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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Só quem está no atendimento ao público é que sabe

Um cliente queria utilizar um cupão de €5 em €20 de compras. Mas não trouxe o cupão de casa, nem   tinha imprimido uma segunda via no dispensador de cupões.

Digo-lhe que pode imprimir depois, e no balcão recuperar com a colega que lá estava, para não interromper a fila e fazer as outras pessoas esperar.

Então ele começa a ser parvo e a dizer que lhe estou a dar baile, porque se fosse lá depois de pagar como é que ia ter o desconto!? Respondo que os €5 euros ficavam no cartão e não era descontado já na conta. Ele insiste que o estou a enganar.

Uma senhora que estava na fila, pede licença para intervir e mostra ao senhor um cupão de €5 onde se lê que o desconto ficava no cartão! O senhor, mesmo torcendo o nariz, lá aceita!

Quando ele sai, a senhora pede desculpa, porque também trabalha no atendimento ao público e a situação estava a incomodá-la. Digo-lhe que só tenho a agradecer, porque só me ajudou!

E é isto, só quem atende ao público consegue se por em nosso lugar em determinadas situações! Fiquei  muita grata a esta cliente!

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Nem o tapete me deixam limpar

Aproveito um momento sem clientes para com o spray pulverizar o tapete a fim de o deixar limpo e desinfetado. Chega uma cliente toda apressada e mete um  artigo em cima. Peço que aguarde um pouco até terminar a limpeza, ao que ela diz "a mim não me faz diferença". Ao que imediatamente respondo "mas faz a mim"!

A pessoa não se importava de colocar os seus artigos sobre um tapete molhado!?

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Clientes flexíveis como os gatos e com bichos carpinteiros

Os gatos passam por qualquer espaço sem se magoarem. A explicação é que os gatos não têm clavícula , mas sim uma cartilagem  no lugar, que permite que se consigam mover, esticar o corpo e entrar em lugares estreitos.  

Os clientes desde que existe o acrílico também se esticam todos, enfiam os braços pela janela, invadem o nosso espaço, estão sempre  furar tudo. Ainda não atingiram, que se há um vidro à frente,  é para não entrar/furar. É que não compreendem, é  uma coisa que incomoda. Tenho uma esferográfica à frente e mesmo estando envolta em acrílico já um cliente a conseguiu  apanhar! Quando o vi com ela pensei: " mas como é que ele a tirou e nem vi"!?

Outra coisa, eles parecem ter  bichos carpinteiros, pois também é um desassossego e mexem em tudo, é que há coisas que podem ver com os olhos e não com as mãos. Por exemplo,   tenho um montinho de sacos organizados, e em vez de pedirem, vão lá tirar (para quê, se primeiro tenho de os registar) ! Se meto o spray de limpar o tapete à vista pegam nele e metem nas mãos! Aquilo não é álcool gel! Lá tenho de esconder o frasco.  As faturas, que quando saem em triplicado e fico com uma, guardo-as ordenadamente com um clip atrás da caixa registadora, até aí tentam chegar, porque acham que o papel é deles!

Por vezes,  só me apetece dizer como se diz aos miúdos: "aí não se mexe!"

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Quer número de contribuinte na fatura?

A imaginação das pessoas/clientes é incrível, nomeadamente na resposta à pergunta: "Quer número de contribuinte na fatura?"

A resposta simples e mais correta seria "Sim, o que está associado ao cartão, por favor!"

MAS, eles preferem inventar:

  • Está no sistema
  • Já aí/lá está
  • Está incorporado
  • Está no ecrã
  • Então, mas não o está a ver aí!?
  • Está agregado
  • Não é preciso, porque já está automático
  • Está à sua frente
  • Está na ficha
  • Associe esse que está no cartão
  • Está incluído

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É proibido comer no supermercado!?

Não sei se existe alguma lei ou norma escrita que diga que é proibido  comer no supermercado, mas sempre achei que sim. Aliás, recordo-me se assistir a uma cena entre um segurança  a advertir uma mãe que estava a dar qualquer coisa ao seu filho pequeno, (isto antes de eu trabalhar num supermercado) dizendo que não o podia  fazer.  Guardei na minha cabeça esta "imagem".

No entanto acho que , mesmo sabendo disso, a maioria das pessoas, ignora o facto. Até porque alguns supermercado têm dentro, locais como pastelarias, com mesas  onde se pode comer, creio que o centro comercial Colombo tem.

Mas a maioria dos supermercados, são apenas supermercados, e, mesmo havendo locais para comer, são à parte.

Na minha opinião acho bem que não se coma. Fico a imaginar se  agora além de andarem a provar as uvas ou cerejas na frutaria, andassem igualmente a comer biscoitos, a beber uns sumitos, a deixar migalhas, restos espalhados, garrafas vazias.Sim, porque há gente capaz disso. Só se justifica, se os clientes tivessem algum problema se saúde que fosse urgente comer, como quebra de tenção ou diabetes, por exemplo.

Até as crianças, é tudo uma questão de os ensinar que não se pode, podem amuar uma ou duas vezes, mas depois acabam por perceber.

Foi esta semana que quando estava a registar os produtos a uma senhora com a filha adolescente reparei que a embalagem estava aberta, como não avisaram, quase espalhava os biscoitos, e o que a senhora disse foi: "fomos nós, é que já estávamos a ficar com um ratinho!" Isto em plena pandemia! Tirar a máscara para beber água, tudo bem, mas para comer!? Até parece que estão a quebrar duas regras: comer, tirar a máscara!

Enfim!

