Estava a atender um casal de avós, com duas netas, daqueles avós que nem pareciam avós, porque eram bastante novos, e vestidos de forma descontraída e jovem.
Uma das netas, uma menina simpática e linda, trazia um brinquedo , assim que registei, perguntou se já o podia abrir. Entregou ao avó, que disse logo que não sabia o que era aquilo, então pediu para a pequena esperar pela avó, porque ele não sabia como aquilo se abria. Consequentemente, a menina de deveria ter uns 4 anos, explicou ao avó como aquilo se abria, porque ela sabia como fazer, não tinha, era força para o fazer.
É impressionante a inteligência das crianças dos dias de hoje!
Hoje, a uma determinada hora, o supermercado encheu de gente. As filas eram grandes, as pessoas estavam impacientes. Tinham pressa!
Uma senhora ainda jovem, mas com uma canadiana para se apoiar, veio até mim, perguntar se tínhamos uma caixa prioritária. Disse-lhe que eram todas prioritárias, podia ser atendida em qualquer uma. Vi que as pessoas começaram a reclamar. Então, eu disse à senhora que mal acabasse os clientes que estava a atender a poderia atender, mesmo vendo desagrado nas pessoas que estavam a seguir.
A senhora prioritária, disse-me que, na opinião dela, mais valia termos uma caixa exclusiva de prioridade, como era antes, em alguns supermercado. Depois contou-me que já era a terceira caixa a que vinha, e apontou para uma caixa e disse " nem imagina as coisas horríveis que as pessoas me disseram ali. Eu tenho um papel com a incapacidade que tenho, custa-me imenso estar de pé, mas ninguém me quis ouvir. Eu já só venho uma vez por mês, porque é sempre assim." Então eu disse à senhora que entendia, que ainda havia alguma falta de civismo nesta área. Então sugeri à senhora a segunda feira, quando não calha ao dia 8, para vir às compras (porque ela questionou qual o dia mais calmo). A senhora disse, que tinha ido hoje, porque foi ao médico, porque só sai de casa para ir ao médico, pois, também está com uma depressão.
Fiquei cheia de pena da senhora. A situação mexeu comigo.
Mas no meio de todo este episódio, os clientes que tinha atendido antes, uns miúdos novos, brasileiros, ajudaram a senhora a embalar as compras, foram de uma grande empatia e generosidade. A senhora até disse que a ajuda, por vezes, vem de onde menos se espera.
A senhora que tinha reclamado, ao assistir ao episódio, também pediu desculpa.
Parece que esta lei da prioridade, ainda não está bem. Ainda deve de haver algo que se possa fazer, para melhorar. Quem tiver esse poder, essa capacidade, que dê alguma sugestão a quem pode tratar do assunto!
Se não der para mudar as regras da prioridade, algo que possa mudar a mentalidade das pessoas...
Não tem conta as vezes que vejo, pessoas com carrinhos cheios a quererem ir para as caixas rápidas.
Na zona das caixas "selfies" , em português, auto-atendimento , não são permitidos carrinhos grandes. Este espaço, é para quem tem menos quantidade de artigos, o lugar é mais limitado, e o objectivo é agilizar o processo para todos os clientes. Se existir lá carrinhos dificultariam a circulação e fariam um engarrafamento, quando o que se pretende, é precisamente o contrário.
Muitas pessoas não entendem. Muitas pessoas não querem saber. Muitas pessoas reclamam. Outras pessoas, armadas em espertas, tiram os artigos do carrinho, colocam no chão e em cima da plataforma, vão dar a volta, registam, e passam para o carinho que está do lado de fora. É uma total falta de respeito pelo objectivo destas caixas.
Por isso se tem um carrinho cheio, vá a uma caixa tradicional!
Atualização: Afinal há hipermercados onde, podem passar nas selfies pessoas com carrinhos grandes, mas há um limite do peso dos artigos na plataforma.
O vinil surgiu em Portugal na década de 1940. As primeiras fábricas surgiram mais tarde, como a da Valentim de Carvalho em 1963. O vinil remete para a nostalgia, para o passado.
A turma do vinil é o nome carinhoso, que identifica, as pessoas com mais idade, a maioria já reformados, que costumam ir ao supermercado, logo pela manhã cedo. Uma parte deles (talvez 50%) não gosta de esperar, não querem ficar nas filas e reclamam; a outra parte são tranquilos.
Consequentemente, estes dois tipos de pessoas, nesta turma do vinil, classificam-se como, os impacientes, e os pacientes.
Os impacientes, reclamam do tempo de espera, brigam por um lugar numa fila, os pacientes aproveitam o facto de estar nas filas para conversarem e interagirem entre eles e e com os funcionários.
Apesar dos impacientes, ás vezes me deixarem stressada, gosto imenso desta turma do vinil. Gosto das conversas, gosto de aprender com eles, pois têm uma maior experiência de vida.
Como não tinha clientes, aproveitei para limpar/higienizar o espaço, principalmente o tapete de receção de artigos e o de saída, porque, por vezes sinto que está sujo, mas os clientes não dão tempo, colocam logo os artigos sobre o tapete, e isso incomoda-me um pouco. Gosto de ter tudo limpo e organizado, para receber os clientes.
Entretanto já conclui a limpeza e vejo que os clientes não estão a vir para a minha caixa. Passavam e seguiam. Havia filas nas outras caixas e eu estava sozinha. Então pergunto se não querem vir ali, e ouço a resposta:" como estava a limpar, pensei que se ia embora!"
E parece que mais algumas pessoas pensaram o mesmo. É engraçado, porque por outras vezes, fecho a cancela, estou a limpar e perguntam se a caixa vai abrir.
Mas é tudo normal, tudo faz parte do quotidiano do supermercado!
Há um velhote dos castiços, que é sempre muito atencioso e simpático.
Um destes dias estávamos a falar de avarias em carros. Ele disse-me que quando há 35 anos comprou o seu carro, novo em folha, disse que seria o ultimo. O carro tem 35 anos, anda no campo e está bom. inclusive, disse ainda, que daqui a 6 anos teria oitenta e tal anos e ia deixar de conduzir, e, por isso, seria aquele carro, até ao fim da vida.
É um senhor do meio rural, mas muito elucidado e culto. Um analista nato. É sempre um gosto conversar com estas pessoas, assim, positivas, bem dispostas, educadas! Melhoram o meu dia!
Estava a atender uma senhora, que me confessou que não gosta de ir ao supermercado, que normalmente é o marido que vai ou encomenda e vão levar a casa, mas como tinha chegado das férias, e faltava muita coisa, então teve que ir. "Vim somente por necessidade !" disse.
Diz que perde imenso tempo à procura das coisas que quer. Até me perguntou se nós mudamos as coisas muitas vezes de sitio. Expliquei à cliente que os corredores têm uma placa a referenciar os artigos, e senhora disse que nunca tinha visto as placas, porque estão altas.
Mesmo assim, foi super educada, cordial e engraçada até, no fim ainda agradeceu com "obrigada pela disponibilidade e paciência"!