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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Nós, não estamos habituados a ver esta situação

Como de costume, nesta altura do ano, já chegaram os sotaques, ou melhor os emigrantes. A língua francesa, principalmente,  já se ouve nos corredores e linha de caixa do supermercado, onde trabalho.

 

Hoje  um casal já habitual, observou uma situação com emigrantes, e comentaram-na comigo. Disseram-me que era um jovem casal português a falar francês (acho que os ouviram a falar as duas línguas). Tinham uma criança com eles que deveria ter uns dois anitos. Acontece que o dito casal, deixou a criança sentada no carrinho sozinha num corredor, enquanto eles, os pais, andavam em outros corredores,  longe da criança. Esta senhora, que falava comigo, até me disse que teve de desviar o carrinho da criança para passar e os pais completamente alheios a tudo. A mulher ainda me disse, que ela bem poderia ter levado o carrinho com a criança dali para fora, que eles nem se dariam conta!

 

Entretanto, consegui ver o dito casal e a criança, que me pareceram, bem tranquilos.

 

Disto eu tiro pelo menos três  conclusões: ou no país onde eles estão a viver há tanta segurança, que faz com que eles estejam convictos que não haveria qualquer problema; ou acham que estando em Portugal e na terra, ninguém faria mal à criança; ou ainda, são daqueles pais tranquilos, sem stresses!

 

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Mas, a criança nem reclamou nem nada!? Que criança, tão calminha!

Que tal começar pelo início!?

Uma senhora entra no supermercado, escolhe os artigos que pretende levar, coloca-os no carrinho. Dirige-se para a linha de caixas. Coloca os artigos no tapete. Pergunto se vai precisar de sacos, responde:" não, tenho sacos no carro"! Vou registando os artigos que vão ficando do lado de saída. A cliente não está a arrumar as compras, está a mexer no telemóvel. Como existe a aplicação do continente, suponho que esteja á procura de algum desconto em código para me dizer. Quando lhe pergunto se tem cupões. Responde-me que os vai imprimir á máquina. A máquina está um pouco longe da minha vista, mas vejo perfeitamente a senhora imprimir os cupões e sair para a rua.

 

Não posso colocar a conta em espera e atender o cliente seguinte, porque tenho toda a área cheia de artigos, e o cliente seguinte, também tem muitas coisas. Se calhar, dou meia volta e coloco eu as compras de volta no carrinho da cliente - pensei .



Mas onde se meteu a cliente, será que desistiu e não disse nada!? Nada disso, regressa, com os sacos, que decidiu ir buscar ao carro!

 

Porque será, que ainda há pessoas que não se habituaram a levar os sacos do carro, e a imprimir logo os cupões!? Se a máquina está logo á entrada deve ser por essa razão. Não é por mim, porque eu posso esperar pelos clientes, aliás, tenho mais é que esperar, mas quem está na fila, a ver esta situação toda...

 

E depois esta senhora ainda me pede desculpa a mim... eu digo " não é por mim..." lá   ouviu um desabafo de uma senhora que estava lá mais atrás, pode ser que se lembre dele na próxima vez!

 

E este sistema  entrar - escolher artigos - ir pra caixa - imprimir cupões - fazer os outros esperar - ir ao carro buscar sacos - fazer os outros esperar - regressar- arrumar artigos - fazer outros esperar - pagar - sair é utilizado muitas vezes...

 

Quando uma pessoa se esquece uma vez ou duas, e se até nem está muita gente, não é grave, mas por vezes, se eu como cliente, estou sempre a ter esta atitude, a fazer os outros esperar...tenho de tentar mudar a minha atitude. É tudo uma questão de hábito e de organização! Não me levem a mal...é só uma dica, para o tempo de espera nas filas ser menor.

 

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De quem é o dever!?

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A propósito das cadernetas dos "Angry Birds", uma cliente, uma senhora ainda nova, em vez de me entregar a caderneta preenchida para levar o peluche, entrega-me a caderneta com uns  selos colados e os restantes  ainda dentro das saquetas. Vou registando as compras e coloco o peluche de lado.

 

Digo-lhe que a caderneta não está completa, ao que a senhora me responde:" Sim, mas estão aí, pode colá-los"! Isto num dia com filas. Respondo  que só pode levar o peluche com a caderneta preenchida e a senhora insiste: "Então mas não pode colar você!?" Volto a dizer,  que é o cliente que tem de entregar a caderneta preenchida. Responde-me "então tem de esperar". Digo-lhe: " Não posso ficar à espera, a senhora preenche a caderneta enquanto eu vou atendendo, e depois quando estiver, eu registo o peluche"! A senhora paga as compras e fica lá na ponta a colar os selos insatisfeita! Uma senhora na fila começa a abanar-se e a dizer: " Isto até me está a dar calores"! A senhora dos selos olha, mas não responde.

 

Após esta cliente sair, a outra senhora que estava na fila, diz-me que ficou com vontade de abanar esta cliente!"

 

Isto é ou não é estranho?

 

Tempo para aprender

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Eu não estava sozinha na caixa, estava com uma menina, que estava a aprender o ofício...

 

Então, alguns clientes, quando viam que estava uma  pessoa a aprender, pressupunham que  iam demorar mais um bocadinho, afastavam-se e procuravam outra caixa; outros até iam lá à minha caixa e diziam palavras de incentivo à nova operadora.

 

Uma cliente, já habitual e sempre amável,  disse-me:" Então hoje está de professora?!" Houve também um senhor que, talvez por ver que a moça era muito novinha, desejou que para ela, aquele trabalho fosse apenas temporário.

 

É curioso como as pessoas são tão diferentes umas das outros. E ainda bem, que é assim.

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