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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Um pouco mais de calma...

Hoje foi um dia difícil. Os clientes andam sem paciência, para as filas, estão sempre com pressa. Discutem uns com os outros.

Chegaram a perguntar-me se não havia ninguém para gerenciar as filas. Realmente as pessoas não sabem ficar nas filas como deve ser, ficam ou em roda, ou todos ao molho, ou fazem fila única. Complicam tanto!

Hoje um cliente colocou no tapete duas paletes de leite, por cima meteu duas caixas de cervejas. Eu já andava mal do braço, mas não tinha outra solução se não pegar numa caixa, para depois chegar à outra. Mas estava tão alta, que tive de fazer um esforço extra. Era uma questão de bom senso, não deixar daquela forma! Agora estou cheia de dores no braço e no ombro direito, tendo já passado quase duas horas. Espero  recuperar, porque não é boa altura para baixas!

Depois é o distanciamento, é preciso estar sempre, sempre a pedir, porque as pessoas não o fazem por sua conta.

É certo que há pessoas que cumprem, mas as que não cumprem, ainda são algumas!

Haja saúde, haja paciência!

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O tapete está todo molhado

Aqui há uns dias quando chamei uma cliente, nem reparei que o tapete estava  sujo de farinha. E ela pediu, com razão, para limpar o tapete. Aliás, eu queria mesmo era poder, desinfetar o tapete a cada cliente.

Entretanto, um dia destes, tinha eu todo o posto de trabalho bem limpinho e higienizado, quando chega uma cliente, e começa logo a reclamar porque o tapete estava molhado. Digo-lhe que está desinfetado, mas a cliente insistia para que o secasse. No entanto, mesmo antes que eu pegasse em algo para o secar, ele secou, porque os produtos que usamos na desinfeção secam rápido!

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Os clientes são muito diferentes uns dos outros, o que uns querem ou apreciam, outros não querem. O melhor é fazer o que é suposto e deixar o resto! É impossivel agradar a todos!

Por vezes ficamos sem palavras

Um senhor está ao telemóvel, e vai colocando as compras com uma mão e segurando o aparelho com a outra, levando mais tempo, além de não me responder se quer saco, e, aparentemente não tendo onde colocar as compras. Já estão outras pessoas na fila.

Prossigo e pergunto se tem cartão continente. O senhor tapa o som do telemóvel, pisca-me o olho e diz "espere terminar só esta chamada porque o cartão continente está na aplicação!"

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Hábitos errados que tive esperança que a pandemia corrigisse

Alguns  hábitos errados que tive esperança que a pandemia corrigisse ou melhorasse:

Para abrir os sacos as pessoas lambiam o dedo na boca -  diminuiu mas não foi totalmente erradicado!

Para contar notas, também lambiam os dedos - ainda se pratica, mas muito menos.

Os clientes sem compras passarem pela linha de caixas, causando incomodo a quem está a ser atendido porque tem de chegar o carrinho, quando podiam sair pela saída sem compras - infelizmente mesmo com a pandemia, ainda o fazem!

O cliente seguinte ficar atrás da pessoa que estava a marcar o código do multibanco - felizmente este hábito foi quase totalmente erradicado.

Entregar artigos pesados em mão pela frente  à operadora - Com o acrílico lá, a situação melhorou, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

Estarem encostados ou mesmo em cima uns dos outros, tipo sardinha em lata - devido à nossa insistência, tem melhorado, mas se nós (funcionários) não estivermos, atentos, aproveitam logo para se encostarem. Não se entende o porquê! Será do frio!?

Os clientes andavam sempre cheios de pressa e sem paciência para esperar nas filas - no inicio, até estavam mais tolerantes e compreensivos, mas entretanto durou pouco, já voltaram as rivalidades.

Os clientes nunca ligaram aos cartazes com  indicações e  sinalizações (só avistam os das promoções) - no início da pandemia ainda procuravam ler, agora já não lêem nem o que está pendurado, nem o que está ao nível dos olhos, nem tão pouco o que está no chão.

Quando está alguém prioritário fingirem que não a estão ver - por algumas vezes já vi generosidade , mas pouco, porque o pessoal está sempre com pressa (nas filas, porque nos corredores é um passeio higiénico).

O açambarcamento inicial - não sei se passou ou se tem picos. Pelo menos o papel higiénico está tranquilo, agora é mais a comida!

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As pessoas continuam a ir em grupo às compras

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Quando termino o atendimento a um cliente e chamo o próximo, aparecem logo três pessoas adultas e  uma velhota. Educadamente peço-lhe para aguardar um pouco, porque ela própria tinha os seus artigos. Ela responde "ah esta gente é minha, não faz mal"! É aí que o neto responde " mas tens de respeitar, avó"!

