Na sexta feira passada, estavam duas caixas abertas, e , por volta das 9:30h, abriu uma nova caixa. Foi a caixa que estava à frente da minha , a colega chamou por ordem de fila.
Uma senhora idosa, vem com o carrinho para essa caixa, mas um outro senhor, também idoso, em voz alta, diz "é lá, se é por ordem, sou eu que estou primeiro"! Um perfeito cavalheiro - pensei eu, com ironia! A senhora até um pouco assustada, sem reclamar, responde "está bem , está bem"!
Lá foi o senhor vitorioso, ser atendido em primeiro lugar, mas a senhora foi logo a seguir, mas talvez os dois ou três minutos, de diferença, fossem de grande importância, principalmente, para quem já devia de ter mais tolerância, tempo e paciência, já que não tem de correr para cumprir horários laborais.
A cliente que eu estava a atender até achou graça, e na verdade depois disto, acabamos por nos rir da situação! Esta cliente, afirmou também, que já tinha presenciado, num dia na abertura do supermercado, esta mesma faixa etária, assim que as portas abriram, irem a correr com os carrinhos.
Qualquer dia, pergunto a estas pessoas porque estão sempre com pressa na fila, mas nos corredores, ou depois do atendimento da caixa, sempre que encontram alguém conhecido, ficam a por a conversa em dia!
Um cliente aborda-me para me perguntar "onde estão os croutons?" Pensei que não tinha entendido pedi para ele repetir.
Não fazia ideia do que se tratava, então timidamente, disse que não sabia o que era. Então ele explicou que eram aqueles pacotes com tostas aos cubos para por na sopa. "Ah já sei onde está, não sabia que tinha esse nome!" Lá fui com o cliente ao local.
Mas, como estava intrigada, por causa do nome, sendo um produto que não uso, mas que o tinha registado tantas vezes, fui confirmar, o nome. E realmente o nome estava na embalagem, sempre esteve e eu nunca tinha reparado. É um nome chique de origem francesa .
Imagine que vai ao talho ou à peixaria pedir um artigo, que é cortado à sua maneira, mas, quando olha para a etiqueta, percebe que é demasiado caro, para o seu orçamento. Pensa desistir de o levar, mas tem vergonha, de voltar a entregar, uma vez que está "personalizado" à sua maneira.
Nesta situação, não deve deixar o artigo numa prateleira qualquer, onde o artigo, que é fresco se pode estragar. Sugiro que o deixe, por exemplo, junto aos iogurtes, pois assim, não se estraga, e quando um funcionário ali passar, pode o resgatar e entregar na secção devida, e ser vendido, com uma outra solução para o facto de estar "personalizado"!
Assim nada se estraga, e ficamos com a consciência tranquila!
Já aqui falei inúmeras vezes das frases que temos de repetir a cada cliente.
É de tal forma, que quando o cliente me entrega o cartão continente no início, a pergunta "tem cartão continente!?" sai na mesma no fim. Por vezes, os clientes respondem"já entreguei ", e responto" ah pois foi peço desculpa, é do hábito " No entanto, houve um cliente que respondeu" se tivesse com atenção, não perguntava!?" Isto porque o cliente já me tinha dado o cartão.
Enfim, só quem tem um trabalho, onde as frases são repetidas, entenderia a situação.
Quando um cliente me trata pelo nome, a tendência é achar que é alguém que me conhece, mas depois cai-me a ficha e penso "ok o meu nome está no crachá"!
São em maioria pessoas brasileiras que têm mais hábito, são um pouco alegre e simpático, sem dúvida!
Mas no outro dia foi um senhor, com sotaque inglês, a tentar falar português. Foi engraçado, porque nos conseguimos entender e ele no fim agradeceu, porque tinha aprendido mais umas palavras em português.
Foi notável a vontade e o esforço para saber falar português!
Um destes dias, uma cliente, interrompeu a fila por três vezes.
