Quando era miúda e vivia no campo, pude conhecer muitos animais. Tive o gosto de conhecer e lidar com animais de rebanho, ovelhas e cabrinhas, principalmente.
Recordo-me bem como eram ordeiras, respeitando o seu pastor e as cercas.
Sabiam que se a cerca estava fechada era para não passarem por lá, e quando estava aberta, aí era o seu local de passagem.
Já o ser humano ainda não conseguiu entender a utilidade das barreiras acrílicas no supermercado. Certamente ainda precisa de mais tempo. Se uma pessoa tem um vidro à frente, julga logo que é para andar às cabeçadas, ou a atirar produtos por cima, pelos lados, mesmo que além das barreiras, haja a ajudar sinalética com as três cores dos semáforos, onde ainda terá de aprender que a zona vermelha não é para colocar artigos, já que existe uma zona verde.
Mas isso é demasiado complicado para se aprender num só ano, é preciso mais tempo, certo!?
As caixas do continente estão mais ou menos assim, estamos rodeadas de acrílico. Que bom seria se os clientes percebessem a função do dito cujo. Até já me tocaram nas costas mesmo com o "vidro" lá! E estão sempre a querer passar artigos pesados, quando deve ser o tapete rolante a trazê-los até nós! !
Se o acrílico está lá não é para ser invadido ou transposto!
Um cliente debruçou-se sobre o acrílico para chegar a uns frasquinhos de álcool gel, que estão num suporte à nossa frente. O normal seria ele pedir. Quando se debruçou cheguei-me para trás indignada, ao que ele ainda disse: "não tenha medo"! Respondi: "Este acrílico está aqui é para que não seja transposto, é para nossa segurança! O senhor só quem que respeitar!"
A imagem que me veio à cabeça foi de um surfista numa prancha a deslizar. Já não chega atirarem com os artigos a bater no acrílico, ainda têm de vir eles próprios!
Eu já não consigo ficar calada, agora tenho de falar, sempre educadamente, mas tem de ser, não posso deixar passar, se não vão continuar a cometer os mesmos erros!
Será que nas outras lojas ou serviços onde também há acrílicos as pessoas também acham que aquilo é para furar, para contornar, para invadir!?
Alguns hábitos errados que tive esperança que a pandemia corrigisse ou melhorasse:
Para abrir os sacos as pessoas lambiam o dedo na boca - diminuiu mas não foi totalmente erradicado!
Para contar notas, também lambiam os dedos - ainda se pratica, mas muito menos.
Os clientes sem compras passarem pela linha de caixas, causando incomodo a quem está a ser atendido porque tem de chegar o carrinho, quando podiam sair pela saída sem compras - infelizmente mesmo com a pandemia, ainda o fazem!
Era só quando já estavam a ser atendidos na caixa, que se lembravam de ir imprimir os cupões, quando passam pela máquina à entrada - continua igual, e empatam os outros.
Esquecem-se dos sacos no carro, e deixam-me a operadora em piloto automático para os irem buscar - ainda acontece demasiadas vezes!
O cliente seguinte ficar atrás da pessoa que estava a marcar o código do multibanco - felizmente este hábito foi quase totalmente erradicado.
Entregar artigos pesados em mão pela frente à operadora - Com o acrílico lá, a situação melhorou, mas ainda há um longo caminho a percorrer.
Estarem encostados ou mesmo em cima uns dos outros, tipo sardinha em lata - devido à nossa insistência, tem melhorado, mas se nós (funcionários) não estivermos, atentos, aproveitam logo para se encostarem. Não se entende o porquê! Será do frio!?
Os clientes andavam sempre cheios de pressa e sem paciência para esperar nas filas - no inicio, até estavam mais tolerantes e compreensivos, mas entretanto durou pouco, já voltaram as rivalidades.
Os clientes nunca ligaram aos cartazes com indicações e sinalizações (só avistam os das promoções) - no início da pandemia ainda procuravam ler, agora já não lêem nem o que está pendurado, nem o que está ao nível dos olhos, nem tão pouco o que está no chão.
Quando está alguém prioritário fingirem que não a estão ver - por algumas vezes já vi generosidade , mas pouco, porque o pessoal está sempre com pressa (nas filas, porque nos corredores é um passeio higiénico).
O açambarcamento inicial - não sei se passou ou se tem picos. Pelo menos o papel higiénico está tranquilo, agora é mais a comida!
Devido ao covid-19, estamos num ponto da situação onde o acrílico é um dos nossos maiores aliados e protectores nas lojas, hotéis, supermercados, serviços e até na praia!
Mas do que vale tanto investimento neste produto, se depois os clientes não o respeitam!? Dão encontrões, tentam contornar, invadir, seja à volta seja por cima. Parece que o produto para eles é invisível ou sem importância!
O acrílico, tem importância semelhante ao álcool gel, à máscara e até ao distanciamento. Tudo isto junto forma um melhor escudo protetor!
Mesmo com o acrílico, com a tudo sinalizado, mesmo avisando no som do supermercado, na rádio continente, muitos clientes não aceitam ou não respeitam as regras.
As pessoas simplesmente não querem ouvir, não querem ler, nem os cartazes que estão pendurados, os panfletos que estão mesmo ao nível da sua vista, ou mesmo os autocolantes que estão no chão.