Isto tudo para dizer, que mesmo em pleno 2° confinamento, as pessoas continuam a ir às compras em grupo, e os velhotes não ficam em casa, mesmo os que têm quem lhes faça as compras!

As pessoas estudam as 1001 maneiras de contornem as regras

Com muitos "ses" e "mas"

Mesmo com o acrílico,  com a tudo sinalizado, mesmo avisando no som do supermercado, na rádio continente, muitos clientes não aceitam ou não respeitam as regras. 

As pessoas simplesmente não querem ouvir, não querem ler, nem os cartazes que estão pendurados, os panfletos que estão mesmo ao nível da sua vista, ou mesmo os autocolantes que estão no chão.

A  fase do "ah não sabia, para a próxima já sei!" - Já não faz sentido! Mesmo porque damos conta das mesmas pessoas a cometerem os mesmos abusos, com as mesmas desculpas!

Primeiro se pedíamos para pagar pela janela do acrílico, perguntavam se o vírus por ali não passava. Como a dita janela é tão apertadinha, deixei  de fazer pressão para que a usem!

Por vezes até atiram artigos por cima do acrílico. Se pedimos para colocarem os artigos atrás da zona verde para haver mais distanciamento, protestam! Se há um vidro à frente para não entregarem os produtos em mão, ou para não colocarem os artigos transpondo o acrílico, quando há espaço mais atrás, porque insistem nisto? Dão cada traulitada no acrílico, que andam para deitar aquilo a baixo. Ainda reclamam do acrílico estar ali. Se está ali é por um motivo: para que não o transponham!

Até podem achar que vos dava jeito que registássemos primeiro as coisas pesadas, para colocarem logo no carrinho, mas se não as colocarem logo no inicio, terão de ter paciência e colocá-las no fim e arranjarem forma de deixar um espaço ou outra solução. O tapete rolante existe para facilitar a vida ás pessoas, e, trazer os artigos pesados até nós sem esforçar a coluna, é uma delas, aliás para nós e para o cliente. Se bem que cada cliente só teria de se esforçar para entregar o seu artigo uma vez, enquanto o operador teria de fazer essa tarefa, vezes sem conta por dia. Se a empresa tem a preocupação de permitir ao funcionário que tenha saúde e segurança no trabalho, porque vamos nós  fazer o contrário!?

Quando atendo um "negacionista" , tento sempre arranjar bons argumentos, mas eles já têm respostas para tudo, do tipo "vamos todos ter o covid, para quê tanta coisas?"

Eu sugeria este cartaz, como já o deixei há uns tempos na caixa das sugestões da empresa. Certamente não o iam ler, à primeira vista, mas sempre daria para nós  apontarmos para ele!

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Cada macaco no seu galho, cada funcionário no seu posto

Já aqui tenho escrevido sobre o facto de muitos clientes não quererem respeitar regras, desta vez, quero relatar sobre as inquietações dos clientes, porque também gosto de os ouvir e tentar perceber. E muitas vezes eles têm as suas razões. E ninguém gosta de esperar e toda a gente vai ao supermercado com muita pressa!

O que mais eles perguntam

  • "Porque é que há caixas fechadas quando há tantos clientes nas filas?"
  •  "Porque é que estão três pessoas na frutaria, quando faziam mais falta aqui nas caixas?"
  • "Porque anda aí tanta gente de um lado pro outro nos corredores e não as põem nas caixas?"
  • "Porque é preciso fazer barulho, para que chamem mais alguém para as caixas"!

 

Claro que para todas estas questões existem respostas. Para o cliente o tempo de chamar mais alguém para a caixa pode parecer imenso porque estão à espera, para quem lá está é o tempo de deixar de fazer o que se estava a fazer e ir até à caixa.  Quando respondo que cada funcionário tem a sua função e que nem todas as pessoas das outras secções sabem da caixa, e que as pessoas que andam de um lado para o outro estão a fazer alguma coisa, aí a resposta pode ser " isso já não sei"!

De uma coisa os clientes podem ter a certeza , o maior objetivo da loja é satisfazer o cliente, o melhor possível com os meios disponíveis!

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Se todos fizermos o que é certo, o caminho será menos longo

Não sei se foi impressão minha,  coincidência ou sorte, mas hoje, o meu turno correu muito bem. Gente simpática, ordeira, cumpridora das regras.

Será que com este novo confinamento, as pessoas estão mais convencidas que é melhor seguir as regras, para que não aconteça o supermercado fechar, como está a acontecer com outros serviços!?

Também é bom para nós quando as coisas correm bem, pois já andamos um bocado saturados das lutas diárias, com o distanciamento, o nariz para fora da máscara, o desrespeito pelo acrílico...

Bom sábado, e tentem ficar em casa!

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