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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Atchim...eu não fui ao México!

Acontece de tudo um pouco num supermercado.   Era um dia com algum movimente e consequentemente com filas. Um senhor que certamente estava constipado, dá um grande atchim (espirro). Nesse momento uma Sra. que estava muito próxima afasta-se subitamente e mostra desagrado na face... é então que o Sr. do espirro se mostra indignado e diz: -" eu não estive no México"! Os clientes que estavam próximos ficaram a olhar,   uns com olhar preocupado e outros a sorrir. Este episódio não foi propriamente engraçado, mas no final todos nos rimos. Penso que isto acontece porque o medo desta gripe A está instalado nas pessoas. Todos os dias a TV, os jornais, a internet falam no assunto.  É bom que informem, mas por vezes parece que quando as notícias são boas e ouve-se que não há perigo em Portugal as pessoas ficam sempre na dúvida...

 

Não gosto nada que me tentem enganar

 

Como já tenho referido diversas vezes, o respeito e consideração pelo cliente faz parte não só da minha personalidade, mas também é regra do meu trabalho.  É o que chamamos um atendimento Sonae.  
 
Há poucos dias um jovem casal com o seu carrinho de compras coloca os artigos no tapete, e passa com uma velocidade relâmpago para o outro lado levando no carrinho alguns artigos. Assim que passam a Sra. coloca o seu casaco sobre os packs de leite que lá estavam.  Até parecia que estavam á espera do momento em que eu tivesse a olhar noutra direcção. Ainda pensei " será que isto é um teste para medir a minha atenção"!? No carrinho iam 4 packs de leite meio gordo mais dois packs de leite com chocolate cada uma com 27 pacotinhos. Eu fiquei a fitar a situação, para ver se eles diziam alguma coisa… mas nada! Estavam com uma atitude normal e descontraída. Eu já estou nisto a alguns anos e sei que estavam a ver se passava. Muitos clientes pensam que nós somos umas totós que ali estamos. E não pensem que é ao tio Belmiro que estão a "tirar" algo, ou que ele é muito rico e que não lhe faz falta! Pois é a mim que estão a prejudicar e a enganar, pois essa tentativa é para mim uma ofensa á minha função e ao meu trabalho. Não permito que me façam de parva! Levantei-me e perguntei por os artigos que ali estavam. Eles na maior das descontracções disseram" está lá ao fundo um exemplar de cada artigo!" Pois na verdade estava, mas eu adivinhava a quantidade sem eles me mostrarem?!
 
Há um hipermercado da concorrência que obriga os clientes a colocarem todos os artigos em cima do tapete, nós damos aos clientes a oportunidade de um menor esforço e pedimos para que coloquem nos artigos mais pesados apenas um e depois multiplica-mos. Mas para isso tem de esperar para vermos e contabilizar as quantidades, não é "correr" o carrinho para o outro lado com tanta pressa!

O meu diário profissional

 

Como sabem este blog é o meu diário profissional. Teve o seu inicio numa altura em que estava um pouco preocupada com esta profissão. A monotonia estava a deixar-me cansada. Comecei a pesquisar na internet sobre novos empregos. Queria mais uma ocupação para juntar a esta que já tinha!  Numa destas pesquisas encontrei alguns blogs, essencialmente blogs que eram autênticos diários pessoais. Foi aí que pensei neste blog. Aos poucos comecei a gostar mais do meu trabalho. Porquê? Porque os meus dias de trabalho começaram a ficar mais animados. Em vez de me lamentar por estar ali numa função estática, comecei a tirar partido das situações registando-as. Além de descomprimir, posso desabafar, aconselhar, informar. Enfim comecei também a gostar mais dos clientes e a compreendê-los melhor. Este blog tem me ajudado a evoluir profissional e pessoalmente.

 

E além de tudo gosto de estar na blogosfera, navegar por outros blogs, comunicar com os seus autores, receber visitas e visitar. É bom estar aqui!

Obrigada SR. Provérbios!

