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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Onde fica a saída sem compras? E a entrada?

É uma pergunta muito frequente, pelo menos, nos supermercados. Claro que cada um tem as suas regras, por isso, vou falar do continente, porque é o  que conheço melhor.

 

A saída convém que seja feita por onde é a entrada, porque o espaço é mais amplo. E agora,  perguntam vocês: "então e não se pode sair pelas caixas?" Eu respondo:" sim, até podem, mas, ora pensem: estão lá pessoas com carrinhos e artigos, têm de pedir licença, as pessoas têm de se desviar, interrompem o atendimento. Por vezes é só mesmo por terem de dar mais uns passos. Acham bem?"

 

Então e as entradas , que são pela porta principal (normalmente no cimo tem escrito Bem Vindo ou mesmo Entrada), mas as pessoas também querem entrar pelas saídas das caixas, se apanham uma "cancela" aberta, porque vezes nos esquecemos de fechar, aproveitam logo e até querem entrar pela saída das caixas selfservice.

 

Parecem cachopos rebeldes, sempre a quebrar regras!

benvindocontinente.jpg

Aceitar normas

Estava a registar as compras a um casal de clientes. A dada altura, havia quatro caixas, cada uma com uma garrafa,  de um vinho de nome mula velha reserva.

 

Abro uma caixa, retiro a garrafa,  registo a garrafa, volto a colocar dentro da caixa,vou para a segunda caixa, e a cliente diz "são todas iguais, porque não multiplica"!? Ao que eu respondo, que pela  norma da empresa, tenho de abrir as caixas e registar o código interior da garrafa e verificar se a garrafa não tem alarme para tirar. E a senhora diz-me ."pois, mas quando é leite, por exemplo, isso não acontece, multiplicam!" E o cliente que estava a seguir, afirma: " está mal, porque um vinho de reserva, quando menos se mexer, melhor!"

 

Mas será que as pessoas não entendem!? Já me aconteceu, ao abrir a caixa, haver "brindes" lá dentro, ou o código da  garrafa interior, não corresponder ao código exterior da caixa. Sim, há pessoas capazes disso. Será que as pessoas não percebem que estamos a fazer o nosso trabalho e não a desconfiar!?

mulaVelhareserva.jpg

Chapinhas dos preços na frutaria

 Um destes dias uma cliente, disse ser induzida em erro por causa de um preço na frutaria. Depois de a colega da fruta  lhe  ter explicado, que agora havia uma norma em que o preço em letras maiores correspondia ao preço do quilo e o preço em letras menores ao preço da embalagem (esta pode conter 2 ou mais quilos), a cliente compreendeu e aceitou a situação.

 

Entretanto já aconteceu mais um ou outro caso em que eu tive de explicar o mesmo aos clientes. Alguns dizem  ser publicidade enganosa. Eu disse que era natural que estranhassem agora no inicio desta norma, mas que depois seria um habito. Nem sei se disse o que deveria, sei que disse apenas o que eu achava. Até eu já fiquei uma vez baralhada, porque a tendência é olharmos para as letras maiores e não para as mais pequenas. Vocês já reparam nesse facto na frutaria, naquelas chapinhas dos preços?

  

Santa ignorância...

 

 
O que hoje vos vou contar vem na sequência do post que escrevi ontem. Escrevi o post com o tema" normas dos cupões de desconto" antes de ir trabalhar. Eu dizia que acontece sempre algo devido a uma deturpada interpretação destes cupões. Este caso foi mais um insólito. Uma senhora chega á minha caixa com o seu carrinho de compras, depois de colocar os artigos passa para o outro lado e tira da mala duas cartas daquelas que recebemos pelo correio: "menina tenho aqui dois descontos, um meu e o outro é da minha irmã, ora se ela gasta aqui menos que eu porque tem descontos melhores que eu!?" A carta da senhora é como o exemplo da imagem do post anterior, ou seja, 10% de desconto. O da sua irmã tinha a mesma data mas era 5€ de desconto em compras de valor igual ou superior a 25€. A cliente barafustava porque achava que a irmã gastava menos dinheiro e estava a receber melhor desconto que ela. Então eu fiz-lhe a seguinte explicação: " imagine  que a senhora e a sua irmã fazem ambas compras do valor de 100€, ao apresentarem o cupão de desconto, a senhora fica com 10€ no cartão e a sua irmã fica com 5€, quem é que ficou mais beneficiada? Foi a senhora, certo?" A senhora pareceu compreender e aceitar  a minha dedução. Quando concluo a conta ela dá-me o cupão, mas eu digo: " mas a data que está aqui é a partir do dia 16 e hoje é dia 15 só amanhã é que dá para descontar..." Bem, a mulher começa a barafustar de uma maneira que só visto, estava a ficar violenta, não estava mais ninguém na fila e o intervalo entre a minha colega da frente era de duas caixas e eu estava a prever que a mulher ia tomar alguma atitude menos própria. É então que ela pega nos cupões aproxima-se de mim e diz: " quer ver o que eu faço com esta merd..." e rasga os papéis. Depois continua o discurso e diz que vai ligar para lá (disse mesmo lá, deve ser para a sonae) e diz que vai deixar de ir ali às compras, e conclui com desaforos.

 

Esta senhora, não teve razão alguma para fazer isto, porque estava tudo dentro das normas com os cupões, ela foi bastante injusta. Ela fez figura triste e lamentavelmente não havia mais ninguém por perto para me ajudar a fazer-lhe entender isto. Quando estas questões acontecem dá-me vontade de fugir dali. Mas como não pode ser tenho de contar não até 10 mas até 100 porque 10 não chega!