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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Tanta conversa!?

Lá vai o cliente para a caixa, a parte mais chata, pois é aquele fim de linha, onde é preciso esperar e pagar. É ali, que por vezes, as nossas perguntas, que fazem parte do nosso trabalho, parecem demasiadas e incomodar quem está com pressa.

 

Num destes momentos eu percebi que uma senhora ora batia o pé, ora olhava para o relógio, ora ainda, suspirava. E suponho que tantas perguntas feitas ao cliente que estava a ser atendido, nomeadamente: tem cartão continente, precisa do número de contribuinte na fatura, está a fazer a caderneta da pyrex, fez com que ela fizesse mais um suspiro e dissesse, baixinho " ai, tanta conversa"! Se calhar, não era suposto eu ouvir, mas ouvi!

 

Mas compreendem que temos mesmo de as fazer certo? Somos humanos. Sei que a maioria entende e aceita.

 

Quem não quer saudações, conversas nem  perguntas, vai ao robô (caixa selfservice), mas olhem que até esse, diz  umas palavras, mas ninguém lhe responde e ele não se importa nada!

 

Não é preferível humanizar!?

 

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O homem prendado

Desta vez conto, uma situação engraçada.

 

Atendi um senhor, aí na casa dos 55/60 anos, que estava a conversar com a senhora, talvez pela  mesma idade, que eu ia atender a seguir. Deviam de ser amigos, pois o senhor estava a contar-lhe qualquer comida que tinha feito, e depois concluiu dizendo: "...e agora vou aspirar a casa, que está cheia de migalhas"! Despediram-se , o senhor seguiu, e a senhora diz-me: "Mas onde é que andava este homem, quando eu quis casar?!"

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Não consigo acompanhar a conversa daquele senhor

Há um cliente que nos costuma visitar quase todos os dias, um cliente habitual. Um senhor, educado, culto, muito falador.

 

Quase sempre pega numa deixa nossa ou de alguém e arranja uma história para contar. Um dia, alguém falou do tempo do Salazar, e ele encontrou logo uma história, onde mostrou ter conhecimento da política da época, mas a meio da conversa, eu perdi-me, e já não estava a conseguir acompanhá-lo. Ele fala muito e depressa. De outra vez a conversa era sobre um país qualquer onde ele esteve a trabalhar, e mais uma vez, ele acabou a conversa num monólogo, porque eu não o consegui acompanhar até ao final! Eu até me esforço por o entender, por lhe dar respostas, mas a determinada altura a conversa está tão confusa, que antes de eu diga algum disparate, apenas vou concordando...

 

Sei que não sou a única a ter este problema, já outras colegas também se queixaram do mesmo! Nós não o conseguimos seguir até ao final da sua conversa.

 

Por vezes queremos ser atenciosas, mas assim fica complicado. Será que ele ainda não entendeu? Se calhar não!

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Dia ganho

É tão bom estar no trabalho e aparecer uma criança tão simpática, conversadora, inteligente, e principalmente tão educada...

 

Nem precisou da ajuda da mãe na conversa, já sabia a data de quando as aulas iam começar, também pensei que ia para o 1º ano, mas disse-me logo que já ia para o segundo...

 

E é assim que se ganha o dia...

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Os temas do momento

Nestes últimos dias, os temas de conversas com os clientes, são os tais três:

A visita do Papa, a vitória do Benfica, e a estrondosa e inesperada vitória de Portugal na Eurovisão da Canção. E é esta última que é consideravelmente maior. Pois como dizem, nem todos são devotos, nem todos são benfiquistas, mas todos...somos portugueses! E, a pesar que muitos  terem achado que a música não tinha potencial para ganhar, eu inclusive (e como estava enganada), sentem-se orgulhosos e agradecidos ao Salvador pela vitória!

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Ficar a fazer sala

A cliente que acabei de atender em vez de retirar os seus sacos de cima do tapete e ir à vidinha dela, fica encostada a conversar com uma amiga, que por lá passou.

