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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Dias calmos e dias agitados no supermercado

Aqui há uns dias ajudei uma senhora na escolha de um alimento para o seu animal de estimação. Ela queria algo para um gatinho bebé, e não sabia o que lhe dar. Trazia ração e paté para gato adulto. Então, e como era um dia calmo, uma segunda-feira, expliquei onde estava a alimentação adequada,  e  à segunda tentativa, lá encontrou.

Lá me contou como o animal lá tinha ido ter a casa. Eu que adoro gatinhos e também tenho um, o assunto entusiasmou-me, dei alguns conselhos e dicas.

Dias depois voltou lá, e eu,  que até não sou boa a decorar caras, lembrei-me dela e do gatinho. Então perguntei, como estava o animal. Era só uma pergunta. Mas era um dia com muito mais movimento. Mas a senhora, falava, falava, dos feitos e gracinhas do bichano, e não arrumava os produtos, até foi ao telemóvel, procurar fotos do gato para me mostrar. Eu já arrependida de ter perguntado, as pessoas na fila a olhar. Estava um senhor a rir-se na situação e a perceber a minha aflição, em querer despachar o serviço. Até que eu disse à senhora que não podia ver as fotos naquele dia, mas que me mostrava num dia mais calmo. Felizmente as pessoas entenderam e até pareciam achar alguma graça à situação.

Não sei se ela entendeu. É certo,  que há  dias,  em que não podemos  fazer este tipo de perguntas,  ás pessoas, porque um simples "então como está?", dá um discurso enorme, porque as pessoas gostam de ser ouvidas, porque se calhar,  naquele dia, somos a sua única troca de palavras.

Mas sempre que possível, e sempre que existir disponibilidade das duas partes, darei toda essa atenção e carinho, porque também a tenho recebido ao longo dos anos!

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Histórias de vida, que precisavam de mais tempo...

Por vezes há clientes que nos marcam, por algum motivo.

Atendia uma senhora super simpática, que me tratou tão bem. Foi muito querida e fez-me um elogio, coisa que por vezes também sabe bem ouvir. Sim, por situações positivas e conversas felizes também acontecem, até porque eu sou uma pessoa pacífica, e não gosto nada de discussões.

Disse-me que tinha 82 anos, mas que ia usar a aplicação,  porque apesar da idade, conseguia fazer, pediu até desculpa por ir demorar um pouco mais.

Uma senhora muito bem  vestida, penteada, maquilhada e cheia de adornos. Uma aparência assim, escondia a tristeza de já ter perdido dois filhos. Uma história de vida nada fácil. Gostaria de a continuar a ouvir por mais uns instantes, mas a fila não podia  parar. Era nesta altura, que gostaria que "a caixa da socióloga", pudesse existir!

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