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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A rama do abacaxi pesava muito

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Uma senhora vinha a queixar-se, porque lhe tinham tentado impedir de tirar a rama do abacaxi. Expliquei que a rama fazia parte do fruto e que não se podia separar. Entretanto, reparo que a rama vinha já separada no saco , e  diz-me: "Vá pese lá isso com a rama, mas depois fique aí com ela , que eu vou para um 3º andar sem elevador, não posso levar tanto peso!"

 

Num curto espaço de tempo é o 3º caso em que clientes querem  levar o abacaxi desramado*, não percebo, parece que se está a formar  um gang do abacaxi !

Nota: *não sei se a expressão existe, mas se não existir, acrescenta-se. Desramar = ato de tirar a rama

Sacos em formato balão de ar

Uns clientes depois de colocarem as compras no tapete, passam com  uns sacos de ráfia no fundo do carrinho, tipo em balão, com ar, dando a impressão que podia lá estar alguma coisa dentro. Eram dois, um sobre o outro, e eu para tentar perceber o porquê daquele vulto, meti-me em bicos de pés. Agiram logo, sacudindo os sacos, mas com atitude de quem ficou ofendido.

 

Era tão bom se partisse dos próprios clientes, mostrar os sacos. Nós não estamos ali para desconfiar de ninguém, mas temos de fazer o nosso trabalho.

 

Felizmente muitos clientes entendem, e gentilmente mostram os sacos ou colocam-nos de modo a que se perceba que estão vazios! 

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Eu ainda sou do tempo do Modelo Prisunic - diz cliente

Uma cliente, em conversa, diz-me que há muitos anos atrás também trabalhou num supermercado, quando este se chamava Modelo Prisunic.  Pergunto de quem era  e a senhora diz já não sabia explicar, mas primeiro chamava-se  Prisunic depois Modelo e agora é Continente Modelo.

 

Como nunca tinha ouvido nada a este respeito, por curiosidade, fui pesquisar, mas não encontrei praticamente nada de relevante! O que encontrei é relativo a 1988!

 

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Atualização: uma seguidora da página de Facebook de "A lupa de alguém" ainda tinha o seu cartão de colaboradora do Modelo Prisunic, que prova que existiu mesmo e era, ao que disseram,  da Sonae junto com uma empresa francesa,  tinha o seguinte logotipo.

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As caixas selfservice do supermercado não são mágicas

Um destes dias, estava no balcão de informação e ao lado estão as caixas selfservice. Vejo um senhor, de meia idade, colocar as compras, de seguida coloca as mãos na cintura, olha para a máquina e diz "atão!?" Pelo que percebi, na perspectiva dele, as caixas serem automáticas ou  sefservice, queria dizer, que a máquina registava os produtos sozinha!

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Nunca é demais agradecer à fonte de inspiração

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Eu (operadora): Obrigada a todos os clientes que têm passado pela “minha” caixa de supermercado, pois são vocês, a minha maior fonte de inspiração, para a escrita e crescimento, deste blogue!

 

E como suponho, que o agradecimento seja mutuo...

 

Eles (clientes): Obrigado Anabela, por nos ter colocado debaixo da sua lupa!

Onde fica a saída sem compras? E a entrada?

É uma pergunta muito frequente, pelo menos, nos supermercados. Claro que cada um tem as suas regras, por isso, vou falar do continente, porque é o  que conheço melhor.

 

A saída convém que seja feita por onde é a entrada, porque o espaço é mais amplo. E agora,  perguntam vocês: "então e não se pode sair pelas caixas?" Eu respondo:" sim, até podem, mas, ora pensem: estão lá pessoas com carrinhos e artigos, têm de pedir licença, as pessoas têm de se desviar, interrompem o atendimento. Por vezes é só mesmo por terem de dar mais uns passos. Acham bem?"

 

Então e as entradas , que são pela porta principal (normalmente no cimo tem escrito Bem Vindo ou mesmo Entrada), mas as pessoas também querem entrar pelas saídas das caixas, se apanham uma "cancela" aberta, porque vezes nos esquecemos de fechar, aproveitam logo e até querem entrar pela saída das caixas selfservice.

 

Parecem cachopos rebeldes, sempre a quebrar regras!

