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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

“Entre a Casa e a Caixa”

Hoje gostaria de vos falar de um livro da autora Sofia Alexandra Cruz, licenciada em Sociologia e Ciências Sociais. Não li o livro mas tive conhecimento da sua existência. Sei também que já tem alguns anitos. Este livro intitula-se: “Entre a Casa e a Caixa”. A informação que tenho é que este livro foi baseado num estudo feito a um grupo de mulheres e o seu enquadramento da vida social e profissional. Um dos capítulos incide sobre o retrato das trabalhadoras da linha de caixa de uma grande superfície.

 

È facto que se para um grupo de mulheres trabalhar fora de casa concede-lhes alguma autonomia económica e isso é para elas muito importante, para outras a actividade de caixa de supermercado é uma alternativa enquanto não aparece nada melhor. No primeiro caso estão as mulheres mais velhas e casadas, no segundo encontram-se as mais jovens, as que ainda estudam e as que tendo terminado os estudos encaram a opção como sendo passageira enquanto não aparece nada melhor.

 

Como já referi este livro já tem alguns anos (2001) e creio que as coisas neste campo já melhoraram um pouco, já que o livro parece focar os aspectos menos bons deste universo de trabalho, ainda assim deixo um apanhado transversal do universo estudado podendo ter-se a seguinte leitura:

 

-71% das trabalhadoras trabalha a tempo parcial;
- 15% ocupa o part-time de 12 horas aos fins-de-semana, sendo estas maioritariamente jovens entre os 19 e os 24 anos;
- 29 % trabalham 40 horas semanais (a mão-de-obra mais antiga);
- 53% tem entre o 10º ano e a frequência universitária, uma escolaridade acima da média da dos restantes trabalhadores da mesma empresa que desempenham outras funções. De notar que na maioria dos casos, as mulheres que frequentam o ensino universitário ocupam horários a tempo parcial, nomeadamente aos fins-de-semana;
- 39 por cento é jovem, com idades entre 19 e 24 anos;
- 41 por cento tem situam-se entre 25 e 30 anos e são solteiras;
-  Metade das inquiridas possui entre o 4º ano e o 9º ano de escolaridade

 

  Nos nossos dias assiste-se a uma ilusão de flexibilidade.
Por um lado exige-se a polivalência, sempre implícita a este tipo de cargos, e, por outro lado, se a versatilidade de horários permite a opção do trabalho por turnos, a permanente mudança de horário leva a situações de acréscimo de trabalho ou à exigência de cumprimento de horários que não são compatíveis com as vivências familiares de algumas dessas mulheres, o que instaura situações de ansiedade e angústia, uma situação que se percebe melhor quando do universo estudado pela autora se verifica que 46% das mulheres são casadas.

 

(Queria deixar assente que obtive estas informações na revista Recensio)

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