A fase do "ah não sabia, para a próxima já sei!" - Já não faz sentido! Mesmo porque damos conta das mesmas pessoas a cometerem os mesmos abusos, com as mesmas desculpas!
Primeiro se pedíamos para pagar pela janela do acrílico, perguntavam se o vírus por ali não passava. Como a dita janela é tão apertadinha, deixei de fazer pressão para que a usem!
Por vezes até atiram artigos por cima do acrílico. Se pedimos para colocarem os artigos atrás da zona verde para haver mais distanciamento, protestam! Se há um vidro à frente para não entregarem os produtos em mão, ou para não colocarem os artigos transpondo o acrílico, quando há espaço mais atrás, porque insistem nisto? Dão cada traulitada no acrílico, que andam para deitar aquilo a baixo. Ainda reclamam do acrílico estar ali. Se está ali é por um motivo: para que não o transponham!
Até podem achar que vos dava jeito que registássemos primeiro as coisas pesadas, para colocarem logo no carrinho, mas se não as colocarem logo no inicio, terão de ter paciência e colocá-las no fim e arranjarem forma de deixar um espaço ou outra solução. O tapete rolante existe para facilitar a vida ás pessoas, e, trazer os artigos pesados até nós sem esforçar a coluna, é uma delas, aliás para nós e para o cliente. Se bem que cada cliente só teria de se esforçar para entregar o seu artigo uma vez, enquanto o operador teria de fazer essa tarefa, vezes sem conta por dia. Se a empresa tem a preocupação de permitir ao funcionário que tenha saúde e segurança no trabalho, porque vamos nós fazer o contrário!?
Quando atendo um "negacionista" , tento sempre arranjar bons argumentos, mas eles já têm respostas para tudo, do tipo "vamos todos ter o covid, para quê tanta coisas?"
Eu sugeria este cartaz, como já o deixei há uns tempos na caixa das sugestões da empresa. Certamente não o iam ler, à primeira vista, mas sempre daria para nós apontarmos para ele!
Um senhor depois de já ter o tapete de receção de artigos cheio de artigos, alguns sobre os outros, e de eu já ter registado alguns, tendo também o tapete do outro lado meio ocupado, deixa no carrinho várias garrafas de bebias alcoólicas e tencionava me as dar em mão, uma a uma do lado de saída. Ora, além de não ser permitido passar com as coisas não registadas para o outro lado, como é que eu ia controlar o que já tinha registado e o que tinha para registar!? Para mim, a intenção não era boa!
Disse-lhe que não podia ser assim, reclamou, fez birra! Tudo porque tinha de esperar que o tapete rolasse um pouco para ter espaço para colocar os restantes artigos.
Nem com um vidro alto à frente perdem a mania de entregar os artigos em mão, de estar próximos, de não se distanciarem, só falta se deitarem no tapete para chegarem mais perto de nós, não percebem que têm de colocar os artigos atrás e que o tapete os trás até nós!
Não se habituam a ter comportamentos mais civilizados e corretos!
Já passaram 6 meses da chegada deste malvado vírus, já passei por varias fases.
Logo no inicio, a minha maior preocupação era levar o covid-19 para casa, já que era a única que tinha de continuar a trabalhar. Andava muito preocupada e cheia de receios, tinha 1001 cuidados. Mas depois, quando vi as medidas que a empresa implementou, e depois de perceber que os clientes estavam solidários connosco, consegui alguma tranquilidade.
A primeira semana que a máscara foi de uso obrigatário, foi horrível para mim, sentia-me a sufocar, tinha pesadelos. Felizmente tive conhecimento de um outro tipo de máscara, que não a cirúrgica, e mais uma vez, consegui alguma tranquilidade.
Também me fazia alguma confusão estar cercada de acrílico, mas depois adaptei-me e até já conseguia esquecer que estava ali, prisioneira, porque me sentia mais protegida e segura.
Entretanto, o tempo vai passado, e a desilusão com o comportamento de alguns clientes foi crescendo.
Passado o susto inicial e o estado de emergência, muitos clientes relaxaram, convenceram-se que não havia mais perigo, ou que o mesmo, já tinha passado.
Começou a tornar-se uma espécie de luta todos os dias. Os clientes não querem fazer distanciamento, tiram a máscara ou andam com o nariz de fora, não respeitam a sinalética que está no tapete, no chão, querem entregar artigos em mão, querem, muitos deles, ter as suas próprias regras.
Os clientes saturam-nos a paciência, acham que algumas medidas não fazem sentido, questionam tudo. Não entendem que uma vez que entram naquele supermercado têm de seguir as normas nele imposto, e não aquilo, que em seu ponto de vista, lhes parece mais correto. Estão constantemente a ignorar as regras, quando está tudo tão bem sinalizado, escrito, com cartazes, sinaléticas, etc.
Por exemplo, um destes dias, disse a uma cliente que estava mesmo encostada a outra, para se afastar um pouco e ela respondeu " pois aqui na fila querem distanciamento, mas nos corredores anda tudo ao monte". Mas será que era preciso andar algum segurança atrás das pessoas nos corredores a impor que se distanciem, será que as pessoas não são capazes de ter essa responsabilidade!? Como é possível que em 6 meses não tenham aprendido nada, não tenham mudado nada!?
Mais uma vez digo, que a empresa tem boas medidas, e que o problema são os clientes que não as querem cumprir, aceitar, que as questionam, que implicam com tudo! Não percebem que as ditas regras são para o bem deles e nosso!