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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Um carrinho de compras sem dono, não marca vez

Estávamos num dia tranquilo em relação ao movimento. Estava um carrinho cheio encostado à minha caixa, mas não tinha dono. Chegou alguém com dois ou três artigos perguntou se podia passar, eu respondi "claro que sim", atendi e a pessoa foi embora. Chegou outra senhora, esta com um carrinho meio de compras, perguntou se podia colocar as compras, uma vez que estava lá um carrinho, eu respondi que o carrinho não marcava vez.

 

A senhora  começou a colocar as compras, já tinha o tapete quase cheio de artigos, quando chega a dona do carrinho abandonado, e diz : "Então, eu estava primeiro"! É aí que eu digo: "Fui eu que chamei a senhora, o carrinho não marca vez, e eu não podia estar parada:!" Ao que ela respondeu: "Não podia esperar? Foram só dois minutos!"

 

As pessoas não têm mesmo noção. Para já, não foram só dois minutos, e mesmo que fossem, imaginem a operadora de caixa parada, porque estava ali um carrinho encostado, e os clientes na fila também parados, sem sequer puderem colocar as suas compras no tapete, porque mesmo vazio, estava a guardar o espaço para alguém, que não devia de estar, supostamente,  muito longe!

 

Não dá, temos de circular, não se pode perder tempo, principalmente porque a maioria dos clientes vão ao supermercado com pressa!

 

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Aceitar normas

Estava a registar as compras a um casal de clientes. A dada altura, havia quatro caixas, cada uma com uma garrafa,  de um vinho de nome mula velha reserva.

 

Abro uma caixa, retiro a garrafa,  registo a garrafa, volto a colocar dentro da caixa,vou para a segunda caixa, e a cliente diz "são todas iguais, porque não multiplica"!? Ao que eu respondo, que pela  norma da empresa, tenho de abrir as caixas e registar o código interior da garrafa e verificar se a garrafa não tem alarme para tirar. E a senhora diz-me ."pois, mas quando é leite, por exemplo, isso não acontece, multiplicam!" E o cliente que estava a seguir, afirma: " está mal, porque um vinho de reserva, quando menos se mexer, melhor!"

 

Mas será que as pessoas não entendem!? Já me aconteceu, ao abrir a caixa, haver "brindes" lá dentro, ou o código da  garrafa interior, não corresponder ao código exterior da caixa. Sim, há pessoas capazes disso. Será que as pessoas não percebem que estamos a fazer o nosso trabalho e não a desconfiar!?

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Atitudes que podem evitar no supermercado

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Uma tendência que algumas pessoas têm, e que me deixa um pouco triste, é deixarem artigos frescos ou congelados em qualquer corredor. Por exemplo, deixar o peixe amanhado, fiambre ou marisco congelado no corredor dos detergentes. O que acontece é que vai acabar por ir parar ao lixo. Não custa nada, chegarem à operadora de caixa, e dizerem que desistiram de levar aquele artigo. Assim, nós podemos voltar a colocar o artigo no sitio certo, sem que se estrague.

 

Um artigo estragado, não serve para nada, nem dá para oferecer a alguma associação, (pensem  em quem passa fome) vai diretamente para o lixo, e fica no prejuízo, e se há prejuízo, haverá também menos dinheiro para manter os funcionários.

 

Pensem nisso. Obrigada!

Ela passa pelo vidro

Como já aqui referi , estão a fazer remodelações no supermercado. E uma das coisas que mudou foi o local da entrada. Antes as pessoas entravam pelas portas da rua e  depois tinham de percorrer todo um corredor para entrar dentro do supermercado; agora a entrada da loja fica logo no início (mais perto da entrada da rua) e o local ao fundo, que antes era de entrada tem um vidro transparente desde o chão até ao tecto.

 

Há setas no chão a indicar a nova entrada, bem como outra seta ao nível da nossa cintura. Mesmo assim, a maioria das pessoas não repara, e vão até ao local da anterior entrada. Pisam a sinalética, mas não a lêem.

 

Nós quando vimos as pessoas a irem na direcção errada, avisamos e as pessoas voltam atrás.

 

Certa, vez uma senhora ia na direcção errada e eu avisei, e a resposta foi “ah, mas eu sempre entrei por ali”, e continua a andar, porque  de longe não se percebe que há um vidro lá. Fiquei pasma, a senhora que estava a atender naquele momento disse:”ela só passa se partir o vidro”! Ficamos a olhar, a ver o que acontecia. Entretanto, depois de um minuto parada, já deu meia volta e veio.

 

Ora digam lá, se não há pessoas,  mesmo teimosas!

 

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É mais fácil apontar a falha e culpar os outros

Uma senhora assim que começa a colocar os artigos no tapete,  fala sozinha primeiro qualquer coisa que não entendi e depois diz-me que a sua conta não pode passar dos €20 porque não trouxe o multibanco.

 

A conta já está quase a chegar aos €30, mas com os descontos imediatos nos produtos dá pouco mais de €18, fico descansada, achando que assim a senhora ainda levava troco. No entanto, a senhora diz-me que assim não pode ser. Depois mostra que tem um cupão de €5 para usar em compras de €20. Concluo, que afinal, ela não podia gastar mais de vinte euros não só porque tinha ou  não queria, mas também porque queria usar o dito cupão.

 

Então pergunta-me:

 

Cliente: - E agora o que é que eu vou levar para chegar aos €20?

 

Eu: - A senhora é que sabe o que precisa. Eu ponho a conta em espera e a senhora vai ver!

 

Cliente: - Eu apanho já aqui alguma coisa, não é  preciso por a conta em espera!

 

E no espaço de um minuto, chega com um frasquinho de água micilelar!