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Ninguém gosta de estar à espera, muito menos...para pagar

Passamos tantos anos a vivenciar as mesmas as mesmas experiências que julgamos já estar vacinados e que certas atitudes já não nos afetam. No entanto, fico sempre afetada quando os clientes começam nas filas a discutir, a falar alto, a reclamar, quer seja porque querem mais caixas abertas ou mesmo a discutir uns com os outros, nomeadamente pelo lugar na fila . Chegam a ser ofensivos !

Sei que a maioria das pessoas vai ao supermercado sempre com pressa, sendo essa pressa mais acentuada no momento das filas. Faz falta um pouco mais de paciência, nem sempre é possível resolver logo a situação.

Podem não acreditar, mas por vezes parece que os clientes combinam de aparecer todos à mesma hora, porque há momentos em que há mais operadores de caixa do que clientes,  nessa altura, pode acontecer os operadores irem fazer outra coisa qualquer, e no momento, começarem a chegar ás caixas aglomerados de clientes!

De uma coisa podem ter a certeza, um dos  focos da empresa é não fazer o cliente esperar muito tempo!

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O jogo do macaquinho do chinês

Saio um pouco da caixa para ir responder a uma questão à cliente que já tinha atendido. Ela tinha uma dúvida com um preço no talão.

Demorei um minuto, quando voltei para a caixa já tinha três pessoas com artigos no tapete. A princípio pensei que estavam juntos, mas depois vi uma cliente meio encolhida a desviar-se (esta sim consciente). Foi quando percebi que as outras duas se tinham aproveitado de um momento de distração   para  desrespeitarem o distanciamento. 

Parecia o jogo do macaquinho de chinês, em que olhamos não está ninguém, viramos e já está uma data de gente em cima.

As pessoas, muitas delas, só respeitam o distanciamento enquanto estamos a controlar, se nos descuidamos, elas avançam e não querem saber.

As pessoas não querem ou não sabem ser responsáveis sozinhas!?

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Pérolas

Explico a um casal a campanha do banco solidário animal. Disse-lhes que devido à pandemia os voluntários não podiam estar à porta do supermercado, e que, por isso, tínhamos os vales. O senhor concordou em ajudar e perguntou qual era a coisa mais barata que eu lá tinha, então eu disse que era o valor de 0,69€. Perguntou o que era eu disse que era ração para cão, ele responde: "ah para cão , não!" Então digo-lhe outro valor, mas para gatos, ao que ele responde "para gatos também não"!

 A esposa diz-lhe "mas é tudo para animais"! É então que ele remata dizendo: "Para animais , não ajudo, quem os quer ter, que os sustente!" Ainda lhe disse que eram os animais de rua e de abrigos que estaria a ajudar, mas o senhor manteve a sua posição!

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Quem me conhece sabe que ajudo a alimentar uma colónia de gatos e que por isso fico com pena que não percebam este tipo de iniciativas! Por pouco que seja, qualquer ajuda , vale!

Não custa nada mostrar os sacos vazios à/ao operador/a de caixa

É sempre um stresse quando as pessoas passam com o carrinho cheio de  sacos vazios, folhetos, malas , casacos. Creio que devem ter noção que além de estarem a dificultar o nosso trabalho, estão a dar motivos para que desconfiemos! Ninguém lê o pedido que lá está a pedir que coloque os sacos sobre o tapete e que  passem o carrinho vazio para o outro lado!

É que se mostrarem, nem é necessário que o coloquem em cima do tapete. Há uma senhora, que me chama, abre o saco, e vira-o para baixo e eu só faço ok com o polegar!

Recentemente, uma senhora passou, tinha um monte de sacos que até estavam dobradinhos, mas eu levantei-me e fui observar. Ela percebeu e disse: "você veio espreitar os sacos? São meus já os paguei"! Ao que eu respondo que não foi por  isso, mas pelo facto  de ali estar um pedido, e que nós precisávamos de ver os sacos! A senhora, talvez indignada com o que lhe tinha dito, vai mexe nos sacos e diz: "Mas estava com receio que levasse aqui alguma coisa!?" E quando ela sacode os sacos, sai de lá uma pasta de dentes.

A senhora, lá engoliu a sua arrogância, e não disse mais nada!

Eu acredito que até foi sem querer e que a surpresa dela foi igual à minha, mas isto só prova que o nosso pedido é mais que legitimo!

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Situações que fazem demorar a atendimento

Alguns clientes,  fazem demorar o atendimento, devido a determinadas situações:

  • O cliente  passa pela máquina de imprimir os cupões e não imprime logo, só se lembra de o fazer quando já está a ser atendido na caixa;
  • O cliente esquece-se dos sacos no carro, e vai buscá-los, enquanto a operadora regista as compras
  • Para pagar o cliente tem de procurar as 1001 carteiras, uma com moedas, outra com cartões, outra com notas, mais o envelope com cupões;
  • O cliente não se dá ao trabalho de trazer os cupões correspondentes, pede à operadora que seja ela a escolhe-los;
  • O cliente esqueceu-se de um artigo e larga tudo para o ir procurar;
  • O cliente tem de pensar se quer ou não o número de contribuinte na fatura;
  • O cliente decide uma coisa e depois muda de ideias;
  • Se pedimos trocos, é outra situação para demorar, daí algumas vezes mesmo que precise, evito fazer;
  • O cliente quer pagar com multibanco, mas não se lembra do código, e vai por tentativas;
  • O cliente leva artigos e depois na caixa pede para anular;
  • Se entretanto o telemóvel tocar, o cliente interrompe tudo para o atender.

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Alguns clientes entretanto dirão "então e quando a culpa é do supermercado ou mesmo da funcionária!?"

Por exemplo:

  • Um preço que está a um valor na prateleira e passa a outro na caixa;
  • Quando não se percebe onde é o fim da fila;
  • Quando era preciso mais caixas abertas.

Enfim, há situações de ambos os lados que se pode vir a melhorar!