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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Fome, sono e birra...

Uma jovem mãe está com um bebé ao colo, que está a chorara imenso e a  apontar para uns iogurtes que sabia serem destinados a ele. Ele queria comer ali mesmo os iogurtes, mas eram iogurtes sólidos , não havia colher. A mãe dizia que era só chegar ao carro, mas não estava fácil.

A jovem disse que ele estava com fome e com sono, por isso a birra ainda era maior. Então ela tirou um pão de leite, já que era um artigo que dava para comer ali, mas o bebé zangado, rejeitou.

Tentei que o momento fosse leve , pois é uma situação normal, mesmo que todos os olhares se fixem naquelas pessoas, mas o bebé chorava tanto, que a moça saiu dali a correr desesperada!

Só quem passaou por algo semelhante sabe dar o valor, sabe que não é fácil!

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Assobia para o lado

Lá estão duas pessoas a discutir pelo lugar na fila, porque abriu uma nova caixa!

A  dada altura , uma destas pessoas (um senhor)  em ironia, começa a assobiar,  enquanto a outra,   barafusta com ele.

O supermercado , ás vezes é um palco! Há actores cómicos, outros dramáticos, uns com talento outros sem talento! Assistimos a cenas, e nem sempre, temos de pagar bilhete!

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São as pessoas e as causas que me movem e não o dinheiro!

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Pode até haver, clientes mais difíceis ou desafiantes, ainda assim, é por eles toda  a minha dedicação e empenho.

São as pessoas e as causas que me  movem e condicionam e não o dinheiro!

Será dos clientes, das nossas conversas, da empatia, da simpatia, das risadas, ou até dos mais desafiantes, que poderei vir a sentir saudades, um dia, daqui a mais uns anos, espero!

Os que preferem contribuir para causas relacionadas com animais

Ultimamente ouço muitas vezes frases do tipo:

- agora as pessoas movem-se mais pela causa dos animais do que das pessoas

- com tantos sem-abrigos nas ruas, tu preferes ajudar gatos de rua!?

No supermercado, há várias iniciativas, tanto para pessoas como para animais, e acho que não é preciso deixar de ajudar os animais porque pessoas, são pessoas. Até porque, ajudar os clientes mais idosos na caixa, com o embalamento das compras, ter disponibilidade e paciência para os ouvir, também é ajudar pessoas. Mostrar disponibilidade para quem tem alguma limitação também é ajudar pessoas.

Há pelo menos duas clientes habituais, (referidas neste artigo, a senhora Cool e a Animaleza) que já me confessaram que preferem contribuir para a causa animal. Também é uma causa que defendo. Sou cuidadora de duas colónias de gatos. Ter esta ocupação é algo que me enche o coração e me lava a alma, só tenho pena de não ter mais recursos.

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Cada um tem as suas causas, há lugar para todas, desde que haja respeito, honestidade, dedicação.

Depois de um dia movimentado, um dia calmo...

O dia 24 de dezembro, foi bastante movimentado. O tempo até parece passar mais depressa, mas ver pessoas com pressa, algumas impacientes, ver egoísmo, enfim...

Mas depois também há aquelas pessoas, mais tranquilas, com palavras bonitas, com paciência.

O que me pode incomodar não é a multidão, as compras, o supermercado<do cheio, é mesmo a falta de paciência, a falta de civismo, a falta de  passividade!

Hoje dia 26,  julguei que por ter havido um dia com o supermercado fechado, iriam todos lá parar, mas não! Foi um dia estranhamento calmo, com poucos clientes e sem a azafama da época!

Agora é aguardar pela próxima festividade, esperando que seja, feliz e tranquila! Que as pessoas estejam com mais calma!

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Velhotes castiços

Há um velhote, super castiço, que mesmo quando não vai à minha caixa, vai sempre meter conversa, vai principalmente  falar do meu gato.

Há duas semanas lá foi ele dizer-me que vinha aí o frio e que eu tinha de fazer uma camisola para o gato. Então eu disse-lhe que infelizmente já não tinha esse gato. O senhor ficou comovido,  disse-me que bem sabia o que custava  perder um animal, quando se tem amor por eles, o senhor que sempre brincava, ficou sério!

Esta semana já lá voltou e mais uma vez, foi só meter conversa e desejar um bom dia, já não falou do gato!

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Causas: cada um tem as suas

Quem me conhece, sabe que tenho algumas causas. Que, sem qualquer ordem de importância, são por exemplo :

Relacionadas, com animais, mais especificamente gatos de rua, mas também contra todo e qualquer tipo de mal trato a animais.  Depois outra causa que sempre defendi, tem a ver com o ambiente, com a redução do uso do plástico e hábitos mais sustentáveis, reciclagem, etc.  O que faço é apenas uma gota no oceano, mas mesmo assim insisto e não desisto!

Mas a causa que queria aqui abordar agora, tem a ver com o que assisto e constato  no meu trabalho de operadora de caixa:  atendimento aos  mais idosos. Já algum tempo que me preocupo com estas pessoas, pois elas já não têm a rapidez e destreza que tinham, e ninguém se importa. Os outros clientes vão ao supermercado sempre com pressa. Ou porque a seguir vão trabalhar, ou porque vão buscar filhos à escola, ou porque têm qualquer outro compromisso.

