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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Um saco com asas para voar

Um senhor pede-me um saco com asas. Ora como todos os sacos têm, à partida asas, perguntei se era dos de plástico. Disse que sim. Dei-lhe o saco e ele disse que tinha uma reclamação a fazer.

 

Eu: - Então diga!

Cliente. - É o saco!

Eu: Então não era de plástico?

Cliente. - Não, eu pedi com asas!

Eu : - Mas tem asas!

Cliente. - Ah tem, então porque não voa!? Devia voar até ao carro sozinho!

 

Estava a brincar comigo. Por vezes há destes clientes que vêm inspirados.

 

Por vezes são piadas secas, mas sempre dá para descomprimir...

 

Mas ao fim e ao cabo, os sacos de plástico até voam, já vi alguns a voar pelas ruas, pelos céus, pelo mar...

 

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Ela passa pelo vidro

Como já aqui referi , estão a fazer remodelações no supermercado. E uma das coisas que mudou foi o local da entrada. Antes as pessoas entravam pelas portas da rua e  depois tinham de percorrer todo um corredor para entrar dentro do supermercado; agora a entrada da loja fica logo no início (mais perto da entrada da rua) e o local ao fundo, que antes era de entrada tem um vidro transparente desde o chão até ao tecto.

 

Há setas no chão a indicar a nova entrada, bem como outra seta ao nível da nossa cintura. Mesmo assim, a maioria das pessoas não repara, e vão até ao local da anterior entrada. Pisam a sinalética, mas não a lêem.

 

Nós quando vimos as pessoas a irem na direcção errada, avisamos e as pessoas voltam atrás.

 

Certa, vez uma senhora ia na direcção errada e eu avisei, e a resposta foi “ah, mas eu sempre entrei por ali”, e continua a andar, porque  de longe não se percebe que há um vidro lá. Fiquei pasma, a senhora que estava a atender naquele momento disse:”ela só passa se partir o vidro”! Ficamos a olhar, a ver o que acontecia. Entretanto, depois de um minuto parada, já deu meia volta e veio.

 

Ora digam lá, se não há pessoas,  mesmo teimosas!

 

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O respeito pelo espaço do outro

Estou a atender uma senhora na casa dos trinta anos, logo a seguir está outra senhora que podia ser a sua mãe. A senhora mais velha andava irrequieta de um lado para o outro. Cheguei a pensar que estavam juntas.

 

Quando chega a hora da senhora que estava a atender querer pagar com cartão multibanco, a outra senhora estava plantada atrás dela e a olhar, tirando a privacidade. A senhora que estava a pagar começou a falar ”entre dentes”, julguei que estava a falar comigo, mas era mesmo a criticar o facto de a outra estar colada a ela.

 

Eu sei que já por diversas vezes repeti este episódio, mas é uma situação demasiado frequente. Falta ensinamento e  formação às pessoas. Há tantos cartazes na loja com avisos, de publicidade, de informações, fazia falta um que remetesse para esta situação, para que existisse mais civismo, para que alertassem as pessoas. Uma sinalética no chão, embora quase ninguém olhe para o chão! Sei que por vezes, nem têm esta atitude por mal, muitas vezes até é distracção, ou falta de noção. Mas, se há pessoas que por si, não conseguem entender, têm de ser ensinadas, alertadas!

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As " donas cabeças no ar" na ida ao supermercado

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Uma situação bastante frequente numa ida ao supermercado é o esquecimento, é a Dona Cabeça no Ar.

 

A Dona Cabeça no Ar, faz uma lista, vai buscar os sacos, porque precisa de ir num instante (porque a ida ao supermercado é sempre com pressa).

 

Ao chegar ao supermercado, leva um carrinho. Abre a mala e percebe que se esqueceu da lista. Então, decide percorrer todos os corredores em busca do que acha que lhe faz falta.

 

Carrinho cheio, e a hora a apertar, vai para a fila para pagar as compras. Quando a operadora lhe pergunta se precisa de sacos a Dona Cabeça no Ar, sem responder, sai a correr direto á porta de saída. “foi ao carro buscar os sacos” pensa a operadora de caixa, uma vez que é uma situação comum.

 

Chega á caixa cansada com alguns sacos. Ainda na fila repara num artigo que o outro cliente leva, e lembra-se que também precisa daquele produto, pergunta ao outro cliente em que lugar está, depois da explicação, lá vai a Dona Cabeça no Ar, buscá-lo. Ao sacos estão abertos, dentro do carrinho, mas os artigos, na sua maior parte, ainda cá estão fora.

 

Lá se organiza. Perguntam-lhe se tem cupões, e a Dona Cabeça no Ar, lá sai, novamente a correr, para ir imprimir cupões, quando os podia ter trazido de casa ou ter imprimido à chegada. Lá os imprime, a operadora lá os passa, e no final para pagar, a Dona Cabeça no Ar, não encontra o cartão multibanco. Retira de dentro da sua mala XL toda a tralha. Fica nervosa! Diz ter a certeza que trouxe o cartão. Na fila, há quem desespere, porque assistiu a tudo isto desde o inicio. Entretanto, vai ao bolso e lá encontra o cartão de pagamento.

 

Agora imaginem as vezes que esta situação acontece, imaginem a quantidade de donas cabeças no ar que por ali passam, imaginem o que é estar com os pés na terra, e ter de esperar e assistir a isto!?

 

Por favor, pensem um bocadinho, organizem-se melhor, não sejam tão cabeças no ar! Não ajam como se fossem o centro do universo, pois há mais pessoas a fazerem parte dele!

 

Daqui resultou que:

 

  • A lista ficou em casa
  • Os cupões não foram imprimidos
  • Os sacos ficaram no carro
  • Um artigo ficou esquecido
  • O meio de pagamento estava fora do lugar

Com paciência e perseverança, quase tudo se alcança

A propósito do supermercado estar em obras, em remodelação, em mudança, todos os dias ouvimos comentários dos clientes, uns agradáveis e outros nem tanto. Enfim, a falta de paciência, a intolerância, é factor comum a muitas pessoas.

 

Uma cliente disse-me: "porque é que não contrataram aquelas empresas que fazem as coisas da noite pro dia?" Fez-me lembrar o programa "querido mudei a casa", mas esquecem-se que a magia da televisão tem certos truques, e que mostram as coisas como se aquelas obras se fizessem num passo de mágica!

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Surgem igualmente situações em que os clientes dizem gostar da mudança, e de a mesma dar a sensação de o espaço estar mais amplo...

 

Também aconteceu uma cliente, brincar com a situação, e por não encontrar os produtos nos sítios habituais, dizer que precisa de um croqui e  usar um dito que eu não conhecia, mas que ficou registado: Em casa mudada, não se acha nada!

 

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Pelo que me consta, quando tudo estiver acabado, quando os clientes tiverem tempo para decorar onde estão os produtos e já não andarem perdidos à procura de um qualquer artigo, vão perceber que a mudança foi para melhor!