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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

O tapete rolante do supermercado não é carrossel

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Um destes dias, um casal de avós, teve a ideia peregrina de colocar a netinha pequenina (praticamente bebé) dentro do cestinho de rodas e na ponta do tapete, para a criança andar, como se aquilo fosse um carrossel.

Riam-se muito, divertidos,  sem noção, do perigo, da insensatez. Foi um colega que me chamou a atenção, o que fez com  que eu imediatamente desligasse o tapete rolante, mas o pedaço de tempo que o tapete andou ficou sujo das rodas do carrinho e até riscado. Só lamento ter ficado tão perplexa, que não consegui dizer alguma coisa, mas, ao verem que o tapete não ia andar tiraram a criança!

Ainda devem ter achado que fui uma chata por não ter participado naquela brincadeira! Certamente o meu semblante , falou por mim! Muito gostam os adultos de achar que o tapete serve para colocar lá as crianças! Certamente já viram algo parecido!

Eram uns avós aparentemente todos chiques, mas com esta atitude adolescente e parva! Se acontece um acidente, de quem seria a culpa? Que gente mais inconsciente!

Desculpem o desabafo, mas fiquei indignada!

As crianças, o natal, as birras

Chegamos oficialmente ao Natal! São as iluminações, nas ruas, as decorações dentro das lojas, e, principalmente, muitos brinquedos atrativos para os mais pequenos!

Hoje ouvia-se muito o choro das crianças no supermercado! Eu entendo, é tanta coisa bonita, e depois os adultos só dizem para esperar pelo natal!

Não deve ser fácil para as famílias, irem ao supermercado, nesta época. Uma cliente dizia-me "também assim que entramos vamos logo de caras para os brinquedos, nem dá para nos desviarmos!"

Também vi um casal com uma criança a suplicar qualquer coisa, e o pai a dizer "então no fim das compras vimos aqui buscar isso!" Pois, pois, pensei eu!

Mas também, assim é uma forma das famílias perceberem quais os brinquedos que mais agradam às crianças, para depois comprarem algo que já sabem que é do gosto da criança, digo eu, que sou apenas uma operadora de caixa que tem uma lupa para as situações!

 Uma mãe dizia ao seu menino, que havia muitos meninos e que todos tinham de ter um brinquedo, e que, por isso, ele só podia escolher um. E ele aceitou, e não devia de ter mais de 3 aninhos!

Os brinquedos deveriam de ter como objectivo fazer as crianças felizes, e não as fazer chorar!

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Que menino tão querido

Depois de uma situação menos boa com uma cliente, eis que chega uma mãe com dois filhos um bebé de dois anos sentadinho e outro menino de seis anos.

Só posso dizer que já não me ria assim de gosto há algum tempo. O menino era um tagarela, mas era uma graça. Por vezes tinha dificuldade em acompanhar a sua conversa, mas ele repetia o que eu não percebia.

A mãe só o mandava calar, mas ele estava elétrico, se se calava por uns segundos, logo retomava a sua  narrativa. Contudo, foi sempre muito educado, só tinha muita energia acumulada, com certeza!

São também estas situações engraçadas e estas crianças que nos alegram o dia!

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Um brinquedo não é um bem essencial, mas...

Uma cliente pergunta-me se sei até quando vai ser proibida a venda dos artigos. Respondo que não sei, que depende dos nossos governantes. A  cliente disse que queria comprar um brinquedo para uma criança que fazia anos. Percebi que estava triste por isso, porque mesmo não sendo um bem essencial, provavelmente era uma criança pequena, que já tinha  de estar confinada, provavelmente sem amigos no aniversário, e, ainda por cima, não teria  brinquedos. Nem todas as pessoas sabem comprar on line.

É que são crianças, não dá para fazê-los entender esta nova realidade!

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Questões que alguns clientes colocam

Uma cliente perguntou-me se aqueles carrinhos/cestos estavam desinfetados. Ora eu sei que são desinfetados, mas também sei, que seria impossível desinfetar cada cesto, a cada cliente, então respondi : "Sim são desinfetados!"

