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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

O meu primeiro dia com máscara

Não foi fácil. Aquilo ora tapava-me a vista, ora sentia falta de ar. Uma cliente viu-me mexer na máscara com as mãos e chamou-se atenção disse que assim mais valia não usar. Eu disse que tinha desinfectado as mãos.

Depois os clientes não percebiam o que eu dizia, o que é normal, pois também eu,  tenho dificuldade em perceber alguns devido ás suas máscaras, o som fica em modo eco, ou sei lá!

Realmente não sei como as pessoas conseguem e algumas dizem que é tranquilo usar! Talvez me falte hábito, experiência!

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A caminho do trabalho

Quando cheguei à grande rotunda da entrada na  localidade onde trabalho, lá estavam os senhores agentes. Mandavam parar todas as viaturas. Estive uns minutos à espera na fila.

Como há dois dias atrás já me tinham mandado parar, e pedido a declaração da entidade patronal  (que eu não tinha na altura) a comprovar o motivo de eu andar a circular, eu já levava tudo pronto para mostrar no banco do pendura.

Quando o senhor me fez a pergunta eu entreguei logo tudo, ele viu e desejou-me bom trabalho e mandou-me seguir. Foi tranquilo!

Chego a outra rua e anda um carro com um senhor todo equipado a limpar a via, lá tive eu de esperar mais uns minutos. Normalmente meia hora de tempo dá para chegar ao trabalho, estacionar e equipar-me, mas hoje, que até fui mais mais cedo, acabei por picar o ponto três minutos depois da hora.

Não gosto de chegar atrasada, para a próxima tenho de ir ainda mais cedo, a contar com todos estes contratempos!

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Bendito acrílico

Mais um ponto positivo do acrílico nas caixas: agora os clientes que tinham o hábito de nos dar pela frente caixas das cervejas (ou outros artigos pesados) , já não o podem fazer!

Pessoas com problemas de coluna, era um constante desafio, e quem não os tinha, com este exercício, certamente, ficaria. Posso dizer que cheguei a andar dois meses com um  problema num ombro devido a esta brincadeira.

Agora existe um motivo para recusar, porque antes, tinha de aguentar, e pronto! Mesmo assim, com o acrílico há clientes a darem lá cabeçadas e encontrões. As pessoas não entendiam, que o tapete rolante servia justamente para que as pessoas não tivessem de fazer aquele esforço, para que poupássemos o nosso corpo, para facilitar a vida às pessoas, porque também não somos máquinas.

Se fosse um maço de rolos de papel higiénico, apesar de volumoso é leve, não se compara a produtos pesados que puxavam pelo físico!

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Se o uso de máscara se tornar obrigatório

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Acredito que vai chegar a uma altura em que o uso da máscara será obrigatório, por isso resolvi experimentar... e ao contrário do que eu achava, não é fácil. Parece que me falta o ar. Mas, estou a tentar me adaptar!

Já quando tinha de usar o lenço da farda atado ao pescoço me sentia mal,  mas desta vez, se for para minha segurança, vou insistir!

Ainda há quem não entenda a importância das regras

Estou a acabar de atender um senhor, a seguir está um casal, que parece estar com alguma pressa. Digo para avançarem. No entanto, a mulher ao invés de se manter ao lado do marido, a colocar os artigos no tapete,  passa para o outro lado, encostando-se literalmente ao outro senhor (até este ficou surpreendido) que ainda não tinha saído do outro lado. Eu digo " desculpe mas não pode passar, assim não está a manter a distancia"! Ao que ela responde, incomodada e até meio zangada:  "tanta coisa, tanta coisa"!

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Do uso da máscara e das luvas

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Já um ou outro cliente me questionou sobre o facto de não usarmos  máscara. Por vezes, parece que estão a fazer um inquérito, outras vezes é só para fazer conversa de circunstância. Justifiquei dizendo que as barreiras acrílicas nos davam  proteção, alguns ficavam convencidos, outros nem tanto! 

Um dia destes resolvi, não usar as luvas, como tenho o álcool em spray e ia desinfetando a cada cliente. Fi-lo porque não me ajeito nada com as luvas, mas consciente do que estava a fazer. No entanto, houve vários clientes perguntarem-me o porquê de não ter luvas. Voltei a usá-las, principalmente para não ter de dar explicações!

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Já me começo mais a habituar ás luvas, e caso fosse preciso, ou me dissessem na empresa, para usar máscara, também me habituaria!

Claro que quanto mais protegidos estivermos melhor, tanto para nós como para os outros!

Prestar atenção á informação escrita

Aproveite o tempo que está na fila para ler os cartazes expostos, tem sempre informação útil!

Já sei que o normal é não lerem nada, não ouvirem nada pelo som, pois o melhor é sempre fazer perguntas!

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Preste atenção, principalmente ao ponto 3, ou seja, aguarde as instruções da operadora...

Fila única: sim ou não!?

Os clientes têm tomado a iniciativa de fazerem fila única. Há quem ache que assim é que está correto, mas também há quem ache o contrário.

Eu pessoalmente , não concordo, não acho bem. Se nunca se fez fila única, porque  é que, agora, se tem de fazer!? A meu ver, ali naquela loja, não se justifica, fila única! Tudo depende do tamanho da loja e esta não é grande. Aliás, esse modo de fila deixa-me stressada, nunca sei quem chamar a seguir, mas pronto é só uma opinião, e, apenas vale por uma.

Um destes dias quando disse ao cliente seguinte para avançar, pois ele estava na minha fila, uma cliente (lá não sei de onde) começa a dizer-me "mas eu estava primeiro"! E eu disse "mas a senhora não estava na minha fila!?" E ela diz "sua fila"! E ali se gerou uma confusão!

Nós, já por diversas vezes tentamos que não façam esse tipo de fila, mas é escusado, até que há colegas que já deixam que sejam os clientes a fazer como querem! Desde que eles se entendam!

Talvez seja eu que tenha de me habituar!

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Pessoas que vão às compras para elas e para os outros

Por vezes tenho a sorte de atender, pessoas  que são uma verdadeira força da natureza, uma lufada de ar fresco. Pessoas solidárias, que vão às compras, não só para elas, como também para familiares, vizinhos, amigos, que nesta altura que o pais atravessa, não podem ir à rua.

Gostaria de partilhar duas histórias.

A primeira, uma jovem mulher, cujas compras eram para ela, pais e avós. O carrinho estava lotado, ela queria ir logo separando, nos sacos. Muito desembaraçada, de um    lado  para o  outro.  Ao mesmo tempo conversava comigo,  simpática, educada, bem formada,  daquelas pessoas que nos fazem sentir úteis. Ao ver eu a dizer ao próximo cliente para aguardar atrás da sinalética, elogiou a minha atitude e disse que não eram só os médicos que mereciam a sua admiração.

A segunda história foi um rapaz, quase que diria, ser menor. Também me disse que era o único da família de quatro elementos que podia sair e ir às compras. Tão desenrascado. Também tinha o carrinho lotado, mas não se atrapalhou.  Educado, simpático, conversador, atento.

São pessoas destas que nos fazem sentir úteis. Que bom seria que existissem mais assim!

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