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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Quem não deve, não teme

Não sei o porquê de alguns clientes ficarem surpreendidos, ofendidos ou até indignados,  por  nós pedirmos para que coloquem os sacos vazios que trazem de casa, e que vão no  fundo do carrinho,  em cima do tapete, para que passem pelas nossas mãos.

Hoje então em poucas horas tive três situações destas, e pelas três vezes, foi desgastante.

Uma senhora depois de colocar os artigos ia passar para o outro lado com vários sacos daqueles de ráfia todos em balão, fazendo volume. Quando lhe fiz o pedido, olhou para mim e disse que nunca lhe tinham pedido tal coisa, que era uma vergonha, pedi que olhasse para um aviso que estava lá a fazer o pedido, e, como estava escrito, lá aceitou.

Outra senhora reclamou, disse que nós é que perdíamos e que ia começar a ir à concorrência. Esta senhora, reclamou de outras coisas, foi uma chata, injusta nas afirmações, mesquinha mesmo.

Por último um senhor, só tinha um saco que ia aberto no carrinho, pedi para passar o saco pelo tapete, reclamou, e, mesmo depois de ler o aviso disse "era o que faltava sobem os preços e depois ainda desconfiam dos clientes!"

É isto todos os dias, não sei como ainda me surprendo. Não sei porque as pessoas têm tanta dificuldade de aceitar coisas tão simples. E neste caso, quem não deve não teme. 

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A cliente mereceu a lição

Estou quase a terminar o atendimento de um jovem, digo à cliente seguinte que pode ir colocando os seus artigos. Há uma marca no chão para o cliente que está a colocar os artigos, se o cliente for colocando os artigos na zona verde, o tapete rolante vai puxando os artigos, sem que seja preciso o cliente transpor a  marca.

No entanto esta cliente avançou demasiado. O jovem tinha de pagar com o multibanco e esta cliente estava muito próxima. Ao ver isto pedi à senhora para se afastar. Ela afastou-se apenas um milímetro. O jovem diz "vocês assim só cumprem o afastamento social entre vocês e o cliente, agora entre clientes, não"! Eu disse ao jovem "tem razão, eu já pedi à senhora para se afastar um pouco, mas vou pedir de novo". Volto a pedir à senhora para se afastar até à sinalética, mas ela diz que "ali não está a estorvar ninguém"! Vai o jovem diz que assim não vai fazer o pagamento enquanto a senhora não se afastar. Eu digo: "Pois está no seu direito!"

Sento-me e digo: " vamos esperar que a senhora se afaste então! Eu até às 13:30h posso esperar!" Eram 11 horas da manhã! E fico a olhar para a cliente, que a barafustar lá se afasta! Ainda me ouviu dizer que as pessoas não respeitam nada! Mesmo que não existisse pandemia, era uma falta de civismo estar em cima de alguém que está a marcar um código de  multibanco, que é secreto!

Há pessoas que ainda não perceberam que as coisas estão diferentes, tiveram mais de 5 meses, mais ainda não atingiram esse ponto de mudança! Esta levou uma lição. Só tenho a agradecer a este jovem que me ajudou na tarefa!

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"A senhora trabalha aqui!?"

Estava ainda a atender uma pessoa, quando chamo a cliente seguinte. È um procedimento normal e habitual, nesta altura.

A senhora avança, mas como tinha poucas coisas resolve, ela mesma, chamar a pessoa que está a seguir. Situação que não dá para fazer, porque iam estar uns em cima dos outros.

Ao ver isto, fico tão surpreendida que digo à senhora "Olhe desculpe, a senhora trabalha aqui!? " E a senhora fica a olhar, e eu continuo "é que sou eu quem chama as pessoas, e na devida altura. Há que respeitar o distanciamento!"

A senhora ainda diz qualquer coisa que cabiam bem, ou sei lá, falou baixinho.

Tenho a agradecer ás pessoas que estão connosco nas medidas, que as respeitam, e que até agradecem a nossa postura, e elogiam as normas da empresa que as fazem sentir seguras.

Mas é  cansativo este continuar de atitudes. Recordo-me de em março estar confiante e positiva, achar que isto só ia custar no inicio porque depois as pessoas iam entrar no ritmo e até iam ter comportamentos mais corretos.

Estava tão enganada!

