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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Este blogue completa hoje 13 anos de existência

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O número 13 para mim, não é número de azar, por isso espero que para o blogue também não seja!

É inacreditável como já passaram treze anos desta escrita, desta partilha. Ultimamente os acontecimentos em tempo de pandemia têm sido difíceis para mim enquanto operadora de caixa, mas ricos em histórias para a  blogger,  em desabafos, muitos deles tristes, mas que têm de ser partilhados, nem que seja para que as pessoas vejam como esta pandemia os está a tornar, para que reflictam nas figurinhas que andam a fazer. Pode ser que pelo menos alguns repensem os seus comportamentos!

Obrigada aos leitores, críticos, apoiantes, clientes, e, principalmente colegas de trabalho que têm paciência para esta leitura!

Obrigada também à Sapolândia pela estadia!

Parabéns LUPA!

Devia de ser proibido falar ao telemóvel durante o atendimento

No dia 30, um cliente ia colocando os seus produtos no tapete ao mesmo tempo que ia falando ao telemóvel. Uma conversa de pura cusquice e nada urgente. Mesmo assim, foi empatando, porque, não se consegue fazer as duas coisas bem, ao mesmo tempo.

Depois continuou no mesmo ritmo do outro lado, enquanto arrumava as compras. Comecei a ficar preocupada, pois foi num momento em que eu nem conseguia ver o fim da fila, tal não era o aglomerado de gente.

Quando peço o cartão continente para dar continuidade ao atendimento, faz-me sinal para que espere, como quem diz " não vê que estou ocupado", ignorando os sinais do senhor, repeti em voz amais alta "o cartão continente tem?", ele tapa a parte da voz do telemóvel e responde "estou ao telemóvel" ao que eu respondo" pois, mas  isso é que não pode ser! Há pessoas à espera" É quando ele diz à pessoa que já lhe liga. E ainda vai ativar a aplicação para chegar ao cartão continente. A pessoa que estava a seguir reparou nisto, e abanava indignada a cabeça.

Quando este senhor saiu, não podemos deixar de comentar o facto de como as pessoas são incivilizadas e egoístas!

No dia 31, quando chegou a hora de trocar de turno com uma colega, novamente filas enormes,  eu queria terminar o atendimento, e o senhor (novamente um homem) ao telemóvel na maior das descontrações. A minha colega, só dizia, "não estou a creditar nisto"!

Estas pessoas não tem noção que não é só a operadora de caixa que tem de esperar, são todas as pessoas da fila. Falta de educação e de civismo!

Haja paciência!

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Uma palavra que desconhecia: magnânima

Os dias que correm, neste contexto de pandemia, não são fáceis no supermercado. Há clientes que não aceitam bem as regras. Por isso já esperamos tudo a nível de reclamações e criticas.

Entretanto um cliente diz-me. " Há funcionários e funcionários, uns merecem 50 outros nem 20 merecem." Fico a olhar para o senhor sem perceber e ele prossegue:" já não é a primeira vez que me atende, e você é sempre magnânima"! Julguei que era uma critica, porque não estava a entender, então disse ao senhor "porque diz isso?" Então o senhor diz-me que eu merecia a nota 50, porque limpo desinfeto, vou aqui , vou ali, e tenho sempre tudo organizado, e que há outros que nem se mexem. Foi então que percebi que era um elogio. Agradeci ao senhor e até fiquei emocionada. Assim que pude fui ao Google ver o significado da palavra, até pedi opinião a uma pessoa amiga.

Também sabe bem receber elogios, faz nos sentir valorizadas, principalmente nestes dias. Claro que por vezes também me sento um bocadinho, porque o corpo também precisa, mas para mim, ter o tapete sempre limpo e o local organizado, é um ponto essencial, daí andar sempre a "correr" a um lado e ao outro!

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Respeitar sinalética

Já passaram cerca de nove meses das novas medidas, do distanciamento, do uso da máscara, do acrílico, da sinalética,  e, ainda há quem não perceba que quando um cliente já está no tapete de saída, o que está no tapete de recepção dos artigos, tem de colocar os artigos na zona demarcada a verde, ou seja, o mais atrás possível (as coisas depois rolam e chegam sozinhas à operadora) e aguardar atrás da sinalética que está no chão!

Mesmo que não concordem, devem de cumprir o que é pedido, e o que está sinalizado! Cada cliente quer ter as suas próprias regras, muitos não querem aceitar estas, mas ao estarem sempre a refutar,  estão também a desgastar quem trabalha ali!

