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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Quando uma criança chora no supermercado

Estava a atender uma jovem mãe que trazia o filhote no carrinho. Um menino talvez com cerca de dois aninhos.

O menino trazia na mão dois artigos, um deles era uma tinta para o cabelo em formato de balde. A mãe pediu para ele lhe dar para eu registar. Mas, o menino desata num choro profundo, e segura com toda a força no objecto. Fiquei preocupada porque aquele choro, parecia de desespero e dor, estava a ficar vermelho e cheio de lágrimas. Ainda me ocorreu pedir a uma colega que fosse buscar um artigo igual, mas não estava ali ninguém por perto. Então pedi ao menino se me podia só emprestar que eu já lhe dava, lá se aclamou, registei e entreguei logo de seguida e o choro parou. Até comentei  com a mãe que nem era por um brinquedo, e a mãe disse que ele era mesmo assim!

Quando saiu já ia todo bem disposto, mas sempre com o artigo nas mãos!

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E a mãe permitiu?

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Estou a atender uma senhora com o seu filhote de  cerca de três, quatro anos. Acho graça ao miúdo e meto conversa, só que ele tinha a boca cheia de gomas e não conseguia responder, reparo que também tem gomas na mão. E diz a mãe: "ah ele já foi roubar gomas!" E ri-se. Não eram gomas de um pacote, que tinha aberto e depois ia pagar, mas sim daquelas que se vendem em avulso, que as pessoas trazem num saquinho  e depois nós pesamos na caixa...

 

Será que custava muito esta jovem senhora, dizer ao menino que tinham de por as gomas no saco e dar na caixa para se pesar e pagar, porque não se rouba!?

 

Com a cara que eu fiz, julgo que a senhora entendeu o desagrado!

O sorriso puro de uma criança

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Uma das coisas melhores para alegrar o dia de uma operadora de caixa (falo por mim, mas creio que não sou a única) é estar a atender alguém acompanhado de uma criança e  ver o  sorriso dela dirigido a nós. Aquele sorriso tão puro, sincero,  genuíno, e até, maroto.  Por vezes mostram também aquele ar envergonhado quando nos metemos com elas, a esconderem-se. Costumo fazer o "cú-cú-trás-trás" e elas colaboram.

 

Depois saem de lá a dizer adeus a mandar beijinhos e nós ficamos reconfortadas e com mais alegria para continuar a nossa tarefa!

Trabalhar não é coisa para crianças

Um jovem pai, o seu filho ( cerca de 6/7 anos) e a sua mãe (avó da criança) chegaram à minha caixa com um carrinho cheio. Apenas tinham colocado um artigo sobre o tapete, e a avó desaparece. Logo a seguir é o jovem pai que diz ao filho,  para ele colocar as compras no tapete, porque ia buscar algo. O tempo a passar e a criança a colocar os artigos no tapete. Como era uma criança fazia o processo devagar e com alguma brincadeira. Uma vez que não estava lá mais ninguém eu ia embalando. Quando alguém se aproximava da minha caixa e percebia o filme, dava meia volta e saía dali. A meio do percurso, o pai vai lá levar uma ou duas coisas, diz ao filho para se despachar e volta a desaparecer. A criança continuava a sua tarefa. No carrinho havia uma caixa de cervejas que o menino nem conseguia levantar. Pedi-lhe para deixar estar que eu ia lá ver o código. O pequeno já devia de estar habituado à tarefa, pois fazia tudo descontraidamente e (repito) a brincar. O pai chegou lá e apenas passou o carrinho para o outro lado. Depois chegou a avó , deixou lá um cestinho vermelho daqueles com rodas e voltou a desaparecer. Foi novamente a criança que foi lá despejar o cestinho, enquanto o pai colocava os artigos, já todos embaladinhos por mim, no carrinho. Até um pack de 4 garrafas de água a criança colocou com muito esforço sobre o tapete.

 

No final pagaram, e foram embora, nem um obrigado por ter sido eu a embalar tudo!

 

Fiquei a pensar na criança, pois tenho um filho da mesma idade! O menino pareceu-me feliz e tudo, mas achei que o podiam ter ajudado  e não ser só ele a ajudar os adultos!

Quem é má?

Uma criança levava um brinquedo, mas os seus pais queriam deixar lá o brinquedo, e pediram ajuda para o desmotivar de levar o brinquedo. Lembrei-me de dizer ao menino que o carro estava estragado. Mas respondeu: "não está nada!" e esteve durante um grande espaço de tempo a dizer-me que o carro estava bom, e parecia estar tão zangado comigo! Enfim... a culpa calha sempre ao mesmo!

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Birras

 

É já um episódio clássico de uma loja como o Continente. Quase todos os dias vimos ou ouvimos birras! Hoje o pequeno que protagonizou mais uma, não dizia nada apenas gritava e apontava com o dedo. A mãe ia arrumando as coisas e a avó ia o tentando acalmar. O movimento não era muito, mas as pessoas que estavam paravam para olhar a criança. Aqueles gritos não paravam e cada vez se intensificavam mais. Não sei como ele conseguia se manter tanto tempo naquela gritaria, pois devia de estar a esforçar os seus pulmõezinhos.

 

Entretanto do lado da saída das caixas, chega perto um casal de velhotes. O senhor começa a falar com o menino, retira-o do carrinho e pergunta-lhe se ele quer ir com eles de novo para dentro do supermercado e a criança responde afirmativamente. No inicio, pensei que a família da criança e este casal se conheciam, mas depois percebi que não. Mas a criança preferia ir com aquele casal de desconhecidos de mão dada do que ficar com a mãe e avó. Nestes breves instantes a birra parou, mas quando a mãe teve de o tirar daquele simpático casal, a birra voltou! Todos os que assistimos a este episódio ficamos admirados e acabamos por rir da situação. Vá se lá entender a cabecinha daquele menino com carinha de anjo, mas uma pestinha marota!

Conversas de circunstância

Na fila para a caixa do supermercado, há sempre uma conversa ou outra. As ditas conversas de circunstância. Neste caso, estavam aí umas três pessoas na minha caixa, e o ambiente calmo. Estava uma menina já crescida com a sua mãe.

 

A certo momento a menina tira da mala da mãe um porta chupetas com três chuchas, e começa a chuchar ora numa ora noutra. Uma senhora que estava na fila diz : "uma menina tão crescida ainda de chucha" (Podia ter sido eu a usar esta frase, pois também pensei o mesmo)!

 

É então que a mãe da menina responde com um ar todo decidido: " Ela tem este tamanho, mas tem apenas SEIS aninhos e feitos há pouco tempo!" Pois, ninguém respondeu. Acho que tal como eu a outra senhora ficou a pensar: " seis anos? E não era altura de largar a chucha? Depois vai ter de por aparelho nos dentes!"

 

 

Feliz dia da criança

Recordo-me que em anos anteriores no Modelo, neste dia, costumávamos oferecer balões às crianças que passavam nas nossas caixas. Hoje isso não aconteceu. Notei que muitos clientes levavam um ou outro brinquedo. Alguns brinquedos até estavam com 50% de desconto.

Do posto de vista de operadora de caixa, é tudo o que pude reter deste dia.

 

Agora vou comemorar o dia com o meu filhote, tenho para além de carinho, amor e atenção,  um brinquedo com 50% de desconto em cartão.

 

 Balão - Bexiga

Feliz dia para todos!