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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Não somos máquinas, temos sentimentos

Gostaria que existisse uma câmara de filmar secreta na linha de caixas, que pudesse detectar tudo o que se passa na fila e no atendimento. 

E, ao ser revelado, o que ali acontece, ficariam de certo surpreendidos com as situações que ali se passam, com as palavras e  atitudes que quem ali está a trabalhar, e  a dar o seu melhor, tem de ouvir e suportar.

Hoje pedi,  a um senhor já na terceira idade, que se afastasse um pouco para a cliente que estava a atender, poder fazer o pagamento. E ele perguntou-me "mas  porquê!?" Expliquei que tinha de se afastar um pouco, para dar privacidade à cliente e para manter o distanciamento mínimo. E ele diz-me em voz bem alta "Distanciamento!? Tenha juízo, esteja calada!" 

Nós temos de tolerar isto? Está falta de respeito!? Estamos ali para  trabalhar e não para receber insultos!

Um dia salta-me a tampa e digo alguma coisa, que me vai prejudicar. E depois perco o meu trabalho. Mas há alturas que até as pessoas pacificas como eu, ficam cheias de tanta falta de civismo.

Trabalho este, que até há bem pouco tempo, era para mim um orgulho tê-lo e que me fazia sentir útil. Saía de casa sempre bem disposta para o ir realizar e nunca era um frete. Mas agora, em vez desta pandemia mostrar a solidariedade das pessoas, mostra mais a falta de respeito.

Será que as pessoas não pensam que estamos ali a cumprir ordens!? Será que não percebem que quando  fazemos um pedido ou se dizemos que não é de uma maneira mas sim de outra é porque a ordem vem de cima!? Porque ficam zangados e descarregam sempre em cima dos mesmos!? Devem de achar que gostamos de os contrariar.

Andam tão danadinhos para se andarem a roçar todos uns nos outros! Não chega o calor que está, ainda se fosse no inverno!

Haja paciência infinita!

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"A senhora trabalha aqui!?"

Estava ainda a atender uma pessoa, quando chamo a cliente seguinte. È um procedimento normal e habitual, nesta altura.

A senhora avança, mas como tinha poucas coisas resolve, ela mesma, chamar a pessoa que está a seguir. Situação que não dá para fazer, porque iam estar uns em cima dos outros.

Ao ver isto, fico tão surpreendida que digo à senhora "Olhe desculpe, a senhora trabalha aqui!? " E a senhora fica a olhar, e eu continuo "é que sou eu quem chama as pessoas, e na devida altura. Há que respeitar o distanciamento!"

A senhora ainda diz qualquer coisa que cabiam bem, ou sei lá, falou baixinho.

Tenho a agradecer ás pessoas que estão connosco nas medidas, que as respeitam, e que até agradecem a nossa postura, e elogiam as normas da empresa que as fazem sentir seguras.

Mas é  cansativo este continuar de atitudes. Recordo-me de em março estar confiante e positiva, achar que isto só ia custar no inicio porque depois as pessoas iam entrar no ritmo e até iam ter comportamentos mais corretos.

Estava tão enganada!

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O continente tem o selo covid safe

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Para  nós é um orgulho termos este selo. Mas há muitos clientes que têm um comportamento tão difícil que até parece que querem que o percamos.

Porque o supermercado é algumas vezes alvo de auditorias, como é normal, para que esteja seja sempre tudo nos conformes. Mas devia de haver uma entidade que fiscalizasse o comportamento dos clientes. As pessoas não fazem ideia, de como eles andam ultimamente, os desaforos que temos de ouvir, as faltas de respeito pelas normas, por nós, pela empresa.

Mas o importante é não deixar que isso nos afete e dar sempre o nosso melhor, para que este selo se mantenha!

"Não viu logo que eu me enganei..."

Um cliente está com uma nota de 20€ na mão, mas ao mesmo tempo tem o cartão multibanco e quando digo o valor é ele próprio que insere o cartão na cena do multibanco, marca o código e faz o pagamento.

Quando lhe vou entregar o talão dá-me a nota de 20€ e eu pergunto para que é a nota, ao que me responde: "então é para pagar". Digo-lhe "mas o senhor já pagou com o multibanco" . Responde que queria era pagar em dinheiro. Digo "então mas foi o senhor que pagou com o multibanco"!   Responde "então mas não viu logo que me enganei, eu queria pagar a dinheiro"!

E foi embora chateado! Como se tivesse de adivinhar...

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Artigo em destaque

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Este artigo esteve em destaque. Talvez por isso, houve tantos comentários. Alguém me disse "se fosse eu nem respondia a certos e comentários e até os apagava!" Mas eu, pelo contrário faço questão de os deixar, para que entendam que existem pessoas assim, indisciplinadas e que  estão contra as regras, demonstrando, alguns deles, uma falta de respeito por quem trabalha e zela para que, no cumprimentos das regras básicas, não lhes falte os bens essenciais!

É essencial que se mantenha o distanciamento social

Os últimos dois dias (9/10 de julho) foram muito complicados e cansativos. Os principais problemas: as pessoas não aceitam manter o distanciamento e insistem, muitas delas, em andar com o nariz  fora da máscara.

Uma pessoa chega ao fim do turno  esgotada psicologicamente, por estar sempre a dizer e a pedir a mesma coisa: espere um pouco, afasta-se um pouco, olhe tem a máscara a cair.  Até parece que as pessoas andam desertinhas por se roçarem umas nas outras. Gostam de sentir o suor, o calor  uns dos outros, só pode ser isso!

Sempre aqui disse que gostava de fazer o trabalho que faço, e continuo a gostar, mas assim sempre, nesta luta, nesta falta de respeito por parte de muitas pessoas, só tenho vontade é que chegue a hora de sair ou de fazer uma pausa, para desanuviar. Está muito pior agora do que no inicio da pandemia, porque muita gente acha que isto tudo agora já era desnecessário.

Uma senhora de certa idade estava tão junto ás pessoas que estavam à sua frente, que as mesmas fizeram queixa e até disseram que iam chamar a policia. A senhora foi avisada e ainda respondeu que o carrinho dela é que estava encostado ás pessoas não era ela! Barafustou sempre e não admitiu o erro.

Outra senhora também de idade avançada, quando lhe pedi para esperar um pouco na fila porque tinha já duas pessoas para atender primeiro, responde: " Ó menina com a minha idade já não tenho medo de virus"!

Conclusão:  os jovens acham que a malta é jovem, quer é divertir-se e não tem medo do vírus; os velhotes já não têm nada a perder porque já viveram muito e o vírus não os assusta!

Cabe, se calhar, a nós, o grupo intermédio (e que trabalha no atendimento ao público) ter algum bom senso e andar a lutar contra estes pensamentos e atitudes idiotas!

Haja paciência infinita!

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Eu já era civilizada mesmo antes da pandemia!

Só faltava a cliente que estava a atender fazer o pagamento, então a cliente seguinte começou a colocar os artigos no tapete. Só que esta esqueceu-se do distanciamento e avançou demasiado, quase tocando na que estava a marcar o código do multibanco. Esta parou , olhou, eu percebi de imediato e pedi  pessoa para se afastar um pouco. Ela afasta-se, mas diz "ah pois é, a gente até se esquece"! E a cliente que estava a terminar responde "eu não me esqueço, porque já era civilizada, mesmo antes da pandemia"!

Que bem respondido!

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