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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A gravidez estava bem à vista, mas...

Aqui há uns tempos, uma cliente bastante jovem, pediu para a atender porque estava grávida. Tinha apenas meia dúzia de artigos, ninguém se opôs, alias o senhor que estava para ser atendido, até foi simpático. A cliente era magra, mas notava-se bem a barriga.

 

Quando a cliente saiu, comecei a atender o dito senhor. Correu tudo sem problema. Ao chegar a outra cliente, que já estava na fila e assistiu a tudo, ela manifestou o seu descontentamento, e disse.me: " você  viu algum documento que comprovasse a gravidez? Pois digo-lhe que ela está tão grávida como você ou como eu!"

 

A cliente grávida era cliente habitual, vai lá muitas vezes, não acreditei que a mesma fosse forjar a gravidez só para passar à frente. Mas aquela convição na frase, deixou-me um pouco desconfortável...

 

No entanto, há dias essa cliente grávida voltou a passar na minha caixa, desta vez com um bebé recém-nascido...

 

Pena eu me ter esquecido da cara daquela cliente que queria um documento para ter a certeza que a moça estava grávida, se não, ia me ouvir!

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Se quer/precisa de prioridade, peça, solicite, avise

Era sábado. Havia filas. Nestes momentos a minha preocupação é ser o mais profissional possível e ser despachada.

 

Quando chega a vez de uma jovem (acompanhada por uma senhora mais velha) diz-me :

 

Jovem - Você tem de ter mais cuidado, porque agora não dar prioridade é crime!

 

Olhei para a jovem que me pareceu normal, supus que fosse gravidez, e disse-lhe:

Eu - Sim, mas se conhece a lei, também deve saber que é o cliente prioritário que tem de se manifestar, principalmente se o facto não é visível.

 

Ela a rir-se responde:

Jovem - Não é visível!? Oh por favor!

 

É quando olho para o chão e vejo que tem uma ligadura na perna do joelho para baixo, e respondo:

Eu - Pois é, mas eu não estou a olhar para baixo. Não custava nada pedir...

 

Mesmo sabendo que tem de ser o cliente a solicitar a prioridade, já muitas vezes, ao ver alguém nestas condições, eu pergunto ( e uma vez um senhor disse-me que eu não podia perguntar, que tinha de deixar que me pedissem, porque era assim que estava na lei), mas neste caso não vi...lojista.com.jpg 

Acho que não havia necessidade deste tratamento por parte desta jovem, parecia que me estava a ameaçar. Será que agora, além de todas as tarefas que estou a fazer, tenho de estar a ver se há alguém prioritário? Ainda há dias uma outra jovem que tinha um bebé, disse que não queria prioridade...

 

Creio que faz todo o sentido que seja a pessoa a se manifestar. Aliás se repararem, em muitos locais junto ao cartaz do aviso de prioridade, há um pedido para que avise o funcionário, porque ele não adivinha se é prioritário e se quer usar esse direito...

 

Ainda sobre a prioridade

Este assunto já está mais que falado, mas vale sempre a pena, relembrar

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Numerei as situações, para conseguir explicar mais facilmente. A prioridade vai para:

 

1. A grávida

 

2. Pessoa acompanhada de criança de colo, até aos dois anos de idade. 

 

3. Pessoa idosa, que tenha idade igual ou superior a 65 anos e apresente evidente alteração ou limitação das funções físicas ou mentais.

 

A pessoa com o nº4, não tem prioridade, pois a sua criança tem mais de dois anos. Costumo chamar em jeito de brincadeira, ás situações em que as pessoas que julgam ter prioridade e não têm;  ou às que têm falta de bom senso de divas da prioridade. O nome chegou-me através de um comentário e eu adotei-o!

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5. Pessoa com deficiência ou incapacidade.

 

A pessoa com o nº6, é acompanhante da pessoa com deficiência. O Diploma prevê o direito de atendimento prioritário para a pessoa com deficiência não estando previsto no diploma qualquer normativo sobre a abrangência do direito da prioridade aos acompanhantes. Exceto no caso de o acompanhante estar a exercer a representação da pessoa com deficiência, ou seja, se estiver a agir no interesse da pessoa com deficiência, ou se se tratar de apoio personalizado. 

 

Este ponto nº6, não é fácil, para quem está no meu lado, ter de avaliar se o acompanhante pode ser atendido logo com o prioritário ou não... Acontece mais com as grávidas, vem a mãe, vem a cunhada, vem a prima. Em princípio só a grávida pode passar à frente (mesmo que acompanhada pelo marido), mas e se as outras alegarem que estão a dar-lhe boleia, ou que ela não pode estar sozinha!?

 

Enfim, mais uma vez se apela ao bom senso...

 

Duas situações que não deviam acontecer

As divas da prioridade, são aquelas pessoas que querem fazer  valer a sua condição, passando na fila sem avisar ninguém, sem pedir licença, só porque são prioritárias! Como por exemplo, a situação  de  uma grávida toda bem disposta que passou à frente de uma velhota com dificuldade em se mover!

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Ou então aquelas pessoas, que não respeitam a prioridade e acham que as pessoas, levam de propósito as crianças para as compras, só para passarem à frente dos outros.

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Como se costuma dizer, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O bom senso devia existir mais nestas situações!

 

Se o prazer foi dela, porque tenho eu de lhe dar prioridade?

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Quando eu penso que já mais nada há de novo neste universo, eis que surge algo de novo. Eu perguntei a uma senhora já bastante grávida se queria passar, respondeu afirmativamente e atendi-a.

