O vinil surgiu em Portugal na década de 1940. As primeiras fábricas surgiram mais tarde, como a da Valentim de Carvalho em 1963. O vinil remete para a nostalgia, para o passado.
A turma do vinil é o nome carinhoso, que identifica, as pessoas com mais idade, a maioria já reformados, que costumam ir ao supermercado, logo pela manhã cedo. Uma parte deles (talvez 50%) não gosta de esperar, não querem ficar nas filas e reclamam; a outra parte são tranquilos.
Consequentemente, estes dois tipos de pessoas, nesta turma do vinil, classificam-se como, os impacientes, e os pacientes.
Os impacientes, reclamam do tempo de espera, brigam por um lugar numa fila, os pacientes aproveitam o facto de estar nas filas para conversarem e interagirem entre eles e e com os funcionários.
Apesar dos impacientes, ás vezes me deixarem stressada, gosto imenso desta turma do vinil. Gosto das conversas, gosto de aprender com eles, pois têm uma maior experiência de vida.
Existe um cartão que tem o nome de "cartão mais pessoas", que é gerido pela Segurança Social e financiado pelo Fundo Social Europeu. Destina-se a apoiar famílias em situação de carência económica e permite adquirir bens alimentares em estabelecimentos comerciais aderentes ao programa, como é o caso do Continente.
Este cartão só dá mesmo para bens alimentares, considerados essenciais, se registar outro tipo de artigo, o sistema não aceita. Houve uma vez que uma cliente me pediu um saco, e deu logo erro. Passamos o cartão antes de começar a registar as compras, e no fim é usado como se fosse um multibanco com código e tudo.
Enquanto que o cartão da cruz vermelha que também se destina a apoiar famílias carenciadas, dá para comprar produtos não essenciais, este só dá mesmo para bens essenciais!
O cartão é pratico de usar, claro que da primeira vez tive que perguntar, pois não conhecia o cartão.
Uma cliente deste cartão disse que tinha um determinado valor que era carregado mensalmente, e que era uma boa ajuda!
Outra cliente disse me que não sabia o saldo que tinha, porque não sabia mexer com o telemóvel. Essa cliente foi ao supermercado duas vezes na mesma manhã, da primeira, pegou com esse cartão, da segunda, já não deu e pagou com dinheiro.
Estava a atender uma senhora já com certa idade, que ia olhando para o visor, onde vai passando os preços. Pensei que poderia algum artigo não estar a passar ao preço que a senhora tinha visto.
Então perguntei se estava alguma coisa a preço diferente. A senhora respondeu que não era isso, disse que o problema era que tinha de retirar algumas coisas porque o dinheiro não ia chegar. Não é fácil ouvirmos isto, mas ultimamente, acontece com alguma frequência. Perguntei o que queria deixar, e ela lá retirou umas quatro ou cinco coisas, pediu desculpa, dizendo que só trouxe dinheiro, porque deixou o cartão em casa.
Talvez seja verdade, ou talvez não tivesse mesmo mais dinheiro. Uma jovem, grávida estava a seguir, reparei que estava triste com a situação. Quando a senhora saiu, a jovem disse-me que infelizmente a situação não estava fácil, que também estava sempre a contar o dinheiro, e que gostaria de ter muitos filhos, mas que, desta forma, só teria um. Mas também me disse que tanto aquela senhora como a sua avó eram muito apegadas ás marcas originais, quando as marcas brancas são uma opção mais económica e têm qualidade. Reparou que a senhora levava arroz Cigala agulha, farinha branca de neve, leite mimosa, e uma garrafa de detergente, de marca para a roupa. E mostrou-me que levava um protetor solar da nossa marca branca, sabendo que os produtos desse tipo até tinham sido elogiados pela Deco. E na verdade levava a maioria dos artigos de marca branca. Também me disse, que está sempre atenta a promoções, e que usa cupões.
Estamos numa fase onde as pessoas desabafam e se queixam do custo de vida. Antes notava estas queixam só nas pessoas mais idosas, agora é em qualquer idade, e tanto em pessoas que não têm trabalho, como nas que trabalham e mesmo assim, expressam dificuldades. Claro que também há pessoas que não têm dificuldades, e estão completamente à vontade.