Se existir um pouco de tolerância, paciência e compreensão, o dia corre melhor para todos!

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Nem sempre interpretamos bem os sinais

No supermercado onde trabalho, houve uma grande preocupação com a nossa segurança, daí  estarmos tão acrilicados. O problema principal é fazer os clientes respeitar o acrílico e o distanciamento, mas sobre esse  tema já escrevi tanto, ainda assim, voltarei a escrever outro dia. Hoje o tema é a audição! O acrílico dificulta a nossa comunicação com os clientes. Por vezes os clientes estão a falar, mas eu não estou a perceber o que estão a dizer, faço sinal, peço para falarem do topo. Enfim lá nos vamos mais-ou-menos, entendendo.

Perguntei a uma cliente se queria descontar o saldo do cartão continente, ela abana a cabeça a dizer que sim. Pelo menos foi o que entendi. Então descontei o saldo e a senhora pagou o restante, sem protestar. Saiu, olhou para o talão e foi lá ter comigo de novo, dizer porque é que lhe tinha descontado o saldo. Quando eu lhe disse "então a senhora abanou a cabeça", ao que ela respondeu "mais eu disse: fica, fica!" Ou seja o "fica, fica", tem o mesmo sinal que o  "sim, sim", mas afinal significava, daquele modo, um  não!

Lá pedi imensa desculpa à senhora, e o caso ficou resolvido, mas não deixa de ser caricato!

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Sugeria que se marcasse a ida ao supermercado por telefone

Deu nas noticias que, em virtude desta pandemia que é o covid-19,  o continente poderia vir a abrir só ao meio dia e fechar ás 20 horas, mas cada loja poderia tomar a  decisão mais adequada. Essa decisão seria para cada loja ter um “serviço razoável e ajustado às necessidades atuais da população, minimizando eventuais riscos de operação".

Com esta medida tenho algum receio que o aglomerado de gente se torne ainda maior, visto que as pessoas só terão aquele tempo, mas até pode ser que corra bem.

Na minha modesta opinião, de operadora de caixa, que vale apenas por uma, além de se implementar esse horário, sugeria que, tal como nas clínicas médicas particulares, houvesse uma marcação, pelo telefone de "visita ao supermercado" com data e hora marcadas, onde, dependendo do tamanho do supermercado, não estivessem mais de 10 ou 20 clientes ao mesmo tempo dentro do supermercado. Para isso funcionar teria de estar alguém na porta de entrada a controlar as entradas e saídas.

Também haveria um menor número de funcionários dentro da loja, teria de haver um plano onde nos fossemos revezando, e já agora, sem mexerem muito nos ordenados, porque as nossas despesas matem-se iguais.

Talvez assim, as pessoas só se deslocassem  se a necessidade dos artigos fosse mesmo importante e urgente. Talvez também comece a haver necessitar de racionalizar alguns artigos.

Claro que seria uma situação temporária! Porque este coronavírus  há de passar e havemos de voltar à normalidade.

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Atualização:

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Ser operadora de caixa, na minha perspetiva é...

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Os seguintes pontos, são aqueles sobre os quais me debruço e tento cumprir e fazer o meu melhor…

  • Cumprimentar, se possível, olhos nos olhos, o cliente.
  • Perguntar se precisa de saco, ou de ajuda em alguma coisa no embalamento. Ser prestável!
  • Ouvir, quando o cliente refere se encontrou ou não, tudo o que precisava, ajudar nesse sentido.
  • Escutar, o que o cliente tem a dizer sobre o que aconteceu nas seções, peixaria, padaria, talho etc…
  • Ir registando as compras de acordo com o ritmo do cliente.
  • No caso de já conhecer alguma coisa do cliente, meter conversa a esse respeito, desejando que alguma coisa menos boa, se componha! Se a pessoa é divertida e diverte, entrar nesse compasso.
  • Perguntar se quer o número do contribuinte na fatura, respeitando, as razões que o cliente aponta para o sim ou para o não, encontrando um ponto em que concorda com ele.
  • Perguntar se tem cartão de cliente, cupões e se quer descontar saldo, no caso de o ter...
  • Dizer o total de forma subtil, para não assustar o cliente, mencionando os descontos que teve.
  • Despedir e agradecer com agrado e simpatia.

Será que me esqueci de algum ponto importante? Aceito sugestões, de colegas e de clientes!