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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A intrusa do supermercado

Uma cliente andava só de um  lado pro outro, julguei que estava com a senhora que eu estava a atender, pois estava justamente frente ao terminal de pagamento automático, parecia que tinha estado a ver o registo dos produtos e ia ser ela a pagar!

Digo o total a olhar para ela, e ela fica a olhar para mim sem pestanejar. A dona, por assim dizer, da conta, diz que estava a ver se a senhora lhe queria pagar a conta. Percebo que afinal não estavam juntas.  Peço à intrusa/emplastra para dar licença. Ela ainda responde: "faça favor" , mas não se mexe, nem saí do lugar. Eu digo "tem de se afastar um pouco, e ela ainda responde: "está aí muito espaço!" Respondo: "Mas esse espaço não lhe pertence, pertence à pessoa que está a ser atendida, e ela tem o direito de pagar a conta sem que a senhora veja o código secreto do cartão!"

Lá se afasta de trombas. O tempo que a estive a atender, só lhe disse as palavras que um robô lhe diria!

Certamente, esta pessoa, não tinha a intenção de espiar o código da outra cliente, certamente é só totó e incivilizada!

Haja paciência infinita!

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E esta hien!?

Hoje quando estava quase a terminar o atendimento a um cliente, ele diz-me: "Ah hoje está bem dispostas!?" Ao que respondo que tento estar sempre bem disposta para os clientes . E ele diz-me: "mas da última vez que me atendeu, eu estava ao telemóvel e você não me queria deixar  terminar a conversa! É que estava a falar com um colega e não podia desligar assim, sem mais nem menos! As conversas não se acabam assim, não é!?"

Eu não fixo bem as caras, mas recordo, de estar a pedir a um cliente o cartão ou o dinheiro, e ele não me "atender" porque estava ao telemóvel. Agora percebo que esta pessoa ainda achou que eu é que estive mal, não foi ele que  estava a fazer-me esperar (a mim) e ás outras pessoas, nós é que tínhamos todos de esperar que sua excelência terminasse a conversa, não urgente, com o seu colega!

Que vontade eu tive de lhe dizer umas quantas coisas, mas apenas lhe disse que em Portugal ainda era permitido as pessoas na caixa estarem ao telemóvel, mas que felizmente na Alemanha não era, e que tinha esperança que também chegasse cá! Ao que ele disse "isso é uma estupidez!"

Quero agradecer à Ligia Rodrigues, pela imagem e pela explicação:

«Tenho conhecimento da Alemanha, mas penso que é coisa de países nórdicos, tendo em conta a mesma mentalidade cívica, mas posso-lhe dizer que à minha frente uma operadora se recusou a atender o cliente até ele desligar a chamada.
Já em UK uma situação similar deu queixa da operadora .»
 
Se mais alguém fora de Portugal tiver algo do género, diga,  porque já uma cliente me disse que vivia num pais onde havia mesmo um sinal de proibido na linha de caixas, tenho ideia de ser no Luxemburgo, mas posso estar enganada!

nalemanhaeassim.jpgContinuo a precisar de doses extra diárias de paciência!

Gente que não acta regras e amua

Ontem, logo pela manhã atendi um casal, bastante jovem até, que me deixou logo aborrecida.

Quando nós pedimos alguma coisa ou chamamos atenção por alguma coisa, não é vontade nossa, mas sim normas da empresa, ou seja, ordens que temos. Pedi apenas que colocassem todos os artigos em cima do tapete incluindo os sacos vazios, pedi com educação, porque isso faço sempre, até posso falhar em alguma coisa, mas não é na educação. Ficaram chateados, e começaram a atirar as coisas à bruta, a implicar com tudo, a mostrar insatisfação e a descarregar a sua frustração. Não perdi a compostura e respondi sempre amavelmente.

Felizmente a seguir vieram pessoas bem educadas e civilizadas que aceitaram e entenderam os meus pedidos em nome da empresa, e acabei por desvalorizar aquelas pessoas mal formadas e ressabiadas!

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A cliente mereceu a lição

Estou quase a terminar o atendimento de um jovem, digo à cliente seguinte que pode ir colocando os seus artigos. Há uma marca no chão para o cliente que está a colocar os artigos, se o cliente for colocando os artigos na zona verde, o tapete rolante vai puxando os artigos, sem que seja preciso o cliente transpor a  marca.

No entanto esta cliente avançou demasiado. O jovem tinha de pagar com o multibanco e esta cliente estava muito próxima. Ao ver isto pedi à senhora para se afastar. Ela afastou-se apenas um milímetro. O jovem diz "vocês assim só cumprem o afastamento social entre vocês e o cliente, agora entre clientes, não"! Eu disse ao jovem "tem razão, eu já pedi à senhora para se afastar um pouco, mas vou pedir de novo". Volto a pedir à senhora para se afastar até à sinalética, mas ela diz que "ali não está a estorvar ninguém"! Vai o jovem diz que assim não vai fazer o pagamento enquanto a senhora não se afastar. Eu digo: "Pois está no seu direito!"

Sento-me e digo: " vamos esperar que a senhora se afaste então! Eu até às 13:30h posso esperar!" Eram 11 horas da manhã! E fico a olhar para a cliente, que a barafustar lá se afasta! Ainda me ouviu dizer que as pessoas não respeitam nada! Mesmo que não existisse pandemia, era uma falta de civismo estar em cima de alguém que está a marcar um código de  multibanco, que é secreto!

Há pessoas que ainda não perceberam que as coisas estão diferentes, tiveram mais de 5 meses, mais ainda não atingiram esse ponto de mudança! Esta levou uma lição. Só tenho a agradecer a este jovem que me ajudou na tarefa!

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Não somos máquinas, temos sentimentos

Gostaria que existisse uma câmara de filmar secreta na linha de caixas, que pudesse detectar tudo o que se passa na fila e no atendimento. 

E, ao ser revelado, o que ali acontece, ficariam de certo surpreendidos com as situações que ali se passam, com as palavras e  atitudes que quem ali está a trabalhar, e  a dar o seu melhor, tem de ouvir e suportar.

Hoje pedi,  a um senhor já na terceira idade, que se afastasse um pouco para a cliente que estava a atender, poder fazer o pagamento. E ele perguntou-me "mas  porquê!?" Expliquei que tinha de se afastar um pouco, para dar privacidade à cliente e para manter o distanciamento mínimo. E ele diz-me em voz bem alta "Distanciamento!? Tenha juízo, esteja calada!" 

Nós temos de tolerar isto? Está falta de respeito!? Estamos ali para  trabalhar e não para receber insultos!

Um dia salta-me a tampa e digo alguma coisa, que me vai prejudicar. E depois perco o meu trabalho. Mas há alturas que até as pessoas pacificas como eu, ficam cheias de tanta falta de civismo.

Trabalho este, que até há bem pouco tempo, era para mim um orgulho tê-lo e que me fazia sentir útil. Saía de casa sempre bem disposta para o ir realizar e nunca era um frete. Mas agora, em vez desta pandemia mostrar a solidariedade das pessoas, mostra mais a falta de respeito.

Será que as pessoas não pensam que estamos ali a cumprir ordens!? Será que não percebem que quando  fazemos um pedido ou se dizemos que não é de uma maneira mas sim de outra é porque a ordem vem de cima!? Porque ficam zangados e descarregam sempre em cima dos mesmos!? Devem de achar que gostamos de os contrariar.

Andam tão danadinhos para se andarem a roçar todos uns nos outros! Não chega o calor que está, ainda se fosse no inverno!

Haja paciência infinita!

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