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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Um pedido que acedo com satisfação

Em dias de muito movimento, é um stresse conseguir ter o tapete limpo, principalmente o de recepção de artigos. Há sempre artigos que derramam , tais como açúcar, farinha, sal. Outros que deitam pó como as batatas. Os congelados, o peixe, a carne.  Enfim, o ideal era um tapete que ao dar a volta se auto-limpasse! Eu bem quero limpar, mas o cliente seguinte começa logo a colocar os artigos, e, na maioria das vezes o que os  clientes querem, é despachar!

Já  o tapete de saída, lá vou conseguindo que esteja mais limpo, pois enquanto o cliente procura a carteira,e,se não deixar a mala sobre o tapete consigo limpar e desinfetar. O sitio onde colocam o cartão multibanco é sempre desinfetado!

Mas custa-me que por vezes algum cliente me pergunte se não tenho um paninho, porque paninhos eu tenho, o que falta, é tempo.

Entretanto costumam ir lá duas clientes (separadamente), que já conheço mais ou menos de vista, uma senhora com alguma idade portuguesa e outra mais nova brasileira, que me pedem que limpe e desinfete todo o tapete antes de colocarem os artigos. Um pedido perfeitamente legitimo, que acedo com satisfação.

Quem me dera conseguir fazer o mesmo com todos os clientes. Com estas senhoras consigo fazer um atendimento mais higiénico, embora demore um pouco mais. Julgo até que a senhora brasileira deve trabalhar na área da saúde, porque ela já me falou da importância que é esta higienização, tanto para os clientes como para os colaboradores!

Até pode demorar mais um pouco, mas gosto de atender e falar com clientes assim, iluminadas e conscientes!

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A quexinhas...

 

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Como podem ver nesta imagem, existe no tapete de saída de artigos, estes rolinhos, que servem de ajuda para que os produtos desçam  para o topo, onde está o cliente e assim se manter o distanciamento entre funcionária e cliente. É um facto que objetos cilíndricos fazem um certo barulho, mas não se estraga nada, nem estraga outro tipo de produtos.

Eu passo o dia a fazer este movimento, tanto que por vezes ao fim do turno até me doem os braços. Felizmente a maioria dos clientes percebe a utilidade dos rolinhos, e alguns, em jeito de brincadeira, até acham graça ao nosso movimento, e até dizem que estamos como se fosse num ginásio a ganhar músculos!

Já tive há uns meses uma senhora que me pediu para lhe passar os artigos com mais cuidado e mais devagar, porque aquele barulho a incomodava.

Mas hoje, a situação foi diferente. Uma cliente não gostou que passasse assim os artigos e pediu-me que não os passasse dessa forma e que os passasse mais devagar. Respondi que sim, fui passando os artigos, mas a dado momento e devido a este hábito já estar tão vincado em mim, esqueci-me e passei uns ambientadores cilíndricos pelos rolos. Ela sai da caixa, dirige-se ao balcão, e vai fazer queixa  .  Chega acompanhada de alguém superior, para me advertir que passasse  as coisas mais cuidadosamente. Então passei o resto dos artigos em câmara lenta, ao gosto da madame.

Confesso que senti pena da senhora, coitada, tanto azedume, deve ser alguém com algum problema e com necessidade de atenção!

No entanto, com tantos clientes implicativos, birrentos, indisciplinados, mal educados, incivilizados, começo a achar que esta empresa ainda tem de criar um gabinete de psicologia para ajudar os funcionários que atendem ao público!

Hoje o dia no supermcado esteve estranhamente, calmo

Uma vez que hoje o supermercado fechava ás 13 horas, ia  preparada para a um dia complicado. Mas logo quando passei pela porta às 7:45h só la estavam dois clientes. "Ainda é cedo", pensei! Entretanto ás 8 horas entram algumas pessoas. Com a continuidade do dia, tudo calmo, gente calma, ordeira, civilizada. Pensei " isto quando chegar ás 10 horas, começa a azafama!" Mas não, o dia esteve tranquilo, sem confusões, tudo a cumprir as normas.

Tive uma situação aborrecida com uma cliente implicativa, mas a situação não teve nada a ver com regras ou distanciamento.

Não sei se esta situação foi igual nas outras zonas do país que também estavam com recolher obrigatório ás 13 horas.

Hoje só tenho a agradecer e a elogiar os clientes, conseguiram surpreender pela positiva, obrigada!

Amanhã, logo se verá!

