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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Hoje é o dia da operadora de caixa

Já alguns anos que esta data é comemorada no Brasil, e nós operadoras de caixa portuguesas, resolvemos adotar a mesma data.

Por isso hoje é o nosso dia!

Registar artigos, fazer as perguntas habituais, divulgar campanhas, informar o valor, emitir fatura, receber o montante, se o pagamento for em dinheiro, entregar o troco;  tudo com simpatia, responsabilidade, paciência, atenção, agilidade e organização, é o que nos compete!

Lidamos diretamente com o cliente, pois somos nós que finalizarmos todo o processo, estamos no fim da linha.

Apesar de já existirem as caixas self-services, há sempre quem escolha, por opção, a caixa tradicional, porque assim sempre pode ter dois dedos de conversa, socializar e se distrair, e nós também gostamos de socializar com os clientes. 

Pessoalmente, acho que este trabalho é terapêutico. Claro que nem tudo é um mar de rosas, mas tem muitas coisas boas e agradáveis!

Então, este dia que nos é dedicado, é merecido!

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A falta que a voz faz...à operadora de caixa

Não é costume me constipar no verão, mas talvez devido ao excesso de uso do ar condicionado, constipei-me! E uma das consequências habituais é perder a voz!

A voz faz-me imensa falta. Tenho de fazer perguntas, cumprimentar as pessoas, divulgar campanhas, dizer o total, agradecer, fazer a despedida. Por vezes nem me dou conta,   do quanto falo. Dava jeito umas plaquinhas com as falas, ou uma gravação, nestas alturas!

No sábado estava completamente afónica, e além das frases habituais, como não me ouviam, ainda tinha o esforço acrescido de as repetir até quase à exaustão. Alguns clientes diziam "ah está rouca!", ou, "e... como você está"!, ainda "isso não será covid!?", outros desejavam as melhoras, aconselhavam chás, faziam ainda mais conversa e eu tinha ainda mais de me justificar!

Até que, quando perguntei já a falar baixinho, a uma senhora o número de contribuinte, ela respondeu-me também num tom de voz baixinho como o meu, mas não era porque estava como eu, na altura, pensei que estava a gozar comigo! Pedi para ela repetir dizendo que não tinha percebido e ela disse "pois" num tom de voz normal, mas o número de contribuinte repetiu em voz baixa, deu invalido, eu não quis saber, e deixei assim!

No momento fiquei triste, desanimada e com uma vontade de sair dali a correr! Mas era um dia de grande afluência, lá respirei fundo, contei até 10 e prossegui!

Horas depois, já em casa, a pensar nesta situação, cheguei à conclusão, que a senhora certamente não estava a gozar, mas sim, a dar-me um recado/lição. Queria que eu entendesse que não deveria estar ali, porque as pessoas não me entendiam, e assim estava a prejudicar o trabalho e os clientes!

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A operadora de caixa não sabe tudo

Chegam a perguntar quando é que determinado produto de tal marca está em promoção. Dizem, "mas não pode pesquisar!?" - Ora não tenho ali o Google! Perguntam se temos produtos, que nós nem conhecemos, ou nem sabemos para que servem. Fico sempre constrangida de dizer que não sei, mas tento sempre arranjar forma de ajudar, ou chamar alguém que possa saber. 

Nós temos uma caixa registadora e não um computador à frente! Perguntas comuns, ou produtos que conheça e use, isso ajudo, claro.

Ainda há dias, uma senhora encontrou-me num corredor, porque fui arrumar um produto, e perguntou por sementes de papoila. Ora levei a senhora para o corredor, que tem sementes de outras plantas, salsa, coentros, flores. A senhora diz-me: "mas não é para semear, é para comer"! Respondi: " então mas..." - ao que ela respondeu: " o meu filho é vegetariano, e pede estas coisas, eu já comprei num supermercado, mas já não sei qual"! Ainda a levei onde estão as sementes comestíveis, tipo de girassol, de chia, mas não encontramos de papoila!

Enfim! Não há condições!

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Coisas que na minha perspetiva fazem falta

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- Uma placa com o aviso "saída sem compras", porque a tendência das pessoas é sair pela linha de caixas, onde vão empurrar pessoas que lá estão com os carrinhos. A saída no continente é por onde se entra, onde há mais espaço. Deveria ser assim em todos os supermercados!

- Há pessoas, que entram de mochila às costas, com sacos. Podiam deixar no balcão mas na maioria das vezes não deixam. Havendo um lugar próprio, não era preciso estarmos a pedir para ver mochilas e nos olharem com cara de revolta!

- Existem pessoas que ao invés de usarem carrinhos da loja, usam os próprios trolleys e lá temos de pedir para ver o fundo. Um lugar nem que fossem para dois trolleys já ajudava!

