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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Quando o ácool gel nos faz alergia nas mãos

Cerca de dois anos a usar álcool gel nas mãos e tudo sempre a correr bem. Até que comecei a ficar com borbulhinhas nas mãos e o álcool a arder. Acho que me está a fazer alergia.

Tento usar luvas, mas é complicado.  Estão sempre a cair, estou sempre a puxar. Quando  estou a entregar o troco, deixo as moedas caírem, quando estou a tirar os selos, ficam colados  nos dedos.  Acho que são demasiado grandes para mim, ou então é mesmo falta de jeito. Já experimentei dois tamanhos.

Queria mesmo era não ter de usar luvas e não fazer alergia ao álcool!

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O décimo quarto aniversário deste blogue

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Quero vos agradecer pelas visitas, pelos comentários, conselhos e até pelas criticas.

Já são muitos anos a cuidar deste espaço. Os últimos anos não têm sido os melhores a nível de trabalho, com esta,  já não tão nova realidade e mudança, mas ao mesmo tempo, têm surgido novos  e inéditos episódios com toda esta situação.

Enquanto este espaço tiver conteúdo para partilhar assim o farei. Até para que as pessoas tenham noção das situações que se passam num supermercado. Não pensem que nunca se passa nada de interessante ou caricato, pois há sempre situações, algumas mesmo inusitadas.

Muitas vezes, é como estar num teatro a assistir a uma peça, onde há drama, comédia, romance, desprezo, horror, hostilidade, estupidez, ignorância, má educação, solidariedade, simpatia.

Por isso, sempre que quiserem, passem por este teatro! As cortinas estarão sempre abertas!

Lá por cheirar a lixívia não quer dizer que tenha

Uma cliente estava na fila muito agitada. Estava só a pedir à filha para estar quieta. Sempre que eu olhava, a pequena parecia tão sossegadinha!

Entretanto quando acabo de atender a ultima cliente desinfeto o tapete e essa cliente passa para o tapete de saída com a filha. Começa a arrumar os produtos nos sacos que trazia de casa. A dada altura diz: "cheira-me a lixívia"! Vai, tira alguns dos produtos que já tinha arrumado para fora do saco, tira a máscara e começa a cheirar tudo! Eu digo-lhe que o nosso desinfetante parece cheirar a lixívia, mas não é lixívia, porque caso fosse, as nossas fardas estariam todas manchadas! Já estava outra cliente na fila que também estava a olhar para esta cliente com surpresa.

A dada altura a mulher explode, despeja os artigos de todos os sacos e diz : "Não vou levar nada disto! Isto cheira a lixívia! Não vou dar esta comida à minha filha!"

Foi se embora, e lá fiquei eu com uma data de produtos, para arrumar. Tive de arranjar um carrinho para as por, porque precisava do espaço livre para atender a próxima cliente.  Cliente essa que estava tão aparvalhada quanto eu!

Certamente aquela senhora teve algum surto, não estava bem, só pode!

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Quem não percebeu fui eu!?

Uma senhora, diz que tem a caderneta e que a está quase a acabar.

Eu digo-lhe que vai levar mais uns quantos selos!

A senhora, muito entusiasmada, diz-me que se calhar era naquele dia  que levava a coleção! Pergunto-lhe  quantas cadernetas tem. Reponde: "então, tenho uma"! Ao que eu respondo que assim pode levar uma faca. É aí que começa a confusão, porque a senhora achava que com uma caderneta completa podia levar toda a coleção incluindo o suporte.

Teimava comigo que podia levar tudo.  Dizia-me que eu  não estava a perceber, que não estava  bem informada, e que ia levar todas, mas que voltava lá outro dia com mais tempo.

Desisti!

Quando ela lá voltar, alguém que lhe explique melhor, que eu não consegui!

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Hoje o dia esteve estranhamente, calmo

Já a semana passada, a segunda e a terça foram dias bastante calmos, e esta semana repete-se.

A semana passada, os restantes dias da semana, estiveram cheios de gente!

Certamente amanhã, o caso repete-se, e começa a azafama!