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Porque tiram alguns clientes a máscara na caixa do supermercado

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Estou a finalizar o atendimento a uma casal de clientes na casa dos sessenta anos. Vejo o senhor colocar a máscara no pescoço. Peço-lhe educadamente que coloque a máscara. Responde-me "já ponho"! Pega num maço de notas que tinha na carteira, lambe os dedos para contar o dinheiro, entrega-me. Põe a máscara correctamente e diz-me "pronto já estou mascarado"! Se eu não tivesse máscara, ele  teria reparado, na minha cara de nojo, por ter de pegar nas notas, por ele salivadas! Fiz questão que ele visse a quantidade de álcool gel que utilizei em seguida!

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Numa outra ocasião, aconteceu com uma senhora da mesma faixa etária, uma situação semelhante. Só que esta senhora a colocação da máscara no pescoço não foi para contar as notas, mas para lamber os dedos e abrir os sacos. Quando lhe pedi para colocar a máscara, respondeu que tinha deixar de ali ir, porque a estavam sempre a chatear com a máscara, quando aquilo a sufoca!

E assim acontece dia sim, dia sim!

Gente que acha que pode mandar

Desde que estamos nestes tempos de pandemia, quando há alguém na fila que seja prioritário, e uma vez identificado, a pessoa aguarda que atenda a pessoa que já tem os artigos já em cima do tapete, e vem logo a seguir. Assim tem corrido nos últimos sete meses, sem sobressaltos.

Entretanto hoje, uma senhora de meia idade, com uma canadiana chegou acompanhada pelo filho jovem,  à linha de caixas e disse ao senhor que já tinha os artigos no tapete que ia passar porque era prioritária. O senhor disse-lhe que se ela passasse ia comprometer o distanciamento. Ela começou a barafustar. Intervenho e digo que ela tem de aguardar que eu atenda o senhor porque o tapete já tinha os artigos todos em cima. Disse-lhe que a atenderia logo a seguir. A senhora aumenta o tom de voz e diz que é prioritária e que a tenho de atender já! O senhor recua, faz-me sinal e diz "deixe lá , ela quer conversa, mas eu é que não estou para confusões"! Mostrei o meu indigitamento, disse-lhe que ela estava errada. Fiz uma tal ginástica empurrando as coisas do senhor para aceitar os artigos da criatura, em mão, quando supostamente não se deve aceitar artigos em mão. O tempo que levou todo este procedimento, seria o mesmo se ela aguardasse devidamente.

Atendi, mas fiquei tão revoltada! Que falta de civismo e de bom senso!  Se cada pessoa fosse para o supermercado com as suas próprias regras e teorias e não respeitassem as que já existem no supermercado, estaríamos bem lixados!  Se dependesse só de mim, ela não era atendida à frente, mas atrás do senhor!

Gente pequenina, arrogante, mal educada, que vem para ali só para quebrar regras, princípios e desgastar quem está a trabalhar!

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Birras de adultos

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Estava a atender uma cliente, outra já tinha as compras no tapete até ao fim do mesmo, chega um cliente e atira com os seus artigos para cima dos artigos da outra senhora. Digo que tem de esperar um bocadinho e afastar-se um pouco.

Ficou tão ofendido e amuado que resolveu  desviar-se aí uns 10 metros. Depois da outra cliente sair e começar a atender a cliente actual, digo ao senhor que agora já podia colocar as compras, vai ele responde: "Agora não vou, só vou quando essa senhora sair, não vá eu pegar-lhe a peste!"

A fase do pagamento é dolorosa...

Por vezes, acham que as filas demoram. Podem até pensar que somos nós, que não nos estamos a despachar. Podem julgar que por trocarmos umas palavras com o cliente, isso atrasa o nosso trabalho, mas, acreditem, que não é isso que acontece.

Por vezes, só quem está no terreno, dia após dia, é que pode dizer onde  é que se tem de acelerar, e onde se tem de mesmo esperar, ou seja, quando não depende de nós, pois além de nós, há o sistema, e os clientes.

É claro que todo este procedimento, em contexto de covid-19, desacelera um pouco o processo. Mas, assim que um cliente passa para o lado do embalamento, o cliente seguinte avança logo, mesmo que ainda não tenha espaço para colocar os seus artigos no tapete de receção dos mesmos, e, assim, o outro cliente que estava mais atrás, já fica mais próximo.

Muitas vezes, nós não podemos acelerar mais,  porque o cliente não deixa, não permite. Um dia destes atendi um senhor que arrumava as compras muito devagar, mas não era velhote e não quis ajuda. Não quis ajuda, porque queria levar os artigos já separados para qualquer coisa,e, ainda por cima, estava só a mudar artigos de um saco para o outro, depois de já ensacados. Claro que o cliente é livre de arrumar as suas coisas de acordo com a sua vontade, mas também, não é para ficar a fazer sala...

