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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Se o uso de máscara se tornar obrigatório

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Acredito que vai chegar a uma altura em que o uso da máscara será obrigatório, por isso resolvi experimentar... e ao contrário do que eu achava, não é fácil. Parece que me falta o ar. Mas, estou a tentar me adaptar!

Já quando tinha de usar o lenço da farda atado ao pescoço me sentia mal,  mas desta vez, se for para minha segurança, vou insistir!

Pessoas que vão às compras para elas e para os outros

Por vezes tenho a sorte de atender, pessoas  que são uma verdadeira força da natureza, uma lufada de ar fresco. Pessoas solidárias, que vão às compras, não só para elas, como também para familiares, vizinhos, amigos, que nesta altura que o pais atravessa, não podem ir à rua.

Gostaria de partilhar duas histórias.

A primeira, uma jovem mulher, cujas compras eram para ela, pais e avós. O carrinho estava lotado, ela queria ir logo separando, nos sacos. Muito desembaraçada, de um    lado  para o  outro.  Ao mesmo tempo conversava comigo,  simpática, educada, bem formada,  daquelas pessoas que nos fazem sentir úteis. Ao ver eu a dizer ao próximo cliente para aguardar atrás da sinalética, elogiou a minha atitude e disse que não eram só os médicos que mereciam a sua admiração.

A segunda história foi um rapaz, quase que diria, ser menor. Também me disse que era o único da família de quatro elementos que podia sair e ir às compras. Tão desenrascado. Também tinha o carrinho lotado, mas não se atrapalhou.  Educado, simpático, conversador, atento.

São pessoas destas que nos fazem sentir úteis. Que bom seria que existissem mais assim!

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Obrigada aos clientes

Porque nós, no tempo em que estamos  perante este maldito vírus, também temos de agradecer.

Muito obrigada aos clientes por não levarem as crianças e adolescentes  consigo ás compras. Finalmente, as pessoas compreenderam, que os mais novos, não são muito  afetados pelo covid-19, ou que, mesmo apanhando, os sintomas não se manifestam, mas, elas podem transmitir o vírus às outras pessoas. Por isso, pediram que não deixassem as crianças com os avós!

Obrigada aquelas famílias que já escolhem um membro para ir sozinho ás compras e não vão em grupo, é melhor para vós e para nós.

Obrigada aqueles clientes que têm sempre uma palavra amiga, que perceberam que precisam de nós, tal como nós precisamos dos clientes.

Obrigada aqueles que entendem as regras e respeitam os espaços de segurança!

Bem hajam!

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Os rebeldes

Quem diria que nesta época de pandemia, haveriam de ser os mais velhos, a não aceitarem bem as regras, a desvalorizarem, a dizerem "ah se morrer, morro, já vivi muito!"

Pelo menos pensem nos filhos, nos netos, nos que trabalham e zelam pela sua alimentação, saúde, segurança etc.

Sejam um pouco mais tolerantes, respeitadores. Dêem o exemplo. Não se esqueçam que são a faixa etária onde o vírus incide mais.

Pensem um pouco mais nos outros e deixem de fazer birra!

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P.S.

Não tenho com isto a intenção de generalizar e dizer que são todos assim, são apenas, do meu ponto de vista, a maioria.

Exceções à regra

Tenho aqui partilhado o facto de a maioria dos clientes estarem a aceitar bem as normas de prevenção, tanto para funcionários como clientes.

No entanto, há sempre exceções à regra. Hoje quando vi o cliente seguinte a colar-se ao anterior, pedi que não avançasse ainda e ele responde "não se preocupe que eu não vou pegar nada a ninguém"!

Assim se pode ver que ainda há alguma falta de informação. Tentei explicar, mas logo percebi que não ia resultar. Ainda houve alguém a dizer que com a idade as pessoas tinham mais dificuldade em entender.

Entretanto, um outro cliente, talvez pela mesma idade disse " mas isto não é novidade, já no tempo dos nossos avós, apareceu uma coisa parecida, era a pneumónica, foi em 1918/19 e morreu muita gente, só naquele tempo, não havia informação!"

