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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

O Dia Nacional de Prevenção e Segurança no Trabalho

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Estava a atender uma cliente que cismava em entregar artigos em mão, porque lhe dava mais jeito. Obrigava-me a fazer um grande esforço físico e a aproximar-me demasiado. Disse-lhe que visse as cores no tapete, para que ela colocasse os artigos na zona verde, seguindo as normas da empresa.

Pergunta-me se sigo sempre as normas da empresa. Disse-lhe que uma vez que a empresa está a fazer um tão grande investimento, em regras, para nossa segurança, só tinha era que respeitar. Até seria uma grande falta da minha parte, ignorar as normas da empresa!

Quando fizeram esta sinalética, disseram-me como eu tinha de fazer, e além de ter concordado porque fazia sentido, era mais correto, também era mais seguro, pensei, se eu não cumprir e tiver algum azar, a culpa será minha. Por exemplo, dizem para não aceitar artigos em mão, e eu vou aceitar uma caixa de cervejas pesada como é, dou um jeito ás costas, lesiono-me, vou ter de ir para o seguro. Mas eu é que não usei as normas de segurança impostas pela empresa, como fica a situação!? E quantas caixas destas passam-me pelas mãos durante o dia!? O tapete rolante existe para facilitar a vida, porque rola!

«O objetivo deste dia é chamar a atenção das empresas e dos trabalhadores para a importância de tomar medidas preventivas que garantam a segurança no trabalho.

Prevenir acidentes de trabalho é uma responsabilidade de todos, assim como a prevenção é um direito transversal a todos os trabalhadores.

A prevenção de riscos profissionais é uma preocupação a consolidar pelas empresas que exige também o esforço dos trabalhadores, dos cidadãos em geral, dos inspetores e das instituições de autoridade. »

Por tudo isto eu me esforço para fazer a minha parte!

"Estou a ver em qual me despacho primeiro!"

Chega o momento de chamar mais um cliente para a tender.  Está uma senhora ali no meio, nem  percebo em que fila está. Pergunto:" está nesta fila?!" E a senhora hesitando responde: "estou a ver em qual é que me despacho primeiro!" E não avançava, então digo ao senhor que estava depois dela,  para avançar, e ela lá ficou à toa!

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Nem sempre é fácil usar máscara

Era mais um dia normal, ou melhor, no que agora se diz normal.

Lá estava eu de máscara, de luvas, e atrás de uma "cabine".

A dada altura do turno, começo a sentir-me a sufocar, mas vou tentado respirar e aguentar. Sempre que possível desinfectava as mãos e puxava um pouco a máscara para respirar. A cada cinco minutos vou olhando para o relógio, desejando que chegasse a minha hora, para tirar aquilo tudo.

Não estava fácil. Até comecei a sentir sede, secura, coisa que nunca sinto. Eu nem costumo levar água porque não sou de beber muita água. Chegada a minha hora pergunto se posso fechar, mas, era preciso esperar um pouco. Cheguei a pensar que ia cair pro lado.

Não sei porque não arranquei aquilo da cara e pus no lixo.

Lá consegui finalmente, sair da caixa, ir para a zona reservada a colaboradores e tirar a máscara.

Certamente ficou mal colocada, na zona do nariz, deve ter ficado muito para cima. Nunca foi fácil usar, mas naquele dia, foi mesmo complicado.

No dia a seguir a isto, não usei, e, por azar, atendi um cliente que estava no topo, tossiu e nem se virou para o lado, nem pôs o braço à frente, nada!  

Já voltei a usar e foi mais tranquilo. Até porque é o que tenho de fazer, por mim, pelos outros.  Há profissionais que além de máscara, usam viseira, fato, e por mais horas, até ficarem com marcas. Se eles conseguem, também hei-de conseguir!

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Quando estamos a cumprir, não há que ter medo das queixinhas

Estava a atender um senhor, que ainda tinha o tapete cheio, a seguir estava um casal,  pessoas aí com uns 70 anos de idade.

O marido da senhora passou pelo corredor onde estava o cliente a ser atendido, e quase roçou neste. Eu disse que não podia passar assim, e o senhor respondeu que era para ir para o outro lado, o mal já estava feito,  ainda expliquei a noção do espaço, mas o senhor ignorou. Entretanto a esposa deste chegou-se para o tapete e já ia começar as por os artigos, mesmo não havendo espaço.  Disse-lhe que tinha de esperar um pouco. A senhora ficou ofendida e começou a falar de forma agressiva. Não respeitou o espaço, não esperou as instruções da colaboradora para avançar como faz a maioria das pessoas. Ainda me pediu o nome,   que eu lhe dei com um sorriso, escreveu num papel e disse que ia fazer queixa!