 

A cliente que começo a atender não tem espaço para colocar as suas coisas e a pessoa que a acompanha diz: "Espera a senhora tirar as coisas". Ao que esta responde: " Esperar!? Então mas isto aqui, não é para ficar a fazer sala!"

 

Mesmo assim, a outra  senhora, ou porque não ouviu, ou porque não se deu conta, ou até mesmo porque lhe apeteceu, ainda demorou um bocado para retirar as suas coisas...

 

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O padrão dos sacos

Na caixa atrás da minha, uma cliente queria  sacos, dos ecológicos pequenos. A minha colega só tinha um padrão que tinha legumes, onde o tomate se evidenciava. A minha colega pergunta-me se eu tenho outros, com outro padrão. Eu mostro e o padrão era igual. Diz a senhora: "Ena tanta tomate, levo dois, assim sempre tiro a barriga da miséria"!

 

Claro está, que esta senhora animou o pessoal!

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Quando os lamentos parecem excessivos

Há uma cliente que vai lá mensalmente. A senhora até é educada, e quando pede para lhe ensacar as compras até o faz com delicadeza, diz que é doente, que não pode. Nunca lhe neguei ajuda.

 

No entanto, todas as vezes, enquanto está parada á espera que eu ensaque e lhe coloque os sacos no carrinho, vai repetindo a mesma história e lamentando a sua vida triste. Diz que tem 8 filhos e 16 netos e que não tem ajuda deles pra nada...e por aí fora.

 

Eu acredito que a senhora tenha todos estes lamentos, mas penso que não era preciso fazer tantas queixas dos seus familiares, não era preciso se vitimizar tanto, para termos pena dela. Eu já não sei o que lhe responder, e acabo por ficar calada...

 

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Momentos de humor são bem-vindos

 

Até pode haver dias em que aparece um ou outro cliente mais difícil. Mas não falo deles para me queixar, mas para desabafar, e dar a conhecer como é o atendimento ao público.

 

Mas tenho de dizer que é com satisfação que faço este trabalho. Por vezes até me divirto com os clientes. É um tempo bem passado. Sou uma sortuda porque faço aquilo que gosto e ainda recebo uns trocos! Quantas pessoas podem dizer o mesmo!?

 

Hoje atendi uma cliente, que traz sempre tão boas energias. O tempo que passo a atendê-la,  é tão bom, que me apetecia que ela ficasse mais um bocadinho... Estava a dizer-me que na hora de pagar a conta, o marido desaparece sempre. E depois, na brincadeira,  dizia ainda que os homens fazem falta, para pagar contas, depois eu digo "para mudar lâmpadas" e ela diz "e para mudar pneus"! Estava um senhor na fila que achou graça e até entrou na  nossa conversa!

 

Não foram estes dois dedos de conversa que atrapalharam o funcionamento da fila, muito pelo contrário...foi um momento de entusiasmo para muitas pessoas.

 

 

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Os padres também vão ao supermercado, até os giros!

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Estava a atender uma cliente habitual, uma senhora sempre simpática e cordial. Repara que estão dois padres na fila e diz-me :" Deus está connosco"! Eu ainda não os tinha visto e perguntei porque dizia ela aquilo, e ela apontou para eles, eles tinham aquela fita na camisa, desculpem, não sei o nome especifico. Só vi um, e digo: "é  jeitoso" ao que ela  me diz:" sim, um deles é muito bonito , e são muito novos"! 

 

Continuamos a apreciar os senhores, descontraidamente. Até que ela me diz: "Ai, que Deus nos perdoe" e começamos a rir. Mas depois diz: "Ah, mas eles não se importam"! Espero que nem tenham percebido (pensei eu). Entretanto , abre uma nova caixa e os senhores saem da minha fila !

 

São estes momentos, de um pouco de descontracção, e que não prejudicam ninguém, (porque, nem eu  demorei mais a registar por causa da conversa, nem a cliente se demorou mais a arrumar os produtos) que fazem com que o trabalho não se torne tão monótono!