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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A rádio continente e os sons da natureza e animais

Quem frequenta o supermercado continente, quer como cliente, quer como colaborador, de certo que já reparou que a rádio continente, está diferente. Agora há sons da natureza, animais, e até musica clássica.

As opiniões dividem-se. Já houve quem me dissesse que os sons eram relaxantes, já houve quem dissesse que aquele barulho  afugentava os clientes. Há quem nem tenha reparado  na mudança ou quem nem se deixe afetar. São basicamente sons do mar, pássaros, cães, rãs...

Mas o reparo que mais achei graça foi um senhor que me disse que nós tínhamos ninhos de pardais no teto, e que andava um pássaro ali a cantarolar e a esvoaçar. Será que foi a imaginação do senhor através daqueles sons que o levou para um pomar com árvores e pássaros!?

Bem que eu queria que o som do mar também me levasse para outro lugar, mas não consigo essa proeza!

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Os que falam por falar

Um cliente habitual, um senhor que deve ter algum problema com a água e com o sabão, chega à minha caixa e diz que precisa de dizer uma coisa. Normalmente nunca tem nada de simpático a dizer, mas desta vez resolveu implicar com a minha máscara, dizendo que a mesma era falsa. Isto porque eu não estava a usar a cirúrgica, mas sim outra * comprada no continente, e certificada. Sinto-me melhor com esta!

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Começou a falar alto e a dizer que a máscara dele é que era boa.

Eu: Pois é a sua opinião!

Cliente: E tenho razão!

Eu: Mas deixe lá que a sua máscara no estado em que está, também não lhe vale de muito!

Cliente.  Porquê !? O que tem a minha máscara? (Eu ia dizer que estava sebosa, mas contive-me)

Eu: Essas máscaras só têm duração de 4 horas, e pelo estado dela, tem muitas mais horas em cima!

Ele baixou a altivez e disse: "Eu até acho que nem deviam obrigar a usar a máscara"!

Por aqui se vê o incoerência do discurso; primeiro a minha máscara é falsa, depois , já acha que não deviam obrigar o seu uso!

É cada situação, haja paciência!

*as máscaras de proteção Happo são  uma solução segura, ecológica e reutilizável.

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Os brindes que vão dentro dos sacos

Pedi a um simpático e já habitual casal de velhotes que colocasse o saco vazio em cima do tapete, era um saco de ráfia que ia aberto no carrinho e que tinha sacos de plástico dentro. A velhota, muito atrapalhada, diz-me que o saco já foi pago, eu "sim, mas tem de passar aqui por cima do tapete como está aqui (apontei para um escrito)!" Ela, meio a tremer, tira o saco vira para baixo, tira os de plástico e cai uma laca para o cabelo, que se apressou a dizer, que a mesma tinha caído para ali! Daquelas pessoas que não esperava nada, esta atitude.

Noutra ocasião, uma senhora levava um saco de pano pendurado no braço, peço para passar o saco ali, e ela "porquê o saco é meu!" Lá lhe mostro o escrito, e ela diz "espere aí que me falta uma coisa". Vai pelo corredor da alimentação e chega com um pacote de laminas de barbear que fica para o outro lado e que seria quase impossível em pouco  tempo, lá as ter ido buscar!

De outra vez uma senhora levava dois sacos dobrados naquele sítio dos carrinhos onde sentam as crianças, dava perfeitamente para ver que não tinham nada, não os pedi, mas arrependi-me, porque a pessoa a seguir levava-os em balão, perguntou porque pedi a ela e não pedi à outra pessoa, expliquei, mas não entendeu a diferença e ainda ficou a pensar que estava a desconfiar...

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Percebem o porquê e a importância de os sacos passarem por cima do tapete!?

Quem não deve, não teme

Não sei o porquê de alguns clientes ficarem surpreendidos, ofendidos ou até indignados,  por  nós pedirmos para que coloquem os sacos vazios que trazem de casa, e que vão no  fundo do carrinho,  em cima do tapete, para que passem pelas nossas mãos.

Hoje então em poucas horas tive três situações destas, e pelas três vezes, foi desgastante.

Uma senhora depois de colocar os artigos ia passar para o outro lado com vários sacos daqueles de ráfia todos em balão, fazendo volume. Quando lhe fiz o pedido, olhou para mim e disse que nunca lhe tinham pedido tal coisa, que era uma vergonha, pedi que olhasse para um aviso que estava lá a fazer o pedido, e, como estava escrito, lá aceitou.

