Um destes dias, uma cliente, interrompeu a fila por três vezes.
Já estava a embalar as compras, quando se lembrou que lhe faltava um artigo. Saiu para o ir buscar, demorou mais tempo, porque teve esperar a vez na charcutaria, para trazer fiambre.
Já ia a meio do embalamento, quando se lembrou de ir imprimir cupões.
Por fim, concluiu que era muito peso, para levar em braços, e, encostou os sacos e foi à rua buscar um carrinho.
Por sorte, o movimento estava fraco, e o cliente seguinte, apesar de ter ficado indignado, e ter depois da cliente ir embora ter comentado, não reclamou muito, pois compreendeu de quem era a culpa.
Mas será que as pessoas que têm este comportamento, não se dão conta, ou acham que são vedetas!?
Aqui há uns dias, estava a atender uma cliente que depois de colocar os artigos no tapete, passa para o outro lado, mas leva lá um saco térmico, que percebo que tem coisas dentro. Havia espaço no tapete para o colocar.
Eu : E esse saquinho aí?
Cliente : São os congelado, já lhe dou, estão aqui, para não se estragarem.
Eu: Mas tem ali espaço para o saco !
Cliente: Está com medo que eu não pague !?
Eu ( já a começar a stressar): Não se trata de ter medo, são regras, os artigos , não podem ir para esse lado, não estando registados e ainda por mais, dentro de sacos!
E pronto lá meteu o saco. Havia necessidade disto!?
Como já aqui disse, apesar de existirem clientes mais desafiantes, gosto do que faço, pode parecer um trabalho ás vezes monótono, mas há sempre situações caricatas, que nos despertam, que nos incomodam, que nos ensinam alguma coisa, e até que nos dão vontade de fugir...
Há uma senhora, que até é educada e simpática, mas que para mim, é a empata filas, pois quer venha sozinha ou acompanhada, tem quase sempre a tendência de empatar, ou porque se esquece de alguma coisa, e deixa os artigos no tapete e desaparece, ou porque tem de ir buscar um carrinho, ou porque se esqueceu de imprimir cupões, ou porque está na conversa e não me responde ás perguntas. Enfim...
Desta vez já tinha pago e tinha os sacos sobre o tapete quando lhe toca o telemóvel. Decide atender, encostar-se e não retirar os sacos que estavam a ocupar todo o tapete de saída, impedindo que eu atendesse os clientes seguintes.
Ainda aguardei alguns segundos, mas ela continuava no corte e costura da sua conversa. Até que o cliente seguinte lhe diz já um pouco impaciente e com toda a razão: "importa-se de retirar os sacos daqui, que as pessoas estão à espera!" Ao que ela responde, achando-se no direito disso "olhe, educação e boas maneiras nunca fizeram mal a ninguém!"
A pessoa ainda acha que os outros é que tinham de esperar pacientemente ela acabar o telefonema, para terem o espaço livre para serem atendidos! É caso para dizer "mas que grande lata!"
É uma situação muito comum, um cliente querer pagar duas contas (ou até mais) em separado, ou porque está a fazer compras também para outra pessoa, por uma questão de organização, ou pagamentos, ou até, porque faz compras para si e para a sua empresa, ou por outra razão qualquer. Sei, que para quem está espera e com pressa, é chato, mas é um direito que a pessoa tem.
Estava a atender uma cliente que , quando uma outra chegou eu ainda estava a terminar a primeira conta e o separador do cliente seguinte estava a marcar . Enquanto estava a tratar do pagamento e a finalizar, essa outra cliente, empurrou os artigos da cliente que estava a atender para o lado, e colocou lá os seus. Quando vou para começar o registo da segunda conta da cliente, os artigos dela, já lá não estavam.
Pergunto à cliente intrusa se tem prioridade, ao que ela responde: "não, pensei que estas coisas eram de alguém que tinha se esquecido de alguma coisa, e eu não ia ter de ficar à espera."
Respondeu a primeira senhora: " não, isso é meu"! A outra senhora ainda diz "mas você já pagou". Ao que eu respondo que são duas contas. Meio contrariada e zangada lá tira as coisas dela, para o fim do tapete.
Enfim, é preciso muita paciência. Paciência infinita!
Uma senhora com duas crianças, avó moderna, chique, deixa alguns artigos dentro do carrinho e passa com as crianças e os outros artigos para o outro lado. Eu ainda não tinha concluído a conta da pessoa que estava a atender. Quando lhe digo que ainda tem coisas no carrinho que não colocou no tapete, ela responde: "não tenha medo que eu não vou roubar nada! Não vê que estou com duas crianças!? Já lhe dou as coisas!"
É isto tipo de pessoas, que se acham importantes, mas são arrogantes, soberbas! Então, a criatura tinha alguma coisa que estar a passar para o outro lado quando a outra pessoa ainda não tinha saído, e, ainda por cima, com artigos dentro do carrinho!? Não consegue dar conta, cuidar e ter controlo, de duas crianças e fazer compras de forma respeitosa, ao mesmo tempo? Qual era a intenção!? Qual era a pressa!? Vive na civilização ou na selva!?
Tantas pessoas que estão com crianças e não fazem tais figuras! Grande exemplo para estas crianças!