Pessoalmente, quando estou como cliente, apenas tenho cuidado para não juntar comida com detergentes que possam verter, de resto, é a despachar, não estou cá com critérios de arrumação, não gosto de fazer os outros esperarem, mesmo que esteja na minha vez!

E o momento de pagar!? Eu sei que é uma parte dolorosa, ter de despender o dinheiro que tanto custou a ganhar, mas já se sabe à partida, que tem de ser. Então porque é preciso, abrir uma carteira tirar o cartão, arrumar, procurar outra carteira com as notas, arrumar, um envelope com os cupões, procurar o cartão do contribuinte? Por vezes, percebe nessa altura, que o multibanco ficou na viatura e lá vai a correr. Por a conta em espera para atender outra pessoa, quando há pessoas ali e artigos e se tem de manter o distanciamento, não é possível!

Quando vejo a pessoa já a demorar tanto, até evito pedir trocos, mas tenho de perguntar se tem cupões, e muitas vezes, em vez de responderem "sim, está aqui", fogem a correr direto à máquina de imprimir cupões, quando o deviam de fazer à entrada. É que nunca se lembram!!!

O tempo que têm de esperar na fila, podiam por tudo a jeito, incluindo ativar a aplicação do continente.

Agora com a campanha da pyrex, ainda há clientes que querem fazer contas de vinte euros, ou múltiplos de vinte, isso também faz a fila demorar mais, quando pedem para ir buscar mais um pacote de cotonetes, por  exemplo.

Porque quando atendo aqueles clientes que já trazem tudo pronto, (porque existem esses clientes, aliás há um senhor, já com alguma idade, que já trás a aplicação ativada, vira o ecrã do telemóvel para mim, com o contribuinte associado e faz pagamento através do continente pay - já não peço tanta perfeição) a fase do pagamento é muito mais rápida!

Se os alguns clientes colaborassem um pouco mais quer no critério de embalamento, mas principalmente na fase do pagamento, iam ver como as filas não demoravam tanto a dispersar.

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Já passaram seis meses do covid-19

Já passaram 6 meses da chegada deste malvado vírus, já passei por varias fases.

Logo no inicio, a minha maior preocupação era levar o covid-19 para casa, já que era a única que tinha de continuar a trabalhar. Andava muito preocupada e cheia de receios, tinha 1001 cuidados. Mas depois, quando vi as medidas que a empresa implementou, e depois de perceber que os clientes estavam solidários connosco, consegui alguma tranquilidade.

A primeira semana que a máscara foi de uso obrigatário, foi horrível para mim, sentia-me a sufocar, tinha pesadelos. Felizmente tive conhecimento de um outro tipo de máscara, que não a cirúrgica, e  mais uma vez, consegui alguma tranquilidade.

Também me fazia alguma confusão estar cercada de acrílico, mas depois adaptei-me e até já conseguia esquecer que estava ali, prisioneira, porque me sentia mais protegida e segura.

Entretanto, o tempo vai passado, e a desilusão com o comportamento de alguns clientes foi crescendo.

Passado o susto inicial e o estado de emergência, muitos clientes relaxaram, convenceram-se que não havia mais perigo, ou que o mesmo, já tinha passado.

Começou a tornar-se uma espécie de luta todos os dias. Os clientes não querem fazer distanciamento, tiram a máscara ou andam com o nariz de fora, não respeitam a sinalética que está no tapete, no chão, querem entregar artigos em mão, querem, muitos deles, ter as suas próprias regras.

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Os clientes saturam-nos a paciência, acham que algumas medidas não fazem sentido, questionam tudo. Não entendem que uma vez que entram naquele supermercado têm de seguir as normas nele imposto, e não aquilo, que em seu ponto de vista, lhes parece mais correto. Estão constantemente a ignorar as regras, quando está tudo tão bem sinalizado, escrito, com cartazes, sinaléticas, etc.

Por exemplo, um destes dias, disse a uma cliente que estava mesmo encostada a outra, para se afastar um pouco e ela respondeu " pois aqui na fila querem distanciamento, mas nos corredores anda tudo ao monte". Mas será que era preciso andar algum segurança atrás das pessoas nos corredores a impor que se distanciem, será que as pessoas não são capazes de ter  essa responsabilidade!? Como é possível que em 6 meses não tenham aprendido nada, não tenham mudado nada!?

Mais uma vez digo, que a empresa tem boas medidas, e que o problema são os clientes que não as querem cumprir, aceitar, que as questionam, que implicam com tudo! Não percebem que as ditas regras são para o bem deles e nosso!

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