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O diário do dia

Já aqui vos falei de uma janela de pagamento, uma abertura no acrílico, para as transações.

Passo o dia todo a pedir ao cliente para pagar por ali. Alguns aceitam e fazem, mas outros,  ou gozam, ou dizem disparates.

Depois acontece que peço ao cliente o cartão continente por ali, ele da-me o cartão e vai para o topo, para me dar o dinheiro. Digo que o dinheiro também é por ali. Ele volta lá e dá-me o dinheiro. Quando dou conta já fugiu outra vez, lá o chamo de novo para entregar os talões.

É  o dia todo nisto! Cansa, satura.  Como é que não percebe que tem de ser toda a transação por ali. Sim o "buraco" é pequeno, apertado, pode não concordar, mas pelo menos podia aceitar e cumprir!

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Quando estamos a cumprir, não há que ter medo das queixinhas

Estava a atender um senhor, que ainda tinha o tapete cheio, a seguir estava um casal,  pessoas aí com uns 70 anos de idade.

O marido da senhora passou pelo corredor onde estava o cliente a ser atendido, e quase roçou neste. Eu disse que não podia passar assim, e o senhor respondeu que era para ir para o outro lado, o mal já estava feito,  ainda expliquei a noção do espaço, mas o senhor ignorou. Entretanto a esposa deste chegou-se para o tapete e já ia começar as por os artigos, mesmo não havendo espaço.  Disse-lhe que tinha de esperar um pouco. A senhora ficou ofendida e começou a falar de forma agressiva. Não respeitou o espaço, não esperou as instruções da colaboradora para avançar como faz a maioria das pessoas. Ainda me pediu o nome,   que eu lhe dei com um sorriso, escreveu num papel e disse que ia fazer queixa!

Tremi de medo! Ela é que foi  mal educada, não teve civismo algum, nem respeito pelas regras!

Tenho sentido este problema nas populações com mais idade, esta dificuldade em aceitar e respeitar. Os mais velhos criticam a "rapaziada" mais nova por isto e por aquilo, mas nesta matéria, os mais novos, e até as crianças, estão uns pontos à frente!

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Os rebeldes

Quem diria que nesta época de pandemia, haveriam de ser os mais velhos, a não aceitarem bem as regras, a desvalorizarem, a dizerem "ah se morrer, morro, já vivi muito!"

Pelo menos pensem nos filhos, nos netos, nos que trabalham e zelam pela sua alimentação, saúde, segurança etc.

Sejam um pouco mais tolerantes, respeitadores. Dêem o exemplo. Não se esqueçam que são a faixa etária onde o vírus incide mais.

Pensem um pouco mais nos outros e deixem de fazer birra!

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P.S.

Não tenho com isto a intenção de generalizar e dizer que são todos assim, são apenas, do meu ponto de vista, a maioria.

As pérolas do natal

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Nos dias que antecederam o natal, o supermercado estava como era de esperar, cheio. ainda assim dava sempre para ter "um dedo de conversa" com quem também se propunha a isso.

Gostaria de salientar neste âmbito, duas situações:

  • a primeira, uma cliente habitual, acompanhada pelo marido, diz no seu discurso que se aborrece com esta quadra, que o natal não lhe diz nada, e mais coisas do género. Ao concluir o atendimento, e depois de ouvir a sua palestra, pensei para mim " bem, é melhor não me despedir com celebre frase de boas festas e só dizer bom dia e obrigada. Vai ela retribui com um efusivo "Bom Natal"! Vá se lá entender esta gente...
  • o segundo foi um senhor que no dia 24 me perguntou, primeiro a que horas fechávamos naquele dia, respondi. Depois diz "mas amanhã está fechado"! Ao que eu respondi "sim, é dia de natal"! E responde ele "para mim é um dia igual aos outros"! Fiquei sem saber se devia de dizer que lamentava ou o que responder, e apenas disse "pois"!

Há sempre alguém a se fazer notar pelas suas teorias, portanto histórias para este novo ano, não vão faltar!

Mexer e arrumar

Um cliente diz para o outro que não gosta que mexam nas coisas dele, isto porque o cliente seguinte estava a empurrar os artigos do primeiro. Vai o outro responde que não gosta de desarrumações! E começa o bate-boca, que isto as pessoas gostam é de discutir, assim descomprimem e depois já se ficam a sentir melhor!