Nós estamos ali, apenas podemos ouvir, apoiar e compreender. Não tenho coragem de dizer a uma pessoa que leva um produto de marca original, para levar antes um produto de marca branca, porque, também é bom! Cada pessoa é que tem de decidir o que é melhor para si.
Também tive uma fase em que dizia que só usava o arroz daquela marca, porque só assim ficava solto. Agora uso a que estiver em promoção e come-se na mesma!
Pode até haver, clientes mais difíceis ou desafiantes, ainda assim, é por eles toda a minha dedicação e empenho.
São as pessoas e as causas que me movem e condicionam e não o dinheiro!
Será dos clientes, das nossas conversas, da empatia, da simpatia, das risadas, ou até dos mais desafiantes, que poderei vir a sentir saudades, um dia, daqui a mais uns anos, espero!
Há um pão que mesmo embalado deita farinha, e isso é um problema para os celíacos , pois o tapete rolante, tem de estar limpo.
Nós temos alguns clientes que têm esta condição, se assim lhe posso chamar. Uma cliente já por diversas vezes, me pediu que limpasse o tapete, antes de colocar os seus artigos, porque o filho de 13 anos, não pode apanhar qualquer grão deste pó de farinha (glúten), nos alimentos, porque corre o risco de perfuração no intestino, disse-me. Ora isto é grave!
Há uma outra cliente, esta já adulta que também tem esta condição, mas também me disse que o caso dela, até nem é, tão grave!
Como nem sempre se consegue ter o tapete impecável, quando há muito movimento, tem que se arranjar uma forma de ajudar estas pessoas, e que passaria talvez pela divulgação desta condição, para que elas não sentissem incómodo perante os outros clientes em pedir uma limpeza ao tapete, que só é possível, se nos deram uns minutos com o tapete vazio.
Se eu pudesse tinha o tapete sempre limpo, mas mal começo a limpar as pessoas colocam logo os artigos, nem se importam que esteja molhado ou sujo, pois a pressa, é sempre mais importante.
Num futuro próximo um tapete rolante que se auto-limpasse era o ideal!
Está a decorrer no continente, mais uma campanha de vales solidários, através da missão continente, para o Banco solidário animal, Animalife.
Somos também nós, operadoras de caixa, que divulgamos na caixa a campanha aos clientes e perguntamos se querem contribuir através dos vales de €1 ou €5 .
No meu ponto vista, nas situações que tenho divulgado a campanha, porque apesar de não ser boa "vendedora" sou muito dedicada à causa animal, tenho encontrado um misto de situações.
Tenho encontrado pessoas que neste âmbito, e de forma positiva, dizem preferir ajudar animais a pessoas, pessoas que contam situações de adoção a animais com finais felizes. Algumas pessoas, até me mostram fotos dos seus animais no telemóvel, quando há tempo. Pessoas que se o tempo permitisse, ficaríamos ali, horas a falar sobre os animais, a sua doçura, inteligência, fidelidade, companhia. Pessoas que diziam ajudar de outras formas.
Também houve pessoas que diziam que não ajudavam porque não podiam, mas que eram solidárias com a causa.
Mas, como nem tudo é perfeito, também há pessoas, que ficam indignadas por estarmos a pedir para os animais. Um senhor, que disse " e então logo para os animais, eu não os tenho, para não ter despesas, nem chatices, era o que faltava!"
Acredito que as pessoas fiquem cansadas com estes pedidos, mas, o pouco que possam ajudar, todo junto, fica muito e alimenta muitos animais , principalmente, os sem dono ou que o dono esteja com dificuldades, os das ruas, os das colónias, e os que estão nas associações.
- agora as pessoas movem-se mais pela causa dos animais do que das pessoas
- com tantos sem-abrigos nas ruas, tu preferes ajudar gatos de rua!?
