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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A quexinhas...

 

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Como podem ver nesta imagem, existe no tapete de saída de artigos, estes rolinhos, que servem de ajuda para que os produtos desçam  para o topo, onde está o cliente e assim se manter o distanciamento entre funcionária e cliente. É um facto que objetos cilíndricos fazem um certo barulho, mas não se estraga nada, nem estraga outro tipo de produtos.

Eu passo o dia a fazer este movimento, tanto que por vezes ao fim do turno até me doem os braços. Felizmente a maioria dos clientes percebe a utilidade dos rolinhos, e alguns, em jeito de brincadeira, até acham graça ao nosso movimento, e até dizem que estamos como se fosse num ginásio a ganhar músculos!

Já tive há uns meses uma senhora que me pediu para lhe passar os artigos com mais cuidado e mais devagar, porque aquele barulho a incomodava.

Mas hoje, a situação foi diferente. Uma cliente não gostou que passasse assim os artigos e pediu-me que não os passasse dessa forma e que os passasse mais devagar. Respondi que sim, fui passando os artigos, mas a dado momento e devido a este hábito já estar tão vincado em mim, esqueci-me e passei uns ambientadores cilíndricos pelos rolos. Ela sai da caixa, dirige-se ao balcão, e vai fazer queixa  .  Chega acompanhada de alguém superior, para me advertir que passasse  as coisas mais cuidadosamente. Então passei o resto dos artigos em câmara lenta, ao gosto da madame.

Confesso que senti pena da senhora, coitada, tanto azedume, deve ser alguém com algum problema e com necessidade de atenção!

No entanto, com tantos clientes implicativos, birrentos, indisciplinados, mal educados, incivilizados, começo a achar que esta empresa ainda tem de criar um gabinete de psicologia para ajudar os funcionários que atendem ao público!

Porque tiram alguns clientes a máscara na caixa do supermercado

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Estou a finalizar o atendimento a uma casal de clientes na casa dos sessenta anos. Vejo o senhor colocar a máscara no pescoço. Peço-lhe educadamente que coloque a máscara. Responde-me "já ponho"! Pega num maço de notas que tinha na carteira, lambe os dedos para contar o dinheiro, entrega-me. Põe a máscara correctamente e diz-me "pronto já estou mascarado"! Se eu não tivesse máscara, ele  teria reparado, na minha cara de nojo, por ter de pegar nas notas, por ele salivadas! Fiz questão que ele visse a quantidade de álcool gel que utilizei em seguida!

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Numa outra ocasião, aconteceu com uma senhora da mesma faixa etária, uma situação semelhante. Só que esta senhora a colocação da máscara no pescoço não foi para contar as notas, mas para lamber os dedos e abrir os sacos. Quando lhe pedi para colocar a máscara, respondeu que tinha deixar de ali ir, porque a estavam sempre a chatear com a máscara, quando aquilo a sufoca!

E assim acontece dia sim, dia sim!

Gente insolente

Há uma cliente habitual, uma senhora que ainda não se deu conta o estado em que o pais está, por isso continua com as mesmas atitudes incorretas que sempre teve. Só a conheço dali, e parece-me uma pessoa mal formada e teimosa por natureza.

Sempre teve o costume de não reparar que existem pessoas à sua volta que não têm que levar com as suas atitudes. Ela leva um trolley, dentro do mesmo tem imensos sacos, alguns em estado lastimosos, leva também um balde, daqueles que as crianças brincam na praia, que mete um saco e depois aí coloca o peixe.

Antes da chegada do vírus, depois de a atender, ela ficava a ocupar o tapete com toda a sua tralha, eu chegava a atender umas três pessoas, e ela não saia dali, pois não se despachava e ainda se punha primeiro a confirmar o talão e só depois é que pegava nas tralhas e ia embora.

 Agora queria fazer o mesmo só que eu fiquei parada a olhar para ela e disse-me "pode continuar o seu trabalho", ao que eu respondi "não, não posso, tem de sair!" La retirou  as coisas, de má cara, e foi!

Mas da última vez, tirou-me mesmo a paciência.  Quem me conhece no trabalho, sabe como eu sou pessoa calma, tolerante, compreensiva. Ainda eu estava a atender uma pessoa, quando lhe disse para ela ir colocando os seus artigos. Mal os coloca, passa pro outro lado, roçando na senhora que ainda estava a digitar o código do multibanco. Já do outro lado, e com a outra cliente ainda a ser atendida, começa, a tirar os seus sacos sebentos,  o  balde e tralhas do trolley e a espalhar pelo tapete. Vai eu digo: " olhe desculpe, mas não pode fazer isso, ainda aqui está esta senhora!" A outra senhora abanou a cabeça também indignada. Mas esta só barafustou, e manteve-se no mesmo sitio! E pela idade que tem, devia de ter algum respeito pelo vírus. Deve de achar que isto é tudo uma brincadeira, que não há perigo. Será que não tem família!? É que nós temos, e se não nos respeita, não faz ali falta alguma!

É uma falta de noção e de respeito que indigna qualquer um! Esta pessoa nunca vai aprender, pois, de certo que o seu feitio é bem vincado, e deve de achar que já sabe tudo! Não aceita as normas, ainda goza! É uma insolente! Não há paciência!

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O Dia Nacional de Prevenção e Segurança no Trabalho

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Estava a atender uma cliente que cismava em entregar artigos em mão, porque lhe dava mais jeito. Obrigava-me a fazer um grande esforço físico e a aproximar-me demasiado. Disse-lhe que visse as cores no tapete, para que ela colocasse os artigos na zona verde, seguindo as normas da empresa.

