Já aqui falei inúmeras vezes das frases que temos de repetir a cada cliente.
É de tal forma, que quando o cliente me entrega o cartão continente no início, a pergunta "tem cartão continente!?" sai na mesma no fim. Por vezes, os clientes respondem"já entreguei ", e responto" ah pois foi peço desculpa, é do hábito " No entanto, houve um cliente que respondeu" se tivesse com atenção, não perguntava!?" Isto porque o cliente já me tinha dado o cartão.
Enfim, só quem tem um trabalho, onde as frases são repetidas, entenderia a situação.
Estou a finalizar o atendimento a uma cliente e estão mais pessoas na fila. Uma cliente habitual, mete conversa comigo e surge a seguinte conversa:
Cliente habitual: Hoje estou muito zangada consigo!
Eu : Então porquê!?
Cliente habitual: É que hoje os preços estão mais altos que ontem!
Eu : Ah pois é, foi durante a noite, como estava com insónias, e não tinha nada de interessante para fazer, vim para cá, subir preços!
Os outros clientes acharam piada, e foi um momento de descontração. Como disse uma outra cliente, temos que levar isto (da subida dos preços) a brincar, se não, começamos a chorar!
Uma caixa lenta, seria um serviço, que ofereceria mais tempo aos clientes, com uma operadora de caixa que dria mais tempo para as pessoas embalarem os seus produtos, para colocar questões, ou simplesmente, para conversarem.
Seria um serviço mais atenciosos para idosos, ou para pessoas com necessidades especiais, que não tenham pressa e que precisem de mais tempo.
Já alguns anos, que aqui (no blog e na página) se comemora esta data, mesmo que seja oriunda do Brasil. Hoje é o dia da operadora de caixa, uma função onde a maioria são mulheres, mas onde também já existem muitos homens, sendo assim uma profissão unisexo!
A nossa função é registar os produtos, escolhidos pelos clientes, também pesamos alguns artigos, respondemos a algumas questões, fazemos umas quantas perguntas, divulgamos campanhas, precisamos de ser boas comunicadoras, ser pacientes, e por fim, temos o papel de pedir o valor das compras, que pode ser em numerário, ou em cartão. É crucial fazer bem os trocos, entregar junto com o talão em mãos. Enfim, temos de ter atenção a todos os detalhes para que a "venda" seja um sucesso.
Tenho esta função há cerca de 20 anos e gosto da mesma. Mesmo não sendo da terra, mesmo não conhecendo tão bem os clientes, sinto-me bem , pois sempre me trataram cordialmente. Há clientes, pelos quais já tenho afeição, e quando algum falta por algum tempo, só desejo que a ausência, não seja por algo menos bom! É bom ver as mesmas caras, muitas vezes. Acredito que esta afinidade é assim, porque é uma localidade pequena. Penso que não me adaptaria tão bem a um grande continente.
Estou na caixa, vejo que a minha fila está com três pessoas em espera , mas tanto à minha frente, como atrás, os meus dois colegas , cada um, tem apenas um cliente. Então digo a um senhor (cliente habitual) que se quiser se despachar mais depressa, pode ir ali ao colega. Ele não responde.
Entretanto, quando o senhor, chega à minha caixa diz-me "eu não gosto nada que trabalhos destinados a mulheres sejam feitos por homens!" Respondi que este trabalho tanto era para mulheres como para homens! E ele repete "mas não gosto"!
Enfim, foi pena não estarem apenas rapazes, para ver se ele, desistia das compras e ia para casa de saco vazio!
Por vezes surgem-me algumas ideias, que no meu ponto de vista, que apenas vale por um, seriam ideias de melhoria. Claro que isto é em contexto de um Continente modelo, que não é muito grande.
Um sensor para fazer um RX ao carrinho e aos sacos que vão lá dentro quando as pessoas passam para o tapete de saída, tipo como no aeroporto, e nós víamos por um ecrã à nossa frente. Ou então um mini túnel onde os sacos tivessem de passar. Uma medida universal e não só no continente.
O sistema permitir ver se o saldo do cartão cliente tem validade, devido aos cupões de 15%.
Quando determinado artigo, não estiver cadastrado ou for artigo desconhecido, o som do bip, ser diferente, mais agudo, para darmos conta logo.
Haver uma sinalização no chão, para que o cliente que está a ser atendido, tenha privacidade para embalar as compras e fazer o pagamento, e o cliente seguinte, não esteja "em cima", deste.