Porque achei curioso, até memorizei a palavra, para ir pesquisar. Se calhar até dei essa matéria na escola, mas com o tempo, esqueci.

E assim são as nossas conversas na fila do supermercado!

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Os portugueses estão a habituar-se a uma nova forma de vida

Olá a todos! Como têm passado nestes dias tão difíceis!?

Na rua , muitos estabelecimentos estão fechados, há poucas pessoas, e muitas dessas, usam luvas, máscaras, lenços ou cachecóis. Finalmente as pessoas estão a perceber que esta pandemia, que é o covid-19, é real, é muito grave, e estamos todos juntos no mesmo barco.

No supermercado, desde que foram tomadas novas medidas, a situação está bem melhor. Agora a entrada é controlada à porta, há um número de clientes dentro da loja, só quando alguém sai, outro alguém entra. Acredito que o mais aborrecido é mesmo ter de esperar na rua para entrar, mas a maioria das pessoas entende. E dentro do supermercado, nas filas para a caixa, há uma sinalética no chão, como eu sempre defendi, só que por outras razões, e o cliente seguinte só avança quando a operadora chama ou faz sinal. Chamamos, quando as compras do cliente que estamos a atender já estão quase todas registadas. Assim, nem o cliente atual nem  o seguinte, estão próximos nem a operadora está cercada de clientes, já que as caixas abertas, são caixa sim, caixa não. Nas outras secções também existe a mesma sinalética no chão. Nós podemos usar luvas e gel desinfectante com álcool, alguns clientes também andam de mascaras e luvas.

Tem corrido bem, as pessoas respeitam, pois também já entenderam que as medidas são para o bem de todos. Acho que os portugueses estão mesmo a habituarem-se a uma nova forma de vida!

Uma senhora que levava dois maços de rolos de papel higiénico, fez questão de me explicar que um era para ela e o outro para a sua mãe, porque a senhora não foi aconselhada a sair de casa. A cliente até disse que vinha buscar os seus produtos do costume e que não levava mais que isso!

No entanto, notei alguns clientes a levarem carrinhos bem cheios ou até dois carrinhos, contas de duzentos e trezentos euros. Alguns disseram mesmo que se estavam a precaver para o caso de os obrigarem a ficar em casa.

Muitos clientes despediam-se amavelmente desejando-me saúde, que tudo corresse bem. Uma cliente que estava com a filha foi encantadora disse "e obrigada a vocês por estarem aqui para nós!"

Nem sei se agradeci devidamente, porque fiquei agradavelmente surpreendida. Pois são pessoas assim que nos fazem sentir bem, sentir úteis! A elas também a minha gratidão!

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Sugeria que se marcasse a ida ao supermercado por telefone

Deu nas noticias que, em virtude desta pandemia que é o covid-19,  o continente poderia vir a abrir só ao meio dia e fechar ás 20 horas, mas cada loja poderia tomar a  decisão mais adequada. Essa decisão seria para cada loja ter um “serviço razoável e ajustado às necessidades atuais da população, minimizando eventuais riscos de operação".

Com esta medida tenho algum receio que o aglomerado de gente se torne ainda maior, visto que as pessoas só terão aquele tempo, mas até pode ser que corra bem.

Na minha modesta opinião, de operadora de caixa, que vale apenas por uma, além de se implementar esse horário, sugeria que, tal como nas clínicas médicas particulares, houvesse uma marcação, pelo telefone de "visita ao supermercado" com data e hora marcadas, onde, dependendo do tamanho do supermercado, não estivessem mais de 10 ou 20 clientes ao mesmo tempo dentro do supermercado. Para isso funcionar teria de estar alguém na porta de entrada a controlar as entradas e saídas.

Também haveria um menor número de funcionários dentro da loja, teria de haver um plano onde nos fossemos revezando, e já agora, sem mexerem muito nos ordenados, porque as nossas despesas matem-se iguais.

Talvez assim, as pessoas só se deslocassem  se a necessidade dos artigos fosse mesmo importante e urgente. Talvez também comece a haver necessitar de racionalizar alguns artigos.

Claro que seria uma situação temporária! Porque este coronavírus  há de passar e havemos de voltar à normalidade.

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Atualização:

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