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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Os quebra-regras

Um dia destes, um cliente com um carrinho cheio, ao chegar minha caixa, queixou-se da minha colega não o ter deixado ir para as caixas self-service. Respondi que aquelas caixas não eram para carrinhos e que estava lá uma placa com essa informação. Ao que ele respondeu "pois, mas bem que ela podia facilitar"! Respondo que são regras da empresa, e o cliente, continua a não aceitar a regra e a dar os seus argumentos parvos!

Desisti, de argumentar. É por causa destas pessoas com esta dificuldade em aceitar normas, que a caixa de 10 unidades deixou de existir, porque as pessoas também queriam ir para lá com um carrinho cheio, alegando que não estava lá ninguém com dez unidades, e que as podia atender...

Fico passada com gente que não aceita regras, imagino que estas pessoas, também não devem respeitar outro tipo de regras, tipo as de transito, argumentando "o sinal está vermelho, mas não está aqui ninguém, vou passar e pronto!"

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Ser operadora de caixa, na minha perspetiva é...

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Os seguintes pontos, são aqueles sobre os quais me debruço e tento cumprir e fazer o meu melhor…

  • Cumprimentar, se possível, olhos nos olhos, o cliente.
  • Perguntar se precisa de saco, ou de ajuda em alguma coisa no embalamento. Ser prestável!
  • Ouvir, quando o cliente refere se encontrou ou não, tudo o que precisava, ajudar nesse sentido.
  • Escutar, o que o cliente tem a dizer sobre o que aconteceu nas seções, peixaria, padaria, talho etc…
  • Ir registando as compras de acordo com o ritmo do cliente.
  • No caso de já conhecer alguma coisa do cliente, meter conversa a esse respeito, desejando que alguma coisa menos boa, se componha! Se a pessoa é divertida e diverte, entrar nesse compasso.
  • Perguntar se quer o número do contribuinte na fatura, respeitando, as razões que o cliente aponta para o sim ou para o não, encontrando um ponto em que concorda com ele.
  • Perguntar se tem cartão de cliente, cupões e se quer descontar saldo, no caso de o ter...
  • Dizer o total de forma subtil, para não assustar o cliente, mencionando os descontos que teve.
  • Despedir e agradecer com agrado e simpatia.

Será que me esqueci de algum ponto importante? Aceito sugestões, de colegas e de clientes!

Dois tipos de abordagem, duas reacções diferentes

Um destes dias, depois de sair do trabalho, voltei a entrar no supermercado para fazer umas compras. Nunca o faço fardada, porque disseram-me que não o devíamos fazer, e para meu próprio descanso, porque se me vissem fardada, os clientes iam fazer perguntas, e nem sempre estou com tempo e gosto de tranquilidade para escolher as minhas coisas.

Então, nessa ocasião, andava eu com o meu carrinho e ouço uma pessoa a dizer:  “olhe, está ouvir, ouça lá”, não respondi à primeira, mas a criatura insistia, então virei-me, com cara de isso é comigo? E a senhora diz:  “Então? Não trabalha aqui!?”. Como quem diz, “estás disfarçada, mas eu sei que trabalhas aqui, por isso tens de me servir, agora e já”!

Noutro dia, noutro supermercado, encontro um velhote, que ao ver-me diz: “ desculpe menina, sei que não trabalha aqui, não deve poder me ajudar a encontrar uma coisa”. Ao que eu respondi “mas diga lá, pode ser que eu saiba”. "É que não sei onde está o pó talco"! Disse ao senhor que devia de estar na secção dos bebés e acompanhei-o até lá . Agradeceu-me imenso e foi de uma humildade e simpatia sem igual. Fiquei tão confortada de o ter podido ajudar.

O que falta muitas vezes ás pessoas é educação, civismo e humildade, porque  com essas três coisinhas, a vida corre  um pouco melhor!

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A mudança da farda

A mudança da farda é sempre um momento  que não nos esquecemos. Desde que entrei para este supermercado, que na altura era ainda modelo, já mudei quatro vezes!

