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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

O Cliente resmungão

Tinha duas pessoas na minha fila, e avisei que ia fechar a caixa, quando chegou um senhor.

Então o senhor pergunta: "mas vai fechar, porquê!?"

Ao que eu, que nem é habitual responder, respondi: "Olhe porque temos horários, temos necessidade de almoçar, de ir à casa de banho!"

Ele continuou a falar e a dizer que o cliente tinha sempre razão e que eu não tinha de lhe responder!

A colega de trás estava a apreciar a situação e até com ela o senhor se meteu!

O  senhor já tinha idade e  experiência de vida, para perceber, mas quanto mais velhos, mais implicam com o tempo que têm que esperar! Será que não gostava de sair a horas do seu trabalho, será que trabalhava o dia todo sem ir à casa de banho ou sem comer!?

Enfim, não há condições!

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Na primeira fila, a assistir ao aumento dos preços no supermercado...

Sinto que estou a assistir na primeira fila, à angustia das pessoas com estes aumentos dos preços dos artigos do supermercado, ou não fosse eu, uma operadora de caixa, atenta!

Já não são só os velhinhos que se queixam, é a população em geral! Não é fácil ver as pessoas atentas ao registo a olhar para o ecrã, onde a conta vai somando, e ver a sua desilusão. É triste quando nos pedem, para anular artigos, porque o dinheiro não  vai chegar!

Ainda há dias um cliente, quando leu que tinha de mostrar os sacos vazios, disse que sabia que o motivo, era o de as pessoas roubarem, e, disse também, que não tinha pena nenhuma do patrão, porque "eles" não param de aumentar os preços. O senhor até podia ter a sua razão, mas eu respondi, que os funcionários tinham a responsabilidade de impedir que isso aconteça, porque se isso acontecer, nós seriamos prejudicados nos nossos postos de trabalho.

Já vi nas noticias que até as latas de atum tinham alarmes, isso ainda não chegou, que eu saiba, ao "meu" continente, mas pouco deve faltar.

Alguém tem de fazer alguma coisa, para que isto mude. A responsabilidade, não pode ser toda por causa da guerra. O custo de vida está muito alto, para os baixos ordenados.

Se as pessoas começarem a roubar, que capacidade teremos nós, funcionários de supermercados, para impedir!?

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Gente impaciente e mal formada

Estava a atender um cliente, já na fase do pagamento, onde é necessário fazer algumas perguntas, sobre o saldo do cartão, sobre a fatura e até divulgar alguma campanha.

No entanto, o cliente seguinte, já está a chamar, resolvi ignorar, porque naquela fase, não podia estar a responder. Mas como esta pessoa devia de "estar com o rabo a arder", começa aos murros no acrílico para me chamar atenção. Olhei para a pessoa com um olhar assustado, e fiz sinal com a mão para esperar. A pessoa só queria saber uma indicação que bastava ler o rótulo do artigo!

Que gente mais impaciente!

_O Maior Erro é a Pressa antes do Tempo e a Lenti

Quando 'a palavra é de prata e o silêncio é de ouro'

Uma senhora está a colocar as suas compras no tapete . Deixa um espacinho em cada grupo de artigos e diz-me que são três contas. Vai, um distinto senhor que está atrás diz: "isso assim não pode ser, não tenho tempo para estar à espera!" A senhora passa para o lado de saída sem responder ao senhor, mas diz-me que agora ainda vai fazer pior, e vai arrumar tudo nas calmas! Como a senhora estava no seu direito, porque não é proibido a mesma pessoa fazer várias contas, nem me pronunciei.

Assim fez, e o senhor esperou, e não disse mais nada!

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Os supermercados têm câmaras de vigilância

Por vezes, há situações que são mesmo embaraçosas. Há quem se esqueça que existem câmaras de vigilância nos supermercados. Fui informada que determinada cliente foi vista  a fazer batota com uns preços de um artigo da peixaria, digo assim, para  não entrar em pormenores e não dar ideias a outros como ela. .

O que fiz foi descolar, retirar o artigo, e registar. A cliente em questão apenas queria pagar umas sardinhas e levar à borla uma posta de outro peixe, que era de um preço bem mais elevado!

Mas a cliente não teve qualquer tipo de incómodo, pois já lá voltou outras vezes e de vez em quando, tenta a sorte.

Será que ela imagina  que já sabemos todos que tem esta atitude e que a vemos da forma que vemos!?

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A operadora de caixa não adivinha os cupões que o cliente recebeu

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Há clientes que perguntam: há cupões para agora?

Perguntam imensas vezes. E nós respondemos, eu pelo menos faço-o diversas vezes, que os cupões não são iguais para todos os clientes. Porque é mesmo assim, há clientes que recebem cupões consoante os artigos, há clientes que recebem 10% no total, outros €5 em compras de €20 ou até outros. Não sei qual o critério de quem faz os cupões, apenas sei, e muitos clientes também sabem, que é assim que funciona. Já funciona assim, há anos!

Cada cliente, tem de tomar conta dos seus cupões, dos seus descontos, das suas contas. É tudo uma questão de se organizarem.

A operadora de caixa não tem como adivinhar os cupões que receberam pelo correio ou na aplicação.

Ou então ao entrarem vejam no dispensador se têm cupões, ou mesmo no telemóvel, para quem tem a app do continente!

Imaginem uma cliente dizer" ó menina os cupões que lá tenho em casa, dão para esta semana" Resposta: "Mas eu  frequento a sua casa!? Como quer que eu saiba"!? Ou então: "Se a senhora não sabe o que tem em casa, como é que eu hei-de saber"!

