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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Talvez tenha conseguido passar a mensagem a UMA pessoa

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Estava a concluir o atendimento a uma cliente, enquanto ela procura o dinheiro na carteira, aproveito para ir limpar/desinfetar  o tapete de saída. Entretanto apanho o dinheiro, e quando digito o valor, o cliente seguinte, estica-se para todo, invadindo o acrílico e coloca um pacote de detergente justamente em cima da gaveta da caixa registadora , que, com o peso, não abre para dar o troco.

Eu: - Mas se está aqui este vidro porque não pôs as coisas atrás!?

Cliente: - Era para você me passar isso primeiro para ir logo para o carrinho!

Eu: Pois mas agora este cliente vai ter de esperar porque a gaveta não abriu. É que é só seguir as regras! O tapete até tem cores, há um vidro e mesmo assim, as pessoas não têm cuidado!

Cliente: Pois está bem. Agora já sei!

Depois até pediu desculpa por fazer a outra pessoa esperar que viessem abrir a gaveta.

Se tudo isto deu para uma pessoa aprender alguma coisa, já fico satisfeita!

Os velhotes e as vacinas...

Sei que são mais as vezes que partilho situações  negativas do que positivas, porque talvez elas me deixem mais insatisfeita e porque assim consigo dar o feedback ao público de como esta pandemia não deu para "civilizar"  as pessoas, como no inicio todos achávamos, mas para trazer ao de cima, o pior de muitas delas!

No entanto, também há dias bons, pessoas sensacionais, humildes, ordeiras, simpáticas. Consigo até dar pela falta de algumas pessoas, consigo até sentir saudades das boas e até divertidas conversas que costumávamos ter. Embora as conversas hoje em dia vão, quase  todas,  parar à pandemia!

Ontem, atendi dois casais de velhotes, que são uns queridos. Aquele "olá menina. então como tem passado? Há que tempos que não nos víamos!" Um dos casais apenas não tinha  aparecido, para se resguardar, mas o outro...

Quando eu digo que já não os via há muito tempo, a senhora contou-me que "foi o covid"! Então eu pergunto-lhe  se esteve com o vírus e ela responde: " olhe acho que foi pior que ter o covid, fui levar a vacina a astrazeneca, e quase que morria, tive febre, fiquei de cama, parecia que tinha-me passado um camião por cima, tantas dores no corpo, na cabeça, pensei que morria, nunca tive tanto medo, e já tenho mais de 70 anos!"

E depois diz-me que o marido, o senhor que estava com ela, levou a mesma vacina, dois minutos depois,  mas  não teve nada! Também me disse que em junho teria de levar a segunda dose e que agora tinha muito medo!

Tentei tranquilizá-la, mas disse-lhe que dessa vacina também tinha algum receio, mas que como já tinha passado mal da primeira poderia ser que da segunda já não sofresse. Mas disse-lhe para ela falar com o médico de família.

Apesar de tudo isto, e, pelo que tenho falado com os clientes, principalmente os mais velhos, eles estavam contentes com a vacina. Muitos já tinham levado a primeira dose e até há pouco tempo, não havia grandes queixas...

Primeiro vem a pandemia para nos deixar neste caos, depois vem a esperança da vacina, e agora andamos com medo da própria vacina!

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Este vírus é matreiro

"Este vírus é matreiro, só ataca as pessoas nas filas para pagar, nos corredores, não faz mal a ninguém!"

Já não é a primeira vez que ouço uma frase desde género,  muitos clientes implicam com o facto de só terem de fazer distanciamento nas filas. Certamente queriam um segurança por cada corredor a dar instruções para não estarem próximos.

Ou então, se calhar, o ideal era sempre que alguém entrasse no supermercado, ser-lhes colocado um chip, e sempre que uma pessoa se aproximasse demasiado da outra, aquilo apitava  ou dava choque!

Até parece que gozam connosco, porque acham incoerente que nas filas tenham de fazer o  distanciamento, e nos corredores ninguém faz. É pena que não percebam que o que estamos a fazer é o nosso trabalho,e que, se cada um fosse responsável, também tinham cuidado nos corredores. Eu, quando estou em modo cliente, se preciso de ir a um corredor onde estão  muitas pessoas, dou a volta, e volto lá depois. Já me faz confusão estar com muitas pessoas  à volta!

