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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Aceitar normas

Estava a registar as compras a um casal de clientes. A dada altura, havia quatro caixas, cada uma com uma garrafa,  de um vinho de nome mula velha reserva.

 

Abro uma caixa, retiro a garrafa,  registo a garrafa, volto a colocar dentro da caixa,vou para a segunda caixa, e a cliente diz "são todas iguais, porque não multiplica"!? Ao que eu respondo, que pela  norma da empresa, tenho de abrir as caixas e registar o código interior da garrafa e verificar se a garrafa não tem alarme para tirar. E a senhora diz-me ."pois, mas quando é leite, por exemplo, isso não acontece, multiplicam!" E o cliente que estava a seguir, afirma: " está mal, porque um vinho de reserva, quando menos se mexer, melhor!"

 

Mas será que as pessoas não entendem!? Já me aconteceu, ao abrir a caixa, haver "brindes" lá dentro, ou o código da  garrafa interior, não corresponder ao código exterior da caixa. Sim, há pessoas capazes disso. Será que as pessoas não percebem que estamos a fazer o nosso trabalho e não a desconfiar!?

mulaVelhareserva.jpg

Chapinhas dos preços na frutaria

 Um destes dias uma cliente, disse ser induzida em erro por causa de um preço na frutaria. Depois de a colega da fruta  lhe  ter explicado, que agora havia uma norma em que o preço em letras maiores correspondia ao preço do quilo e o preço em letras menores ao preço da embalagem (esta pode conter 2 ou mais quilos), a cliente compreendeu e aceitou a situação.

 

Entretanto já aconteceu mais um ou outro caso em que eu tive de explicar o mesmo aos clientes. Alguns dizem  ser publicidade enganosa. Eu disse que era natural que estranhassem agora no inicio desta norma, mas que depois seria um habito. Nem sei se disse o que deveria, sei que disse apenas o que eu achava. Até eu já fiquei uma vez baralhada, porque a tendência é olharmos para as letras maiores e não para as mais pequenas. Vocês já reparam nesse facto na frutaria, naquelas chapinhas dos preços?

  

Santa ignorância...

 

 
O que hoje vos vou contar vem na sequência do post que escrevi ontem. Escrevi o post com o tema" normas dos cupões de desconto" antes de ir trabalhar. Eu dizia que acontece sempre algo devido a uma deturpada interpretação destes cupões. Este caso foi mais um insólito. Uma senhora chega á minha caixa com o seu carrinho de compras, depois de colocar os artigos passa para o outro lado e tira da mala duas cartas daquelas que recebemos pelo correio: "menina tenho aqui dois descontos, um meu e o outro é da minha irmã, ora se ela gasta aqui menos que eu porque tem descontos melhores que eu!?" A carta da senhora é como o exemplo da imagem do post anterior, ou seja, 10% de desconto. O da sua irmã tinha a mesma data mas era 5€ de desconto em compras de valor igual ou superior a 25€. A cliente barafustava porque achava que a irmã gastava menos dinheiro e estava a receber melhor desconto que ela. Então eu fiz-lhe a seguinte explicação: " imagine  que a senhora e a sua irmã fazem ambas compras do valor de 100€, ao apresentarem o cupão de desconto, a senhora fica com 10€ no cartão e a sua irmã fica com 5€, quem é que ficou mais beneficiada? Foi a senhora, certo?" A senhora pareceu compreender e aceitar  a minha dedução. Quando concluo a conta ela dá-me o cupão, mas eu digo: " mas a data que está aqui é a partir do dia 16 e hoje é dia 15 só amanhã é que dá para descontar..." Bem, a mulher começa a barafustar de uma maneira que só visto, estava a ficar violenta, não estava mais ninguém na fila e o intervalo entre a minha colega da frente era de duas caixas e eu estava a prever que a mulher ia tomar alguma atitude menos própria. É então que ela pega nos cupões aproxima-se de mim e diz: " quer ver o que eu faço com esta merd..." e rasga os papéis. Depois continua o discurso e diz que vai ligar para lá (disse mesmo lá, deve ser para a sonae) e diz que vai deixar de ir ali às compras, e conclui com desaforos.

 

Esta senhora, não teve razão alguma para fazer isto, porque estava tudo dentro das normas com os cupões, ela foi bastante injusta. Ela fez figura triste e lamentavelmente não havia mais ninguém por perto para me ajudar a fazer-lhe entender isto. Quando estas questões acontecem dá-me vontade de fugir dali. Mas como não pode ser tenho de contar não até 10 mas até 100 porque 10 não chega!