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Gostei mais de umas do que de outras. Confesso que o lenço ao pescoço, sempre me incomodou, porque me sentia sufocada, mas isso era um problema pessoal, tive de arranjar maneira de o contornar.

A nova farda feita pelo Luís Buchinho, é bonita, principalmente a de operadora de caixa, e, não inclui lenço!

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E a "saga" da prioridade continua na fila

Estou a acabar o atendimento a uma cliente. A seguir está uma velhota já com algumas coisas no tapete e depois desta, está uma jovem senhora, grávida. Esta senhora, por acaso brasileira, pergunta se há uma caixa para grávidas, e se pode passar.

Fiquei ali um pouco indecisa, porque pedir a uma senhora idosa, e se calhar mais debilitada que a grávida, não seria bom senso. Então perguntei à senhora idosa, se ela se importava que atendesse primeiro a senhora grávida, ao que ela perguntou "mas porquê , ela está com pressa?". Respondi que estava grávida, e a senhora idosa não entendeu, o porquê desta querer ser atendida em primeiro lugar. Perante isto a senhora grávida, disse que esperava.

Quando chegou a vez da senhora grávida, eu expliquei que não tínhamos uma caixa exclusiva para grávidas, tínhamos as caixas prioritárias, mas, as mesmas, incluíam grávidas, deficientes, crianças de colo, idosos debilitados... A senhora disse: " mas isso não está muito certo, devia ter caixa para grávidas e cadeirantes, porque, assim a pessoa fica inibida de estar a pedir"! Disse à senhora que quando há vários clientes  prioritários, o atendimento é feito por ordem de chegada à fila, mas pareceu-me que a senhora não concordou, ou não entendeu!

Ainda bem que estes "conflitos" não acontecem todos os dias, e que muitas pessoas já conseguem usar o bom senso, porque não é fácil gerir!

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Por vezes temos de tomar medidas radicais!

Não têm conta as vezes que esta situação acontece por dia. Umas vezes a coisa resolve-se bem, mas por outras dá confusão! Refiro-me ao facto de na fila as pessoas não deixarem o cliente que está ser atendido ter a sua privacidade, quer para arrumar as compras, quer para fazer o pagamento ou mais alguma coisa. O cliente seguinte fica em cima deste!

Recentemente estava a atender um jovem, a seguir estava  uma senhora, parecia apressada ou impaciente, andava de um lado para o outro, até que se instalou no local de frente para o sítio onde o cliente que estava a ser atendido tinha de estar.

Quando digo o total, o jovem aponta para senhora e diz que é ela que paga! Ao que ela rege um pouco agressivamente, vai o jovem diz que ela lhe tirou a privacidade, que se roçou nele, e que agora ela tem de pagar, já que está ali.

Por pouco que esta situação não acabava mal!

Sugiro para que se evite essas situações que se coloque uma sinalética no chão e que quando o cliente que está a seguir a pisar, se emita um sinal sonoro, a ver se assim ele se dá conta, e recue!

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Onde está a 4ª edição dos blogs do ano!?

Faz agora UM ano que este blogue foi nomeado para a 3ª edição dos blogs do ano.

Pelos vistos este ano, não haverá esse evento. É pena! Principalmente para os bloggers anónimos, os da escrita,  os que não ganham dinheiro com a sua atividade, os que  não contam as visualizações ou os seguidores. Parece que esses bloggers passaram  a segundo plano. Hoje em dia, são os  influenciadores, os que usam instagram, facebook, vídeos, imagens é que estão na moda.

Perdeu-se um pouco aquele mistério de saber quem está por trás dos textos, quem está a passar por tal situação, quem precisa de desabafar com estranhos, e receber comentários deles, quem tem aqueles gostos, ambições, desilusões, enfim...

Talvez um dia se faça algum evento do género para os bloggers da escrita, que são ainda anónimos, pois os famosos já têm centenas de seguidores, já têm fama e até ganham dinheiro com a sua atividade!

Viva o blogger da escrita!

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