 

A conta chega aos €21 euros. Usa o cupão, acumula cinco euros no cartão. Quando lhe entrego o talão, diz-me:

 

Cliente: - Pois, fez-me ir buscar uma coisa à parva, que eu nem uso!

 

Fiquei a olhar e nem lhe respondi, porque se respondesse era para lhe chamar alguma coisa feia! Esta senhora quando chegar a casa se o marido lhe perguntar porque comprou aquele artigo, é bem capaz de dizer que foi a operadora de caixa que a obrigou a comprar!

 

Haja paciência!

 

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A questão do espaço

Sei que me torno repetitiva, por voltar a este assunto, mas faço-o porque o facto também se repete inúmeras vezes!

 

As pessoas que estão na fila a aguardar a vez, chegam a roçar-se na pessoa que estou a atender, chegam a olhar o visor para ver os preços das compras que não lhe pertencem, chegam a pisar-se, chegam a atropela-las com o carrinho, chegam a ficar atrás quando a outra estão a marcar o código do multibanco! É impressionante!

 

Se nas finanças, nos bancos, na segurança social, etc respeitam a privacidade dos outros, porque é que no supermercado é isto!?

 

Já vi casos de quase haver agressões, parecem crianças do jardim de infância, mas até essas são mais educadas e civilizadas...

 

Uma fita de demarcar, ou uma sinalética no chão, ou ainda um apito se passarem a linha, seria uma solução, já que o civismo não impera!

 

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Com pressa de pagar

Como já aqui referi, uma das caraterísticas mais comum a todos os clientes é irem ao supermercado sempre com pressa. A pressa é tanta, que por vezes tolda as ideias.

 

A pressa ainda parece maior no momento de pagar. Certo dia, ainda eu não tinha  passado todos os artigos, já o cliente de multibanco na mão e em frente ao terminal, dizia "posso enfiar?" Respondi:  "então mas ainda não registei tudo"! Pergunto se tem cartão continente, e a resposta :"já posso enfiar"! À terceira pergunta, mesmo sem eu ter dito o valor (parecia que esse factor nem era importante)   ele volta a perguntar se pode enfiar. A minha vontade era responder: "ó homem lá essa m**da!" mas apenas disse sim.

 

Haja paciência!

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Nem sempre há motivo para reclamar

Acho que por vezes as pessoas reclamam, sem razão. Em relação aos cupões, a empresa oferece tantas opções para os clientes os usarem e não se esquecerem deles. Se não vejamos: mandam cupões para casa, inventaram uma maquineta (dispensador de cupões) que imprime na loja uma segunda via dos mesmos, mandam uma SMS com o código, se a data do fim se está a aproximar e as pessoas ainda não o usaram, existe ainda a aplicação no telemóvel...

 

Isto porque um dia destes a dita maquineta estava avariada, porque também é normal que aconteça, e as pessoas faziam comentários sem nexo, desagradáveis. Acho que estão é mal habituadas.  Faz-me lembrar a altura em que o continente dava sacos térmicos na compra de congelados, depois se um dia não os tínhamos, começavam logo a dizer que éramos obrigados. E não era uma obrigação, mas sim uma gentileza do continente para com os clientes.

 

E outra coisa, quando imprimirem todos os cupões, e depois há alguns que devolvemos porque o cliente não leva os artigos, a maioria das pessoas diz: " pode por para o lixo, que depois imprimimos outra vez". Não se lembram do papel que se gasta, e do que isso implica no ambiente!?

 

Cada cliente é que tem de se organizar, planear a ida ao supermercado, verificar se tem os cupões, sacos, carteira, etc.

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Situações que incomodam

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Ainda não terminei o atendimento a um senhor, e a cliente que está a seguir, como já colocou os seus artigos no tapete, está a tentar passar com o carrinho para o outro lado, roçando no senhor que ainda estava a ser atendido. Intervenho dizendo para a senhora esperar um bocadinho porque ainda ali está uma pessoa.  Ela responde "ah está bem", entretanto o senhor desvia-se para  ir colocar o cartão multibanco de modo a efetuar o pagamento  e ela volta a roçar das costas do senhor. E o senhor diz-me: "não vale a pena, as pessoas não têm educação nenhuma"!

 

Só naqueles breves minutos um senhor levou dois toques nas costas, por causa da pressa de uma mulher!

 

E se houvesse um sensor no chão que tocasse em forma de alarme,  para as pessoas se afastarem daquele lugar e só avançarem quando o outro já lá não estivesse!?

O homem que se desenrasca bem sem ajuda

Estava a ajudar uma cliente já com alguma idade,  a embalar as compras, sim, porque nós ajudamos, principalmente se as pessoas compram sacos e percebemos que com uma ajudinha, as coisas funcionam melhor, e mais rapidamente. Mas muitas vezes, as pessoas, querem separar as compras à sua maneira nos sacos e preferem fazê-lo elas próprias!

 

Também é complicado ajudar, quando dizem, "não misture isto com aquilo"; "não junte os alhos com os bugalhos", ou "isso cabe tudo num só saco" (e é mentira), e depois somos nós a rebentar com o saco, e elas ficam todas contentes porque foi a operadora que estragou!

 

Enfim...mas isso já seria outro assunto.

 

Voltando, ao atendimento, a  seguir está um senhor, aí de uns quarenta e tal anos. Pede sacos, pergunto se precisa de ajuda e ele responde:

- Não! Acho que ainda me posso considerar um homem desenrascado!

 

"Querem lá ver que ofendi o senhor"! - Pensei.

Lá consegui dar a volta ao assunto, e penso que o senhor entendeu que não lhe fiz a pergunta, por o considerar incapaz, ou lento, mas sim por cortesia!

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