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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Não é falta de ambição, é gosto pela profissão!

Um cliente perguntou-me há quantos anos eu trabalhava ali. Respondi, 14 anos .

 

O senhor começa a dizer-me que tenho falta de ambição. Eu respondi: ”trabalho no que gosto”, e ele repete em tom altivo: FALTA DE AMBIÇÃO!

 

É o que muitas pessoas acham. Mas a verdade é que eu gosto daquilo que faço! É assim tão estranho? Quantas pessoas têm um trabalho que não gostam!? Eu sou uma privilegiada, porque gosto do trabalho que tenho. Não acordo a pensar que vou fazer um frete! Não vou contrariada! Podem não acreditar, e até posso mudar daqui a uns tempos, mas agora, e  desde antes até cá, faço o que gosto. Este trabalho, é tranquilo, terapêutico, até. E depois eu não sou operadora de caixa a tempo inteiro, eu também sou blogger, mãe (onde até sou um pouco professora), esposa, dona de casa, dona de dois gatos. Claro que nem todos os dias as coisas correm cem por cento bem, claro que por vezes, o horário de trabalho não se encaixa bem na minha vertente de mãe e ando em correrias, mas tudo se tem resolvido.

 

Nem todos ambicionam mais poder, mais responsabilidades, mais trabalho, mais pressão, existem, com certeza, mais pessoas como eu. Não tenho falta de ambição, e em tudo aquilo que faço, tento fazer o melhor, e costumo vingar, e cumprir os meus objectivos.

 

As pessoas não são todas iguais, se só existem chefes, gerentes, lideres, quem faria o resto do trabalho!?

 

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O 10º aniversário do blog - uma década

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Como o tempo passa. Dez anos de blogue. Dez anos de partilhas, de convivências, de aprendizagens. Os primeiros  quatro anos no anonimato, e depois com a chegada dos livros, a lupa passa a ter uma cara, um rosto, um nome... A "Caetana" passa a ser a Anabela.

 

O balanço é positivo. Só tenho a agradecer, a todos os que me têm acompanhado. Obrigada por tudo. Espero continuar por aqui, com histórias para partilhar, para que assim possam entender melhor as operadoras de caixa. Para que não nos vejam apenas como robôs a registar produtos, para que vejam e entendam um pouco a pessoa, que é um ser, com sentimentos, necessidades... para que tenham noção da falta de civismo, impaciência, intolerância que existe numa fila, mas  para que também saibam que há clientes bem dispostos, compreensivos e animados, que melhoram sempre os nossos dias.

 

Tenho pena, de por vezes, não ter mais tempo, para o meu blogue, e para visitar e comentar os blogues que sigo, mas acumular as tarefas de mãe, esposa, dona de casa (e até dona de dois gatos), trabalhadora e blogger, nem sempre é fácil...

 

Agradeço também à plataforma Sapo Blogs, bem como à equipa, por estarem sempre disponíveis...

 

Sejam sempre bem vindos a este espaço.

 

Bem hajam! Felicidades!

 

A pressa tira a cortesia

 

Se pudesse pedir um desejo de melhoria, no meu posto, pediria uma melhor organização no espaço.

 

Já devem de estar fartos de me “ouvir dizer” ou queixar de dois tipos de falta de espaço: o espaço entre a operadora de caixa e o cliente e o espaço entre o cliente que está a ser atendido e o cliente que está a seguir.

 

Começo pelo espaço entre a operadora e o cliente. Não imaginam as vezes que o cliente invade abusivamente do espaço da operadora. São capazes de colocar a carteira, os cupões em frente ao scanner onde preciso de registar os artigos. Já aconteceu  o próprio cliente registar o seu saco, porque invés de usar o espaço que tem para arrumar as compras está quase em cima da operadora, e junto ao scanner. Chegam a tirar-nos os artigos das mãos sem ainda estarem registados, arranham, bufam para cima de nós, espirram até. Mexem nos papéis que lá temos guardados. Ficam debruçados e a tapar o ecrã. Uma vez tinha uma nota de €20 para trocar por notas de €5 e o cliente pegou nela e perguntou se era falsa. Costumava ter uma caneta, já deixei de o fazer, pois também mexiam na caneta.

 

Dava jeito um acrílico mais alto, onde não conseguissem chegar aqueles três palmos de espaço que deveria de ser só nosso. Por isso eu gosto do formato das caixas do mini-preço.

 

Em relação ao espaço entre clientes, esse ainda dá mais confusão, porque está constantemente a ser alvo de abuso. As pessoas têm tanta pressa que se atropelam umas às outras. A pessoa não tem privacidade, nem para marcar o código do cartão multibanco. Por vezes, ainda não terminei um atendimento, já o outro está no espaço a preparar os sacos. Falta respeito, civismo e bom senso. Um dia destes um cliente estava a andar com o carrinho de costas e bateu no calcanhar do outro…

 

Uma marca no chão, não sei se seria o suficiente, mas talvez já fosse uma boa ajuda.

 

Por vezes as pessoas não se dão conta das atitudes que estão a praticar, porque andam sempre a alta velocidade, mas era importante que abrandassem um pouco e pensassem no assunto…

Nem tudo o que parece, é

Desta vez eu estava na fila à espera que chegasse a minha vez para pagar as minhas compras. Ouço o cliente que estava primeiro que eu a falar da operadora, dizia:" Bem, aquela,  conversa mais do que trabalha"!

 

Ao ouvir isto eu olho para a operadora. Sim realmente ela estava a falar com os clientes e quem  está a observar de longe pode dar a entender que ela está na conversa e que não se despacha. Mas é mera ilusão. Há momentos, em que a operadora não pode mesmo fazer nada a não ser esperar. Isto acontece, por exemplo, quando nós esperamos que o cliente marque o código do multibanco ou quando esperamos que saia o talão...

 

Antes de julgar, tente entender!

 

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Tempo para aprender

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Eu não estava sozinha na caixa, estava com uma menina, que estava a aprender o ofício...

 

Então, alguns clientes, quando viam que estava uma  pessoa a aprender, pressupunham que  iam demorar mais um bocadinho, afastavam-se e procuravam outra caixa; outros até iam lá à minha caixa e diziam palavras de incentivo à nova operadora.

 

Uma cliente, já habitual e sempre amável,  disse-me:" Então hoje está de professora?!" Houve também um senhor que, talvez por ver que a moça era muito novinha, desejou que para ela, aquele trabalho fosse apenas temporário.

 

É curioso como as pessoas são tão diferentes umas das outros. E ainda bem, que é assim.

Um dia inteiro "a correr" atrás do número de contribuinte do cliente

Quando perguntamos ao cliente "vai desejar contribuinte na factura", esperamos que o cliente apenas diga sim ou não e depois numa segunda fase, e se a resposta for sim, é que pedimos se nos podem dizer o número. Mas infelizmente, na maioria dos casos,  assim que fazemos a pergunta, o cliente começa logo a ditar o número e nós a carregarmos nas teclas à pressa, a pedirmos para aguardar um bocadinho. Enfim é uma correria o dia inteiro para apanhar o número de contribuinte do cliente, do tipo:

Operadora: Vai desejar contribuinte na factura?

Cliente: 143 426...

Operadora: Espere só um bocadinho...