Já estava a embalar as compras, quando se lembrou que lhe faltava um artigo. Saiu para o ir buscar, demorou mais tempo, porque teve esperar a vez na charcutaria, para trazer fiambre.
Já ia a meio do embalamento, quando se lembrou de ir imprimir cupões.
Por fim, concluiu que era muito peso, para levar em braços, e, encostou os sacos e foi à rua buscar um carrinho.
Por sorte, o movimento estava fraco, e o cliente seguinte, apesar de ter ficado indignado, e ter depois da cliente ir embora ter comentado, não reclamou muito, pois compreendeu de quem era a culpa.
Mas será que as pessoas que têm este comportamento, não se dão conta, ou acham que são vedetas!?
Há uns dias, atendia um senhor que estava de olho no ecrã, e ia confirmando em o valor da conta. Disse-me que queria chegar aos vinte euros por causa do desconto. Depreendi que o senhor teria um cupão de cinco euros para acumular nas compras de 20€.
No final da-me um cupão talão de vinte euros do Pingo Doce e o cartão do continente. Fico a olhar para o senhor. Digo-lhe que o desconto dos vinte euros são no PD . Ele diz-me:" mas eu tenho que descontar hoje porque é o último dia." Ele não estava a perceber! Não era um velhote, era um senhor ai na casa dos quarenta, que certamente foi a mando da esposa, e não percebe nada destas mecânicas de cupões, cartões e descontos.
Quando percebeu disse: "Então e agora!? Tenho que deixar aqui tudo e ir lá, porque lá não pago!? " Meti a conta em espera para depois pedir a anulação. O senhor estava a deixar os artigos.
Logo a seguir, arrepende-se e informa que se tivesse um desconto do continente, levava as coisas. Com paciência, perguntei se tinha mais algum desconto. Tirou uns papéis e cupões, e , por acaso um deles ( 5€ em 20€) era o tal, que eu achava desde o inicio. Voltei a recuperar a conta e o senhor lá foi embora com as compras. Certamente perdeu os 20€ do outro lado!
Já havia pessoas impacientes, mas ninguém reclamou, e houve até quem dissesse que a culpa era dos supermercados porque tinham estas complicações e cartões!
Estou a finalizar o atendimento a uma cliente e estão mais pessoas na fila. Uma cliente habitual, mete conversa comigo e surge a seguinte conversa:
Cliente habitual: Hoje estou muito zangada consigo!
Eu : Então porquê!?
Cliente habitual: É que hoje os preços estão mais altos que ontem!
Eu : Ah pois é, foi durante a noite, como estava com insónias, e não tinha nada de interessante para fazer, vim para cá, subir preços!
Os outros clientes acharam piada, e foi um momento de descontração. Como disse uma outra cliente, temos que levar isto (da subida dos preços) a brincar, se não, começamos a chorar!
Estava a atender um jovem pai com a sua filha. A pequena achou graça aos rolinhos que temos para os artigos descerem. Então estava a empurrá-los para cima, para já depois de registados, virem até mim.
Com a brincadeira, a empurrar, estava a fazer com que viessem ter ao pé do scanner e a serem registados de novo. Eu tinha de anular. O pai não dizia nada! Ou não queria saber ou nem se estava a aperceber.
Resolvi então dizer-lhe "olha que assim as coisas registam-se de novo e o pai tem de pagar duas vezes!" E a criança percebeu e parou com aquela atitude e ficou sossegada o resto do tempo!
Estava num momento de pouco movimento a conversar com os clientes, porque há clientes que gostam de conversar, e entre as questões habituais, dava para os ouvir, principalmente, queixas do custo de vida é o tema mais comum.
A dada altura a cliente pega nos sacos e vejo-a pronta para ir embora, então não digo nada, só olho para ela, e ela diz-me "falta alguma coisas"!? Ao que eu respondo: "Sim, falta só pagar, nada de importante!" E a senhora atrapalhada a pedir desculpa, a dizer que não foi por mal. "Eu sei que não", respondi-lhe.
Acabou por ser um momento que quem assistia também se ria da situação!