" Ao que ela responde "isso não é meu". Respondi:  "curioso,  que eu limpo sempre o tapete antes do cliente chegar e não estava aqui nada!" Ainda assim, foi embora e não tirou de lá aquilo. Lá fui pegar naquilo com um saco transparente a servir de luva para colocar no lixo!

Um cliente, na fase do atendimento, quando o telemóvel toca, desce a máscara para falar. Digo-lhe que tem de colocar a máscara. Por acaso este, até se desculpou e disse que se distraiu...

Noutra situação, uma senhora, sem compras, saiu pela linha de caixas, deu um encontrão ao senhor que eu estava atender, nem "com licença", nem um pedido de desculpas. Não tinha nada que sair por ali, ainda a chamei, e a resposta foi: "Que é foi!? Não levo nada!" Vale a pena!? O senhor que eu estava atender até disse: "É o país que temos, ninguém respeita nada!" Sim, porque há pessoas que respeitam e que também ficam indignadas com estas situações!

Depois de dias assim, precisamos de mais do que dois dias de folga e seguidos, mas, claro, não é possível! Era preciso sim, mais pessoal!

Felizmente, o que temos direito,  dá para descomprimir e regressar de novo pronta para esta "guerra"!

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O velhote teimoso e chato

Um velhote teimou que tinha deixado um cupão em cima do tapete, disse-me que eu o tinha. Tirou tudo dos bolsos para me provar que não estava com ele, mas sim comigo.

Pedi a uma colega para reimprimir, passei o cupão e a situação ficou resolvida. Mas, uma hora depois achou o cupão e foi lá o entregar. Digo-lhe que agora já não era preciso, mas ele disse:  "mas tem de ficar aí com ele"!

Para que o caso ficasse realmente resolvido, disse-lhe " está bem"! Daí por uns minutos, voltou à minha caixa para me dizer que as colegas do Mini-preço tinham dito que o cartão  Mini-preço também dava para usar no continente. Primeiro ainda lhe disse que não dava, mas como ele não saia dali e teimava, deixei-o ir com a sua razão!

Nesse dia, foi lá ao supermercado só durante a manhã umas 4 vezes!

velhoteteimoso.jpg

Devia de ser proibido falar ao telemóvel durante o atendimento

No dia 30, um cliente ia colocando os seus produtos no tapete ao mesmo tempo que ia falando ao telemóvel. Uma conversa de pura cusquice e nada urgente. Mesmo assim, foi empatando, porque, não se consegue fazer as duas coisas bem, ao mesmo tempo.

Depois continuou no mesmo ritmo do outro lado, enquanto arrumava as compras. Comecei a ficar preocupada, pois foi num momento em que eu nem conseguia ver o fim da fila, tal não era o aglomerado de gente.

Quando peço o cartão continente para dar continuidade ao atendimento, faz-me sinal para que espere, como quem diz " não vê que estou ocupado", ignorando os sinais do senhor, repeti em voz amais alta "o cartão continente tem?", ele tapa a parte da voz do telemóvel e responde "estou ao telemóvel" ao que eu respondo" pois, mas  isso é que não pode ser! Há pessoas à espera" É quando ele diz à pessoa que já lhe liga. E ainda vai ativar a aplicação para chegar ao cartão continente. A pessoa que estava a seguir reparou nisto, e abanava indignada a cabeça.

Quando este senhor saiu, não podemos deixar de comentar o facto de como as pessoas são incivilizadas e egoístas!

No dia 31, quando chegou a hora de trocar de turno com uma colega, novamente filas enormes,  eu queria terminar o atendimento, e o senhor (novamente um homem) ao telemóvel na maior das descontrações. A minha colega, só dizia, "não estou a creditar nisto"!

Estas pessoas não tem noção que não é só a operadora de caixa que tem de esperar, são todas as pessoas da fila. Falta de educação e de civismo!

Haja paciência!

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Mais do mesmo...

Um senhor depois de já ter o tapete de receção de artigos cheio de artigos, alguns sobre os outros,  e de eu já ter registado alguns, tendo também o tapete do outro lado meio  ocupado, deixa no carrinho várias garrafas de bebias alcoólicas e tencionava me as dar em mão, uma a uma do lado de saída. Ora, além de não ser permitido passar com as  coisas não registadas para o outro lado, como é que eu ia controlar o que já tinha registado e o que tinha para registar!? Para mim, a intenção não era boa!

Disse-lhe que não podia ser assim, reclamou, fez birra! Tudo porque tinha de esperar que o tapete rolasse um pouco para ter espaço para colocar os restantes artigos.

Nem com um vidro alto  à frente perdem a mania de entregar os artigos em mão, de estar próximos, de não se distanciarem, só falta se deitarem no tapete para chegarem mais perto de nós, não percebem que têm de colocar os artigos atrás e que o tapete os trás até nós!

Não se habituam a ter comportamentos mais civilizados e corretos!

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Não somos máquinas, temos sentimentos

Gostaria que existisse uma câmara de filmar secreta na linha de caixas, que pudesse detectar tudo o que se passa na fila e no atendimento. 

