Uma caixa lenta, seria um serviço, que ofereceria mais tempo aos clientes, com uma operadora de caixa que dria mais tempo para as pessoas embalarem os seus produtos, para colocar questões, ou simplesmente, para conversarem.
Seria um serviço mais atenciosos para idosos, ou para pessoas com necessidades especiais, que não tenham pressa e que precisem de mais tempo.
Eu não sou boa fisionomista, é certo. Esqueço-me facilmente da cara das pessoas, mas não é de agora, sempre fui assim, infelizmente. Talvez sofra de um distúrbio como nome de Prosopagnosia. No entanto, por vezes, dou conta, de que já passou algum tempo, que não vejo, um determinado cliente. Quando se trabalha numa cidade mais pequena, há caras que fazem parte da casa.
Há dias uma velhinha super atenciosa foi à minha caixa. Fiquei feliz de a reencontrar, e ela também de me ver. Esta senhora que já deve ter bem mais de oitenta anos. Recordo-me que um dia olhou para mim e elogiou o meu cabelo, e disse-me que quando era nova, também tinha assim os cabelos grandes e fortes. Depois disse-me que a maior pena que tinha era de estar a ficar sem cabelos.
Apesar de tudo, envelhecer, não é mau, porque é um privilégio, só concedido a alguns, o mau, é faltar a saúde, perder o cabelo, os dentes, a memória, a capacidade de andar, etc.
Lá ficou a contar-me coisas da vida, com a sua voz trémula e doce. despediu-se atenciosamente, como sempre.
Nós vamos nos afeiçoando a este tipo de pessoas, que nos tratam tão bem. É nestas alturas que seria bom a existência de uma caixa lenta, como já aqui falei.
Por vezes surgem-me algumas ideias, que no meu ponto de vista, que apenas vale por um, seriam ideias de melhoria. Claro que isto é em contexto de um Continente modelo, que não é muito grande.
Um sensor para fazer um RX ao carrinho e aos sacos que vão lá dentro quando as pessoas passam para o tapete de saída, tipo como no aeroporto, e nós víamos por um ecrã à nossa frente. Ou então um mini túnel onde os sacos tivessem de passar. Uma medida universal e não só no continente.
O sistema permitir ver se o saldo do cartão cliente tem validade, devido aos cupões de 15%.
Quando determinado artigo, não estiver cadastrado ou for artigo desconhecido, o som do bip, ser diferente, mais agudo, para darmos conta logo.
Haver uma sinalização no chão, para que o cliente que está a ser atendido, tenha privacidade para embalar as compras e fazer o pagamento, e o cliente seguinte, não esteja "em cima", deste.
1 metro de Acrílico à nossa frente, para nossa saúde e proteção.
Um aparelho para o cliente passar a aplicação ou o cartão.
Um cartaz a advertir os clientes para não entregarem pesos em braços pela frente, porque prejudica a saúde e segurança do trabalhador. Há sempre a hipótese de levantarem os artigos do carrinho no tapete de saída, e assim é o cliente que faz esse esforço, o mesmo que faria pela frente.
Uma placa, a dizer "saída sem compras" em vez de "obrigado pela sua visita", evitava que as pessoas saíssem pelas caixas, a empurrarem, quem está a ser atendido.
Um tapete rolante, que se auto limpe com um compartimento para onde vá a sujidade. É que para os celíacos, o pó do pão, por exemplo, é muito prejudicial, e nem sempre conseguimos remover esse pó.
Uma caixa lenta, para quem precisa e carece de mais tempo, para embalar, para colocar questões, para quem, até, quer conversar um pouco com a operadora. Há clientes, para quem a operadora, é a única pessoa, com quem pode comunicar naquele dia.
Uma mensagem de voz e luz vermelha ou verde, que avise que a caixa número X vai fechar ou que a caixa Y vai abrir.
Que o sistema de pagamento venha com multibanco na primeira opção, porque as pessoas com mais idade, ficam sempre confusas por estar primeiro o pagamento, que para elas é a debito.
Um lugar próprio para ficarem os troleys, para não os levarem para dentro da loja, ou os deixarem em qualquer lado.
Um lugar com cacifos para as pessoas não entrarem com mochilas ou artigos de trazidos de outros lugares.
Os cupões do combustível, deviam de sair um por cada €30, assim não se perdia tempo, a fazer várias contas.
Para descontar o saldo do cartão o sistema devia de perguntar "tem mesmo a certeza que é para descontar?", porque quando o valor da compra é igual ou superior ao saldo, podemos, por lapso, tocar na tecla e descontar sem querer, e depois já não se pode voltar atrás, e o cliente fica insatisfeito. É só tornar esse processo um pouco mais difícil, com duas etapas, por exemplo.
O sistema permitir devolução do dinheiro para o multibanco. Por exemplo, há clientes que dizem para pagar uma parte com o um multibanco, nós descontamos essa parte e depois a outra parte é com outro cartão ou dinheiro, entretanto falta esse dinheiro , e já não dá para por a conta em espera, porque uma parte já foi paga em multibanco e não dá para devolver. Perde-se tempo, para arranjar soluções.
São apenas algumas ideias, certamente vão achar algumas sem jeito, e outras, que até poderiam resultar. Em breve pode ser que me surjam, mais algumas.
Obrigada a quem teve a paciência de ler tudo até ao fim.
Por vezes há clientes que nos marcam, por algum motivo.
Atendia uma senhora super simpática, que me tratou tão bem. Foi muito querida e fez-me um elogio, coisa que por vezes também sabe bem ouvir. Sim, por situações positivas e conversas felizes também acontecem, até porque eu sou uma pessoa pacífica, e não gosto nada de discussões.
Disse-me que tinha 82 anos, mas que ia usar a aplicação, porque apesar da idade, conseguia fazer, pediu até desculpa por ir demorar um pouco mais.
Uma senhora muito bem vestida, penteada, maquilhada e cheia de adornos. Uma aparência assim, escondia a tristeza de já ter perdido dois filhos. Uma história de vida nada fácil. Gostaria de a continuar a ouvir por mais uns instantes, mas a fila não podia parar. Era nesta altura, que gostaria que "a caixa da socióloga", pudesse existir!
Nos primeiros tempos da minha vida e até aos meus 20 anos de idade, sonhei ser professora de primeiro ciclo. Em miúda, sempre que iam crianças à minha casa, incluindo os meus primos mais novos, eu dava papel e lápis e punha-os a escrever. Mas tudo não passou de um sonho, que não foi possível concretizar!
Entretanto, com esta profissão de contacto com o público, e quando surgiram os livros, algumas pessoas me aconselharam a fazer uma formação em sociologia, porque tinha jeito.
No meu imaginário, eu vou para a universidade, que foi algo que sempre quis, faço sociologia, mas volto para o supermercado, crio uma caixa especial, " a caixa da socióloga", uma caixa , onde não há pressa, onde atendo quem tenha tenha vontade de conversar um pouco. Uma caixa mais lenta, mais virada para a humanidade, para os mais velhos, para quem tiver tempo, e juntava esta minha capacidade, ou dom, com estudo e formação!