Se na fila está uma senhora de idade que demora a encontrar a carteira, ou que se engana a marcar o código do multibanco ou ainda que não encontra o dinheiro, já começam a ficar impacientes. E as pessoas que estão nesta situação, sentem a pressão e ficam ainda mais aflitas!

Ainda há pouco tempo uma senhora disse-me "mas porque é que esta gente não vem a uma hora mais calma, assim só atrapalham quem vai trabalhar"! Referindo-se aos idosos que normalmente entre os dias 8 e 15 do mês vão fazer as suas compras com o mesmo direito que qualquer um!

Eu fico com pena deles, porque eles precisam de fazer tudo a um ritmo mais devagar. Claro que também gostam de conversar, e muitas vezes tento não dar motivo para grandes conversas, mas sei que certamente ficariam felizes com uma conversinha.

Claro que também há aqueles idosos que por eles ficavam lá na ronha o maior tempo possível, mas também há outros que precisam de mais tempo, para organizar as compras, para pagar e para seguir...

Não tenho ainda nenhuma sugestão para este problema social. Sei que criar caixas exclusivas para eles, poderia os fazer sentir "velhos" ou discriminados, e não chegaria nem uma nem duas dessas caixas por lojas. Acredito que nas grandes cidades, talvez esta situação não se note tanto. Talvez seja um problema de localidades mais pequenas e mais rurais.

Da minha parte tentarei sempre ajudar, tentarei ter calma e paciência. Porque, por agora é tudo o que posso fazer!

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Há uma caixa apta a cadeiras de rodas

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É habitual existir no supermercado, pelo menos nos continentes, existe, consoante a dimensão do espaço, uma ou mais caixas   "aptas a cadeiras de rodas", ou seja, o sitio onde o cliente faz o pagamento com o  cartão  multibanco está no final do tapete e mais baixo, para que uma pessoa estando sentada numa cadeira de rodas possa lá chegar!

No entanto, apesar de estar sempre a explicar ás pessoas porque o sitio está mais distante, parecem não entender. Ainda há dias uma cliente dizia "estão sempre a mudar o sitio disto, ainda no outro dia estava aqui"! Ou então dizem "ah agora meteram isto lá ao fundo!"

Enfim, eu por vezes já nem explico, não vale a pena!

Os que marcam pela diferença

Estava eu numa caixa ao fundo da loja, onde há cerca de dois anos, era a entrada para o supermercado.

Estava distraída com o atendimento, e com os clientes que estava a atender, não dei por um grupo de pessoas chegar até perto de mim, porque julgavam que seria  ali a entrada. Só dei por eles quando começaram a falar alto, de modo  agressivo,  zangados por a "porta" não abrir. Ora não existia ali porta alguma, apenas um vidro.

Apanhei um susto enorme. Entretando lá houve alguém que percebeu que a entrada, era no inicio da loja por onde eles já tinham passado.  Era um grupo grande com mulheres, homens, crianças e até bebés. estavam quase todos vestidos de preto, com as mascaras e as roupas sujas, notei até pelo menos uma senhora tinha um trapo branco a servir de máscara.

Depois de andarem por dentro da loja, mesmo sem os ver, ouvia-os da minha caixa, falavam, ralhavam, as crianças choravam. Uma parte deles foi para a minha caixa e a outra para outra caixa. Na minha caixa com o carrinho que tinham davam cacetadas no carrinho do cliente que estava à frente, ainda tentei chamar atenção, mas ou não ouviram ou não quiseram saber, mas tive receio de insistir.

Quando começo a registar um homem pergunta-me se posso lhe trocar uma nota de €50, digo que não. Saiu para ir trocar a nota e ficou uma senhora com um bebé no colo, mais duas crianças pequenas. Uma das crianças derramou sumo para cima do tapete. Conforme eu ia registando a senhora ia atirando os artigos para dentro do carrinho, sem cuidado, nem critério. Partiu os ovos, e partiu uma caneca, um pão saiu do saco, mas não quis saber, deixou até o chão pingado do ovo. Uma das crianças que devia de ter uns 5 anos, lindo de olhos azuis, tinha  narizito ranhoso, mostrou-me uma moeda de um euro e apontou para umas carteiras de legos e perguntou se eu lhe vendia aquilo por um euro. Lá lhe disse que não chegava.

Entretanto chega o homem com um maço notas e  paga. Saíram cheios de pressa, a ralhar e os miúdos a barafustar!

Eu não quero ser mal interpretada, mas se estas pessoas, tiveram um comportamento diferente, fizeram-se notar, deixaram-nos com receio. Não é uma questão de racismo ou de xenofobia, não quero estar com queixas, mas para que todas as pessoas, culturas, etnias, religiões,  sejam vistas por igual, também deveriam ter, um comportamento adequado nos lugares que frequentam, porque mesmo sendo um grande grupo, não estavam ali  sozinhos.

Se todos os clientes fossem em família ás compras, a fazerem aquele espectáculo, seria normal e já estaríamos habituados, mas felizmente não é assim.  Porque se estão em grupo na sua comunidade, podem ter o comportamento que faz parte da sua cultura, mas se querem ser vistos como iguais em sitios publicos  não se comportem de modo diferente! 

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