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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Nunca é demais agradecer à fonte de inspiração

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Eu (operadora): Obrigada a todos os clientes que têm passado pela “minha” caixa de supermercado, pois são vocês, a minha maior fonte de inspiração, para a escrita e crescimento, deste blogue!

 

E como suponho, que o agradecimento seja mutuo...

 

Eles (clientes): Obrigado Anabela, por nos ter colocado debaixo da sua lupa!

Onde fica a saída sem compras? E a entrada?

É uma pergunta muito frequente, pelo menos, nos supermercados. Claro que cada um tem as suas regras, por isso, vou falar do continente, porque é o  que conheço melhor.

 

A saída convém que seja feita por onde é a entrada, porque o espaço é mais amplo. E agora,  perguntam vocês: "então e não se pode sair pelas caixas?" Eu respondo:" sim, até podem, mas, ora pensem: estão lá pessoas com carrinhos e artigos, têm de pedir licença, as pessoas têm de se desviar, interrompem o atendimento. Por vezes é só mesmo por terem de dar mais uns passos. Acham bem?"

 

Então e as entradas , que são pela porta principal (normalmente no cimo tem escrito Bem Vindo ou mesmo Entrada), mas as pessoas também querem entrar pelas saídas das caixas, se apanham uma "cancela" aberta, porque vezes nos esquecemos de fechar, aproveitam logo e até querem entrar pela saída das caixas selfservice.

 

Parecem cachopos rebeldes, sempre a quebrar regras!

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Pagar só depois de tudo arrumado?

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Por vezes eu sou uma pessoa muito observadora e concentrada, mas por outras, sou  distraída e deixo passar algumas situações,  à minha frente, sem me dar conta!

 

No entanto,  no meu universo, de pessoas que atendo na minha caixa, tirei uma conclusão: grande parte das pessoas aprecia o facto de nós auxiliarmos e esperarmos que o cliente arrume as suas compras e só depois lhes perguntar-mos, se tem cartão, se tem cupões e lhe pedirmos o valor. E por vezes, o tempo  que se demora é o mesmo, pois não adianta, o cliente deixar os artigos por arrumar a meio, para ir á carteira e pagar, se depois, temos de esperar que retire os artigos. E uma coisa eu não faço: ter produtos de um cliente ainda no tapete, ainda que embalados, e começar a registar as compras do cliente seguinte.

 

Um dia uma cliente, não quis ajuda a embalar porque queria separar as compras, porque tinha artigos para duas casas diferentes. Eu deixei que a senhora arrumasse, até os arrumou num instante. Vi que ficou agradada de ter este tempinho. A pessoa até pode deixar os cartões a jeito no inicio de colocar as compras, se tiver tempo.

 

Também há clientes que são um speed arrumar as compras, que nem deixam o cliente que estava a sua frente sair, já lá estão a preparar os sacos...

 

Mas seu perguntasse a cada cliente, julgo que a maioria gostaria de ter tempo e espaço para primeiro arrumar as compras, ou dentro de sacos, ou apenas dentro do carrinho a granel, mas só lhes pedirmos o dinheiro, os cartões etc, quando tudo estivesse acondicionado.

 

Estou certa?

Um carrinho de compras sem dono, não marca vez

Estávamos num dia tranquilo em relação ao movimento. Estava um carrinho cheio encostado à minha caixa, mas não tinha dono. Chegou alguém com dois ou três artigos perguntou se podia passar, eu respondi "claro que sim", atendi e a pessoa foi embora. Chegou outra senhora, esta com um carrinho meio de compras, perguntou se podia colocar as compras, uma vez que estava lá um carrinho, eu respondi que o carrinho não marcava vez.

 

A senhora  começou a colocar as compras, já tinha o tapete quase cheio de artigos, quando chega a dona do carrinho abandonado, e diz : "Então, eu estava primeiro"! É aí que eu digo: "Fui eu que chamei a senhora, o carrinho não marca vez, e eu não podia estar parada:!" Ao que ela respondeu: "Não podia esperar? Foram só dois minutos!"

