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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Uma situação daquelas...

Já por muitas vezes me comovi em situações em que os clientes não tinham dinheiro suficiente para pagar as compras. Algumas vezes velhotes reformados. Mas a situação recente foi diferente. Era uma senhora ainda jovem com os seus três filhos pequenos. Um ia entrar na primária e os outros dois na creche. No final da conta (material escolar c/ factura), a senhora não tinha dinheiro suficiente porque o tinha esquecido em casa. As crianças corriam nos corredores ela pedia a um para tomar conta de outro, depois deu falta de um... enfim coitada da senhora, ali na fila a dar voltas á mala a procurar dinheiro, vários olhos postos nela. Depois dizia:" estes miúdos põe-me doida, já nem sei se perdi o dinheiro ou se deixei em casa!" - eu respondi: " pois se um já dá tanto trabalho, imagino três!" e sabem o que ela disse? "-Pois mas eu ainda tenho outro, um bebé!" A senhora tremer de nervos disse finalmente: "- Olhe vou ter de deixar aqui as compras, guarde-mas, por favor! Vou a casa e já volto". Eu percebi o desespero da senhora e num impulso perguntei se faltava muito dinheiro, depois de contar os trocos o que faltava era muito pouco. Então eu disse á senhora para ter calma, para ela levar as coisas, a factura e que aguardava que ela viesse trazer o restante. Já não era a primeira vez que via lá aquela senhora, e fiquei convicta que ela voltava para pagar, pois todas as pessoas sabem que se faltar dinheiro não é do bolso do poderoso patrão, mas a responsabilidade é da operadora de caixa. Eu sei que devia mesmo assim pedir autorização á minha chefe para fazer isto, pois não o podemos fazer, mas foi mesmo um impulso...

 

Cerca de meia hora depois, ali estava á minha frente a senhora já sem as crianças e bem mais calma com o valor que faltava e agradeceu-me a confiança e a disponibilidade. Ainda me disse que tinha deixado o dinheiro em casa, e que as crianças e o cansaço a tinham atrapalhado. Eu também lhe agradeci e ficou tudo bem. Sei que quebrei uma regra mas também sei que foi por uma boa causa e que não prejudicou ninguém (se prejudicasse seria apenas a mim)!

   

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