Tremi de medo! Ela é que foi  mal educada, não teve civismo algum, nem respeito pelas regras!

Tenho sentido este problema nas populações com mais idade, esta dificuldade em aceitar e respeitar. Os mais velhos criticam a "rapaziada" mais nova por isto e por aquilo, mas nesta matéria, os mais novos, e até as crianças, estão uns pontos à frente!

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De quem é a desorganização!?

Desde que entraram em vigor estas novas medidas, alguns clientes, mesmo sem qualquer indicação da empresa, resolveram fazer fila única, outros não, o que por vezes, gera confusão.

Um dia destes um cliente ao ver isso pergunta-me se há fila única eu respondo que não. Vai ele diz " pois mas isto assim é uma falta de organização da vossa parte, uns fazem fila única outros não"! Ao que eu respondo: " então olhe, não está aqui nenhuma placa com indicação de que há fila única, nós estamos sempre a dizer aos clientes que cada caixa tem a sua fila, ainda há 5 minutos disseram ao som que não havia fila única, quando os colegas da reposição aqui passam dizem que não há fila única, e mesmo assim, os clientes teimam em fazer a fila única! Acha que é nossa, a falta de organização!? Não dá para ter aqui alguém a gerenciar filas!"

E posto isto,  o cliente não respondeu e começaram a colocar-se correctamente nas filas, mas só por uns dez minutos, depois voltou a confusão e a discussão.

Até podem achar que o melhor era deixá-los fazer fila única, mas no espaço,  quando estão todas as caixas abertas não faz muito sentido, e dá mais chatices, porque somos nós a chamar e quando a fila está no fim do supermercado perto da caixa 7 e a caixa 1 fica vaga, o cliente tem de percorrer uma grande distancia até lá chegar, perde-se tempo! Mas enfim, se decidirem ceder, cá estarei para a mudança. No entanto até lá, as coisas são, como estão!

Enfim, é preciso ter uma paciência infinita!

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Cenas de prioridade e falta de civismo

Devido à situação actual de pandemia, é concedida em 1º lugar, prioridade a pessoas sujeitas a um dever especial de  proteção; a profissionais de saúde; elementos das forças e serviços de segurança, de proteção e socorro, pessoal das forças armadas e prestação de serviços de apoio social, só depois, em 2º lugar, estão os outros habituais (grávidas, pessoas com crianças de colo até 2 anos, idosos com mais de 65 e com incapacidade, pessoas com deficiência).

Esta situação aplica-se essencialmente á entrada do supermercado.

Já  por duas vezes que tive de me conter para não dizer nada em relação à prioridade.

A primeira foi com um velhote, que de repente, chegou e colocou as coisas sobre o tapete ignorando todos os outros que estavam atrás na linha e não aguardando as instruções da operadora para avançar. Quando lhe  disse, que tinha de aguardar e que tinha de esperar atrás da linha vermelha, começou logo a dizer: " mas eu sou velho, tenho quase 90 anos, e o que o nosso presidente disse é que posso passar à frente!" Ao que eu respondi:" mas até esses senhores com 90 anos, têm de respeitar as regras!"

Noutro dia, foi uma senhora que tinha uma canadiana, chegou e atirou as coisas para cima do tapete, passando por cima da sinalética, onde estavam e muito bem, clientes devidamente instalados atrás da linha e com o espaço correto entre eles. A senhora mesmo com prioridade , custava alguma coisa,  dar uma palavra, fazer uma pergunta!? Faltou educação, civismo, e concideração pelos outros. È demais!

Acho que  podiam ter prioridade na entrada, mas depois nas filas, esperavam como toda a gente. Caso fosse mesmo urgente passar, tinham de dizer, informar os doutros!

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Também não é preciso ter tanto medo

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Uma cliente estava a dar passos largos de sinalética em sinalética, eu disse que ela podia colocar os artigos no tapete. Revela-me estar nervosa com isto tudo. Diz-me até ter receio de ser presa, porque mora numa aldeia distante, onde está tudo fechado, e tem de sair, porque nem mercearia lá tem.

Conta-me que não tem dinheiro para fazer grandes avios de uma só vez, pois só pode comprar as coisas aos poucos.

Tento aclamar a senhora dizendo que o importante era levar alimentos para estes dias de 9 a 13 de abril. Ela diz que foi isso que fez, mas que depois terá de voltar.

Aproveitei para lhe dizer que as medidas eram para nossa segurança, porque a situação era grave. Penso que a conversa comigo a reconfortou!

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