Pergunta-me se sigo sempre as normas da empresa. Disse-lhe que uma vez que a empresa está a fazer um tão grande investimento, em regras, para nossa segurança, só tinha era que respeitar. Até seria uma grande falta da minha parte, ignorar as normas da empresa!

Quando fizeram esta sinalética, disseram-me como eu tinha de fazer, e além de ter concordado porque fazia sentido, era mais correto, também era mais seguro, pensei, se eu não cumprir e tiver algum azar, a culpa será minha. Por exemplo, dizem para não aceitar artigos em mão, e eu vou aceitar uma caixa de cervejas pesada como é, dou um jeito ás costas, lesiono-me, vou ter de ir para o seguro. Mas eu é que não usei as normas de segurança impostas pela empresa, como fica a situação!? E quantas caixas destas passam-me pelas mãos durante o dia!? O tapete rolante existe para facilitar a vida, porque rola!

«O objetivo deste dia é chamar a atenção das empresas e dos trabalhadores para a importância de tomar medidas preventivas que garantam a segurança no trabalho.

Prevenir acidentes de trabalho é uma responsabilidade de todos, assim como a prevenção é um direito transversal a todos os trabalhadores.

A prevenção de riscos profissionais é uma preocupação a consolidar pelas empresas que exige também o esforço dos trabalhadores, dos cidadãos em geral, dos inspetores e das instituições de autoridade. »

Por tudo isto eu me esforço para fazer a minha parte!

O cliente que não sabe inserir o multibanco

Infelizmente para mim, de vez em quando lá aparece uma pessoa desestabilizadora. Um senhor de boa aparência e de meia idade, no momento de fazer o pagamento com o multibanco, quando eu digo para inserir o cartão e confirmar,  ele diz que eu é que tenho de fazer isso, porque ele não pertence ao continente, porque é o meu trabalho e  ele não tem formação para fazer isso. E depois ainda continua a desbobinar a dizer que é só no continente que isto acontece.

 

Mantive a calma expliquei o motivo de ser assim, mas ele  não entendeu. Acho que não tinha capacidade para esse entendimento. Só faltava ser também eu marcar o código secreto dele, ou mesmo a tirar o cartão da sua carteira. Será que este senhor quando vai fazer um  levantamento ao multibanco, também exige que o banqueiro faça a operação e lhe entregue o dinheiro em mão!?

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Sem razão pra tanta reclamação

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Era dia 10 eu sabia que ia ser um cheio com muitos velhotes, como de costume nestes dias.

 

Não contava era que a primeira cliente, não fosse uma velhota, mas sim uma senhora que está sempre com criticas, com reclamações, parece sempre mal disposta. Não sei da vida da senhora, nem se aquela disposição é por algum motivo. Pois até eu não estava no meu melhor dia, pois o meu filho estava adoentado, mas tento sempre que nada reflita no meu trabalho. Mas aquela senhora não é um dia, é habitual.

 

Então,  para começar ela veio logo pra caixa sem respeitar a ordem de fila, teve sorte que um velhote não se importou. Mas, a seguir  deixou lá as coisas e foi ao carro buscar os sacos, Depois quando digo o valor diz-me que o dinheiro não chega e tenho de descontar. Pergunto "descontar como"? Responde: "ora se eu lhe disse que a carteira ficou lá em cima ( não faço ideia a que - lá em cima -  se referia), e não tenho dinheiro, tem de descontar nas coisas"! Então começa a tirar coisas de dentro do saco e a entregar-me. Supostamente seriam as coisas para eu anular, e começo a anular. Vai daí, que as coisas que me estava a dar, eram as que queria levar. Começa a ralhar comigo, a dizer que estou com pressa e que não a estou a entender e ameaça fazer reclamação no livro amarelo.

 

Depois pedia para anular uma coisa para colocar outra, uma confusão. Eu estava a passar-me e foi o velhote  que estava na fila que foi de uma amabilidade e gentileza comigo, tentado  apaziguar e chamar à razão a mulher. Quando a senhora saiu, muitas pessoas da fila preocupadas comigo, a dizerem que nós, temos de aguentar muito, ali.

 

A senhora saí começo a atender o velhote, e já estou noutra pessoa, quando aquela senhora volta à minha caixa, porque lhe faltava uma coisa que estava registada e não levava. Pelos vistos aconteceu, mas também a confusão que ela armou...Imagino que saiu de lá ainda mais convencida da sua razão e da minha incompetência!

O do contra

Um senhor chega á minha caixa e pergunta onde está o carvão. Respondo ao senhor, e ele diz-me que não está lá carvão algum. Peço que aguarde, chamo uma colega que vai ao armazém ver se está lá.  Não havia. Naquele momento, não havia carvão nem na loja nem no armazém.  

 

O senhor fica zangado. Diz que por causa da falta do carvão não vai gastar 40 euros. Pensei que era por causa da caderneta dos copos, onde entregamos 1 selo por cada 20 euros. Quando lhe falo dos selos, responde longo que não quer nada de selos, nem de copos,  que queria era usar os talões que lhe tinham mandado para casa. Vejo a data dos talões que só entram em vigor no dia 9. Fica novamente zangado, e diz "se eu soubesse , não tinha vindo cá hoje". Ora a culpa de ele não ler as datas, era dele, ou do supermercado!?

 

Quando está para pagar, em multibanco, peço para inserir o cartão, e ele fica novamente zangado, porque, palavras dele, quando tinha loja, ele é que passava o cartão multibanco aos clientes! Ainda tentei falar do lado positivo de a operadora não mexer no cartão do cliente e ele diz "deve ser por causa da gripe"!

 

Paciência infinita!

 

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