Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

As malas e as mulheres

Já todos sabem como são habitualmente as malas das mulheres, incluindo os próprios homens! As malas normalmente estão cheias de coisas, há lá de tudo. Nunca encontramos as chaves do carro; quando o telemóvel toca, demoramos a encontrá-lo.

 

Enfim... todas temos as nossas histórias com as malas. Mas num dia cheio como um sábado,  uma cliente simplesmente não encontrava o multibanco. Não sei se a senhora estava preocupada por não achar o cartão ou  por ter as outras pessoas da fila a desesperar com a demora, sei se ela estava stressada. Vi a senhora ficar vermelha como um tomate e tremer de nervos. Vi um senhor que estava na fila a reclamar da demora. Aqueles minutos pareciam uma eternidade. Pelo que percebi o multibanco tinha entrado no forro da mala.

 

Foi um alívio para a senhora! Mais uma vez uma situação em que se nota a impaciência das pessoas...

 

 

 

Distracção inocente...

 

Mais uma vez vou contar um episódio passado com clientes numa fila de supermercado, na fase do pagamento. Já estava a registar as compras de uma cliente, quando chega uma outra, por sinal amiga desta primeira:
 
Cliente 1: Olá, há quanto tempo, como tens passado...blábláblá
 
Cliente 2: Pois é... Tens um penteado novo, o teu cabelo está fantástico...
 
Como ia embalando sozinha as compras, não percebi como, mas quando reparo a cliente 2, já estava com um livro da oriflame (vendas por catalogo), a fazer publicidade e a incentivar a amiga a comprar cremes e champôs. Nem parecia que eu lá estava ou que elas estavam numa fila de supermercado. Parecia que estavam num café...
 
Quando chegou um 3º cliente homem, eu temi que aquilo fosse correr mal. Porque eu tinha de fazer um esforço para ver se elas se despachavam com os pagamentos para eu passar á frente... Curiosamente aquele senhor (cliente3) esteve ali nas calmas, parecia que tinha tempo de sobra.
 
Entretanto lá deram conta onde estavam e pegaram nas compras e saíram dali! Enfim, acredito que elas estavam mesmo distraídas e que não fizeram por mal. Pois apesar de já serem senhoras de meia-idade, os cosméticos mexem com as mulheres. Mas que aquela demora podia correr mal, podia! Tivemos todos foi sorte em aquele senhor estar ali nas calmas!
 

“Entre a Casa e a Caixa”

Hoje gostaria de vos falar de um livro da autora Sofia Alexandra Cruz, licenciada em Sociologia e Ciências Sociais. Não li o livro mas tive conhecimento da sua existência. Sei também que já tem alguns anitos. Este livro intitula-se: “Entre a Casa e a Caixa”. A informação que tenho é que este livro foi baseado num estudo feito a um grupo de mulheres e o seu enquadramento da vida social e profissional. Um dos capítulos incide sobre o retrato das trabalhadoras da linha de caixa de uma grande superfície.

 

È facto que se para um grupo de mulheres trabalhar fora de casa concede-lhes alguma autonomia económica e isso é para elas muito importante, para outras a actividade de caixa de supermercado é uma alternativa enquanto não aparece nada melhor. No primeiro caso estão as mulheres mais velhas e casadas, no segundo encontram-se as mais jovens, as que ainda estudam e as que tendo terminado os estudos encaram a opção como sendo passageira enquanto não aparece nada melhor.

 

Como já referi este livro já tem alguns anos (2001) e creio que as coisas neste campo já melhoraram um pouco, já que o livro parece focar os aspectos menos bons deste universo de trabalho, ainda assim deixo um apanhado transversal do universo estudado podendo ter-se a seguinte leitura:

 

-71% das trabalhadoras trabalha a tempo parcial;
- 15% ocupa o part-time de 12 horas aos fins-de-semana, sendo estas maioritariamente jovens entre os 19 e os 24 anos;
- 29 % trabalham 40 horas semanais (a mão-de-obra mais antiga);
- 53% tem entre o 10º ano e a frequência universitária, uma escolaridade acima da média da dos restantes trabalhadores da mesma empresa que desempenham outras funções. De notar que na maioria dos casos, as mulheres que frequentam o ensino universitário ocupam horários a tempo parcial, nomeadamente aos fins-de-semana;
- 39 por cento é jovem, com idades entre 19 e 24 anos;
- 41 por cento tem situam-se entre 25 e 30 anos e são solteiras;
-  Metade das inquiridas possui entre o 4º ano e o 9º ano de escolaridade

 

  Nos nossos dias assiste-se a uma ilusão de flexibilidade.
Por um lado exige-se a polivalência, sempre implícita a este tipo de cargos, e, por outro lado, se a versatilidade de horários permite a opção do trabalho por turnos, a permanente mudança de horário leva a situações de acréscimo de trabalho ou à exigência de cumprimento de horários que não são compatíveis com as vivências familiares de algumas dessas mulheres, o que instaura situações de ansiedade e angústia, uma situação que se percebe melhor quando do universo estudado pela autora se verifica que 46% das mulheres são casadas.

 

(Queria deixar assente que obtive estas informações na revista Recensio)