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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A rama do abacaxi pesava muito

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Uma senhora vinha a queixar-se, porque lhe tinham tentado impedir de tirar a rama do abacaxi. Expliquei que a rama fazia parte do fruto e que não se podia separar. Entretanto, reparo que a rama vinha já separada no saco , e  diz-me: "Vá pese lá isso com a rama, mas depois fique aí com ela , que eu vou para um 3º andar sem elevador, não posso levar tanto peso!"

 

Num curto espaço de tempo é o 3º caso em que clientes querem  levar o abacaxi desramado*, não percebo, parece que se está a formar  um gang do abacaxi !

Nota: *não sei se a expressão existe, mas se não existir, acrescenta-se. Desramar = ato de tirar a rama

Sacos em formato balão de ar

Uns clientes depois de colocarem as compras no tapete, passam com  uns sacos de ráfia no fundo do carrinho, tipo em balão, com ar, dando a impressão que podia lá estar alguma coisa dentro. Eram dois, um sobre o outro, e eu para tentar perceber o porquê daquele vulto, meti-me em bicos de pés. Agiram logo, sacudindo os sacos, mas com atitude de quem ficou ofendido.

 

Era tão bom se partisse dos próprios clientes, mostrar os sacos. Nós não estamos ali para desconfiar de ninguém, mas temos de fazer o nosso trabalho.

 

Felizmente muitos clientes entendem, e gentilmente mostram os sacos ou colocam-nos de modo a que se perceba que estão vazios! 

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Um reencontro de amigos na fila do supermercado

Já estava a concluir o atendimento a um casal, faltava apenas, o pagamento. No entanto, chegam umas pessoas do lado de saída da minha caixa, que ao verem o casal que estava a atender, fazem uma festa. Ao que percebi, eram uns amigos que já não se viam há muito tempo, pessoas que viviam no estrangeiro e estavam cá de passagem.

 

Só que entre saudações, comentários, perguntas, beijinhos e abraços...a conta continuava por pagar, e a fila estava a ficar composta. Enquanto uma pessoa, da fila até parecia estar divertida com a situação, havia outra que já estava a desesperar. Eu já tinha dito o valor da conta, duas vezes e a pessoa continuava distraída com o reencontro. Até que digo:" olhe, peço desculpa, vai pagar com dinheiro ou cartão!?" É aí que a pessoa diz "ah desculpem lá, é com multibanco!"

 

Tudo isto, aparentemente não demorou mais que uns dois ou três minutos, só para quem está à espera, parece uma eternidade! Podemos concluir que um reencontro pode ser um factor, que faz embargar/empatar uma fila!

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O juízo aumenta quando aumenta a idade!?

Estava a atender um casal já na terceira idade, que estavam só às turras, discutiam, pelo que tinham comprado, pelo que faltava , e disputavam quem era o mais guloso, entre coisas do género.

 

Cumprimentei-os, só um respondeu. Continuei, o registo, e a zaragata continuava também. Até que o velho manda um berro à velha, que me faz assustar e digo "ai" (é certo que eu também me assusto facilmente).

 

Nada os fez parar, mesmo depois  de saírem dali, ainda iam zangados.

 

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Ela não largava o telemóvel

Já aqui comentei várias vezes, o facto de estar a tender um cliente, que está a falar ao telemóvel, e nem se dá conta, do que está a fazer,  do tempo que demora, e da falta de civismo que essa acção é!

 

Uma vez, uma cliente emigrante, disse que lá onde vive, nas caixas há um sinal que proíbe o uso do telemóvel, deve ser como nós temos nas bombas de combustível. Claro que cá em Portugal e atualmente, o uso do telemóvel, faz falta, pois há aplicações, para uso do cartão cliente, para pagamento, não daria por isso, para proibir o seu uso. No entanto, um cartaz a pedir gentilmente que não falassem ao telemóvel, quando estão a ser atendidos, seria uma boa opção.

 

Claro que há chamadas e situações urgentes, e que têm de ser atendidas.

 

Um destes dias, uma senhora atendeu o telemóvel, quando estava a colocar as compras no tapete. Pelo que percebi, eram aquelas chamadas a oferecer cartões de credito, ou operadoras de televisão. Então a senhora falava alto e dizia "então faça lá a proposta, que depois eu vejo se me convém" e o "blábláblá", continuava. Parecia estar a dar uma lição ao pessoal de como se desenvencilhar dos chatos dos senhores que nos ligam para oferecer coisas. Mas, despachar as coisas no tapete, estava em câmara lenta. As pessoas olhavam, mas não comentavam.

 

Quando desligou olha para mim  e diz: "ai estes parvos só ligam para atrapalhar"! Olhei-a,  nem respondi, porque se respondesse era para dizer: "parva é a senhora, que lhes deu conversa, em vez de arrumar as suas compras e fazer os outros esperar"!

 

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Um carrinho de compras sem dono, não marca vez

Estávamos num dia tranquilo em relação ao movimento. Estava um carrinho cheio encostado à minha caixa, mas não tinha dono. Chegou alguém com dois ou três artigos perguntou se podia passar, eu respondi "claro que sim", atendi e a pessoa foi embora. Chegou outra senhora, esta com um carrinho meio de compras, perguntou se podia colocar as compras, uma vez que estava lá um carrinho, eu respondi que o carrinho não marcava vez.

 

A senhora  começou a colocar as compras, já tinha o tapete quase cheio de artigos, quando chega a dona do carrinho abandonado, e diz : "Então, eu estava primeiro"! É aí que eu digo: "Fui eu que chamei a senhora, o carrinho não marca vez, e eu não podia estar parada:!" Ao que ela respondeu: "Não podia esperar? Foram só dois minutos!"