Tenho quase a certeza que quando a pandemia acabar, que há-de acabar, uma das primeiras coisas que as pessoas vão voltar a fazer livremente é estarem coladas umas ás outras. Roçadas! Aquela falta de privacidade para marcar o código do multibanco, que se conseguiu ultrapassar com a pandemia, vai voltar!

Mas aí eles que se entendam, porque esta luta cansa!

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Pergunta ao da caixa X, responde o da caixa Y

Estou na caixa número 2. Quando o cliente chega além de o cumprimentar pergunto se precisa de algum saco. Ele responde. A meio do registo , a minha colega de trás pergunta ao cliente dela se ele quer saco, e o meu cliente responde: "já lhe disse que não"! Ao que eu lhe digo: "mas eu não disse nada, a conversa era ali atrás!"

Esta situação repete-se vezes sem conta. Tudo culpa das máscaras, das barreiras acrílicas, da rádio do continente e dos sons e barulhos próprios do local.

Andamos todos a ficar totós!

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Quer número de contribuinte na fatura?

A imaginação das pessoas/clientes é incrível, nomeadamente na resposta à pergunta: "Quer número de contribuinte na fatura?"

A resposta simples e mais correta seria "Sim, o que está associado ao cartão, por favor!"

MAS, eles preferem inventar:

  • Está no sistema
  • Já aí/lá está
  • Está incorporado
  • Está no ecrã
  • Então, mas não o está a ver aí!?
  • Está agregado
  • Não é preciso, porque já está automático
  • Está à sua frente
  • Está na ficha
  • Associe esse que está no cartão
  • Está incluído

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"Vamos incestar artigos!?"- Pensam eles

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Um destes dias, estava eu a atender um dos últimos clientes do dia, quando este, tendo espaço atrás no tapete, atirou um artigo contra o acrílico. Pensei "oh estou quase a sair, não me vou estar a chatear"! Fingi que não vi. Entretanto, a pessoa repete atirando outra coisa. Respirei fundo, e voltei a não dizer nada! Mas à terceira disse. "Mas o que é isto!? Um cesto de basquetebol!?" Não sei se me percebeu! Pelo menos não repetiu a façanha!

Parece que na visão de algumas pessoas, há ali um cesto de basquetebol para incestar artigos!

E que tal esperar a sua vez!?

Estou a atender os clientes que tenho na minha fila. Uma senhora que está na fila atrás de mim, ao ver-me registar uns copos (da campanha dos selos) à pessoa que estou a atender, pergunta-me  até quando é a campanha. Respondo!

Continuo o meu trabalho e a mesma cliente de trás volta a chamar-me para fazer outra pergunta, interrompendo o atendimento que estou a fazer. Ora ela estava noutra caixa, não podia esperar pela sua vez para fazer as suas questões, ainda confessa que estava já a perguntar para depois não se demorar tanto.

Isto é de doidos! Não me deixou dar a devida atenção que eu tinha de dar ás pessoas que estavam na minha fila.

Qualquer dia tenho uma explosão de nervos e digo alguma coisa que depois me vai lixar, mas é que há pessoas que têm o dom de nos testar a paciência!

Falta de noção!KLOIYU7890.jpg

Um aplauso para um cliente!

Uma cliente trás dois cestinhos daqueles vermelhos com artigos. Está a colar os produtos sobre o tapete, quando pergunto se precisa de saco. É quando se lembra que não tem sacos, mas também não quer comprar, e pede para ir à rua buscar um carrinho - os carrinhos estão no parque.

Como aparentemente, não estava muita gente,  lá foi buscar. Eu ia chegando os artigos para o fundo, para dar espaço. Chega um senhor, que percebe que eu estava sozinha. Entretanto a senhora lá chega, começa a colocar os artigos, o telemóvel toca. Pensei que como estava atrasada não ia atender, mas atendeu. E a partir daí, começou a arrumar as compras mais devagar. Eu já tinha registado tudo, aproveitei para limpar o tapete de receção de artigos.

Como percebi que a conversa não era urgente e para ver se a pessoa percebia que já estava a empatar demais, perguntei pelo cartão continente. Mas nem me respondeu. Perguntei em voz mais alta. Ela diz à outra pessoa que já lhe liga. Olha para mim e para o outro senhor e diz : "é impressionante como é sempre nestas alturas que os telefones tocam!" E a resposta do outro senhor, foi de louvar e  até de aplaudir:

O mais impressionante não são as alturas em que os telemóveis  tocam, o que impressiona é as vezes que as pessoas,   mesmo assim, os atendem!

Se pudesse tinha aplaudido de pé!

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