 

 

Este Sr. é um doce. Um velhote muito respeitador e educado. Por causa de uma confusão com o preço de um artigo, este senhor pediu-me tantas vezes desculpa. Disse-me que queria me pagar um café se eu pudesse sair um bocadinho dali. Eu disse-lhe que não podia naquele momento mas que ficava para outro dia. Agradeceu-me a disponibilidade e paciência que tive para com ele na resolução daquele problema. Aliás ele desta vez não disse bem um provérbio foi quase uma máxima: " eu não sou parvo só de agora, já sou de há mais tempo"! No fim arrematou dizendo. "Obrigada por me aturar!"
 
Fartou-se de me elogiar. Eu fiquei tão comovida. São clientes como estes que me deixariam saudades se um dia mudasse de emprego. São clientes como este que me fazem acreditar que não sou invisível ali! Obrigada eu Sr. Provérbios!

 

Uma interpretação diferente...

Hoje queria vos falar sobre uns iogurtes com uma  determinada promoção. Habitualmente são vendidos em packs de 6. A promoção acrescentava mais dois pelo mesmo preço. A descrição era " oferta de  dois copos". Então, na minha caixa sucederam duas perguntas de diferentes clientes: " onde é que dão os copos, é aqui ou na informação"?

Digam-me lá se à primeira vista também não poderiam fazer a mesma pergunta?

 

 

São na verdade (mais) dois copos de iogurte e não dois copos de vidro...

Confusão com a caixa expresso e a caixa prioritária

 

Estava eu na caixa expresso (a do castigo, para mim), quando dou conta de uma Sra. grávida a colocar as compras no tapete. Era um carrinho quase cheio. No momento não me apercebi da barriguinha e disse " esta caixa é só até 10 unidades". Então a Sra. começou a falar alto e a dizer que estava grávida. Respondi que tinha uma caixa prioritária. Ela respondeu que já lá tinha estado e que ninguém lhe tinha dado a vez. Para a Sra. se aclamar eu disse-lhe para deixar as compras como estavam que eu atendia-a! Felizmente não houve mais bronca, mas é incrível o comodismo das pessoas.
 
Sabem que a caixa é prioritária, vêem a Sra. grávida e não lhe dão passagem!?

  

O compromisso da farda

 

 

Um dia destes ia a caminho do trabalho e parei numa bomba para pôr combustível. Uma daquelas bombas onde é o funcionário que põe o combustível. Havia duas filas e um só funcionário. Quando reparei que o senhor estava a tender primeiro os carros que tinham chegado depois de mim resolvi intervir. O que é que eu fui fazer?! Ouvi logo o homem dizer " então a menina que também trabalho no atendimento a clientes, não deveria ter mais calma, eu não vi quem chegou primeiro!" Pois eu não disse nada, porque estava fardada se não diria o óbvio - que ele podia estar mais atento - mas por respeito á farda fiquei quieta!

 

Aprendendo inglês

 

 

Mais uma vez falo de uma cliente habitual. É uma senhora inglesa. Ela fala comigo sempre em inglês. Confessou-me que está em Portugal há muitos anos mas não consegue falar português. Disse-me que me entende porque eu falo devagar. Nesta conversa eu disse-lhe que apesar de não falar muito bem o  inglês, também a entendo na perfeição. Então quando ela chega á minha caixa, conversamos sempre um pouco cada uma em sua língua. No meio de tanta monotonia, com esta cliente reforço o meu inglês. Até podia falar com ela em inglês mas tenho vergonha, pois a minha pronúncia não é lá grande coisa...

 

Sou conhecida pela profissão...

 

 

Muitas pessoas  conhecem-me por eu trabalhar onde trabalho. Por vezes há pessoas que me cumprimentam na rua e eu fico a pensar "mas de onde é que me conhecem", depois lembro-me "só pode ser do supermercado". Há dias estava eu num café com umas pessoas quando alguém se dirige á mesa e diz "desculpe, posso lhe fazer uma pergunta?" Respondo afirmativamente, e depois perguntou-me se havia lá onde eu trabalhava determinado artigo e o preço.
 
Outra situação foi uma vez numa loja de roupa uma senhora com uma peça (camisola) na mão me dizer "você deve estar habituada, sabe me dizer se isto dá para um rapaz de 13 anos?" E lá fui eu ver a etiqueta e ajudar a senhora. Confesso que há vezes em que estas situações até me fazem rir, mas outras há também que só me apetecia estar ali sem alguém a fazer-me perguntas!