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Pagar só depois de tudo arrumado?

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Por vezes eu sou uma pessoa muito observadora e concentrada, mas por outras, sou  distraída e deixo passar algumas situações,  à minha frente, sem me dar conta!

 

No entanto,  no meu universo, de pessoas que atendo na minha caixa, tirei uma conclusão: grande parte das pessoas aprecia o facto de nós auxiliarmos e esperarmos que o cliente arrume as suas compras e só depois lhes perguntar-mos, se tem cartão, se tem cupões e lhe pedirmos o valor. E por vezes, o tempo  que se demora é o mesmo, pois não adianta, o cliente deixar os artigos por arrumar a meio, para ir á carteira e pagar, se depois, temos de esperar que retire os artigos. E uma coisa eu não faço: ter produtos de um cliente ainda no tapete, ainda que embalados, e começar a registar as compras do cliente seguinte.

 

Um dia uma cliente, não quis ajuda a embalar porque queria separar as compras, porque tinha artigos para duas casas diferentes. Eu deixei que a senhora arrumasse, até os arrumou num instante. Vi que ficou agradada de ter este tempinho. A pessoa até pode deixar os cartões a jeito no inicio de colocar as compras, se tiver tempo.

 

Também há clientes que são um speed arrumar as compras, que nem deixam o cliente que estava a sua frente sair, já lá estão a preparar os sacos...

 

Mas seu perguntasse a cada cliente, julgo que a maioria gostaria de ter tempo e espaço para primeiro arrumar as compras, ou dentro de sacos, ou apenas dentro do carrinho a granel, mas só lhes pedirmos o dinheiro, os cartões etc, quando tudo estivesse acondicionado.

 

Estou certa?

Um carrinho de compras sem dono, não marca vez

Estávamos num dia tranquilo em relação ao movimento. Estava um carrinho cheio encostado à minha caixa, mas não tinha dono. Chegou alguém com dois ou três artigos perguntou se podia passar, eu respondi "claro que sim", atendi e a pessoa foi embora. Chegou outra senhora, esta com um carrinho meio de compras, perguntou se podia colocar as compras, uma vez que estava lá um carrinho, eu respondi que o carrinho não marcava vez.

 

A senhora  começou a colocar as compras, já tinha o tapete quase cheio de artigos, quando chega a dona do carrinho abandonado, e diz : "Então, eu estava primeiro"! É aí que eu digo: "Fui eu que chamei a senhora, o carrinho não marca vez, e eu não podia estar parada:!" Ao que ela respondeu: "Não podia esperar? Foram só dois minutos!"

 

As pessoas não têm mesmo noção. Para já, não foram só dois minutos, e mesmo que fossem, imaginem a operadora de caixa parada, porque estava ali um carrinho encostado, e os clientes na fila também parados, sem sequer puderem colocar as suas compras no tapete, porque mesmo vazio, estava a guardar o espaço para alguém, que não devia de estar, supostamente,  muito longe!

 

Não dá, temos de circular, não se pode perder tempo, principalmente porque a maioria dos clientes vão ao supermercado com pressa!

 

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Aceitar normas

Estava a registar as compras a um casal de clientes. A dada altura, havia quatro caixas, cada uma com uma garrafa,  de um vinho de nome mula velha reserva.

 

Abro uma caixa, retiro a garrafa,  registo a garrafa, volto a colocar dentro da caixa,vou para a segunda caixa, e a cliente diz "são todas iguais, porque não multiplica"!? Ao que eu respondo, que pela  norma da empresa, tenho de abrir as caixas e registar o código interior da garrafa e verificar se a garrafa não tem alarme para tirar. E a senhora diz-me ."pois, mas quando é leite, por exemplo, isso não acontece, multiplicam!" E o cliente que estava a seguir, afirma: " está mal, porque um vinho de reserva, quando menos se mexer, melhor!"

 

Mas será que as pessoas não entendem!? Já me aconteceu, ao abrir a caixa, haver "brindes" lá dentro, ou o código da  garrafa interior, não corresponder ao código exterior da caixa. Sim, há pessoas capazes disso. Será que as pessoas não percebem que estamos a fazer o nosso trabalho e não a desconfiar!?

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