Mas um conselho que já me deram é pegar no puxador com luvas ou com um lenço papel ou como agora cada um de nós anda com álcool gel ou spray colocar um pouco na pega.

Também me perguntaram se podiam pagar em dinheiro, porque achavam que não se podia. Expliquei que não era questão de não se poder, mas que apenas era mais aconselhável usar cartão, por causa do manuseamento das moedas e das notas e porque as mesmas andam em muitas mãos. Uma coisa que me ensinaram mesmo antes da chegada desta pandemia é que o dinheiro é a coisa mais suja que existe!

Uma cliente também perguntou se agora não podia levar a filha ao supermercado, porque já a tinham criticado. Eu respondi que não era proibido, mas que era aconselhável. Até disse à senhora que também não era aconselhável, irem pessoas idosas, pessoas com doenças de risco, mas, nada é proibido. Temos é de ser responsáveis e consistentes. Até lhe disse, que se ela tivesse  onde deixar a  filha, pelo menos enquanto isto estiver assim, era preferível. Aparentemente concordou... 

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Mentes brilhantes

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Este artigo, à venda no supermercado, é hilariante! São pequenos "cocòs" brilhantes com olhos e têm no interior, slime, uma coisa pegajosa.. 

Um dia uma menina pedia á mãe que lhe comprasse. "Mas isto parece um cocò"! Ao que eu respondi "e é mesmo"! Vai a mãe diz "já inventam tudo, um cocò com olhos!" Quando digo o preço, esta mãe fica ainda mais admirada! 

Vai a menina dá a explicação que faz todo o sentido e deixam-nos muito mais elucidados: "Sim é cocò, mas é cocò de unicórnio"!

Aquela birra, foi horrível

No passado sábado, a manhã esteve caótica, cheia de clientes, fim de mês é natural.

No meio de tanta gente, está na fila atrás de mim, uma mãe, uma avó e um menino ai dos seus 3/4 anos. Estava com uma birra descomunal, gritava alto, esperneava, a avó tentava em vão o assoar, pois a cara dele era ranhoca, era lágrimas!

O barulho era tanto que eu não conseguia ouvir o pip da máquina ao passar os artigos, nem os clientes me ouviam a fazer as perguntas habituais , nem eu ouvia as respostas.

Uma senhora na minha fila com um rapaz adolescente e uma bebé no carrinho, dizia "espero que a minha nunca faça uma birra destas"!

Não sei qual o motivo da birra, julgo que também não tenha sido fácil para aquelas pessoas verem toda a gente a observar e a tecer comentários.

O momento foi longo, e valeu a muita gente, eu incluída, uma grande dor de cabeça!

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Queixas dos pais

É habitual haver perto das caixas de saída, artigos atrativos para as crianças. E claro eles pedem aos pais para comprar! Depois os pais queixam-se, dizendo que fazemos de propósito!

 

É verdade são muitas tentações, e sim, se calhar é uma boa estratégica! Mas também é uma forma de educar. Não é só ali que eles fazem birra, se os pais conseguem fugir do corredor dos brinquedos e são apanhados ali, há que usar o dialogo e tentar não fazer do momento uma tortura!

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Ternura entre irmãos

Estou a atender uma jovem mãe com os seus dois filhotes: o mais velho devia ter cinco anos e o mais novo três.

 

O menino mais novo chorava, chorava, dizia "mas eu queria", e a mãe dizia, "este não é para ti, é para o Vicente". Era um jogo. Então, eu perguntei ao menino se o pai natal se tinha esquecido de deixar algum brinquedo, ao que a mãe respondeu: "tem a sala cheia de brinquedos novos, tantas coisas, e quer sempre mais alguma coisa"!

 

O choro do menino era tão alto que chamava a atenção das pessoas que estavam tanto na minha fila como nas filas próximas.

 

A mim, o que me comoveu, foi que enquanto o menino mais novo soluçava de choro, o mano mais velho fazia-lhe festinhas na cara, que ternura. Tão bom de ver!

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Imagem copiada da Internet