 

As pessoas não têm mesmo noção. Para já, não foram só dois minutos, e mesmo que fossem, imaginem a operadora de caixa parada, porque estava ali um carrinho encostado, e os clientes na fila também parados, sem sequer puderem colocar as suas compras no tapete, porque mesmo vazio, estava a guardar o espaço para alguém, que não devia de estar, supostamente,  muito longe!

 

Não dá, temos de circular, não se pode perder tempo, principalmente porque a maioria dos clientes vão ao supermercado com pressa!

 

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Aceitar normas

Estava a registar as compras a um casal de clientes. A dada altura, havia quatro caixas, cada uma com uma garrafa,  de um vinho de nome mula velha reserva.

 

Abro uma caixa, retiro a garrafa,  registo a garrafa, volto a colocar dentro da caixa,vou para a segunda caixa, e a cliente diz "são todas iguais, porque não multiplica"!? Ao que eu respondo, que pela  norma da empresa, tenho de abrir as caixas e registar o código interior da garrafa e verificar se a garrafa não tem alarme para tirar. E a senhora diz-me ."pois, mas quando é leite, por exemplo, isso não acontece, multiplicam!" E o cliente que estava a seguir, afirma: " está mal, porque um vinho de reserva, quando menos se mexer, melhor!"

 

Mas será que as pessoas não entendem!? Já me aconteceu, ao abrir a caixa, haver "brindes" lá dentro, ou o código da  garrafa interior, não corresponder ao código exterior da caixa. Sim, há pessoas capazes disso. Será que as pessoas não percebem que estamos a fazer o nosso trabalho e não a desconfiar!?

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Atitudes que podem evitar no supermercado

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Uma tendência que algumas pessoas têm, e que me deixa um pouco triste, é deixarem artigos frescos ou congelados em qualquer corredor. Por exemplo, deixar o peixe amanhado, fiambre ou marisco congelado no corredor dos detergentes. O que acontece é que vai acabar por ir parar ao lixo. Não custa nada, chegarem à operadora de caixa, e dizerem que desistiram de levar aquele artigo. Assim, nós podemos voltar a colocar o artigo no sitio certo, sem que se estrague.

 

Um artigo estragado, não serve para nada, nem dá para oferecer a alguma associação, (pensem  em quem passa fome) vai diretamente para o lixo, e fica no prejuízo, e se há prejuízo, haverá também menos dinheiro para manter os funcionários.

 

Pensem nisso. Obrigada!

Um saco com asas para voar

Um senhor pede-me um saco com asas. Ora como todos os sacos têm, à partida asas, perguntei se era dos de plástico. Disse que sim. Dei-lhe o saco e ele disse que tinha uma reclamação a fazer.

 

Eu: - Então diga!

Cliente. - É o saco!

Eu: Então não era de plástico?

Cliente. - Não, eu pedi com asas!

Eu : - Mas tem asas!

Cliente. - Ah tem, então porque não voa!? Devia voar até ao carro sozinho!

 

Estava a brincar comigo. Por vezes há destes clientes que vêm inspirados.

 

Por vezes são piadas secas, mas sempre dá para descomprimir...

 

Mas ao fim e ao cabo, os sacos de plástico até voam, já vi alguns a voar pelas ruas, pelos céus, pelo mar...

 

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Ela passa pelo vidro

Como já aqui referi , estão a fazer remodelações no supermercado. E uma das coisas que mudou foi o local da entrada. Antes as pessoas entravam pelas portas da rua e  depois tinham de percorrer todo um corredor para entrar dentro do supermercado; agora a entrada da loja fica logo no início (mais perto da entrada da rua) e o local ao fundo, que antes era de entrada tem um vidro transparente desde o chão até ao tecto.

 

Há setas no chão a indicar a nova entrada, bem como outra seta ao nível da nossa cintura. Mesmo assim, a maioria das pessoas não repara, e vão até ao local da anterior entrada. Pisam a sinalética, mas não a lêem.

 

Nós quando vimos as pessoas a irem na direcção errada, avisamos e as pessoas voltam atrás.