1 metro de Acrílico à nossa frente, para nossa saúde e proteção.
Um aparelho para o cliente passar a aplicação ou o cartão.
Um cartaz a advertir os clientes para não entregarem pesos em braços pela frente, porque prejudica a saúde e segurança do trabalhador. Há sempre a hipótese de levantarem os artigos do carrinho no tapete de saída, e assim é o cliente que faz esse esforço, o mesmo que faria pela frente.
Uma placa, a dizer "saída sem compras" em vez de "obrigado pela sua visita", evitava que as pessoas saíssem pelas caixas, a empurrarem, quem está a ser atendido.
Um tapete rolante, que se auto limpe com um compartimento para onde vá a sujidade. É que para os celíacos, o pó do pão, por exemplo, é muito prejudicial, e nem sempre conseguimos remover esse pó.
Uma caixa lenta, para quem precisa e carece de mais tempo, para embalar, para colocar questões, para quem, até, quer conversar um pouco com a operadora. Há clientes, para quem a operadora, é a única pessoa, com quem pode comunicar naquele dia.
Uma mensagem de voz e luz vermelha ou verde, que avise que a caixa número X vai fechar ou que a caixa Y vai abrir.
Que o sistema de pagamento venha com multibanco na primeira opção, porque as pessoas com mais idade, ficam sempre confusas por estar primeiro o pagamento, que para elas é a debito.
Um lugar próprio para ficarem os troleys, para não os levarem para dentro da loja, ou os deixarem em qualquer lado.
Um lugar com cacifos para as pessoas não entrarem com mochilas ou artigos de trazidos de outros lugares.
Os cupões do combustível, deviam de sair um por cada €30, assim não se perdia tempo, a fazer várias contas.
Para descontar o saldo do cartão o sistema devia de perguntar "tem mesmo a certeza que é para descontar?", porque quando o valor da compra é igual ou superior ao saldo, podemos, por lapso, tocar na tecla e descontar sem querer, e depois já não se pode voltar atrás, e o cliente fica insatisfeito. É só tornar esse processo um pouco mais difícil, com duas etapas, por exemplo.
O sistema permitir devolução do dinheiro para o multibanco. Por exemplo, há clientes que dizem para pagar uma parte com o um multibanco, nós descontamos essa parte e depois a outra parte é com outro cartão ou dinheiro, entretanto falta esse dinheiro , e já não dá para por a conta em espera, porque uma parte já foi paga em multibanco e não dá para devolver. Perde-se tempo, para arranjar soluções.
São apenas algumas ideias, certamente vão achar algumas sem jeito, e outras, que até poderiam resultar. Em breve pode ser que me surjam, mais algumas.
Obrigada a quem teve a paciência de ler tudo até ao fim.
Foi difícil encontrar na internet um fundo de caixa parecido com o meu, mas depois de fazer alguns ajustes, consegui ilustrar.
Cada um de nós tem a liberdade de organizar o dinheiro da forma que entende, da maneira que achar mais fácil, para manusear tanto as moedas, como as notas.
Para mim, as moedas têm que estar de forma decrescente, em baixo de UM euro até aos dez cêntimos, em cima dos cinco cêntimos, até um cêntimo, o compartimento que sobra é para as moedas de dois euros, quando existem. As notas também estão organizadas como na imagem, começando pela de menor valor até à de maior valor, sempre direitinhas e viradas para o lado da frente onde se vê o número e a faixa dourada, se assim lhe posso chamar!
Mas isto é a minha organização, a que me faz sentido, para melhor guardar o dinheiro e melhor fazer o troco que tenho de entregar ao cliente. Por vezes, quando tenho de substituir algum/a colega que tenha uma disposição diferente, já ando ali, à pesca, porque não pensamos todos na mesma maneira, o que é perfeitamente compreensível e legitimo!
Talvez, só quem trabalhe ou já tenha trabalhado, com esta parte da caixa registadora, perceba a relevância deste este assunto. No entanto, quem está do lado de fora, pode assim ficar a saber, do funcionamento e da importância desta organização!
Estava a atender uma moça que também trabalha no mesmo ramo, só que noutro supermercado da concorrência.
Conversa puxa conversa e há tantas eu digo "cá o ganho, cá o gasto"! Ao que ela me responde: "Eu não! Já lá deixo o meu trabalho, não lá vou deixar o meu dinheiro!"