Sei que estou a ser repetitiva, mas são as situações que também se repetem. Novamente depois de eu ter fechado a caixa, ter arrumado tudo, e estar a preparar-me para sair, uma colega (chefe de secção) pergunta-me se lhe posso passar só o almoço. Isto no momento em que já tinha dito a uma cliente que a caixa estava fechada, e mesmo com essa cliente a olhar para ver a minha resposta. E não havia filas, a colega apenas tinha duas pessoas em espera? Eu disse à colega que não a podia atender porque já outra cliente me tinha pedido e eu tinha dito que “estava fechado”! A resposta da colega foi “eu nem comento”.
É que depois eu é que me fico a sentir mal com a situação e a falta não foi minha. Custa-me que as pessoas não respeitem o meu trabalho, ainda por mais pessoas de onde devia de vir o exemplo, já que são pessoas bem formadas, e por isso (neste caso) são chefes. E depois parece que ficam zangados comigo.
Há dias falava com uma colega que também trabalha na mesma função que eu e também num Modelo. Palavra puxa palavra e começamos a falar do que mais gostávamos e do que menos gostávamos. Ambas admitimos que estes horários não fixos deixam-nos baralhadas, na medida em que na mesma semana tanto podemos entrar às 9:00H, como às 11:00H; tanto podemos trabalhar 5 horas como fazer apenas 3 ou 4 diárias (exemplo partime) consoante o plano e a necessidade da empresa. Mas enfim sabemos que está dentro da lei...
Mas o que mais me surpreendeu e pela positiva, foi a forma como no Modelo desta minha colega se faz a saída da operadora de caixa. Lá cerca de dez minutos antes da hora de saída da operadora, a supervisora vai até á caixa e fecha a caixa no último cliente, de forma a depois a operadora poder fazer o fecho na sua devida hora. Quando por algum motivo é preciso que a operadora fique mais uns minutos (coisa rara, pois está tudo muito bem organizado), é feito um pedido á operadora com toda a educação. Assim sendo a operadora pica sempre o cartão no momento certo, e ninguém se aborrece.
Eu achei isto tão fantástico, uma vez que no Modelo onde eu trabalho o sistema não é assim. Nós ficamos na caixa até á nossa hora de sair, depois ligamos para o balcão de informação e pedimos autorização para fechar. Depois ainda atendemos até ao último cliente da fila. De seguida ainda temos as tarefas: limpeza e arrumação. Mas ainda há um outro pormenor, que é uma supervisora muito especial. Quando ela está no comando e nós pedimos para fechar a caixa, ela diz para esperarmos (e como esperamos), isto não acontece uma nem duas vezes é quase sempre. Porquê? Talvez porque é um bocado menos organizada que as outras, porque tem mau feitio, porque não está para se preocupar! Aqui há uns tempos ela esteve de férias e houve alguém que disse: "esta semana vamos todos sair a horas!" E assim foi! Enfim, como podem ver nem tudo é perfeito no meu Modelo...
Esta minha colega também tinha quanto a mim, um ponto menos bom, que no meu Modelo não é obrigatório. Elas não podem ir todas fardadas ( se for verão levam outra t-shirt, de inverno vestem um casaco por cima) de casa. Eu sempre fui, aliás quase todos vamos, exceptuando os colegas dos frescos, claro!
E foi assim, a nossa conversa. Devo dizer que esta colega não sabe que eu tenho um blog, daí eu também não referir localidades nem nomes!
Em dias de pouco movimento como foi o de hoje ( quase sempre ás segundas), temos a tendência para trocar algumas palavras com as colegas, mas disfarçadamente , já que estar de costas não é bem aceite pela nossa chefia e também não fica bonito na fotografia. Ainda assim a tentação " é inevitável , mas sempre com compostura e muita classe... Lógico que o principal é o respeito pelo cliente e nunca o devemos "desprezar" em detrimento de uma conversa com um colega, isso seria um erro da nossa parte...
Imaginam como seria um dia na nossa posição de serviço sentadas a olhar só de frente quando não há clientes para atender, sem falar com ninguém , a contar os minutos no relógio? Um tédio, certo? Então se encontrarem duas meninas das caixas a trocarem umas palavritas e uns risos não levem a mal, pensem no que eu lhe disse...