Quando numa destas manhãs cheguei ao meu "continente" e vi que tinham retirado todos os acrílicos, a sensação foi de alivio e felicidade. Já não seria mais necessário falar a gritar!
No entanto, minutos depois de estar a trabalhar sem os acrílicos, já os desejava de novo!
Os clientes ficam em cima de nós, alguns até se debruçam à frente, outros tiram-nos os artigos das mãos antes de nós os registarmos, arranham-nos, invadem o nosso espaço, atiram as moedas para a nossa frente, não posso ter nem a caneta ali que mexem. Houve um senhor que eu tive de pedir para não me tirar as coisas das mãos porque não me deixava registar, ao que ele respondeu que não estava a tirar-me nada das mãos. Houve uma cliente que colocou o saco dela em frente ao meu scanner e registou-o de novo, pedi que se chegasse um pouco mais para o lado e respondeu "já chego, deixe-me só acabar aqui". Tento empurrar os artigos mais para o fundo, mas os clientes não saem de cima de nós! Faz-me aflição!
Caramba que não aprenderam nada com a pandemia, não perceberam que a pandemia tinha vindo para tornar as pessoas mais civilizadas, com hábitos mais corretos. Que invasão!
Nem que seja só uns centímetros, voltem a colocar uns acrílicos ou alguma barreira ali, por favor!
Um destes dias, estava eu a atender um dos últimos clientes do dia, quando este, tendo espaço atrás no tapete, atirou um artigo contra o acrílico. Pensei "oh estou quase a sair, não me vou estar a chatear"! Fingi que não vi. Entretanto, a pessoa repete atirando outra coisa. Respirei fundo, e voltei a não dizer nada! Mas à terceira disse. "Mas o que é isto!? Um cesto de basquetebol!?" Não sei se me percebeu! Pelo menos não repetiu a façanha!
Parece que na visão de algumas pessoas, há ali um cesto de basquetebol para incestar artigos!
Uma senhora de idade estava com a jovem neta às compras.
Todo o processo estava a correr muito bem, a neta foi muito pro-activa a ajudar a avó. Chega a fase do pagamento, e a velhota abre a carteira põe a máscara no queixo, pega numa maço de notas de 20€, cospe para os dedos e começa manusear as notas. Peço-lhe para colocar a máscara, vira-se para mim, e na maior descontração diz-me "e como é que quer que conte o dinheiro com a máscara"!? Como se o dinheiro só se pudesse contar daquela forma. É a neta que convence avó que tem de por a máscara.
Daqui se percebe que ainda há muita falta de comunicação, entendimento e cuidado em relação a esta pandemia. Do que adianta aquela senhora ter levado a máscara, ter provavelmente desinfetado as mãos à entrada, ter feito o distanciamento se depois fez umas das piores asneiras !?
Estou ainda a atender uma cliente, quando a cliente seguinte empurra o seu carrinho vazio até tapar a janela de pagamento do acrílico, espaço que era necessário para a outra pessoa fazer o pagamento. Peço-lhe para afastar um bocadinho e ela responde: "ah é só o carrinho que está aí , acho que não faz nenhum mal!" Virei-me pro outro lado, respirei fundo, chamei-lhe um ou dois nomes feios. Com a máscara e falando baixinho, ninguém percebe, mas alivia !
Entretanto atendo um senhor que quer ser ele a decidir como eu lhe registo as compras, porque já foi empresário e sabia muito bem a melhor forma de facilitar o cliente.
Mas será que esta gente acha que nós estamos ali só para implicar!? Acham que nos dá algum prazer ter de chamar atenção!?
Se cumprissem as normas, se lessem cartazes, respeitassem sinalética, distanciamento. Está tudo sinalizado e escarrapachado, nós não estamos a inventar nada. São normas não só da empresa, como também governamentais. Mas as pessoas gostam mais de questionar tudo, do que respeitar.
Se cada cliente fizesse a sua própria lei, isto seria a República das Bananas!
Continuo a achar que devia ser proibido atender e fazer chamadas desde que começam a colocar os artigos no tapete até ao pagamento e retirada dos artigos/sacos do tapete de saída, a não que seja alguma coisa urgente, ou apenas para dizer à outra pessoa que está do outro lado, que agora não pode atender.
Um destes dias, uma senhora ia colocando os artigos no tapete com uma mão e com a outra segurava no telemóvel e falava descontraidamente com alguém. Avisou-me que tinha três contas. Termina uma conversa desliga, paga uma das contas, novamente o aparelho toca e a senhora volta à lentidão. Começo a stressar e pergunto se posso colocar as coisas no saco, diz que não, porque tem se separar as coisas. É que ainda se dá ao luxo de andar com picuinhiches a arrumar as coisas. Quero avançar para a outra conta, mas ela continua ao telemóvel e a ignorar-me. Lá desliga, mas logo a seguir, faz ela uma chamada.
Uma pessoa perde a paciência, desta vez ninguém se queixou na fila, mas uma vez, numa situação igual (só não estávamos em pandemia) um senhor me disse que a empresa não devia permitir que atendessem o telemóvel, até falou num país que tinha mesmo um sinal de proibido.
No continente, há vários procedimentos onde se tem de usar o telemóvel, tais como a aplicação, cupões, o continente pay, por isso é complicado proibir o uso, mas podiam proibir as chamada e/ou a utilização para outros fins.