 

Cá para mim pensei: até podia não gostar de desarrumações, mas também não tinha de ir arrumar "a casa" do outro!

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A corrida para a peixaria

Os sábados de manhã são muito animados, principalmente à entrada do supermercado e antes mesmo, de abrirem as portas!

Vão para a porta quase meia hora antes de abrir, as esposas ficam à porta, os maridos dentro do carro a dormir. O tema da conversa, que eu ouvi "deviam de haver senhas para o peixe aqui fora"! Isto porque quem chega primeiro ao supermercado, nem sempre chega primeiro à peixaria.

Outro facto: logo à entrada do supermercado está o dispensador de cupões onde  também dá logo para tirar as senhas para as seções não só da peixaria, como talho, charcutaria, etc, só que muitas pessoas não se apercebem disso, e vão logo a correr para a peixaria.  Depois, quando percebem que ao chegar à peixaria primeiro, já há pessoas com senhas, que ainda estão primeiro, mas que chegaram atrás, rebenta a bolha, ou seja, a discussão! Uma senhora chegou a dizer-me que trazia o netinho para ele correr para a peixaria tirar a senha, porque ela já não tinha pernas para entrar na corrida.

E vale a pena andarem a discutir por causa de uns quilos de sardinhas ? Será que as sardinhas acabam assim tão depressa? Será que os que são atendidos primeiro, ficam com as sardinhas mais frescas?

 É que queixarem-se porque têm muitas pessoas para ser atendidas, porque há poucos funcionários a atender,  e têm uns 10 números à frente, eu até entendo, agora esta confusão  à entrada, era desnecessária!

Se calhar estas situações acontecem mais em localidades mais pequenas e em continente(s) modelo(s), onde há pessoas de aldeias, habituadas a se levantarem cedo,  nos grandes continentes urbanos, será que também há estas corridas?

É preciso mais calma, paciência e tolerância!

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Atitudes egoístas na fila do supermercado

Além de ser sábado, também era fim de mês, talvez por isso, o supermercado estava cheio de gente, as caixas todas abertas, filas enormes.

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Uma cliente com o carrinho cheio encostado ao início do tapete está na fila ao telemóvel, e não coloca as compras no tapete. O tapete quase vazio, pessoas atrás desta senhora para atender, não avançam. Então ela vê um rapaz com poucos artigos, e diz para que ele passe, já que tem poucas coisas, e porque estava à espera de alguém. No entanto, já estou quase a acabar o atendimento ao rapaz e a senhora a GUARDAR o lugar na fila.  Chamo, a pessoa que tem o carrinho cheio para passar, e a  dita senhora olha-me com espanto! Atendo esta senhora e a mulher continua no mesmo lugar. Esta senhora, teve sorte em não apanhar daqueles clientes que perante esta situação, a iam mandar sair dali. A minha vontade também era essa!

 

Aquilo estava a enervar-me tanto, que a minha colega da caixa atrás da minha , pergunta-me se está tudo bem, mas eu não podia dizer o que se estava a passar.

 

Em voz bem alta, digo, "façam favor de passar". A cliente que coloca as compras diz que aquela senhora está a guardar o lugar, ao que eu respondo em voz alta "era só o que faltava, ficar aqui parada com pessoas na fila"! Cheguei a atender aí uns (6) seis clientes com carrinhos cheios, enquanto aquela senhora ali estava, colada ao tapete. As pessoas tinham de a contornar para chegar ao tapete.  Mas porque foi ela para fila, se tinha de esperar pelo marido, para avançar!? Cada vez entendo menos estas atitudes egoístas, esta falta de civismo. Quem é e ela pensa que é, para estar ali a impedir as outras pessoas, de serem atendidas!?

 

Lá chega o marido, começo a atender, no final, tinha um artigo da campanha da caderneta, e entrega-me a caderneta com 4 selos colados e os outros 21 ao monte. Eu digo "nós só aceitamos a caderneta com os selos colados!"  Então ela manda o marido colar os selos , ao que ele responde "que seca, eu é que tenho de colar estes selos todos"! A senhora faz o pagamento e eu atendo mais um carrinho cheio, enquanto colam os selos. Depois volto a eles para fazer o registo do produto com a caderneta!

 

É preciso muita paciência, paciência infinita, mesmo!