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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

O "poder" das palavras

O atendimento a pessoas com mais idade, pode nem sempre ser fácil. São pessoas que precisam de mais tempo, e muitos dos que estão na fila, não entendem isso, não estão dispostos a esperar.

 

Ajudei uma senhora que estava sozinha, no embalamento das compras, tentei despachar o mais depressa possível. Mas, a parte de tirar a carteira da mala, procurar os cupões, e tudo isso, não pude, obviamente, intervir. A senhora remexia, remexia e não encontrava a carteira. As pessoas da fila, já mostravam impaciência, e isso ainda atrapalhava mais a senhora.

 

Finalmente a senhora lá encontrou a carteira e os cupões. No final, antes de se ir embora, disse-me "obrigada pela ajuda e pela paciência"! Palavras, que naquele momento e naquele dia, souberam tão bem!

 

Por vezes, e para determinadas pessoas, tenho pena de não ter tempo para dar mais atenção, mas tenho de ser rápida a executar as tarefas, porque quem espera, desespera!

 

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O respeito pelo espaço do outro

Estou a atender uma senhora na casa dos trinta anos, logo a seguir está outra senhora que podia ser a sua mãe. A senhora mais velha andava irrequieta de um lado para o outro. Cheguei a pensar que estavam juntas.

 

Quando chega a hora da senhora que estava a atender querer pagar com cartão multibanco, a outra senhora estava plantada atrás dela e a olhar, tirando a privacidade. A senhora que estava a pagar começou a falar ”entre dentes”, julguei que estava a falar comigo, mas era mesmo a criticar o facto de a outra estar colada a ela.

 

Eu sei que já por diversas vezes repeti este episódio, mas é uma situação demasiado frequente. Falta ensinamento e  formação às pessoas. Há tantos cartazes na loja com avisos, de publicidade, de informações, fazia falta um que remetesse para esta situação, para que existisse mais civismo, para que alertassem as pessoas. Uma sinalética no chão, embora quase ninguém olhe para o chão! Sei que por vezes, nem têm esta atitude por mal, muitas vezes até é distracção, ou falta de noção. Mas, se há pessoas que por si, não conseguem entender, têm de ser ensinadas, alertadas!

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Haja paciência

Estávamos numa hora calma do dia. Somente eu na caixa.  Estava a acabar de atender uma senhora, quando vem um velhote a chegar, e diz :" Uma casa destas e  só uma caixa a trabalhar!"

 

Isto é mesmo vontade de implicar, é mesmo mau feitio! Então, mas ele precisava de duas para o atender, ou quê!? Só estava uma caixa de serviço, porque, naquele momento não havia clientes para atender...ou será que ele queria ter mais hipótese de escolha!?

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O cliente tem sempre razão

A dado momento o tapete rolante deixa de rolar. E porquê? A cliente sobrepôs artigos em cima de artigos, pois queria despejar rapidamente, os seus dois carrinhos. Digo-lhe que o tapete não está a andar devido ao peso, mas a senhora, continua a colocar os artigos uns em cima dos outros, e  ainda diz que já tirou quase tudo. Já está uma pirâmide prestes a desmoronar em cima do tapete.

 

Mas, enfim, com algum esforço físico, perícia  e alguma paciência lá consegui dar conta do trabalho.

 

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Conversa (des)animada

No final do registo das compras, chega a fase das perguntas e resposta entre operadora de caixa e clientes.

 

Operadora de caixa: Quer descontar o saldo do seu cartão?

Cliente: Quanto saldo é que tenho?

Operadora de caixa: O seu saldo é superior ao valor da compra, mas só quando sair o talão é que lhe posso dizer dizer de quanto é! Quer descontar?

Cliente: Assim, não! Fica para outro dia!

 

Não desconto o saldo, a cliente paga, entrego o talão e revelo-lhe o valor do saldo que é significativamente superior ao valor da compra.

 

Cliente: Afinal tinha lá dinheiro que dava para pagar a conta!

Operadora de caixa: Sim, foi como lhe tinha dito!

Cliente: Mas assim, podia ter descontado!