 

Certa, vez uma senhora ia na direcção errada e eu avisei, e a resposta foi “ah, mas eu sempre entrei por ali”, e continua a andar, porque  de longe não se percebe que há um vidro lá. Fiquei pasma, a senhora que estava a atender naquele momento disse:”ela só passa se partir o vidro”! Ficamos a olhar, a ver o que acontecia. Entretanto, depois de um minuto parada, já deu meia volta e veio.

 

Ora digam lá, se não há pessoas,  mesmo teimosas!

 

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O respeito pelo espaço do outro

Estou a atender uma senhora na casa dos trinta anos, logo a seguir está outra senhora que podia ser a sua mãe. A senhora mais velha andava irrequieta de um lado para o outro. Cheguei a pensar que estavam juntas.

 

Quando chega a hora da senhora que estava a atender querer pagar com cartão multibanco, a outra senhora estava plantada atrás dela e a olhar, tirando a privacidade. A senhora que estava a pagar começou a falar ”entre dentes”, julguei que estava a falar comigo, mas era mesmo a criticar o facto de a outra estar colada a ela.

 

Eu sei que já por diversas vezes repeti este episódio, mas é uma situação demasiado frequente. Falta ensinamento e  formação às pessoas. Há tantos cartazes na loja com avisos, de publicidade, de informações, fazia falta um que remetesse para esta situação, para que existisse mais civismo, para que alertassem as pessoas. Uma sinalética no chão, embora quase ninguém olhe para o chão! Sei que por vezes, nem têm esta atitude por mal, muitas vezes até é distracção, ou falta de noção. Mas, se há pessoas que por si, não conseguem entender, têm de ser ensinadas, alertadas!

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As " donas cabeças no ar" na ida ao supermercado

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Uma situação bastante frequente numa ida ao supermercado é o esquecimento, é a Dona Cabeça no Ar.

 

A Dona Cabeça no Ar, faz uma lista, vai buscar os sacos, porque precisa de ir num instante (porque a ida ao supermercado é sempre com pressa).

 

Ao chegar ao supermercado, leva um carrinho. Abre a mala e percebe que se esqueceu da lista. Então, decide percorrer todos os corredores em busca do que acha que lhe faz falta.

 

Carrinho cheio, e a hora a apertar, vai para a fila para pagar as compras. Quando a operadora lhe pergunta se precisa de sacos a Dona Cabeça no Ar, sem responder, sai a correr direto á porta de saída. “foi ao carro buscar os sacos” pensa a operadora de caixa, uma vez que é uma situação comum.

 

Chega á caixa cansada com alguns sacos. Ainda na fila repara num artigo que o outro cliente leva, e lembra-se que também precisa daquele produto, pergunta ao outro cliente em que lugar está, depois da explicação, lá vai a Dona Cabeça no Ar, buscá-lo. Ao sacos estão abertos, dentro do carrinho, mas os artigos, na sua maior parte, ainda cá estão fora.

 

Lá se organiza. Perguntam-lhe se tem cupões, e a Dona Cabeça no Ar, lá sai, novamente a correr, para ir imprimir cupões, quando os podia ter trazido de casa ou ter imprimido à chegada. Lá os imprime, a operadora lá os passa, e no final para pagar, a Dona Cabeça no Ar, não encontra o cartão multibanco. Retira de dentro da sua mala XL toda a tralha. Fica nervosa! Diz ter a certeza que trouxe o cartão. Na fila, há quem desespere, porque assistiu a tudo isto desde o inicio. Entretanto, vai ao bolso e lá encontra o cartão de pagamento.

 

Agora imaginem as vezes que esta situação acontece, imaginem a quantidade de donas cabeças no ar que por ali passam, imaginem o que é estar com os pés na terra, e ter de esperar e assistir a isto!?

 

Por favor, pensem um bocadinho, organizem-se melhor, não sejam tão cabeças no ar! Não ajam como se fossem o centro do universo, pois há mais pessoas a fazerem parte dele!

 

Daqui resultou que:

 

  • A lista ficou em casa
  • Os cupões não foram imprimidos
  • Os sacos ficaram no carro
  • Um artigo ficou esquecido
  • O meio de pagamento estava fora do lugar