Tenho notado, ultimamente que há algo comum a muitos clientes: a surpresa com o valor total das compras. Muitas pessoas, queixam-se da subida do custo de vida, pessoas jovens, pessoas mais velhas, pessoas mais desfavorecidas e pessoas mais abastadas.
No entanto, gostaria que os clientes soubessem, que a situação é geral, que não têm que ter vergonha, nem dos outros clientes da fila, nem da operadora de caixa, ao pedirem para anular artigos, não têm que pedir desculpa, sabemos que todos estamos no mesmo barco. Ainda há dias, uma pessoa pediu-me para anular um produto para o cabelo, e vi como ficou constrangida, então, como já lá tinha outros produtos da mesma situação, mostrei-lhe e disse-lhe para não ficar constrangida, porque havia mais pessoas na mesma condição. Senti que ficou mais aliviada!
Se há culpados nesta situação, não é certamente, das pessoas que têm um trabalho, que pagam os seus impostos e rendas e que pouco ou nada sobra. Se com um trabalho é difícil, pior será, quem não o tem um ordenado.
É certo que há pessoas que têm uma melhor capacidade de gerir os seus recursos, de ir ás promoções, de esperar alturas com cupões. São coisas que se aprendem com a vida e não na escola. Não é fácil apertar o cinto!
É a realidade, faz parte do quotidiano do supermercado, já que este, é um local, onde esta ocorrência, tem marcado uma presença constante.
Estava a atender uma senhora já com certa idade, que ia olhando para o visor, onde vai passando os preços. Pensei que poderia algum artigo não estar a passar ao preço que a senhora tinha visto.
Então perguntei se estava alguma coisa a preço diferente. A senhora respondeu que não era isso, disse que o problema era que tinha de retirar algumas coisas porque o dinheiro não ia chegar. Não é fácil ouvirmos isto, mas ultimamente, acontece com alguma frequência. Perguntei o que queria deixar, e ela lá retirou umas quatro ou cinco coisas, pediu desculpa, dizendo que só trouxe dinheiro, porque deixou o cartão em casa.
Talvez seja verdade, ou talvez não tivesse mesmo mais dinheiro. Uma jovem, grávida estava a seguir, reparei que estava triste com a situação. Quando a senhora saiu, a jovem disse-me que infelizmente a situação não estava fácil, que também estava sempre a contar o dinheiro, e que gostaria de ter muitos filhos, mas que, desta forma, só teria um. Mas também me disse que tanto aquela senhora como a sua avó eram muito apegadas ás marcas originais, quando as marcas brancas são uma opção mais económica e têm qualidade. Reparou que a senhora levava arroz Cigala agulha, farinha branca de neve, leite mimosa, e uma garrafa de detergente, de marca para a roupa. E mostrou-me que levava um protetor solar da nossa marca branca, sabendo que os produtos desse tipo até tinham sido elogiados pela Deco. E na verdade levava a maioria dos artigos de marca branca. Também me disse, que está sempre atenta a promoções, e que usa cupões.
Estamos numa fase onde as pessoas desabafam e se queixam do custo de vida. Antes notava estas queixam só nas pessoas mais idosas, agora é em qualquer idade, e tanto em pessoas que não têm trabalho, como nas que trabalham e mesmo assim, expressam dificuldades. Claro que também há pessoas que não têm dificuldades, e estão completamente à vontade.
Nós estamos ali, apenas podemos ouvir, apoiar e compreender. Não tenho coragem de dizer a uma pessoa que leva um produto de marca original, para levar antes um produto de marca branca, porque, também é bom! Cada pessoa é que tem de decidir o que é melhor para si.
Também tive uma fase em que dizia que só usava o arroz daquela marca, porque só assim ficava solto. Agora uso a que estiver em promoção e come-se na mesma!