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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

E a "saga" da prioridade continua na fila

Estou a acabar o atendimento a uma cliente. A seguir está uma velhota já com algumas coisas no tapete e depois desta, está uma jovem senhora, grávida. Esta senhora, por acaso brasileira, pergunta se há uma caixa para grávidas, e se pode passar.

Fiquei ali um pouco indecisa, porque pedir a uma senhora idosa, e se calhar mais debilitada que a grávida, não seria bom senso. Então perguntei à senhora idosa, se ela se importava que atendesse primeiro a senhora grávida, ao que ela perguntou "mas porquê , ela está com pressa?". Respondi que estava grávida, e a senhora idosa não entendeu, o porquê desta querer ser atendida em primeiro lugar. Perante isto a senhora grávida, disse que esperava.

Quando chegou a vez da senhora grávida, eu expliquei que não tínhamos uma caixa exclusiva para grávidas, tínhamos as caixas prioritárias, mas, as mesmas, incluíam grávidas, deficientes, crianças de colo, idosos debilitados... A senhora disse: " mas isso não está muito certo, devia ter caixa para grávidas e cadeirantes, porque, assim a pessoa fica inibida de estar a pedir"! Disse à senhora que quando há vários clientes  prioritários, o atendimento é feito por ordem de chegada à fila, mas pareceu-me que a senhora não concordou, ou não entendeu!

Ainda bem que estes "conflitos" não acontecem todos os dias, e que muitas pessoas já conseguem usar o bom senso, porque não é fácil gerir!

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Aquelas duas velhotas trapaceiras

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Por algumas vezes, quando   as atendia, julguei que eram mesmo duas velhotas um pouco despassaradas, alheadas!

 

Tinha de estar sempre a conferir os carrinhos, pois esqueciam-se sempre de alguma coisa. Não me parecia que fosse com intenção!

 

Mas a situação começou a se repetir tantas vezes, que comecei a ficar mais atenta!

 

Da ultima vez, uma delas levava um saco térmico tipo lancheira, e quando ela ia a passar eu vi algo vermelho lá dentro, nem percebi se era algum papel ou o que era e perguntei o que era aquela coisa vermelha. ao que a senhora me responde "são  uns gelados!"  Digo: "então mas tem de os por em cima do tapete para eu os registar"! E ela responde "ah era para não descongelarem"! Também levava peixe congelado, e esse, meteu-o em cima do tapete, por isso julgo que não foi distração, pareceu-me que a intenção era mesmo levar os gelados à borla!

 

Afinal, parece-me, que  nem todas as pessoas com mais idade, são completamente inocentes!

 

O "poder" das palavras

O atendimento a pessoas com mais idade, pode nem sempre ser fácil. São pessoas que precisam de mais tempo, e muitos dos que estão na fila, não entendem isso, não estão dispostos a esperar.

 

Ajudei uma senhora que estava sozinha, no embalamento das compras, tentei despachar o mais depressa possível. Mas, a parte de tirar a carteira da mala, procurar os cupões, e tudo isso, não pude, obviamente, intervir. A senhora remexia, remexia e não encontrava a carteira. As pessoas da fila, já mostravam impaciência, e isso ainda atrapalhava mais a senhora.

 

Finalmente a senhora lá encontrou a carteira e os cupões. No final, antes de se ir embora, disse-me "obrigada pela ajuda e pela paciência"! Palavras, que naquele momento e naquele dia, souberam tão bem!

 

Por vezes, e para determinadas pessoas, tenho pena de não ter tempo para dar mais atenção, mas tenho de ser rápida a executar as tarefas, porque quem espera, desespera!

 

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A velhice não tem ser assim...

Costuma lá ir um senhor que me recordo de o ver lá como alguém bem disposto e de saúde. Mas agora, com o avançar da idade, ou apanhado por alguma doença, apesar de fisicamente parecer bem, noto que está debilitado. Atrapalhado, esquecido, mas se me ofereço para ajudar a embalar as compras não aceita, deve achar que me ofereço por ele estar a demorar , mas não é isso, nós ajudamos mesmo, seja quem for.

 

Tenho de ir pelo passo dele, devagar, devagarinho, mas é mesmo assim, eu tenho paciência (este senhor faz-me lembrar alguém muito próximo, que já não está entre nós), quem está na fila tem de compreender. Quando o senhor finalmente saiu da minha caixa, uma senhora que o conhece disse que aquela debilitação lhe chegou de um dia para o outro, e disse, que ainda por cima, tem a esposa acamada. Outra pessoa da fila, disse que mesmo assim ele ainda conduzia e que já o tinha visto fazer uma rotunda ao contrário!

 

É triste assistir a estas situações, saber das dificuldades destas pessoas, a velhice não tem de ser assim!

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Quase 98 anos de vida

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Já atendi um senhor tantas vezes e nunca me ocorreu que ele já tivesse 97 anos, e em breve a fazer os 98. Fiquei mesmo surpreendida. É que o senhor não tem nem cara, nem postura  e muito menos conversa para  uma pessoa tão idosa. Mas, disse-me ele, trabalhou desde os 13 anos e esteve numa mesma empresa 49 anos. Enfim, teríamos tema para uma grande conversa, não fosse o movimento do supermercado exigir que eu tivesse de dar atenção ao cliente seguinte!

Com educação e civismo tudo se consegue

Na fila está uma jovem e quase que encostada a ela está uma idosa com três artigos na mão. Esta idosa parecia-me estar com a jovem, pela atitude de estar tão “colada” a ela! Mas, mal acabei de atender a jovem, diz-me a senhora idosa: “ esta juventude, a ver que eu só tinha estas coisitas e nem me deu a vez!” Foi quando percebi que elas não estavam juntas. A jovem ao ouvir isto ainda disse: “ Por acaso pediu-me alguma coisa? Não gosto nada que se encostem a mim e que me pressionem. Pensa que por ter idade pode tudo!?”

 

A idosa apenas baixou a cabeça, e já não respondeu, certamente, porque sentiu que a jovem tinha alguma razão, ou porque teve receio de um maior confronto. Acho que com educação e civismo tudo se consegue, e foi o que aqui faltou por parte da senhora mais velha!

 

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Os mais velhos quando vão à caixa precisam de mais tempo...

Uma das principais características da minha profissão é a rapidez e eficiência no atendimento e no registo das compras. Parece normal, já que é o que a maior parte das pessoas  têm horários a cumprir. Mas, e os mais velhos? E aqueles que não tem a mobilidade dos demais? Muitas vezes fico a pensar neles.

 

Um destes dias atendia uma velhota que mal se conseguia mexer. Eu embalei todos os seus artigos e tentei ajudar no que pude. Esta cliente usou cheque como meio de pagamento e este processo é muito demorado. O mundo parece não estar disposto a esperar nem a ter mais tolerância para este grupo de pessoas.

 

Eu tento tratar estas pessoas como eu gostaria que tratassem as pessoas da minha família e amigos ( nesta circunstâncias) que me são queridos e próximos, mas por vezes é muito complicado porque as outras pessoas que estão na fila não estão dispostas a aguardar.

 

Neste caso que relatei , a cliente a seguir disse na presença da outra cliente enquanto esta passava o cheque, frases como :  isto assim não pode ser; não tenho o dia todo;  esta gente não tem desembaraço nenhum...enfim eu até fiquei constrangida.

 

O que se pode fazer? Este grupo de pessoas não pode ser ignorado e merece todo o nosso respeito. Não deveria haver uma caixa especial para estas pessoas? Uma caixa sem a correria das demais? Não sei se seria solução adequada, mas acho que se devia pensar um pouco nisso...