Dias demasiados calmos, o tempo custa a passar, mas dias cheios de gente é um stresse enorme, porque ninguém tem calma, tolerância, paciência. Mas já deviam de saber,  que nestas datas, é sempre assim! É tipo do português deixar tudo para a última hora! Porque nós estivemos lá sempre, os clientes é que decidiram combinar ir todos ao mesmo tempo, certo!? Estava a brincar!

Gostaria de pedir para terem um pouco mais de paciência, porque pode haver demoras, pode faltar algum produto, pode estar de chuva, mas podem ter a certeza que o nosso lema, é fazer o nosso melhor, para que corra tudo bem!

Bem hajam, e tenham calma!

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A minha gratidão aos colegas de trabalho

É certo e sabido que este blogue, é um espaço onde partilho as experiências vividas com os clientes que passam pela minha caixa.

Mas, desta vez, gostaria de partilhar uma reflexão em relação aos colegas de trabalho, refiro colegas, neste caso a todos, sem olhar à hierarquia.

Sou muito agradecida pelos colegas que tenho. Dou-me bem com todos, embora possa ter mais afinidade com uns do que com outros, mas só tenho a dizer: são todos boa gente! Nunca tive um grande atrito com um colega, e já são cerca de 17 anos. Também existe o facto de ter um trabalho mais individual, mas ainda assim, dou-me bem com colegas que não são da minha seção. Posso até dizer que tenho ali, amigas de verdade.

Sempre que é possível, há conversas, brincadeiras, trocas de ideias. Mesmo em momentos mais difíceis, sempre tive apoio.

Tenho colegas que me tratam por um diminutivo que me transporta para a infância e para os bons momentos com os primos da minha aldeia.

Aquele habitual e simpático "bom dia"!

Além de tudo isto, ainda tenho aquelas colegas prendadas que fazem coisinhas doces que me dão ou que me levam frutas, tais como nêsperas, marmelos, romãs.

Portanto ir trabalhar, não é um frete, é um gosto! Claro que nem tudo é um mar de rosas, lá aparece um espinho ou outro, mas em relação aos clientes, não em relação aos colegas!

Sou muito abençoada e grata. Também acho que sou uma pessoa de trato fácil!

Obrigada a todos os/as colegas! Gosto muito de vocês!

Bem hajam!

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Um quase roubo

Estou a atender um cliente que estava numa de conversar, conversar. Eu estava a tentar despachar, mas o senhor queria mais conversa.

A dada altura ouço um alarme, que me parecia não ser da minha caixa, parecia vir de longe, e então olhei para trás. É aí que esse senhor que trazia uma mala preta ao ombro, retira da mesma umas laminas dentro de uma caixa com alarme e diz, na maior das descontrações : "Fui eu,  fui eu ! Meti isto aqui para não misturar com a comida e quase que me esquecia de as pagar! Ainda ia o segurança atrás de mim e passava vergonha!" Era um produto caro.

Fiquei ali uns segundos  a processar a situação, e pedi ao senhor para não voltar a fazer isso. Ele diz: "pois, já viu a minha situação, que vergonha!!

Eu nem sabia o que pensar. Ou o senhor é bom actor ou estava mesmo a ver se levava o artigo sem pagar!

E depois quem se sente mal sou eu. Mas alguém guarda um artigo dentro da mala com intenção de o pagar!?

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Mostrar sacos trazidos de casa na caixa do supermercado

Um destes dias, pedi a uma senhora, cliente habitual para ver os sacos. Ela ficou muito ofendida. disse que já ia aquele supermercado há anos e que nunca lhe tinham pedido tal coisa. Ao principio julgou que era por eu achar que ia lá algum sacos novo e que ela não o queria pagar.

Expliquei dizendo que estava lá o pedido , e que era para ver se iam vazios! Pior foi. Respondeu "é muito feio estarem a desconfiar dos clientes!" Eu ia para responder "feio é roubar",mas lá travei a língua a tempo!

É que continua  a haver situações de coisinhas esquecidas e tapadas pelos sacos, por isso este pedido faz todo o sentido!

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