 

Quando esta cliente  saiu, um senhor, homem aí dos seus 30 ou mais anos diz-me: “A sua atitude foi muito bonita, mas errada! Aquela senhora se está assim, foi porque teve um prazer, não tinha que passar à frente, além disso vem acompanhada pela mãe. Ela podia ir-se sentar e a mãe vinha para a fila”! Eu disse-lhe que não era isso que estava na nova lei, ao que ele me respondeu que a lei, estava ERRADA!

 

Como diria o Fernando Pessa, e esta, hein?

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Gravidez não é doença

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Estava a atender uma senhora que tinha duas contas. Ia começar a segunda conta da cliente quando chega, uma grávida com um carrinho, e pergunta se a posso atender agora, sim usou a palavra agora, como quem diz , "agora e já". Pergunto  à cliente que ia atender se ela não se importa que atenda aquela senhora. A cliente  diz que não se importa, porque julgou que a pessoa tinha só um artigo ou dois nem reparou no barrigão.

 

Quando deu conta que eram ainda alguns artigos, diz: "mas então ela tem tantas coisas"! E a grávida responde:"pois tenho , mas estou grávida!" E a senhora das duas contas "gravidez não é doença"!  E gerou-se ali uma pequena troca de palavras. E quando a grávida saiu, comentaram que ela estava cheia de genica, nem parecia precisar de ser atendida à frente.

 

É sempre complicado gerir estas situações, se eu atendesse primeiro a senhora das duas contas, uma vez que já a estava a atender, seria a grávida a ficar chateada, assim, ficou esta senhora.

Será que esta lei tirou o discernimento às pessoas!?

Imaginem o cenário:

Tinha o tapete cheio de artigos, chega à minha caixa uma rapariga acompanhada por outra senhora, talvez a mãe, com um carrinho cheio de compras e outro carrinho com um bebé! É um facto que todas as caixas têm serviço prioritário. Esta rapariga começa a fazer sinais para passar, para usufruir da sua prioridade.

 

Eu não podia, simplesmente pedir à cliente que já tinha todos os artigos sobre o tapete para os retirar, e  atender a prioritária. Ia demorar imenso tempo e seria uma falta de civismo. Será que esta lei tirou o discernimento às pessoas!? O bebé até devia de estar a dormir.

 

Ocorreu-me a ideia de pedir delicadamente à pessoa prioritária para aguardar um pouco enquanto eu registava os artigos que já estavam no tapete.

 

Felizmente chegou uma colega, que pediu à cliente prioritária para a seguir e abriu a sua caixa e atendeu-a.

 

A situação salvou-se desta vez. Mas se voltar a acontecer? Informei-me e disseram para fazer justamente o que me tinha ocorrido, ou seja, pedir à pessoa prioritária que aguardasse só um pouco...

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Se não fosse cómico, seria trágico

Hoje de manhã, havia filas. Na minha fila estava a pessoa que eu estava a atender, a seguir estava uma senhora já com alguma idade, depois outra e mais trás uma outra senhora, bem mais jovem.

 

Termino a pessoa que estava a atender e quando vou para  atender a pessoa que estava a seguir, a senhora que estava atrás desta, diz: "Sou eu, porque tenho prioridade". Vai a senhora da frente pergunta porquê, ao que esta responde: " Porque sou idosa, e a nova lei, agora é assim"! Vai daí, a senhora que estava à frente responde:" Eu conheço bem a nova lei, e não é só ser idosa, é preciso ter alguma coisa, e eu fui operada a um joelho!"  Começo então, a atender a pessoa que estava à frente.

 

A senhora que se considerava idosa, até tinha poucos artigos, e se, ao invés de invocar a nova lei, tivesse pedido com jeitinho, esta senhora até tinha deixado passar, mas como teve uma atitude de arrogância, perdeu...

 

Sabem  o mais cómico disto tudo, é que esta senhora que dizia ser idosa, apenas tinha mais três anos que a senhora que atendi à frente. Foi a senhora mais jovem que averiguou as idades.

 

Por fim, quando ambas já tinham saído, tivemos de nos rir do caricato da situação...

A educação também se podia utilizar

Não sei se as regras são iguais em todos os supermercados, mas, no "meu" deixou de existir uma caixa prioritária, uma vez que todas as caixas agora, o são. No entanto, no supermercado onde trabalho há uma caixa mais larga que tem a uma placa que diz "caixa apta a cadeira de rodas".

 

Eu estava nessa caixa, havia fila. Uma jovem estava com carrinho de bebé atrás e na frente estavam duas senhoras. Segundo as novas regras, o cliente prioritário tem de se manifestar, ou seja, tem de informar quem está à frente que é prioritário e pedir licença para passar, é uma questão de educação.

 

Mas a jovem mãe não se manifestou, apenas começou a falar pro ar. As senhoras estavam de costas não se aperceberam. Como eu percebi a situação, e como antes, nós intervínhamos e ajudávamos, informando que a pessoa ia passar porque tinha prioridade, eu falei. A jovem disse: "pois essas senhoras fingiram que não me viram!" Eu disse que ela própria é que tinha de pedir. E ela responde: "mas estas pessoas não tinham nada que vir para esta caixa"! E, novamente,  eu expliquei à jovem mãe, que podiam sim, porque todas as caixas eram iguais e funcionavam da mesma forma. A rapariga, lá passou com o carrinho do bebé e as suas compras.

 

Quando esta saiu, as senhoras mostraram-se admiradas com a atitude da rapariga. com a falta de bom senso e com o facto de as estarem a acusar de elas fingirem que não a tinham visto.

 

Isto está a correr mesmo bem, cada dia, há uma pra caixa!

 

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