Operadora de caixa: Mas a senhora disse que ficava para outro dia!!??

Cliente: Pois, porque pensava que não chegava para a conta toda!

 

A dado momento, só me apetecia fugir dali (qualquer operadora pode ter esta vontade, mas lá está, nós somos pobres e precisamos deste trabalho)! Tive de deixar a cliente levar a razão e eu que a tinha, fiquei sem ela!

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Abram alas pra ela

O movimento está calmo, mas mesmo assim, estavam pessoas na fila. Estou a atender um senhor, e do lado de saída,  está uma senhora a abrir os sacos  que tinha dobrados. O tapete do lado de saída ficou  ocupado com esses sacos abertos. Como as pessoas, não têm os laços de família escritos na testa, eu pensei que o cliente que eu estava a atender e a senhora que preparava os sacos estavam juntos.  Mas não,  a senhora tinha o seu marido no fim da fila, mas para se despachar, foi adiantando trabalho, e,  ocupando o espaço que naquele momento, era do cliente que estava a ser atendido.

Tive de lhe pedir para ela tirar os sacos e aguardar a sua vez, mas não foi fácil ela entender. É que eu tinha pessoas para atender e essas pessoas não tinham espaço para arrumarem as compras, porque a madame, estava lá com os seus sacos!

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Ter resposta imediata

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Por vezes tenho a sensação, que muitos clientes, acham que as operadoras de caixa sabem tudo. Todas as promoções (inclusive as do futuro), tudo o que se passa nas outras secções, todos os preços, o lugar onde está cada artigo...

Se não temos a resposta pronta, temos ao nosso lado um telefone, para podermos chamar alguém para ajudar o cliente. É claro que demora um bocadinho e que na maior parte das vezes o cliente não tem tempo para esperar...

Recordo-me de já me terem dito "nunca sabem nada"!

Apetece-me dizer que neste supermercado, bem organizado que é,  cada macaco está no seu galho. Cada um tem a sua função,  a sua secção, a sua formação, a sua responsabilidade e o seu conhecimento. É só accionar a pergunta e aguardar um pouco, porque a resposta já vem a caminho!

Apenas se pede tempo e paciência!

A paciência diminui ou aumenta com a idade!?

Há mais de 10 anos como operadora de caixa e a lidar com o público, com o repetir das situações, devia de estar mais paciente, certo? Porque, também diz o censo comum, que os avós são mais pacientes para os netos do que os próprios pais, pois têm mais tempo, menos stresse... Assim sendo,  a idade deveria dar-me mais paciência e mais tolerância!

Então não sei o que se passa comigo! Ou são as pessoas ( clientes) que estão mais mesquinhas e reclamavam de tudo e de nada ou é mesmo a minha paciência que está a diminuir...

Que  paciência infinita, Deus me dê hoje e sempre!

É preciso lata para tanto saco!

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Sempre que escrevo um post sobre sacos, tenho sempre dois tipos de comentadores, os que são a favor da distribuição desmedida e gratuita dos mesmos e os que são ecologicamente contra. Muitas vezes, acontecem-me episódios relacionados com o assunto, mas se eu fosse a escreve-los todos, tornavam-se repetitivos.

 

Mas mesmo assim, este tenho de o contar:

Quando determinado casal, já de alguma idade, mas não velhinhos, chega à minha caixa eu tinha um monte de sacos no tapete porque os estava a organizar. O senhor dá uma cotovelada a esposa diz-lhe baixinho: "vá apanha estes sacos!" Como se eu não estivesse a ver nem a ouvir. Resolvi respirar fundo e não ligar. Mas fiz questão de embalar todas as compras com os sacos os que eu tinha à frente, não colocando assim, outros à disposição. Entretanto a esposa pega nos sacos e vai andando, enquanto o senhor fica a pagar. No final diz-me: "olhe não me dá uns saquinhos"! Pensei : Que grande lata! Respondi, em tom suave : " olhe peça à sua senhora que ela levou um ganda monte deles!" O senhor respondeu :" Ah levou!? Não fiz reparo!"

Enfim...até uma pessoa calma como eu perde um pouco a paciência se está a ser "enganada"!