Outra senhora reclamou, disse que nós é que perdíamos e que ia começar a ir à concorrência. Esta senhora, reclamou de outras coisas, foi uma chata, injusta nas afirmações, mesquinha mesmo.

Por último um senhor, só tinha um saco que ia aberto no carrinho, pedi para passar o saco pelo tapete, reclamou, e, mesmo depois de ler o aviso disse "era o que faltava sobem os preços e depois ainda desconfiam dos clientes!"

É isto todos os dias, não sei como ainda me surprendo. Não sei porque as pessoas têm tanta dificuldade de aceitar coisas tão simples. E neste caso, quem não deve não teme. 

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"Se passar pro outro lado fico em cima dela!"

Tinha acabado de atender uma senhora, mas essa senhora ainda não tinha tirado os sacos do tapete. Do outro lado, no tapete de recepção de artigos estava um senhor com os seus produtos.

Impaciente já estava outro a querer avançar. Esse senhor impaciente diz ao que estava a aguardar: " importa-se de passar para o outro lado!?" Vai ele responde (e bem) "Se  passar pro outro lado fico em cima dela"!

Lá se aclamou e percebeu que tinha mesmo de esperar... A pressa, sempre a pressa!

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"A senhora trabalha aqui!?"

Estava ainda a atender uma pessoa, quando chamo a cliente seguinte. È um procedimento normal e habitual, nesta altura.

A senhora avança, mas como tinha poucas coisas resolve, ela mesma, chamar a pessoa que está a seguir. Situação que não dá para fazer, porque iam estar uns em cima dos outros.

Ao ver isto, fico tão surpreendida que digo à senhora "Olhe desculpe, a senhora trabalha aqui!? " E a senhora fica a olhar, e eu continuo "é que sou eu quem chama as pessoas, e na devida altura. Há que respeitar o distanciamento!"

A senhora ainda diz qualquer coisa que cabiam bem, ou sei lá, falou baixinho.

Tenho a agradecer ás pessoas que estão connosco nas medidas, que as respeitam, e que até agradecem a nossa postura, e elogiam as normas da empresa que as fazem sentir seguras.

Mas é  cansativo este continuar de atitudes. Recordo-me de em março estar confiante e positiva, achar que isto só ia custar no inicio porque depois as pessoas iam entrar no ritmo e até iam ter comportamentos mais corretos.

Estava tão enganada!

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O continente tem o selo covid safe

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Para  nós é um orgulho termos este selo. Mas há muitos clientes que têm um comportamento tão difícil que até parece que querem que o percamos.

Porque o supermercado é algumas vezes alvo de auditorias, como é normal, para que esteja seja sempre tudo nos conformes. Mas devia de haver uma entidade que fiscalizasse o comportamento dos clientes. As pessoas não fazem ideia, de como eles andam ultimamente, os desaforos que temos de ouvir, as faltas de respeito pelas normas, por nós, pela empresa.

Mas o importante é não deixar que isso nos afete e dar sempre o nosso melhor, para que este selo se mantenha!

"Não viu logo que eu me enganei..."

Um cliente está com uma nota de 20€ na mão, mas ao mesmo tempo tem o cartão multibanco e quando digo o valor é ele próprio que insere o cartão na cena do multibanco, marca o código e faz o pagamento.

Quando lhe vou entregar o talão dá-me a nota de 20€ e eu pergunto para que é a nota, ao que me responde: "então é para pagar". Digo-lhe "mas o senhor já pagou com o multibanco" . Responde que queria era pagar em dinheiro. Digo "então mas foi o senhor que pagou com o multibanco"!   Responde "então mas não viu logo que me enganei, eu queria pagar a dinheiro"!

E foi embora chateado! Como se tivesse de adivinhar...

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Não estava a ouvir nada

 

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Há momentos em que a comunicação com os clientes se torna bastante difícil, devido ás máscaras, ao acrílico, ao rádio.

Eu perguntava a  uma cliente apenas se tinha cartão cliente, e ela não percebia, falava mais alto e ela nada. Cheguei a pensar que fosse estrangeira, já que  aparecem diariamente ali alguns.

Mas depois percebi que era portuguesa, porque me disse "espere aí que eu vou subir um pouco, a ver se percebo"! Mas diz-me isto a mexer no elástico da máscara. Supus que ia tirar a máscara e eu disse com o dedo "não, não tire"! Aí já percebeu, pois respondeu: "não vou tirar a máscara,  vou subir, mas é o som do aparelho dos ouvidos"!

Enfim...