 

As pessoas não têm mesmo noção. Para já, não foram só dois minutos, e mesmo que fossem, imaginem a operadora de caixa parada, porque estava ali um carrinho encostado, e os clientes na fila também parados, sem sequer puderem colocar as suas compras no tapete, porque mesmo vazio, estava a guardar o espaço para alguém, que não devia de estar, supostamente,  muito longe!

 

Não dá, temos de circular, não se pode perder tempo, principalmente porque a maioria dos clientes vão ao supermercado com pressa!

 

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Aceitar normas

Estava a registar as compras a um casal de clientes. A dada altura, havia quatro caixas, cada uma com uma garrafa,  de um vinho de nome mula velha reserva.

 

Abro uma caixa, retiro a garrafa,  registo a garrafa, volto a colocar dentro da caixa,vou para a segunda caixa, e a cliente diz "são todas iguais, porque não multiplica"!? Ao que eu respondo, que pela  norma da empresa, tenho de abrir as caixas e registar o código interior da garrafa e verificar se a garrafa não tem alarme para tirar. E a senhora diz-me ."pois, mas quando é leite, por exemplo, isso não acontece, multiplicam!" E o cliente que estava a seguir, afirma: " está mal, porque um vinho de reserva, quando menos se mexer, melhor!"

 

Mas será que as pessoas não entendem!? Já me aconteceu, ao abrir a caixa, haver "brindes" lá dentro, ou o código da  garrafa interior, não corresponder ao código exterior da caixa. Sim, há pessoas capazes disso. Será que as pessoas não percebem que estamos a fazer o nosso trabalho e não a desconfiar!?

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Atitudes que podem evitar no supermercado

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Uma tendência que algumas pessoas têm, e que me deixa um pouco triste, é deixarem artigos frescos ou congelados em qualquer corredor. Por exemplo, deixar o peixe amanhado, fiambre ou marisco congelado no corredor dos detergentes. O que acontece é que vai acabar por ir parar ao lixo. Não custa nada, chegarem à operadora de caixa, e dizerem que desistiram de levar aquele artigo. Assim, nós podemos voltar a colocar o artigo no sitio certo, sem que se estrague.

 

Um artigo estragado, não serve para nada, nem dá para oferecer a alguma associação, (pensem  em quem passa fome) vai diretamente para o lixo, e fica no prejuízo, e se há prejuízo, haverá também menos dinheiro para manter os funcionários.

 

Pensem nisso. Obrigada!

Ela passa pelo vidro

Como já aqui referi , estão a fazer remodelações no supermercado. E uma das coisas que mudou foi o local da entrada. Antes as pessoas entravam pelas portas da rua e  depois tinham de percorrer todo um corredor para entrar dentro do supermercado; agora a entrada da loja fica logo no início (mais perto da entrada da rua) e o local ao fundo, que antes era de entrada tem um vidro transparente desde o chão até ao tecto.

 

Há setas no chão a indicar a nova entrada, bem como outra seta ao nível da nossa cintura. Mesmo assim, a maioria das pessoas não repara, e vão até ao local da anterior entrada. Pisam a sinalética, mas não a lêem.

 

Nós quando vimos as pessoas a irem na direcção errada, avisamos e as pessoas voltam atrás.

 

Certa, vez uma senhora ia na direcção errada e eu avisei, e a resposta foi “ah, mas eu sempre entrei por ali”, e continua a andar, porque  de longe não se percebe que há um vidro lá. Fiquei pasma, a senhora que estava a atender naquele momento disse:”ela só passa se partir o vidro”! Ficamos a olhar, a ver o que acontecia. Entretanto, depois de um minuto parada, já deu meia volta e veio.

 

Ora digam lá, se não há pessoas,  mesmo teimosas!

 

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É mais fácil apontar a falha e culpar os outros

Uma senhora assim que começa a colocar os artigos no tapete,  fala sozinha primeiro qualquer coisa que não entendi e depois diz-me que a sua conta não pode passar dos €20 porque não trouxe o multibanco.

 

A conta já está quase a chegar aos €30, mas com os descontos imediatos nos produtos dá pouco mais de €18, fico descansada, achando que assim a senhora ainda levava troco. No entanto, a senhora diz-me que assim não pode ser. Depois mostra que tem um cupão de €5 para usar em compras de €20. Concluo, que afinal, ela não podia gastar mais de vinte euros não só porque tinha ou  não queria, mas também porque queria usar o dito cupão.

 

Então pergunta-me:

 

Cliente: - E agora o que é que eu vou levar para chegar aos €20?

 

Eu: - A senhora é que sabe o que precisa. Eu ponho a conta em espera e a senhora vai ver!

 

Cliente: - Eu apanho já aqui alguma coisa, não é  preciso por a conta em espera!

 

E no espaço de um minuto, chega com um frasquinho de água micilelar!

 

A conta chega aos €21 euros. Usa o cupão, acumula cinco euros no cartão. Quando lhe entrego o talão, diz-me:

 

Cliente: - Pois, fez-me ir buscar uma coisa à parva, que eu nem uso!

 

Fiquei a olhar e nem lhe respondi, porque se respondesse era para lhe chamar alguma coisa feia! Esta senhora quando chegar a casa se o marido lhe perguntar porque comprou aquele artigo, é bem capaz de dizer que foi a operadora de caixa que a obrigou a comprar!

 

Haja paciência!

 

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