E, ao ser revelado, o que ali acontece, ficariam de certo surpreendidos com as situações que ali se passam, com as palavras e  atitudes que quem ali está a trabalhar, e  a dar o seu melhor, tem de ouvir e suportar.

Hoje pedi,  a um senhor já na terceira idade, que se afastasse um pouco para a cliente que estava a atender, poder fazer o pagamento. E ele perguntou-me "mas  porquê!?" Expliquei que tinha de se afastar um pouco, para dar privacidade à cliente e para manter o distanciamento mínimo. E ele diz-me em voz bem alta "Distanciamento!? Tenha juízo, esteja calada!" 

Nós temos de tolerar isto? Está falta de respeito!? Estamos ali para  trabalhar e não para receber insultos!

Um dia salta-me a tampa e digo alguma coisa, que me vai prejudicar. E depois perco o meu trabalho. Mas há alturas que até as pessoas pacificas como eu, ficam cheias de tanta falta de civismo.

Trabalho este, que até há bem pouco tempo, era para mim um orgulho tê-lo e que me fazia sentir útil. Saía de casa sempre bem disposta para o ir realizar e nunca era um frete. Mas agora, em vez desta pandemia mostrar a solidariedade das pessoas, mostra mais a falta de respeito.

Será que as pessoas não pensam que estamos ali a cumprir ordens!? Será que não percebem que quando  fazemos um pedido ou se dizemos que não é de uma maneira mas sim de outra é porque a ordem vem de cima!? Porque ficam zangados e descarregam sempre em cima dos mesmos!? Devem de achar que gostamos de os contrariar.

Andam tão danadinhos para se andarem a roçar todos uns nos outros! Não chega o calor que está, ainda se fosse no inverno!

Haja paciência infinita!

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De quem é a desorganização!?

Desde que entraram em vigor estas novas medidas, alguns clientes, mesmo sem qualquer indicação da empresa, resolveram fazer fila única, outros não, o que por vezes, gera confusão.

Um dia destes um cliente ao ver isso pergunta-me se há fila única eu respondo que não. Vai ele diz " pois mas isto assim é uma falta de organização da vossa parte, uns fazem fila única outros não"! Ao que eu respondo: " então olhe, não está aqui nenhuma placa com indicação de que há fila única, nós estamos sempre a dizer aos clientes que cada caixa tem a sua fila, ainda há 5 minutos disseram ao som que não havia fila única, quando os colegas da reposição aqui passam dizem que não há fila única, e mesmo assim, os clientes teimam em fazer a fila única! Acha que é nossa, a falta de organização!? Não dá para ter aqui alguém a gerenciar filas!"

E posto isto,  o cliente não respondeu e começaram a colocar-se correctamente nas filas, mas só por uns dez minutos, depois voltou a confusão e a discussão.

Até podem achar que o melhor era deixá-los fazer fila única, mas no espaço,  quando estão todas as caixas abertas não faz muito sentido, e dá mais chatices, porque somos nós a chamar e quando a fila está no fim do supermercado perto da caixa 7 e a caixa 1 fica vaga, o cliente tem de percorrer uma grande distancia até lá chegar, perde-se tempo! Mas enfim, se decidirem ceder, cá estarei para a mudança. No entanto até lá, as coisas são, como estão!

Enfim, é preciso ter uma paciência infinita!

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Haja paciência

Estávamos numa hora calma do dia. Somente eu na caixa.  Estava a acabar de atender uma senhora, quando vem um velhote a chegar, e diz :" Uma casa destas e  só uma caixa a trabalhar!"

 

Isto é mesmo vontade de implicar, é mesmo mau feitio! Então, mas ele precisava de duas para o atender, ou quê!? Só estava uma caixa de serviço, porque, naquele momento não havia clientes para atender...ou será que ele queria ter mais hipótese de escolha!?

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O do contra

Um senhor chega á minha caixa e pergunta onde está o carvão. Respondo ao senhor, e ele diz-me que não está lá carvão algum. Peço que aguarde, chamo uma colega que vai ao armazém ver se está lá.  Não havia. Naquele momento, não havia carvão nem na loja nem no armazém.  

 

O senhor fica zangado. Diz que por causa da falta do carvão não vai gastar 40 euros. Pensei que era por causa da caderneta dos copos, onde entregamos 1 selo por cada 20 euros. Quando lhe falo dos selos, responde longo que não quer nada de selos, nem de copos,  que queria era usar os talões que lhe tinham mandado para casa. Vejo a data dos talões que só entram em vigor no dia 9. Fica novamente zangado, e diz "se eu soubesse , não tinha vindo cá hoje". Ora a culpa de ele não ler as datas, era dele, ou do supermercado!?

 

Quando está para pagar, em multibanco, peço para inserir o cartão, e ele fica novamente zangado, porque, palavras dele, quando tinha loja, ele é que passava o cartão multibanco aos clientes! Ainda tentei falar do lado positivo de a operadora não mexer no cartão do cliente e ele diz "deve ser por causa da gripe"!

 

Paciência infinita!

 

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