- Não têm conta as vezes que os clientes empatam a fila por estarem a falar ao telemóvel, e a maior parte das vezes conversas banais. um simples pedido para que evite a situação, poderia ajudar!

- As pessoas vão sempre ao supermercado com pressa. Não são capazes de respeitar o espaço de quem está a ser atendido, nem para que a pessoas tenha privacidade a arrumar as compras, nem a pagar, principalmente a por o código do multibanco. passamos o dia a pedir à pessoa que se afaste!

Ficaria mais 20 anos neste trabalho com todo o gosto

Estou neste trabalho há quase 20 anos. Faço-o com todo o gosto e até amor, e, se me deixassem ficaria aqui mais outros 20 anos, com o mesmo entusiasmo, porque este trabalho sempre foi terapêutico e nunca para aqui vim como se fosse um frete, nunca!

Podem perguntar "mas não queres subir de posto, evoluir?" Ao que eu respondo "mas eu sou tão feliz assim, tantas pessoas que passam anos a querer ganhar mais , a querer subir! Eu já tenho o que quero! É assim tão mau me deixar ficar por aqui!?"

Eu sei e fico contente com isso, que alguns clientes me escolhem pela conversa, pelo apoio que sempre tento dar. Alguns clientes contam-me situações da vida deles, e eu tento sempre ter uma palavra de conforto. É essa a parte que mais gosto, faço um pouco de psicologia ou sociologia. Sei que de certa forma os ajudo.

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Os brindes escondidos nos sacos

Quando, nós, operadoras de caixa, pedimos aos clientes para mostrarem os sacos ou para os colocarem sobre o tapete, não é porque achamos que são novos e os queremos registar, é mesmo para verificarmos se estão vazios ou se levam brindes!

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Nós conseguimos perceber quando a cena é sem intenção e quando há má intenção. Mas certamente devem saber quem é que prejudicam!

Há caixas invisíveis

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Estava eu na ultima caixa, que por ter um poste, pode eventualmente não se perceber que está ali alguém. As outras caixas tinham clientes, a minha não.

Saio da caixa e vou ás filas perguntar se não querem passar à minha. Parece que ninguém quis saber. Entretanto vem um carrinho a chegar e vai logo para lá. A dada altura vai lá uma cliente e diz-me que eu a vi passar e que não a chamei. Até disse, que fiquei ali caladinha! Ao que eu respondi " se a senhora não me viu, como é que queria que eu adivinhasse que já tinha acabado a recolha dos produtos!?"

Isto  porque as pessoas passam lá e muitas vezes estão só a meio ou no inicio da recolha dos artigos!

De outra vez, como não tinha clientes, aproveitei para limpar e desinfectar todo o posto de trabalho, atitude normal nos tempos de pandemia. Entretanto chega uma cliente, começa a por os artigos, e outra cliente, de outra fila,  diz que pensava que eu ia embora porque estava a limpar o tapete. Respondo que como estamos em pandemia, é um procedimento normal, para fazer várias vezes ao dia!

Enfim, isto há situações que é preciso uma grande dose de paciência, para aturar certas atitudes!

Nem a pandemia civilizou as massas

Olá a todos! Peço desculpa por esta ausência, não por falta de situações para contar, mas por falta de tempo!

A situação continua a não estar fácil. Com o passar do tempo , cada vez mais, as pessoas querem deixar as regras, tapam os olhos à sinalética que continua lá exposta. O pessoal acha que isto já passou,  e que agora é hora de voltar ao antigo normal! Que pena, estas regras ficavam tão bem se ficassem para sempre, desde que não fosse preciso a nossa intervenção e insistência constante!

É cansativo estar constantemente a pedir por favor para que façam distanciamento, quando as pessoas querem, na sua maioria,  estar encostadas, bem juntinhas, umas das outras. Quererem entregar artigos pesados em mão, não respeitando o acrílico, o semafro, nem a nossa saúde física.

Tento limpar o mais possível o tapete a cada cliente, mas a maioria quer despacho e não se importa com a limpeza.  Tanto que uma pessoa corre de panos e spray nas mãos!

Já estava tão cansada de repetir e pedir pelo distanciamento que deixei que uma senhora me implorasse para eu pedir aos outros que não se colassem a ela, parecia que estava até a sentir-se mal, pois já se abanava. Senti-me culpada porque falhei ali, naquela situação!

Os clientes sem compras, continuam a passar pela linha de caixas, roçando nas pessoas que estão a ser atendidas, ou chocando nos carrinhos, quando têm um local próprio para sair. É uma falta de civismo e de bom senso!

Mesmo com tanto tempo de pandemia, não foi possível civilizar as massas!

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