Ou então a operadora de caixa pergunta se tem cupões e a resposta do cliente : "Ah, não sei, devia de ter?" Ora dá vontade de responder:  "Eu sei lá, você é que tem de saber. Pode não ter, pode já ter usado!"

Ou então faço a pergunta e a cliente desata a correr direito ao dispensador, deixando a fila parada!

A intenção da pergunta, é lembrar ao cliente, que se tiver cupões, pode entregar!

É que o continente tem tudo tão bem programado, ou seja, envia cupões pelo correio, tem um dispensador para imprimirem uma segunda via, tem a aplicação, ainda envia SMS. Será que cada pessoazinha não pode só fazer a sua parte!?

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Nova caderneta do continente - talheres

O continente tem uma nova caderneta, desta vez a coleção é de  talheres.

Cabe a nós divulgar a campanha, mas também há flyers, e cartazes espalhados pelo supermercado.

A maioria dos clientes gostaram da ideia e estão a fazer. Mas, surge sempre alguém que tem de deixar comentários negativos, do tipo "ah ainda se fosse panelas" ou "ah ainda me falta levantar uma faca", ou ainda "ah depois isso tem prazo nunca chego ao fim"! Respostas,  que bastaria responder um SIM ou um NÂO!

Faltava uns cêntimos a um cliente para fazer múltiplo de €20, já que o cliente recebe um selo,  por cada vinte euros, pergunto se quer juntar alguma coisa para levar mais um selo (porque é assim que funciona) e a pessoa responde: "não, não, você é que tem de me dar mais um, porque é assim que fazem em Lisboa!" Pois não dei, porque faltava dinheiro, pela arrogância e para a pessoa perceber que não é assim que funciona, disse-lhe "pois, mas aqui não é assim!"

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Dia da segurança e saúde no trabalho

Nem dois anos de pandemia, fizeram com que as pessoas mudassem de hábitos. Nem o facto de haver um acrílico à frente fez com que as pessoas percebessem que os artigos pesados e principalmente os pesados, são para colocar sobre o tapete.

Será que o cliente não entende, que para ele pode ser só uma caixa de cervejas, mas para a operadora de caixa, são dezenas ao longo do dia, e que o esforço que tem de fazer à coluna, pode provar alguma lesão!?

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Resta-nos continuar a tentar, a arranjar formas de contornar estes e outros obstáculos, para continuarmos a poder trabalhar com saúde e segurança. Se estivermos saudáveis, seremos mais produtivos. Se estivermos bem, não precisaremos de baixas médicas!

Saúde para todos nós trabalhadores para que possamos continuar, a atender bem os clientes! E vós clientes, colaborem um pouco mais connosco, porque também será positivo para vocês!

Mulher a passear pelo corredor e a dizer que estava a fazer distanciamento

O  dia estava com alguns picos de clientela, e eu ainda não tinha feito a pausa que tinha direito. Entretanto, surgiu um momento, em que, estando a acabar uma cliente e não tendo outra, tive autorização para fechar a caixa e ir.

No entanto, surge uma senhora, vinda do corredor que tinha o carrinho lá encostado, e diz-me: "Então!? Não feche, eu estou aqui, tem de me atender! "

A outra senhora que estava a terminar diz-me : "Olha que lata, andava a ver as coisas nos corredores e agora diz que estava na fila"!Ao que esta responde: "Eu não estava no corredor, estava a fazer distanciamento!"  Ela percebeu o que eu ia fazer, mas esteve-se nas tintas para mim. Porque nós somos máquinas, não temos fome nem podemos ir à casa de banho!

E pronto, lá adiei a minha pausa para atender a doutora, que bem podia ter ido a a outra caixa!

Haja paciência!

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Vira o disco e toca o mesmo

Mais uma vez, a questão de pedir aos clientes para mostrarem os sacos vazios que trazem de casa e levam no fundo do carrinho ou até pendurados no mesmo.

Um casal, já tinha colocado todos os artigos sobre o tapete, eu já tinha passado mais de metade, quando o carrinho passa para o outro lado. Pedi para ver os sacos. Não perceberam a pergunta. Repito e aponto para o pedido por escrito onde menciona que os sacos têm de passar pelo tapete (claro que se as pessoas os mostrarem de livre vontade, nós não pedimos, tem é de dar para perceber se estão vazios). Olharam um para o outro e deram-me os sacos incluindo o térmico que estava com o peixe dentro. E disseram que com a pressa até se tinham esquecido.

Vi pela conta que levavam cerca de €60 em peixe, que certamente não pretendiam pagar! Eu é que ainda fiquei nervosa. E pedi porque peço sempre, e não por desconfiar! Não estava à espera! E podiam me ter enganado!

Quando saíram da caixa, o cliente que estava a seguir, tinha, sem eu dar conta, observado tudo e disse-me: "que espertos "! Pareceu-me bastante surpreendido e indignado com a situação.

Uns 10 minutos depois, chega uma senhora que fica toda ofendida porque lhe peço para ver o saco! Diz-me "estão com medo que as pessoas levem coisas sem pagar dentro dos sacos!" Então eu digo-lhe que ainda há minutos levavam €60 de peixe sem pagar. Explico-lhe a situação e a mulher responde: " Pois a miséria é tanta, e as coisas estão tão caras...", nem a deixei acabar disse-lhe logo que isso não era desculpa para roubar!

Isto não está fácil! Quase todos os dias há uma situação destas, de "brindes" dentro dos sacos!

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