No supermercado, há várias iniciativas, tanto para pessoas como para animais, e acho que não é preciso deixar de ajudar os animais porque pessoas, são pessoas. Até porque, ajudar os clientes mais idosos na caixa, com o embalamento das compras, ter disponibilidade e paciência para os ouvir, também é ajudar pessoas. Mostrar disponibilidade para quem tem alguma limitação também é ajudar pessoas.
Há pelo menos duas clientes habituais, (referidas neste artigo, a senhora Coole a Animaleza) que já me confessaram que preferem contribuir para a causa animal. Também é uma causa que defendo. Sou cuidadora de duas colónias de gatos. Ter esta ocupação é algo que me enche o coração e me lava a alma, só tenho pena de não ter mais recursos.
Cada um tem as suas causas, há lugar para todas, desde que haja respeito, honestidade, dedicação.
O dia do reformado receber a sua reforma é o dia 8, mas também se estende ali a 9 e 10. Aqui há uns tempos era a dia 10.
É um dia que gosto muito. Gosto dos velhotes castiços, a maioria são simpáticos, querem contar coisas, fazer desabafos, conversar até de trivialidades. É preciso alguma paciência é certo, porque há momentos em que temos de abrandar, dar espaço, dar tempo, mas acho que consigo dar conta do recado, com tranquilidade! É sempre bom rever, certas caras, que só vão nestes dias, porque é quando o "patrão" lhes paga!
Há vidas difíceis, reformas pequenas, mas eles acima de tudo, mostram carinho e afeição por nós!
Só quando temos por perto, alguém que conhecemos e estimamos, com deficiência visual, é que percebemos, que muitas vezes, há locais, que ainda lhes falta alguma coisa, para estarem mais acessíveis a pessoas com esta particularidade.
Um supermercado mais acessível, teria, por exemplo:
Na entrada, sinalização sensorial no chão, vi algo do género numa passadeira na estrada aqui .
Poderia estar no inicio de cada corredor, no chão algo escrito em braille que identificasse o corredor, por exemplo, "produtos de higiene" , "massas", "cafés" onde, suponho que com a ajuda da bengala de apoio, desse para se conseguir de forma mais fácil, obter essa informação.
Nos produtos, também em braille, rótulos com os nomes dos produtos, características e até datas de validade.
Para quem vê mal, seria bom haver rótulos com letras grandes e legíveis
As prateleiras com fácil acesso, com espaço confortável de aproximação frontal e lateral.
Talvez sinais/voz sonoros para os ajudar a perceber quando os caixas estão livres.
E a operadora de caixa de caixa teria formação para tratar, com paciência e leveza, cada tipo de situação.
Assim a ida ao supermercado já se tornava mais fácil, e poderiam ser mais autónomos.
Certamente, estes clientes especiais, os seus familiares e pessoas próximas ainda teriam mais algumas coisas a acrescentar. Se quiserem deixem ideias!
Encontrei numa pesquisa, um carrinho de compras, que auxilia invisuais
A notícia não é de agora, mas acho que este carrinho ainda não deve ter chegado a Portugal. O carrinho conta com uma barra sensível ao toque na qual a pessoa põe as mãos para o mover. O cliente pede e segue instruções através de inteligência artificial por uns fones no ouvido e microfone. Ao chegar às prateleiras, o consumidor terá o nome dos produtos escritos em braile. O carrinho também conta com sensores para obstáculos ou até ou pessoas.
Existem nos super e hipermercados do continente (e não só), uns carrinhos especiais que encaixam nas cadeiras de rodas.
No caso do continente onde trabalho, que é de média dimensão, existe apenas um, que não está perto dos carrinhos normais, está num sitio mais acessível. O facto de estar num local mais acessível, faz com que algumas pessoas que não usam cadeiras de rodas, achem que também os podem usar. É de lamentar o número de pessoas que não entendem que aquele carrinho é apenas destinados a pessoas que precisam deles, para fazerem mais comodamente as suas compras.
Infelizmente, já tive discussões com as pessoas que dizem "eu vou num instante", ou então " mas se não está aqui ninguém em cadeira de rodas, porque não posso usar!?"
As pessoas não entendem, ou não querem entender, que aquele carrinho é de uso exclusivo para pessoas que se deslocam em cadeira de rodas!